Jorge da Dinamarca e Noruega, Duque de Cumberland (Copenhague, – Londres, ) foi o marido da rainha Ana e Consorte Real dos Reinos da Inglaterra, Escócia e Irlanda de 1702 até o Tratado de União de 1707, continuando como Consorte Real do Reino da Grã-Bretanha e Irlanda até sua morte.

Seu casamento com Ana foi arranjado na década de 1680 como uma oportunidade de desenvolver uma aliança anglo-dinamarquesa para conter o poderio naval holandês. Assim, Jorge não era popular com seu cunhado holandês Guilherme de Orange, que havia se casado com Maria, irmã de Ana. Guilherme e Maria tornaram-se co-monarcas da Inglaterra após a Revolução Gloriosa de 1689, que depôs Jaime II & VII, pai de Ana e Maria.

Guilherme excluiu Jorge do serviço militar e ele e a esposa não exerceram grande influência até Ana tornar-se rainha. Durante o reinado dela, Jorge ocasionalmente usou sua influência para apoiá-la, mesmo quando discordava de suas visões. Era de fácil relacionamento e interessava-se pouco em política; sua nomeação como Lorde Grande Almirante em 1702 foi apenas honorária.

As dezessete gravidezes de Ana com Jorge resultaram em doze abortos ou bebês natimortos, quatro mortes na infância e um filho doente crônico, Guilherme, que morreu aos onze anos. Apesar de seus históricos com os filhos, o casamento de Ana e Jorge era bem forte. Ele morreu aos 55 anos de uma doença crônica no pulmão e foi enterrado na Abadia de Westminster.

Início de vida Jorge nasceu no Castelo de Copenhague, Copenhague, em , sendo o filho mais novo do rei Frederico III da Dinamarca e Noruega e Sofia Amália de Brunsvique-Luneburgo. Sua mãe era irmã de Ernesto Augusto, Duque de Brunsvique-Luneburgo, mais tarde Eleitor de Hanôver. A partir de 1661 seu governador foi Otto Grote, posteriormente ministro hanoveriano na Dinamarca. Grote era "mais um cortesão e estadista do que educador", sendo substituído pelo mais eficiente Christen Jensen Lodberg ao partir para corte de Hanôver em 1665. Jorge recebeu treinamento militar e empreendeu uma Grand Tour pela Europa, passando oito meses entre 1668 e 1669 na França e no meio de 1669 na Inglaterra. Seu pai morreu em 1670 enquanto Jorge estava na Itália, com seu irmão mais velho Cristiano ascendendo ao trono. Ele voltou para a Dinamarca através do Sacro Império Romano-Germânico. O príncipe viajou pela Germânia novamente entre 1672 e 1673 para visitar duas de suas irmãs, Ana Sofia e Guilhermina Ernestina, que eram casadas com os príncipes-eleitores da Saxônia e do Palatinado.

Jorge foi candidato em 1674 ao trono eleitoral da Polônia, tendo sido apoiado pelo rei Luís XIV de França. Seu firme luteranismo foi uma barreira na Polônia católica e João Sobieski acabou sendo escolhido. Ele serviu em 1677 com distinção junto com o irmão Cristiano na Guerra da Escandinávia contra a Suécia. Seu irmão foi capturado pelos suecos na Batalha de Landskrona e Jorge "abriu seu caminho através dos números inimigos e o resgatou no perigo iminente de sua própria vida".

Como protestante, Jorge era visto como um parceiro adequado para a sobrinha do rei Carlos II de Inglaterra, a Srta. Ana. Apesar de serem primos distantes (ambos descendiam do rei Frederico II da Dinamarca), nunca haviam se encontrado antes. Carlos II recebeu Jorge em Londres em 1669, porém Ana estava na França durante o período da visita do príncipe. Tanto a Dinamarca quanto a Inglaterra eram países protestantes, com o católico Luís XIV estando interessado em uma aliança anglo-dinamarquesa para conter o poder da República dos Países Baixos. Lourenço Hyde, 1.º Conde de Rochester, tio de Ana, e Roberto Spencer, 2.º Conde de Sunderland e Secretário de Estado para o Departamento do Norte, negociaram um acordo de casamento com os dinamarqueses em segredo para impedir que seus planos vazassem para os holandeses. Jaime, Duque de Iorque, o pai de Ana, concordou com o casamento por diminuir a influência do seu outro genro, o holandês Guilherme III de Orange, que naturalmente não gostou da união.

Casamento thumb|left|Jorge c. 1687. Por John Riley, na National Portrait Gallery. Jorge e Ana se casaram em 28 de julho de 1683 na Capela Real do Palácio de St. James, Londres, por Henrique Compton, o Bispo de Londres. Os convidados incluíam o rei Carlos II, a rainha Catarina de Bragança e o Duque e a Duquesa de Iorque. ; Ana recebeu uma pensão parlamentar de vinte mil libras esterlinas anualmente, enquanto Jorge recebia dez mil libras por ano de suas propriedades dinamarquesas, apesar dos pagamentos da Dinamarca frequentemente atrasarem ou estarem incompletos. O rei Carlos deu ao casal aposentos no Palácio de Whitehall conhecidos como The Cockpit (perto do local que é atualmente a rua Downing em Westminster) como sua residência em Londres. ; ;

Jorge não era ambicioso e esperava ter uma vida quieta de domesticidade junto com a esposa. Ele escreveu a um amigo: "Nós conversamos sobre ir para o chá, sobre ir para Winchester e de tudo exceto ficar parado todo verão, que foi o auge da minha ambição. Deus enviou a mim uma vida quieta em algum lugar, porque logo não serei capaz de suportar este movimento perpétuo". ;

Ana engravidou poucos meses após o casamento, porém foi uma menina natimorta que nasceu em maio de 1684. Ela foi se recuperar na estância termal de Royal Tunbridge Wells, e nos dois anos seguintes deu à luz em rápida sucessão duas meninas, Maria e Ana Sofia. ; No início de 1687, em questão de dias, Jorge e suas duas filhas pegaram varíola e Ana sofreu um aborto. Jorge se recuperou, porém Maria e Ana Sofia morreram. Rachel Russell escreveu que os dois tinham "sentido [as mortes] pesadamente. O primeiro alívio daquela tristeza procedia na ameaça de algo maior, o Príncipe estando tão doente de febre. Eu nunca ouvi relação mais emocionante que vê-los juntos. Algumas vezes eles choram, algumas eles lamentam em palavras; eles sentam em silêncio, dando as mãos; ele doente na cama, e ela a atenta enfermeira que lhe pode ser imaginado". ; Ele voltou para a Dinamarca no meio de 1687 para uma visita de dois meses enquanto Ana ficou na Inglaterra. Mais tarde naquele ano, após seu retorno, Ana deu à luz outro natimorto, desta vez um menino. ;

O rei Carlos II morreu em fevereiro de 1685 sem deixar herdeiros legítimos, assim o sogro de Jorge, o católico Duque de Iorque, ascendeu ao trono como Jaime II de Inglaterra & VII da Escócia. Jorge foi nomeado para o Conselho Privado e convidado a comparecer em reuniões de gabinete, apesar de não ter poderes para alterar ou afetar decisões. Guilherme de Orange se recusou a comparecer na coroação de Jaime principalmente porque Jorge tomaria precedência sobre ele. Apesar de ambos serem genros do rei Jaime II & VII, Jorge também eram filho e irmão de reis e assim em um nível acima de Guilherme, que era um estatuder eleito de uma república.

Maria, a irmã mais velha de Ana, havia se mudado para os Países Baixos após seu casamento com Guilherme de Orange. Dessa forma, a oposição protestante a Jaime centrou-se cava vez mais ao redor de Jorge e Ana em vez de Maria, que era a herdeira presuntiva. O grupo social e político centrado no casal era conhecido como "Círculo Cockpit" por causa de sua residência em Londres. Guilherme invadiu a Inglaterra em 5 de novembro de 1688 em uma ação que ficou conhecida como a Revolução Gloriosa, terminando por depor Jaime II & VII. Jorge foi avisado previamente pelo enviado dinamarquês em Londres, Frederico Gersdorff, que Guilherme estava reunindo sua frota de invasão. Jorge informou Gersdorff que o exército do rei estava descontente e assim ele se recusaria a receber quaisquer ordens de Jaime, porém serviria apenas como voluntário não comissionado. O plano de Gersdorff para levar Jorge e Ana para a Dinamarca foi rejeitado pelo príncipe. Jorge acompanhou as tropas do rei até Salibury no meio de novembro, porém outros nobres e seus soldados logo deserdaram para o lado de Guilherme. A cada deserção, Jorge aparentemente exclamava "Est-il possible?" ("É possível?"). Ele abandonou o rei em 24 de novembro e foi para o lado do cunhado. Jaime supostamente afirmou "Então Est-il possible foi também". Em suas memórias, Jaime disse que a deserção de Jorge foi trivial, dizendo que a perda de um bom soldado foi mais consequência, ; ; ; porém Gersdorff afirmou que a deserção muito perturbou o rei. A deserção de Jorge e outros nobres foi instrumental em destruir o apoio de Jaime. O rei fugiu para a França em dezembro, e no início do ano seguinte Guilherme e Maria foram declarados co-monarcas com Ana como sua herdeira presuntiva. Guilherme aprovou um decreto no início de abril de 1689 naturalizando Jorge como súdito inglês, com ele recebendo os títulos de Duque de Cumberland, Conde de Kendal e Barão de Okingham pelos novos monarcas.

Duque de Cumberland thumb|Jorge como Lorde Almirante c. 1704. Por Godfrey Kneller, no National Maritime Museum. A desconfiança entre Jorge e Guilherme, que havia sido colocada de lado durante a revolução, persistiu durante o reinado do segundo. O príncipe tinha hipotecas em Fehmarn, Tremsbüttel e Steinhorst-Schleswig-Holstein, que ele entregou ao Duque de Holstein-Gottorp como parte da paz de Altona em 1689, negociada por Guilherme entre a Dinamarca e a Suécia. Guilherme concordou em pagar Jorge interesses e capital em compensação, porém ele permaneceu sem receber o dinheiro. Durante a campanha militar contra os apoiadores de Jaime na Irlanda, Jorge acompanhou as tropas do rei às próprias custas, porém permaneceu excluído do comando e até lhe foi negada permissão para viajar na mesma carruagem que seu cunhado. ; Esnobado do exército por Guilherme, Jorge tentou entrar na marinha, sem patente, porém foi frustrado novamente pelo rei. ; Quando os guardas holandeses de Guilherme não saudaram Jorge, Ana presumiu que estavam seguindo ordens. Os dois se retiraram da corte. ; Houve uma certa reconciliação após a morte repentina da rainha Maria de varíola em 1694, que transformou Ana em herdeira aparente. Guilherme finalmente recomendou em novembro de 1689 que o parlamento pagasse a dívida hipotecária de Jorge, com a dívida sendo quitada no início de 1700.

Desde o casamento até 1700, Ana teve pelo menos dezessete gravidezes; em doze ocasiões ela teve um aborto ou deu à luz uma criança natimorta, e duas das cinco que nasceram vivas morreram ainda no primeiro dia. ; Guilherme, Duque de Gloucester, o único filho do casal a sobreviver a infância, morreu em julho de 1700 com apenas onze anos de idade. Com a morte do duque, Ana era a única pessoa na linha de sucessão ao trono como estabelecido pela Revolução Gloriosa e a Declaração de Direitos de 1689. O parlamento inglês aprovou o Decreto de Estabelecimento de 1701 para aumentar a linha e garantir uma sucessão protestante, designando a Casa de Hanôver, os parentes protestantes mais próximos de Guilherme III & II e Ana, como os próximos na linha. ;