Stegosaurus — aportuguesado como estegossauro ()«Estegossauro». Dicionários Porto Editora. Infopédia. Consultado em 10 de dezembro de 2018. ou estegossáurioGrande enciclopédia portuguesa e brasileira: ilustrada com cêrca de 15.000 gravuras e 400 estampas a côres (1957). Editorial Enciclopédia. Volume XX. p. 73. Acessado em 23 de outubro de 2020. — é um gênero de dinossauros herbívoros tireóforos. Os fósseis deste gênero datam do período Jurássico Superior, do período Kimmeridgiano aos primeiros estratos envelhecidos do Tithoniano, entre 155 e 148 milhões de anos atrás, no oeste dos Estados Unidos e em Portugal. Das espécies que foram classificadas da parte superior da Formação Morrison no oeste dos Estados Unidos, apenas três são universalmente reconhecidas; S. stenops, S. ungulatus e S. sulcatus. Foram encontrados os restos mortais de mais de 80 animais desse gênero. Stegosaurus teria vivido ao lado de dinossauros como Apatosaurus, Diplodocus, Brachiosaurus, Allosaurus e Ceratosaurus; os dois últimos podem ter sido predadores do gênero.

Eles eram grandes herbívoros quadrúpedes com costas arredondadas, fortemente equipados, tinham membros anteriores curtos, membros posteriores longos e tinham caudas erguidas no ar. Devido à sua combinação distinta de placas largas e verticais e cauda pontiaguda com pontas, o Stegosaurus é um dos mais facilmente reconhecíveis dinossauros. A função desse conjunto de placas e pontas tem sido objeto de muita especulação entre os cientistas. Hoje, é geralmente aceito que suas caudas pontiagudas tenham sido mais provavelmente usadas para defesa contra predadores, enquanto que suas placas poderiam ter sido usadas principalmente para exibição, e secundariamente para funções termorreguladoras. Stegosaurus tinha uma proporção cérebro-massa corporal relativamente baixa. Tinha um pescoço curto e uma cabeça pequena, o que significa que ele provavelmente comia arbustos e moitas. Uma espécie, Stegosaurus ungulatus, é a maior entre todos os estegossauros conhecidos (maior até do que outros dinossauros relacionados como Kentrosaurus e Huayangosaurus).

Os restos de Stegosaurus foram identificados pela primeira vez durante a "guerra dos ossos", pelo paleontólogo norte-americano Othniel Charles Marsh. Os primeiros esqueletos descobertos eram fragmentados e os ossos estavam espalhados, e demoraria muitos anos para que a verdadeira aparência desses animais, incluindo sua postura e arranjo de placas, se tornasse bem compreendida. O nome Stegosaurus vem do grego, στέγος-σαῦρος (stegos-sauros), e significa "lagarto telhado", em referência às suas placas ósseas. Apesar de sua popularidade em livros e filmes, os esqueletos montados de Stegosaurus não eram os principais nos museus de história natural até meados do século XX, e muitos museus tiveram que montar exposições compostas com fósseis de várias espécies diferentes devido à falta de esqueletos completos. Stegosaurus é um dos dinossauros mais conhecidos e já apareceu em filmes, selos postais e em muitos outros tipos de mídia.

Descrição esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|Tamanho de um S. ungulatus (laranja) e um S. stenops (verde) comparados a um humano O quadrúpede Stegosaurus é um dos gêneros de dinossauros mais facilmente identificáveis, devido à fila dupla distinta de placas em forma de pipa que se elevavam verticalmente ao longo de suas costas arredondadas e dos dois pares de longos espigões que se estendiam horizontalmente próximo do final da cauda. Indivíduos grandes poderiam crescer até 9 metros (29,5 pés) de comprimentoHoltz, Thomas R. Jr. (2012). Dinosaurs: The Most Complete, Up-to-Date Encyclopedia for Dinosaur Lovers of All Ages, Winter 2011 Appendix. e pesar entre 5,3 e 7 toneladas métricas (5,8 e 7,7 toneladas curtas).Foster, J. R. (2003). Paleoecological analysis of the vertebrate fauna of the Morrison Formation (Upper Jurassic), Rocky Mountain region, U.S.A. New Mexico Museum of Natural History and Science Bulletin, 23. Albuquerque, Novo México: Museu de História Natural e Ciência do Novo México.Benson, R. B. J.; Campione, N. E.; Carrano, M. T.; Mannion, P. D.; Sullivan, C.; et al. (2014). "Rates of Dinosaur Body Mass Evolution Indicate 170 Million Years of Sustained Ecological Innovation on the Avian Stem Lineage". PLoS Biol. 12 (5): e1001853. doi:10.1371/journal.pbio.1001853. PMC 4011683. PMID 24802911. Um tipo de armadura parece ter sido necessária no período, pois as espécies de Stegosaurus coexistiram com grandes dinossauros terópodes predadores, tais como Allosaurus e Ceratosaurus.Foster, J. (2007). "Appendix." Jurassic West: The Dinosaurs of the Morrison Formation and Their World. Indiana University Press. pp. 327-329.

A maioria das informações conhecidas sobre o Stegosaurus vem dos restos de animais adultos; porém, mais recentemente, restos juvenis do gênero foram encontrados. Um espécime subadulto, descoberto em 1994 no estado de Wyoming, Estados Unidos, tem 4,6 metros de comprimento e 2 metros de altura, e estima-se que tenha pesado 2,4 toneladas métricas (2,6 toneladas curtas) enquanto vivo. Ele está exposto no Museu Geológico da Universidade de Wyoming.Stegosaurus. University of Wyoming Geological Museum. (2006). Arquivado do original a Wayback Machine em 27 de agosto de 2006. Acessado em 6 de outubro de 2006.

Crânio 250px|thumb|Molde do crânio de um S. stenops, Museu de História Natural de Utah

O crânio longo e estreito era pequeno em proporção ao resto do corpo. Tinha uma pequena fenestra anterorbital, um orifício entre o nariz e o olho comum à maioria dos arcossauros, incluindo pássaros modernos, embora perdidos em crocodilianos existentes. A baixa posição do crânio sugere que Stegosaurus poderiam ter sido buscadores de vegetação rasteira. Esta interpretação é apoiada pela ausência de dentes da frente e sua provável substituição por um bico córneo ou ranfoteca. O maxilar inferior tinha extensões ou cristas planas para baixo e para cima que teriam escondido completamente os dentes quando vistos de lado, e eles provavelmente dispunham de um bico semelhante ao de uma tartaruga em vida. A presença de um bico estendido ao longo de muitas das mandíbulas pode ter impedido a presença de bochechas nessas espécies.Knoll, F. (2008). "Buccal soft anatomy in Lesothosaurus (Dinosauria: Ornithischia)". Neues Jahrbuch für Geologie und Paläontologie, Abhandlungen. 248 (3): pp. 355–364. doi:10.1127/0077-7749/2008/0248-0355Czerkas, S. (1999). "The beaked jaws of stegosaurs and their implications for other ornithischians". Miscellaneous Publication of the Utah Geological Survey. 99–1: pp. 143–150. Um bico tão extenso como esse provavelmente era exclusivo de Stegosaurus e de alguns outros estegossaurídeos avançados entre os ornitísquios, que geralmente tinham bicos limitados às pontas da mandíbula.Barrett, P. M. (2001). "Tooth wear and possible jaw action of Scelidosaurus harrisonii Owen and a review of feeding mechanisms in other thyreophoran dinosaurs". pp. 25-52. In: Carpenter, K. (ed.): The Armored Dinosaurs. Bloomington: Indiana University Press. Outros pesquisadores interpretaram essas extensões como versões modificadas de estruturas similares em outros ornitísquios que poderiam ter suportado bochechas carnudas, em vez de bicos.Galton, P. M., Upchurch, P. (2004). "Stegosauria". In: Weishampel, D. B., Dodson, P., Osmólska, H. The Dinosauria (2ª ed.). University of California Press. . Os dentes de estegossauros eram pequenos, triangulares e planos; e facetas de desgaste mostram que eles moíam sua comida.Fastovsky, D. E., Weishampel, D. B. (2005). "Stegosauria: Hot Plates". In: Fastovsky, D. E., Weishampel, D. B. The Evolution and Extinction of the Dinosaurs (2ª ed.). Cambridge University Press. pp. 107–30. .

Apesar do tamanho geral do animal, o neurocrânio do Stegosaurus era pequeno, não sendo maior que o de um cão. Um neurocrânio bem preservado do gênero permitiu a Marsh obter, na década de 1880, um molde da cavidade cerebral ou endocast do animal, o que dava uma indicação do tamanho do seu cérebro. O endocast mostrou que o seu cérebro era de fato muito pequeno, o menor em proporção entre todos os moldes de dinossauros então conhecidos. O fato de que um animal que pesava mais de 4,5 toneladas métricas (5 toneladas curtas) poderia ter um cérebro de não mais que 80 gramas (2,8 onças) contribuiu para a antiga ideia popular de que não existiam dinossauros inteligentes, uma ideia amplamente rejeitada atualmente.Bakker, R. T. (1986). The Dinosaur Heresies. William Morrow, Nova Iorque. pp. 365–74. A anatomia cerebral real do Stegosaurus é pouco conhecida, mas o seu cérebro era muito pequeno, até mesmo para um dinossauro, encaixando-se bem com um estilo de vida lento e herbívoro e uma complexidade comportamental limitada.Buchholtz, Emily; Holtz, Thomas R., Jr.; Farlow, James O.; Walters, Bob (27 de junho de 2012). Brett-Surman, M. K., ed. The complete dinosaur (2ª ed.). Bloomington: Indiana University Press. p. 201. . Acessado em 27 de fevereiro de 2013. "Proportions and anatomy of endocasts of Stegosaurus vary little from those of ancestral archosaurs, with an elongated shape, large olfractory lobes, and extremely narrow cerebral hemispheres. Lack of surface detail suggest that the brain did not fill the braincase. EQ estimates are below 0,6 (Hoppson, 1977), agreeing well with predictions of a slow herbivorous lifestyle."

Esqueleto 250px|thumb|Esqueleto composto montado referente a S. ungulatus, Museu Carnegie de História Natural

Na espécie Stegosaurus stenops existiam 27 ossos na coluna vertebral anteriores ao sacro, possuindo um número variável de vértebras nele, com quatro na maioria dos subadultos e cerca de 46 vértebras caudais (da cauda). Os pré-sacrais eram divididos em vértebras cervicais (do pescoço) e dorsais (dos lombos), com cerca de 10 cervicais e 17 dorsais do número total, sendo uma maior que a do Hesperosaurus, e duas maiores que as do Huayangosaurus, apesar de que Miragaia tenha preservado 17 cervicais e um número desconhecido de dorsais. A primeira vértebra cervical era o osso áxis, que era conectado e muitas vezes fundido ao osso atlas. Mais adiante, as proporcionalmente maiores eram as cervicais, embora que elas não eram muito diferentes em nada além do tamanho. Passadas as primeiras poucas dorsais, o centrum dos ossos tornava-se mais alongado de uma ponta à outra, e os processos transversos tornavam-se mais elevados dorsalmente. O sacro da espécie S. stenops incluía quatro vértebras sacrais, mas uma das dorsais também era incorporada à estrutura. Em alguns exemplares de S. stenops, uma vértebra caudal também era incorporada, como uma caudosacral. No Hesperosaurus haviam duas dorsosacrais e apenas quatro ossos sacrais fundidos, mas no Kentrosaurus podiam haver até sete vértebras no sacro, com ambas as dorsosacrais e caudosacrais. S. stenops preservou 46 vértebras caudais, alguns exemplares até 49, e ao longo da série, tanto o centrum quanto o espinho neural iam se tornando menores em cada vértebra, até que os espinhos neurais desapareciam na caudal de número 35. Em torno do meio da cauda, os espinhos neurais se bifurcavam, o que significa que eles se dividiam próximo ao topo.Maidment, S. C. R.; Brassey, Charlotte; Barrett, Paul Michael (2015). "The Postcranial Skeleton of an Exceptionally Complete Individual of the Plated Dinosaur Stegosaurus stenops (Dinosauria: Thyreophora) from the Upper Jurassic Morrison Formation of Wyoming, U.S.A." PLoS ONE. 10 (10): e0138352. Bibcode:2015PLoSO..1038352M. doi:10.1371/journal.pone.0138352. PMC 4605687. PMID 26466098.