Red Bull Bragantino é um clube poliesportivo brasileiro da cidade de Bragança Paulista, interior do estado de São Paulo. É controlado pela empresa multinacional de bebidas energéticas Red Bull.
O clube foi fundado com o nome de Clube Atlético Bragantino em 8 de janeiro de 1928, e suas cores de origem eram o preto e o branco. Entretanto, a partir da parceria com a empresa Red Bull GmbH, em 2019, passou a exibir também o vermelho em seu tradicional uniforme alvinegro.
O time teve um ápice no começo dos anos 1990, quando foi Campeão Paulista de 1990 e chegou à final do Campeonato Brasileiro de 1991, sendo um clube profissional oriundo de uma cidade com apenas 150 mil habitantes. Em 2019, associou-se à multinacional sediada na Áustria Red Bull, mudando sua identidade para Red Bull Bragantino no ano seguinte.
História 1928–1948: Fundação e fase amadora Desentendimentos em 1927 no Bragança Futebol Clube, tradicional clube amador da cidade, motivaram a fundação do Clube Atlético Bragantino, sob a presidência de José de Assis Gonçalves Júnior. No dia 8 de janeiro de 1928 é empossada a diretoria do clube, data que prevaleceria como oficial de fundação, após assembleia realizada em 1930. No ano seguinte o Braga conquista a Taça Raul Leme sobre o rival Bragança FC, recebendo da imprensa local o apelido de Massa Bruta.
Em 23 de julho de 1933 ocorre a primeira partida do Bragantino no Campo das Pedras, em jogo contra o time B do Palestra Itália (Antiga Sociedade Esportiva Palmeiras), com derrota por 3–1. Em 22 de abril do ano seguinte o campo é inaugurado oficialmente com vitória sobre o Paulista de Jundiaí por 3–0. Em 1938 o campo recebe o nome de Estádio Marcelo Stéfani, em homenagem ao presidente que esteve no comando do Bragantino até 1943. Nesse ano o Massa Bruta participa pela primeira vez do Campeonato Amador do Interior, organizando pela recém criada Federação Paulista de Futebol.
Em 1944 o Bragantino vence o América Futebol Clube pelo Campeonato Municipal, patrocinado pela FPF. Em homenagem pela conquista o presidente do clube, Cícero Marques, manda fazer um quadro com a figura do Leão, que se tornaria o mascote do time.
1949–1969: Profissionalismo e primeiro título thumb|O governador Abreu Sodré durante a inauguração da iluminação do estádio de Bragança Paulista, 1968. Arquivo Público do Estado de São Paulo Em 1947 a FPF cria a Segunda Divisão do Campeonato Paulista de profissionais, e dois anos depois, em 1949, o Bragantino participa da competição pela primeira vez, ficando em 4.º lugar de seu grupo. Já nos anos de 1952 e 1953 o Bragantino avança para a Segunda Fase da competição, ficando em 6º lugar na classificação final. Mas foi a partir de 1956 que o Massa Bruta inicia uma sequencia de participações na Segunda Divisão com resultados mais expressivos. Na edição de 1958 se qualifica como 1º do seu grupo, avançando à Segunda Fase, conhecido como "Torneio dos Finalistas". Nesta fase o Braga somou 12 pontos, ficando 1 ponto atrás do líder Comercial, que se classificou para a final e conquistou o título.
Mais uma vez, em 1959, o Braga chegou à fase final, onde foi vice-campeão, dois pontos atrás do campeão Corinthians de Presidente Prudente. Com sólidas campanhas, mas ainda sem disputar uma final, o Massa Bruta termina o campeonato de 1961 na terceira posição geral, feito repetido em 1964.
Em 1965 o inevitável aconteceu. Após liderar a série "Duque de Caxias" somando 26 pontos, a equipe se credencia para a disputa da grande final contra o Barretos no Pacaembú. No primeiro jogo, vitória do Braga por 1–0, gol marcado por Hélio Burini. Na segunda partida o Barretos vencia até os 41 minutos do segundo tempo, foi quando o centroavante Nivaldo empata a partida e evita o terceiro jogo, conquistando o título e o direito de disputar o Campeonato Paulista de 1966. O acesso impulsionou a reforma do Estádio Marcelo Stéfani, mas no campo o Braga não conseguiu competir em pé de igualdade com as grandes equipes do estado, e terminou na última colocação, retornando a segunda divisão.
Em 1967, novamente o Braga chega ao quadrangular final junto com Paulista, XV de Novembro e Ferroviário, onde após seis partidas, Braga, Paulista e XV somaram os mesmos 4 pontos, terminado empatadas e forçando um triangular decisivo. O XV venceu o Paulista, o mesmo fez o Bragantino, deixando a decisão do título para o último jogo, com vitória do XV de Piracicaba no Pacaembu por 4–3. O Massa Bruta era Vice pela segunda vez. miniaturadaimagem|Flamula-comemorativa-bragantino-1965 No ano de 1968 o Braga chega a fase final do estadual novamente, onde seis equipes disputavam o "Torneio dos Finalistas" em pontos corridos, com todas as partidas realizadas na capital. Após empate com a Ponte Preta, e derrota para a Francana por 1–0, o Braga ficava distante da briga pelo título. Na terceira rodada ainda venceria o Barretos por 3–2, mas a derrota para o Paulista, e um empate com o Ferroviário, deixou o Braga na quarta colocação. Essa seria a última grande campanha do Bragantino na década, visto que em 1969 o clube não participou da competição.
1970–1979: Da quase extinção ao renascimento Em 1970 a Federação Paulista cancelou a Lei do Acesso, decisão que desestimulou as equipes do interior, e afetou até mesmo o Massa Bruta. Mesmo assim, o Bragantino voltaria a disputar a segunda divisão em 1970, chegando até a semifinal, onde foi derrotado pelo Noroeste de Bauru pelo placar de 2–1. Fora de campo o clube já enfrentava problemas financeiros, e no ano seguinte novamente não participou de competições da FPF. Voltaria em 1973, mas de forma vergonhosa encerra o campeonato sem nenhuma vitória, necessitando convocar jogadores amadores da cidade para cumprir tabela. Entre 1974 e 1977 o Bragantino esteve ausente da competição.
Mais uma vez alterações trariam de volta o acesso para o campeão, mas o estadual ganhou mais divisões, e o Braga, punido por não competir nas últimas edições, voltaria em 1978 para disputar a Terceira Divisão, que na verdade era o equivalente a quinta e última divisão. Ainda com problemas financeiros e salários atrasados, chegou a perder por W.O. ao não colocar a equipe em campo.
O torcedor do Bragantino só voltaria a sorrir em 1979, ao disputar novamente a Terceira Divisão, dessa vez para fazer bonito. Ao chegar à final e vencer a equipe do Jalesense com duas vitórias por 4–1 em Bragança e 2–1 em Jales, o Bragantino conquistava seu segundo título da era profissional.
1980–1988: Retorno à elite estadual Novamente o estadual voltava a ter apenas três divisões e o Bragantino, com a conquista de 1979, retornou à divisão de acesso em 1980. Mas foi somente no segundo turno de 1981 que o Massa Bruta fez boa campanha e disputou a segunda fase, ficando próximo de disputar a semifinal.
Já em 1982 por pouco o acesso não ocorreu. Após vencer o São Bernando na Semifinal, o Braga chegou ao Quadrangular Final. Após muita disputa, na última rodada Bragantino e Taquaritinga disputavam o título. Na partida preliminar no Parque Antártica, o Taquaritinga venceu o eliminado Mogi Mirim por 2–0, ficando um ponto à frente do Bragantino, que precisava de uma vitória simples na sequência para ser campeão diante do Araçatuba. O resultado de 0–0 frustrou ambos, mas o vice campeonato ainda deu a chance do Braga disputar a repescagem contra o XV de Jaú. Disputas jurídicas adiaram a disputa do rebolo para abril de 1983. O XV venceu por 3–2 o primeiro jogo, enquanto na segunda partida um empate por 1–1 manteve o Bragantino na segunda divisão.
Fracas campanhas marcaram os anos de 1983 e 1984. Em 1985, o Campeonato Paulista da Segunda Divisão foi disputado por 52 equipes, divididos em 4 grupos regionalizados, com o Bragantino ficando em quinto lugar do Grupo Verde, que classificava para a próxima fase os quatro primeiros.
Em 1986 o Massa Bruta avançou até a semifinal, mas caiu diante do São Bernardo, que possuía melhor campanha e jogou por um empate de 0–0 na terceira e decisiva partida. No ano seguinte, o Braga saiu da competição na primeira fase, ficando em quinto lugar de um grupo de nove times.
O ano de 1988 marcou o início da melhor fase da história do clube, pois nesse ano o Massa Bruta conquistou o título da "Divisão Especial", e retornou para a divisão principal do futebol paulista. O acesso veio antes da partida final, quando o Braga venceu o Ferroviário Ituano por 1–0 em Bragança, e garantiu matematicamente o primeiro lugar do grupo IV, na terceira fase da competição. O título diante do Catanduvense com vitórias por 2–0 em Catanduva e 3–0 em Bragança, coroou a grande campanha do time, que já tinha em seu elenco jogadores como Gil Baiano, Nei, Biro-Biro, Ivair e Luís Müller.
1989–1994: Anos dourados miniaturadaimagem|200px|esquerda|Relógio com o escudo do Bragantino, fazendo alusão ao título paulista de 1990. miniatura|200px|direita|Mauro Silva, foi vice-campeão com o Bragantino em 1991. No ano de 1989, o Clube Atlético Bragantino sagrava-se Campeão Brasileiro da Série B, vencendo outro clube Paulista na final, o São José Esporte Clube, garantindo assim acesso à Série A do Futebol Nacional, iniciando os Anos Dourados do clube de Bragança Paulista. Neste mesmo ano, o Bragantino eliminou o invicto Palmeiras no Campeonato Paulista.
Em 1990, o "Braga" estreava na elite do futebol nacional, terminando na oitava colocação dos 20 Clubes que disputaram essa edição. No entanto, esse fato não foi o melhor acontecimento do ano. No Campeonato Paulista, a equipe comandada pela até então revelação dos técnicos de futebol, Vanderlei Luxemburgo e por uma série de craques em nível de seleção brasileira, como o lateral direito Gil Baiano, o volante, futuramente campeão mundial na Copa de 1994 pela Seleção Brasileira, Mauro Silva e o centro avante Sílvio, que seria vice-campeão da Copa América pela Seleção Brasileira. O "Massa Bruta" enfrentaria o Novorizontino na "final caipira" sagrando-se campeão do Campeonato Paulista da Primeira Divisão de 1990.
No ano de 1991, o Braga ficou sem seu principal destaque, o treinador Vanderlei Luxemburgo. Contudo, a peça de reposição foi à altura; o clube de contratou ninguém menos que Carlos Alberto Parreira para o cargo de treinador, o elenco foi preservado e esse planejamento deu resultado: após terminar em segundo lugar na primeira fase do Brasileirão de 1991 o time se classifica para as semifinais do campeonato nacional daquele ano, enfrentando o Fluminense do Rio de Janeiro, que havia se classificado em quarto lugar. O Massa Bruta enfrentou e eliminou o Tricolor Carioca no Maracanã perante mais de 70.000 pessoas e se classificou para a grande final, ficando frente a frente contra o São Paulo, que eliminara o Atlético Mineiro.
Na partida realizada no Morumbi terminou 1–0 para o time da capital, gol de Mário Tilico. O segundo e decisivo jogo foi em Bragança Paulista, no então Estádio Marcelo Stéfani. Porém, o Alvinegro tentou mas não conseguiu furar a zaga adversária, empatando em 0–0 e deixando o título na mão do São Paulo Futebol Clube.
No ano de 1992, o Bragantino continuou com boas apresentações, terminando o Campeonato Brasileiro na fase de classificação em terceiro lugar. Segundo fontes confiáveis, se o Campeonato Brasileiro de 1992 fosse pelo sistema de pontos corridos, o campeão seria o Clube Atlético Bragantino.
Neste mesmo ano, o clube faz sua estreia em Competições internacionais, jogando a Copa CONMEBOL; empatando os dois jogos contra o Grêmio e sendo desclassificado nas Penalidades máximas alternadas por 6–7.
Nos anos de 1993 e 1994 o Bragantino continua com campanhas regulares: nos campeonatos brasileiros termina em 19º em 1993, fruto do confuso regulamento desta edição, e em oitavo, no ano de 1994. E acaba sendo desclassificado novamente na primeira fase da Copa CONMEBOL, pelo Botafogo de Futebol e Regatas.
1995–2001: Anos difíceis