Torneio Roberto Gomes Pedrosa ou Taça Roberto Gomes Pedrosa foi o nome utilizado para designar, em sua época de disputa, os campeonatos nacionais realizados entre 1967 e 1970 (entretanto, este nome foi usado de forma oficial apenas em 1967; de 1968 a 1970, a CBD denominava oficialmente seus campeonatos nacionais de Taça de Prata), antes da criação do Campeonato Nacional de Clubes, em 1971, que foi considerado entre 1976 e 2010 como sendo o primeiro Campeonato Brasileiro.

Porém, em seus boletins oficiais entre 1971 e 1975, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD, entidade responsável pelo futebol nacional na época e precursora da atual CBF) colocava as edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata em igualdade de condições com as edições posteriores do Campeonato Brasileiro, apenas mantendo os nomes próprios, excluindo esta informação a partir do boletim de 1976.

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, como campeonato nacional, surgiu em 1967, quando o antigo Torneio Rio-São Paulo (cujo nome oficial, entre 1954 e 1966, era Torneio Roberto Gomes Pedrosa) foi ampliado com clubes de outros estados, passando a ser conhecido como "Robertão" (devido a sua ampliação e caráter nacional). Este torneio foi a primeira competição a englobar os principais clubes do país e também o primeiro a alcançar uma fórmula vencedora e lucrativa aos seus clubes participantes, que de certa forma, na opinião do historiador e jornalista Odir Cunha, representou uma evolução da Taça Brasil, primeira competição oficial a dar ao seu vencedor o título de campeão brasileiro. Para Cunha, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa era tudo que uma competição moderna de futebol precisa ter: poucos e poderosos participantes, os melhores jogadores do Brasil — e do mundo —, ótima média de público, jogos de alto nível, credibilidade e excelente cobertura da mídia.

Em 1967, este campeonato foi organizado pelas federações Carioca e Paulista de futebol, e foi a única edição a ser denominada oficialmente de Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O nome foi uma homenagem ao goleiro Pedrosa, do São Paulo e da Seleção Brasileira (na Copa do Mundo de 1934), que morreu em 1954 como presidente da Federação Paulista. A partir de 1968, a CBD assumiu a organização do torneio e passou a denominá-lo oficialmente de Taça de Prata. Entretanto, o certame acabou ficando popularmente mais conhecido com a nomenclatura oficial da edição de 1967.

Em dezembro de 2010, a CBF unificou os títulos nacionais, tornando todas as edições do Torneio Roberto Gomes Pedrosa/Taça de Prata válidas oficialmente como Campeonato Brasileiro.

História miniaturadaimagem|262x262px|Roberto Gomes Pedrosa (Rio de Janeiro, 8 de junho de 1913 — São Paulo, 4 de janeiro de 1954), o homenageado, foi jogador (goleiro), presidente do São Paulo Futebol Clube, presidente da FPF e vereador da cidade de São Paulo. Foi campeão carioca pelo Botafogo em 1932, 1933 e 1934. Disputou a Copa de 1934. Morreu em 1954, aos 40 anos. Sucedendo o Torneio dos Campeões de 1937, a segunda competição nacional oficial entre clubes de futebol que definia o campeão brasileiro foi a Taça Brasil, criada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD, atual CBF) em 1959. Porém, devido às dificuldades de locomoção e transporte em um país com dimensões continentais e às restrições econômicas da época, a competição foi montada do modo mais econômico possível. Sendo assim, participavam apenas os campeões estaduais, que se enfrentavam em um grande sistema eliminatório. Devido a esses fatores, a Taça Brasil foi criada não como um confronto dos melhores times do Brasil, mas como uma disputa que contemplava os campeões estaduais. Mesmo com esse certame nacional, o futebol brasileiro necessitava de um campeonato que integrasse as maiores equipes do País e fosse lucrativo e atrativo aos clubes participante e aos torcedores. Como em 1967 o Brasil já se encontrava um pouco mais estruturado, tendo meios de transporte melhores, foi possível ousar em um formato de competição nacional com mais jogos.

O surgimento do Torneio Roberto Gomes Pedrosa como campeonato nacional tem uma íntima ligação com o Torneio Rio-São Paulo, que entre 1954 e 1966 foi chamado oficialmente de Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

A CBD decidiu pôr em prática planos mais ousados de integração para o futebol brasileiro, devido à conquista do primeiro título nacional do Cruzeiro, a Taça Brasil de 1966, que se tornou um marco por ter mudado o eixo do futebol brasileiro que até então era dominado por equipes paulistas e cariocas. Esta conquista do clube mineiro foi tratado como um divisor de águas na história do futebol nacional, uma vez que até à data ainda acreditava-se que só existia futebol de alto nível, apesar das boas exibições do Bahia, no eixo Rio-São Paulo. No entanto, o Cruzeiro apresentou uma equipe jovem de excelente qualidade, chamando a atenção para potenciais atletas de outros estados, minimizando a hegemonia do eixo Rio-São Paulo. E, também, devido ao fiasco da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Com isso, em 1967, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, certame até então regional, foi ampliado para a participação de clubes de outros estados. O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era uma competição de âmbito nacional, mas com um modelo que visava a incluir a maioria dos grandes clubes dos principais centros do país, diferentemente da Taça Brasil, que só incluía os campeões estaduais e, a partir de 1961, o campeão da edição anterior.

A ampliação do Torneio Rio-São Paulo também foi proposta devido aos clubes participantes demonstrarem algum desinteresse pela competição, com a escalação de times mistos por alguns deles. Um plano para inclusão de clubes mineiros e gaúchos foi divulgado em outubro de 1966, ainda sem fórmula de disputa definida. Foi sugerido que os campeões paulista e cariocas aguardassem a disputa de uma primeira fase entre os quatro clubes com melhores renda tanto de São Paulo como do Rio de Janeiro, além de três clubes mineiros e dois gaúchos, com um hexagonal final sendo realizado para definir o campeão. A princípio, as rendas seriam divididas igualmente entre os clubes participantes.

Em dezembro, entretanto, em nova reunião, clubes paulistas e cariocas exigiram uma compensação quando fossem jogar em Belo Horizonte ou Porto Alegre. Ficou, então, acertada uma cota fixa de cinco milhões de cruzeiros para jogos de times paulistas e cariocas nessas localidades, com o clube mandante bancando ainda as passagens e a estadia de uma delegação de até 22 pessoas do clube visitante. Os times mineiros foram contra a proposta, mas acabaram tendo de aceitar a dedução de quatro milhões de cruzeiros do borderô de jogos nessas condições, para cobertura de gastos. As cotas acabariam, mais tarde, reduzidas para três milhões de cruzeiros. O presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Rubem Moreira, também participou da reunião e pleiteou a inclusão de dois clubes de seu estado, mas a distância de Recife em relação às demais cidades e a ausência de um grande estádio na capital pernambucana sabotaram seus planos.

O escopo final foi decidido em 15 de dezembro, com a inclusão de um clube do Paraná, o Ferroviário, graças à proposta da Federação Paranaense, que sugeriu que os jogos em Curitiba fossem incluídos como "escala" para clubes paulistas, cariocas e mineiros. Os representantes mineiros pleitearam mais uma vaga, para o América, oferecendo em contrapartida uma sexta vaga tanto para São Paulo como para a Guanabara, o que ainda teria como atrativo o número par de participantes. Tal mudança abriria vagas para o America do Rio e para o Comercial de Ribeirão Preto, sextos colocados em renda em seus respectivos estados, mas o presidente da Federação Paulista, João Mendonça Falcão, rechaçou a ideia, argumentando que pretendia reduzir o número de clubes no torneio em 1968, então não faria sentido aumentá-lo naquele momento.

A tabela só foi divulgada em 11 de janeiro de 1967, com previsão de início do torneio para 5 de março, com cinco jogos, sendo um em cada cidade com clubes participantes. Por motivos de economia, a distribuição dos jogos foi irregular: por exemplo, o Cruzeiro iria a São Paulo duas vezes, mas o Atlético Mineiro não iria nenhuma. O Cruzeiro chegou a cogitar desistir de sua participação no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, para dar prioridade a sua participação na Libertadores, que considerava mais viável economicamente, especialmente se aceitasse também excursões à Europa e aos Estados Unidos, propostas por um empresário. O clube mineiro acabou não desistindo de nenhuma das competições, ao contrário do Santos, que abriu mão de sua participação no torneio continental, pois as datas previamente marcadas pela CONMEBOL para seus jogos conflitavam com uma excursão que o clube pretendia fazer em janeiro e fevereiro.

Com a entrada de outros estados, o torneio manteve o mesmo nome oficial de quando englobava apenas clubes de São Paulo e Rio de Janeiro, mas passaria a ser conhecido extra-oficialmente como "Robertão" (em razão da sua ampliação e caráter nacional). A Federação Mineira tentou batizar o torneio de Taça Tiradentes, sem receber apoio ao nome.

Em 1967, a primeira edição do campeonato contou com a participação de quinze clubes de cinco estados. Assim, pela primeira vez uma competição reuniu os principais clubes do Brasil: Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Santos e São Paulo (de São Paulo); Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama (da Guanabara); Grêmio e Internacional (do Rio Grande do Sul); Atlético Mineiro e Cruzeiro (de Minas Gerais); e Ferroviário (do Paraná). Porém, mesmo com a criação da nova competição nacional (o Torneio Roberto Gomes Pedrosa), o principal campeonato nacional de 1967 foi a Taça Brasil, que indicou seu campeão e vice, respectivamente Palmeiras e Náutico, para a Taça Libertadores do ano seguinte. Mas, apesar da maior importância da Taça Brasil até então, o modelo de disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa garantiu o sucesso da competição, que agradou a clubes participantes, dirigentes e torcedores — a média de público por jogo foi de mais de vinte mil pessoas —, tornando-se o primeiro torneio nacional a conseguir atingir uma fórmula vencedora e lucrativa para suas equipes participantes.

Em 1968, dezessete clubes de sete estados disputaram o torneio, com a inclusão do Bahia (da Bahia) e Náutico (de Pernambuco); o representante do Paraná foi o Atlético Paranaense.

Como a experiência da primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi boa na opinião da CBD, a entidade decidiu adotar o modelo como o principal campeonato nacional, já a partir de 1968. Com o nome oficial de "Taça de Prata", o "Robertão" passou a ser considerado a mais importante competição nacional de futebol do Brasil e, portanto, a Taça Brasil, que desde 1959 tinha esse status, perdeu-o, tornando-se, na sua última edição, uma competição secundária no cenário nacional. Inclusive devido ao atraso no término da Taça Brasil, o campeonato acabou substituindo a antiga competição como forma de indicação dos dois representantes brasileiros para a Taça Libertadores da América. A decisão foi tomada pela CBD pouco antes do fim da competição.

No entanto, por desentendimentos entre as confederações Brasileira (CBD) e Sul-Americana (CONMEBOL), o Brasil terminou não participando da Libertadores em 1969 e 1970, como protesto contra as mudanças das regras da competição. A CBD voltaria a indicar representantes em 1971: Fluminense e Palmeiras, campeão e vice da Taça de Prata de 1970.