Europa é uma das 95 luas do planeta gasoso Júpiter. Está entre as quatro maiores, com um diâmetro de 3121,6 km, sendo um pouco menor que a Lua terrestre. Originalmente designada Júpiter II por Galileu (por ser o segundo satélite de Júpiter em distância; os outros quatro satélites descobertos receberiam numeração correspondente à sua distância do planeta), Europa era na mitologia grega a filha de Agenor. Raptada por Zeus, que havia tomado a forma de um touro branco, ela ficou tão encantada com o dócil animal, que o decorou com flores e o montou. Zeus aproveita a oportunidade e a leva até a ilha de Creta, onde se revela em sua forma verdadeira. A partir daí, Europa teria muitos filhos com Zeus.

Ligeiramente menor do que a Lua, Europa é principalmente feita de rocha de silicato e tem uma crosta de água-gelo e provavelmente um núcleo de ferro-níquel. Tem uma atmosfera tênue composta principalmente de oxigênio. Sua superfície é estriada por rachaduras, enquanto as crateras são relativamente raras. Além das observações do telescópio terrestre, Europa foi examinada por uma sucessão de sondas espaciais, a primeira visitando-a no início da década de 1970.

Europa tem a superfície mais lisa do que qualquer objeto sólido conhecido no Sistema Solar. A juventude aparente e a suavidade da superfície levaram à hipótese de que existe um oceano aquático abaixo dela, o qual poderia concebivelmente abrigar vida extraterrestre. O modelo predominante sugere que o calor da flexão das marés faz com que o oceano permaneça líquido e conduza o movimento do gelo similar à tectônica de placas, absorvendo produtos químicos da superfície, oceano abaixo. O sal do mar de um oceano subterrâneo pode revestir algumas características geológicas em Europa. Isso pode ser importante para determinar se a Europa pode ser habitável. Além disso, o Telescópio Espacial Hubble detectou plumas de vapor de água semelhantes àquelas observadas na lua Encélado de Saturno, que se pensa serem causadas por criogêiseres em erupção.

A missão Galileo, lançada em 1989, fornece a maior parte dos dados atuais sobre a Europa. Nenhuma espaçonave ainda desembarcou no satélite, embora tenha havido várias missões de exploração propostas. A Jupiter Icy Moon Explorer (JUICE) da Agência Espacial Europeia é uma missão planejada a Ganímedes que foi lançada em 2023 e incluirá dois estudos de Europa. A missão planejada pela NASA será lançada em meados da década de 2020.

Em 14 de Outubro de 2024, a espaçonave, batizada de Europa Clipper, que será movida a energia solar, foi lançada a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, partindo do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Com nove instrumentos científicos a bordo, ela viajará 2,9 bilhões de quilômetros em um percurso que deve durar cerca de cinco anos e meio. A previsão é que a nave entre em órbita de Júpiter em 2030.

Descoberta e nomeação Europa, junto com três outras grandes luas de Júpiter, Io, Ganímedes e Calisto, foram descobertas por Galileo Galilei em 8 de janeiro de 1610, e possivelmente independente por Simon Marius. A primeira observação relatada de Io e Europa foi feita por Galileo Galilei em 7 de janeiro de 1610 usando um telescópio refractor na Universidade de Pádua. No entanto, nessa observação, Galileu não poderia separar Io de Europa devido à baixa ampliação de seu telescópio, de modo que os dois foram registrados como um único ponto de luz. No dia seguinte, 8 de janeiro de 1610 (usado como data de descoberta para Europa pela UAI), Io e Europa foram vistas pela primeira vez como corpos separados durante as observações de Galileu do sistema de Júpiter.

Europa foi nomeada em homenagem a filha do rei de Tiro, uma nobre fenícia na mitologia grega chamada Europa. Como todos os satélites de Galileu, Europa foi nomeado como um amante de Zeus, a contraparte grega de Júpiter. Europa foi cortejada por Zeus e tornou-se a rainha de Creta. O esquema de nomeação foi sugerido por Simon Marius, que descobriu os quatro satélites independentemente. Marius atribuiu a proposta a Johannes Kepler.

Os nomes caíram em desgraça por um tempo considerável e não foram revividos ao uso geral até meados do século XX.Marazzini, Claudio (2005). "I nomi dei satelliti di Giove: da Galileo a Simon Marius (The names of the satellites of Jupiter: from Galileo to Simon Marius)". Lettere Italiane. 57 (3): 391–407. Em grande parte da literatura astronômica anterior, Europa é simplesmente referida por sua designação em numeral romano, como Júpiter II (um sistema também introduzido por Galileu) ou como o "segundo satélite de Júpiter". Em 1892, a descoberta de Amalteia, cuja órbita estava mais próxima de Júpiter do que as das luas de Galileu, empurrou Europa para a terceira posição. As sondas Voyager descobriram mais três satélites internos em 1979, de modo que Europa é agora considerada o sexto satélite de Júpiter, embora ainda seja referida às vezes como Júpiter II.

Órbita e rotação esquerda|miniaturadaimagem|Animação mostrando a ressonância de Laplace entre Io, Europa e Ganímedes. Europa orbita Júpiter em um pouco mais de três dias e meio, com um raio orbital de cerca de km. Com uma excentricidade de apenas 0,009, a órbita é quase circular e a inclinação orbital relativa ao plano equatorial de Júpiter é pequena. Como os outros satélites de Galileu, Europa tem uma rotação sincronizada a Júpiter, ou seja, apenas uma face de Europa será visível do planeta. Pesquisas sugerem que Europa gira mais rápido do que orbita, ou pelo menos já girou no passado. Isso indica uma assimetria na distribuição de massa interna e que uma camada de líquido subterrâneo separa a crosta gelada do interior rochoso.

A ligeira excentricidade da órbita de Europa, mantida pelos distúrbios gravitacionais dos outros satélites de Galileu, faz com que o ponto sub-joviano de Europa oscile em torno de uma posição média. À medida que a Europa chega um pouco mais perto de Júpiter, a atração gravitacional do planeta aumenta, fazendo com que Europa se alongue em direção à Júpiter. Enquanto Europa se afasta um pouco de Júpiter, a força gravitacional de do planeta diminui, fazendo com que Europa "relaxe" novamente em uma forma mais esférica e crie marés em seu oceano. A excentricidade orbital de Europa é continuamente bombeada por sua ressonância de movimento médio com Io. Assim, a flexão da maré amassa o interior da Europa e dá-lhe uma fonte de calor, possivelmente permitindo que o oceano permaneça líquido ao dirigir processos geológicos subterrâneos. A fonte final desta energia é a rotação de Júpiter, que é aproveitada por Io através das marés que elevam em Júpiter e são transferidas para Europa e Ganímedes pela ressonância orbital.

Cientistas que analisaram as rachaduras únicas de Europa encontraram evidências que demonstram que ela provavelmente girou em torno de um eixo inclinado em algum momento. Se correto, isso explicaria muitas das características de Europa. A imensa rede de fendas entrecruzadas de Europa serve como registro das tensões causadas pelas marés maciças em seu oceano global. A inclinação de Europa poderia influenciar os cálculos sobre o quanto da sua história está registrada em sua crosta congelada, quanto calor é gerado pelas marés em seu oceano e até quando seu oceano foi líquido. Quando há muito estresse, a camada de gelo racha. Esta inclinação no eixo de Europa poderia sugerir que suas fissuras podem ser muito mais recentes do que se pensava anteriormente. A razão é que a direção do pólo de rotação pode mudar até poucos graus por dia, completando um período de precessão ao longo de vários meses. Uma inclinação também pode afetar as estimativas da idade do oceano de Europa. As forças das marés são pensadas para gerar o calor que mantém o oceânico líquido de Europa. Este calor ajuda o oceano a permanecer líquido por mais tempo. Os cientistas não especificaram quando a inclinação teria ocorrido e as medidas da inclinação do eixo de Europa não foram feitas.

História de observação e exploração

Galileu Galilei é considerado o descobridor de Europa, a partir das observações feitas em 8 de Janeiro de 1610 em Pádua. Europa e as outras luas de Galileu tiveram um grande impacto na teoria de que a Terra não era o centro de tudo, já que foram as primeiras luas que visivelmente não orbitavam a Terra. Até então, julgava-se que todos os planetas, o Sol e a Lua orbitavam a Terra. Contudo, alguns historiadores afirmam que foi Simon Marius de Ausbach, na Alemanha, o primeiro a observar os satélites jovianos em 29 de Dezembro de 1609.

Ainda nesse século, astrônomos observaram os eclipses dos satélites, mas repararam que ocorriam 16 minutos e 40 segundos depois quando Júpiter se encontra do outro lado do Sol em relação à Terra, o que levou a outra grande descoberta da física pelo dinamarquês Ole Roemer, que explicou que o atraso deve-se à velocidade finita da luz, conseguindo medir assim a velocidade da luz pela primeira vez.

Europa e as outras luas de Galileu são quatro corpos celestes de dimensão considerável; dois deles são maiores que o planeta Mercúrio (Ganímedes e Calisto), e Io e Europa rivalizam em tamanho com a Lua da Terra. Algumas pessoas conseguem ver estas luas a olho-nu em alturas de céu limpo e logo depois do pôr-do-Sol, já que durante a noite Júpiter brilha demais o que oculta as suas luas. Mas só com uns bons binóculos ou um pequeno telescópio é que uma pessoa normal consegue observar claramente estas luas a orbitarem Júpiter que aparecem quase em linha recta em diferentes lados do disco do planeta.

Os astrônomos na Terra tinham apenas pequenas noções mesmo com os melhores telescópios de meados do século XX. Foi só quando as sondas Pioneer 10 e 11 que chegaram a Júpiter em 1973 e em 1974, respectivamente, que se consegue determinar as massas com uma precisão maior e captam as primeiras imagens das grandes luas de Júpiter. As imagens de Europa revelaram pouca variação de cor e mostraram uma região escura como poucos detalhes, dado que as Pioneer encontravam-se longe demais para conseguir obter bons detalhes da superfície. Devido a ser um dos satélites mais brilhantes, já se acreditava que a sua crosta fosse principalmente constituída por gelo de água.

Em 1979 chegam a Júpiter as duas sondas Voyager. Nas imagens de baixa resolução da Voyager 1, Europa mostrava um número bastante grande de linhas que se interceptavam. Estas linhas faziam lembrar os canais que os astrônomos outrora julgavam ver em Marte. Os cientistas pensaram tratar-se de terreno quebrado devido a processos tectónicos. Contudo, as imagens de alta resolução da Voyager 2 deixaram os cientistas surpresos, já que as linhas pareciam pintadas na superfície, sem nenhum relevo topográfico visível. Modelos do interior de Europa mostraram actividade e aquecimento do interior com a formação de oceanos com 50 quilómetros ou mais de profundidade a 5 km da superfície.

thumb|270px|Vista de Europa de um livro de 1903 por K. Flammarion A lua Europa tornou-se assim num ícone dos escritores de ficção científica, existindo livros, filmes e jogos; de destacar o livro e o filme de Arthur C. Clarke 2010: Odisseia Dois (ou O Ano em Que Fizemos Contacto) de 1982, onde se faz a descoberta de vida primitiva vivendo por debaixo da capa de gelo de Europa, já no terceiro livro da tetralogia: 2061: Odisseia Três (1987), Europa é transformada num mundo oceânico tropical. No livro The Forge of God (1987) de Greg Bear, Europa é destruída por extraterrestres que usam pedaços do seu gelo para terraformar planetas.

A 7 de Dezembro de 1995, a sonda Galileo chega a Júpiter numa viagem contínua pelo planeta e suas luas durante oito anos. A 2 de Março de 1998, a NASA anuncia que a Galileo descobriu fortes evidências de um oceano salgado por debaixo da superfície. O que motiva a criação de uma nova missão a Europa e abre novos horizontes e possibilidades de vida extraterrestre.