miniaturadaimagem|Farinha de mandioca em cesto de palha de carnaúba miniaturadaimagem|Produção artesanal de farinha de mandioca no Brasil A farinha de mandioca, também conhecida como farinha-da-terra, farinha-de-pau, farinha-de-guerra, farinha suruí, farinha de mesa e farinha seca, é a farinha comum, branca e fina, feita a partir da raiz de mandioca.FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 758. De origem ameríndia,Natural da terra: hortifruti. Disponível em http://www.gruponaturaldaterra.com.br/index.php/o-descobrimento-da-gastronomia-indigena/#.WGjWoNIrK1s . Acesso em 1 de janeiro de 2017. é um alimento bastante comum no Brasil. É considerado um prato versátil e uma boa fonte de hidratos de carbono e fibras, além de possuir fácil digestibilidade. Como não possui glúten, é indicada para a alimentação de celíacos.Educare.pt. Disponível em http://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=21090. Acesso em 1 de janeiro de 2017.
De acordo com a lei federal nº 15.051, de 20 de dezembro de 2024, fica conferido o título de Capital Nacional da Farinha de Mandioca ao Município de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre.
Farinha de Mandioca no Brasil Colonial miniaturadaimagem|Gravura de mulheres negras descascando mandioca, um processo manual, em que a casca é removida manualmente antes de iniciar a moagem da mandioca para transformá-la em farinha. A Farinha de mandioca era o principal alimento da população do Norte (o que hoje é conhecido como Nordeste, principalmente a região do Recôncavo Baiano) durante o período do Brasil Colônia (1500-1815). Descrito como "o pão da terra" pelo historiador Bert J. Barickman, em seu livro Um contraponto baiano: açúcar, fumo, mandioca e escravidão no Recôncavo, 1780-1860. Todos comiam farinha de mandioca, desde o escravizado até os comerciantes e senhores de engenho.
A respeito da dieta dos escravizados durante esse período (1780-1860), a farinha de mandioca era o central e indispensável, era o pão da terra, a principal fonte de calorias. A mandioca era tão insubstituível e importante que, quando acabava a farinha nos sacos, havia uma real crise e caos pela região. Não havia alimento mais barato, não havia nada com que se pudesse substituir a mandioca. Além da mandioca, a base alimentar dos escravizados era, às vezes, complementada por carne-seca (também chamada de carne-do-sertão) e, em menor escala, por peixes, mariscos e vegetais cultivados pelos próprios cativos.
O acesso a essa alimentação ocorria em três formas principais, conforme Barickman descreve em seu livro: Uma opção era através da distribuição de rações pelos senhores de engenho, onde o próprio senhor disponibiliza parte de sua terra para o escravizado plantar e colher a mandioca. A segunda forma seria pelas “roças de escravos”, onde o senhor fornecia aos escravos terra e o tempo “livre” (durante seu único dia de descanso do trabalho na plantação de cana de açúcar, o domingo) necessário para que eles mesmos cultivassem toda a mandioca e alimentos que precisassem para subsistência, em algumas ocasiões, os escravizados chegavam a produzir a mais do que o necessário para sua subsistência, os chamados “excedentes”, os quais eles poderiam vender nos mercados locais. Uma terceira forma de alimentação se dava através da compra no mercado local, onde o senhor optava por não produzir alimento em suas terras, assim, poderia utilizar o solo ao máximo para o plantio de cana de açúcar. Ele preferia se voltar ao mercado para comprar farinha de mandioca de outros produtores para distribuir aos seus escravizados.
Ver também
Fabricação de farinha de mandioca Brasil Colônia Fome no Brasil Insegurança Alimentar Escravidão no Brasil
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