João Gualberto Torreão da Costa (Maranhão, — ) foi um político brasileiro. Foi governador do Maranhão, de 11 de agosto de 1898 a 1 de março de 1902.
História
Nascimento e formação João Gualberto Torreão da Costa nasceu em 16 de maio de 1860, no Maranhão. Aos 21 anos, graduou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Iniciou sua carreira jurídica ainda no período imperial, atuando como promotor público e juiz municipal.
Carreira jurídica e política Após a Proclamação da República, exerceu o cargo de juiz de direito em Alto Parnaíba (MA) e atuou nas comarcas de Coroatá, Itapecuru Mirim e Rosário. Sua trajetória política teve início em aliança com o senador Benedito Pereira Leite.
Governo do Maranhão (1898–1902) Eleito presidente do Maranhão para o quadriênio 1898–1902, sua gestão foi marcada por iniciativas na área educacional, como a criação da Escola de Música e da Escola Modelo, além de reformas no Liceu Maranhense e na Escola Normal. Na saúde pública, destacou-se no combate à varíola e na modernização de estruturas de atendimento a portadores de varíola e hanseníase.
Dois conflitos marcaram seu governo: um embate político em Grajaú e um conflito entre povos indígenas e missionários capuchinos na colônia de São José da Providência, em Alto Alegre, próximo a Barra do Corda.
A Guerra do Léda Durante seu governo, Torreão da Costa enfrentou um conflito político-armado em Grajaú, conhecido como Guerra do Léda. O episódio teve origem na disputa entre facções locais e o governo estadual, liderado pelo senador Benedito Pereira Leite, aliado de Torreão. O estopim foi o assassinato do promotor público Estolano Polary em 1898, atribuído a partidários do líder oposicionista Leão Léda, que defendia maior autonomia para o sertão maranhense. Em resposta, o governo enviou tropas à região, resultando em repressão violenta, com relatos de execuções, incêndios de propriedades e deslocamento forçado de civis. O conflito, amplamente divulgado pela imprensa da época, foi um dos principais desafios de sua gestão.
Conflito em Alto Alegre (1901) Em 1901, durante o governo de Torreão da Costa, ocorreu um confronto entre missionários capuchinhos e o povo Guajajara na região de Alto Alegre (próximo a Barra do Corda). A tensão surgiu devido aos métodos coercitivos adotados pelos frades, que incluíam castigos físicos e supressão de práticas culturais indígenas, como a poligamia. O cacique Kawiré Imàn (João Caboré), após sofrer prisão e maus-tratos por parte dos religiosos, denunciou as violências ao governo.
Torreão da Costa visitou a aldeia e, segundo registros, concedeu a Kawiré Imàn o título de "chefe supremo" dos Guajajara, além de oferecer armas e ferramentas aos indígenas. A revolta eclodiu quando guerreiros atacaram a missão católica, resultando em mortes de ambos os lados. O episódio, conhecido como Massacre de Alto Alegre pela historiografia tradicional, é interpretado pelos Guajajara como uma resistência à escravização e à perda territorial.
A repressão governamental subsequente levou à prisão de líderes indígenas e à dispersão temporária das comunidades. Kawiré Imàn faleceu ainda em 1901, e os Guajajara só retornaram à região anos depois. O conflito marcou as relações entre o Estado e os povos Tenetehar (Guajajara e Tembé), com reverberações até o século XXI.
Transmitiu o governo a Manuel Lopes da Cunha em 1º de março de 1902.
Últimos anos e falecimento Após deixar o executivo estadual, assumiu como procurador-geral do estado e desembargador do Tribunal de Justiça do Maranhão. Faleceu em 23 de setembro de 1916.
Ligações externas Mensagem apresentada ao congresso do estado, em 15 de fevereiro de 1899, pelo exmo. sr. dr. João Gualberto Torreão da Costa, governador Mensagem apresentada ao congresso do estado, em 15 de fevereiro de 1900, pelo exmo. sr. dr. João Gualberto Torreão da Costa, governador Mensagem apresentada ao congresso do estado, em 13 de fevereiro de 1901, pelo exmo. sr. governador dr. João Gualberto Torreão da Costa Mensagem apresentada ao congresso do estado, em 10 de fevereiro de 1902, pelo exmo. sr. dr. João Gualberto Torreão da Costa, governador
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