A Convenção Batista do Sul (CBS) é uma associação cristã evangélica de Igrejas batistas, majoritariamente do Sul dos Estados Unidos, sediada em Nashville, Tennessee. Por ser uma organização evangélica, é também em grande parte conservadora.
A Convenção Batista do Sul foi fundada em maio de 1845 em Augusta, Geórgia, por causa da posição abolicionista adotada pela Convenção Trienal (hoje Igrejas Batistas Americanas EUA) ao proibir missionários escravistas na sociedade missionária, em oposição a escravidão no sul do país.
As igrejas da Convenção Batista do Sul põem grande ênfase na experiência pessoal do indivíduo em sua conversão ou "novo nascimento", e isso inclui a imersão total do indivíduo adulto, ou adolescente, em um corpo d'água para o batismo, rejeitando completamente o batismo infantil e rebatizando aqueles novos convertidos que receberam tal batismo na infância. Daí, as estatísticas do quadro de membros não incluem bebês, ou crianças que não receberam o batismo por escolha própria, por crer. As igrejas da Convenção são evangélicas na doutrina e prática. Crenças específicas baseadas na interpretação bíblica podem variar de alguma forma, devido ao sistema de liderança da congregação, que dá autonomia às igrejas batistas locais individualmente.
Historicamente, líderes batistas tiveram um papel principal em encorajar a liberdade de consciência religiosa e a separação Igreja-Estado para libertar a autonomia e autoridade da Igreja.
Desde os anos 40, as igrejas da Convenção se espalharam para todos os estados e perderam um pouco de sua identidade regional.The Concise Oxford Dictionary of World Religions. "Southern Baptist Convention." http://encyclopedia.com/doc/1O101-SouthernBaptistConvention.html Ainda que continuem fortemente concentradas no sul estadunidense, a Convenção tem igrejas-membros em todo o país, e possui 42 convenções estaduais afiliadas. A Convenção pertencia à Aliança Batista Mundial até 2004, mas por questões pequenas doutrinárias, se apartou desta, embora mantenha diálogo permanente e cooperação com outras convenções filiadas à Aliança Mundial. Nesta mesma época, as igrejas que questionaram o fundamentalismo da Convenção Batista do Sul fundaram outra convenção, ainda ligada à Aliança Batista Mundial.Pauline J. Chang, Southern Baptists Break Century-Old Relationship with Baptist World Alliance, christianpost.com, USA, 15 de junho de 2004
História
350px|miniaturadaimagem|Serviço na Grace Baptist Church em Knoxville, afiliada à Convenção, 2016. Chegada na América Os primeiros colonos puritanos batistas nas Colônias da Nova Inglaterra vieram majoritariamente da Inglaterra, alguns de Gales, no início do século XVII, quando os reis e as autoridades anglicanas da Igreja da Inglaterra perseguiam os puritanos pelas suas visões teológicas diferentes. Ministros batistas como Roger Williams e John Clarke imigraram para Nova Inglaterra na década de 1630.
A igreja batista mais antiga no sul foi a Primeira Igreja Batista de Charleston, na Carolina do Sul, organizada em 1682, sob a liderança do Reverendo William Screven. Uma igreja batista foi formada na colônia de Virgínia em 1715 através da pregação de Robert Norden, e várias outras na Carolina do Norte em 1727 pela liderança do ministro local Paul Palmer, ligada mais ao norte do país. Por volta de 1740, havia cerca de oito igrejas batistas nas colônias das Carolinas e da Virgínia, com uma estimativa de 300 a 400 membros.Baker, Robert A. "Southern Baptist Beginnings," 2001 Baptist History and Heritage Society. Online em: http://www.baptisthistory.org/sbaptistbeginnings.htm
Na Virgínia e na maioria das colônias sulitas, antes da Revolução Americana, a Igreja da Inglaterra (anglicana) era a igreja oficial, apoiada pelas taxas em geral, assim como era na Grã-Bretanha. Ela se opôs ao crescimento rápido dos batistas no sul. Particularmente na Virgínia, muitos pregadores batistas foram processados por "perturbar a paz" ao pregar sem licenças da igreja estatal. Tanto Patrick Henry quanto James Madison defendiam pregadores batistas anteriores à Revolução Americana em casos considerados significantes à história da liberdade religiosa. Madison, mais tarde, levou suas ideias sobre a importância da liberdade religiosa à Convenção Constitucional, onde ele assegurou que fossem incorporadas à Constituição. Uma vez começada a Revolução, os batistas logo se tornaram patriotas ativos na causa.
Fundação Em meados dos anos 1800, numerosas diferenças sociais, culturais, econômicas e políticas existiam entre os negociantes abolicionistas do norte, fazendeiros do oeste, e plantadores escravistas do sul.
Em 1845 essas diferenças levaram a controvérsias na Convenção Trienal a respeito da escravatura. A questão da escravidão era a questão mais crítica nos Estados Unidos, especialmente entre os batistas. No início, os batistas e metodistas do sul, antes da Revolução, tinham promovido a visão de igualdade do homem comum perante Deus, o que incluía afro-americanos. Eles desafiaram as hierarquias de classe e raça, e insistiam que os plantadores abolissem a escravidão.
Líderes batistas lutaram para ganhar um ponto de apoio no sul escravista. Entretanto, a geração seguinte de pregadores batistas do sul se acomodaram à sociedade. Ao invés de desafiar as pessoas sobre a escravidão, estes começaram a interpretar a Bíblia como apoiando essa prática. Nas duas décadas após a Revolução, os pregadores sulistas abandonaram seus apelos de que escravos fossem libertados de seus donos (alforria).<ref>Christine Leigh Heyrman, Southern Cross: The Beginning of the Bible Belt", Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1998, pp.10-18, 155</ref> Muitos destes pregadores do sul até mesmo queriam preservar os direitos dos ministros de serem donos de escravos.
A Convenção Trienal reafirmou sua neutralidade em relação à escravidão, para evitar possíveis divisões. A Associação Batista da Geórgia decidiu testar a neutralidade da organização, ao recomendar um dono de escravos sulista à Sociedade Batista Americana de Missões Domésticas como missionário. O quadro diretor da Sociedade recusou apontar um dono de escravos como missionário.The Baptist Encyclopedia. Edited by William Cathcart. 2 Vols. Rev. ed. Philadelphia: Louis H. Everts, 1883. Accessible online: http://www.wmcarey.edu/carey/staughton/triennial.htm. Accessed 04–25–2007.
Após o acontecimento, a maioria das igrejas do sul voluntariamente se separaram da Convenção Trienal, vendo como uma decisão que violavam os seus direitos. Delegados se encontraram na Primeira Igreja Batista em Augusta, Geórgia, em maio de 1845, para fundar independentemente uma nova convenção: a Convenção Batista do Sul. Eles elegeram William Bullein Johnson (1782-1862) como o primeiro presidente, que também havia servido como presidente da Convenção Trienal em 1841.
A Convenção Trienal seguiu uma estrutura governamental mais solta, composta de igrejas locais, associações regionais e convenções estaduais que pagavam valores anuais, com cada sociedade da Convenção geralmente focada num único ministério, como é até os dias atuais nas Igrejas Batistas Americanas. A Convenção do Sul, contrariamente, preferiu uma organização mais centralizada de igrejas padronizadas por suas associações regionais, com uma variedade de ministérios trazidas sob a direção de uma organização denominacional, uma característica mais próxima da política eclesiástica batista britânica.McBeth, H. Leon. The Baptist Heritage: Four Centuries of Baptist Witness. Nashville: Broadman, 1987. Em 1964, Addie Davis tornou-se a primeira mulher ordenada na Convenção Batista do Sul. Larry G. Murphy, J. Gordon Melton, Gary L. Ward, Encyclopedia of African American Religions, Routledge, Abingdon-on-Thames, 2013, p. LXXIV
Século 20 e questão racial
As consequências da decisão de se separar da Convenção Trienal e formar uma nova convenção em defesa da supremacia branca e da escravidão de pessoas afro-americanas duraram muito tempo. Uma pesquisa feita pela Home Mission Board da Convenção, em 1968, mostrou que apenas 11% de todas as igrejas da Convenção do Sul admitiriam americanos que fossem descendentes de africanos.The American Baptist Convention and the Civil Rights Movement: Rhetoric and Response, Dana Martin, 1999, page 44. Os batistas afro-americanos livres logo se juntaram para desenvolver suas próprias igrejas e associações para praticar sua forma distinta do cristianismo americano, longe das tentativas do controle branco.
A Convenção Batista do Sul não renunciou o uso da Bíblia como justificativa para tais questões até 20 de junho de 1995, durante a ressurgência conservadora, quando a Convenção publicou e adotou a "Resolução sobre a Reconciliação Racial.See http://jsr.as.wvu.edu/2002/Reviews/moon.htmSee http://findarticles.com/p/articles/mi_m1058/is_n21_v112/ai_17332136, renunciando suas raízes racistas e se desculpando pela sua defesa da escravidão no passado.This Side of Heaven: Race, Ethnicity, and Christian Faith. Edited by Robert J. Priest and Alvaro L. Nieves. Oxford University Press, 2007, pp 275 and 339
Uma publicação secundária que incomodou muitas igrejas pró-escravatura no sul foi a percepção de que a Sociedade de Missões DomésticasOrganized in 1832, no passado, não apontou um número proporcional de missionários à região sul dos Estados Unidos. Esse foi provavelmente um resultado de a Sociedade não ter apontado donos de escravos como missionários.See http://www.encyclopedia.com/doc/1G1-94160891.html.
A resolução adotada em 1995, se arrependendo do racismo, marcou o primeiro conhecimento formal da denominação de que o racismo tinha seu lugar em história no início. Atualmente, A Convenção possui um número crescente de igrejas etnicamente diversificadas.
Século 21 A Convenção Batista do Sul tem crescido, saindo de suas raízes regionalistas para se tornar uma força maior no evangelicalismo americano e internacional. Há congregações da CBS em todos os estados e territórios dos Estados Unidos, ainda que a maioria esteja nos estados do sul, sua "fortaleza" tradicional.
O escopo nacional da Convenção inspirou alguns membros a sugerirem uma mudança no nome. Em 2005, propostas forma feitas na Reunião Anual da Convenção, sobre a mudança do nome, do que parecia muito regional '"Convenção Batista do Sul"' para algo que parecesse mais nacional, como "Convenção Batista Norte-Americana" ou "Convenção Batista das Escrituras" (para manter as iniciais, em inglês, SBC). As propostas foram derrotadas.
Em 2012, o pastor Fred Luter da Igreja Batista da Avenida Franklin tornou-se o primeiro presidente afro-americano da convenção. Ashley Hayes, New Southern Baptist leader: Former street preacher, Katrina survivor, edition.cnn.com, USA, 20 de junho de 2012
Estatísticas Membresia De acordo com um censo da associação divulgado em 2026, ela disse que tinha 46,608 igrejas, 4,3 milhões em frequência semanal ao serviço e 12,331,954 membros. Aaron Earls, Southern Baptists See Attendance and Baptism Gains Amid Membership Declines, research.lifeway.com, 5 de maio de 2026 Southern Baptist Convention, Fast Facts About the SBC, sbc.net, USA, acessado em 5 de novembro de 2024
A Convenção tem 1.200 associações locais e 41 convenções estaduais e sociedades, cobrindo todos os 50 estados e territórios dos Estados Unidos.
Declínio nítido na quantidade de membros