A eleição presidencial na Costa do Marfim em 2010 ocorreu em dois turnos. O primeiro turno foi realizado em e o segundo turno, no qual o presidente Laurent Gbagbo enfrentou o líder da oposição Alassane Ouattara, ocorreu em do mesmo ano.
Originalmente programada para 2005, a votação foi adiada por várias vezes, em decorrência da guerra civil e da dificuldade de organizar e preparar as eleições. Finalmente, um acordo de paz entre o governo e os ex-rebeldes das Forças Novas foi assinado em março de 2007Presidente da Costa do Marfim promete realizar eleições conforme o programado. Xinhua (People's Daily Online), 10 de julho de 2007. e, no final de abril de 2009, foi noticiado que a eleição seria realizada em 6 de dezembro de 2009 e que a data seria formalmente anunciada em breve Em , as eleições foram marcadas para 29 de novembro do mesmo ano.
Adiamento da eleição O pleito que deveria ter ocorrido em acabou não acontecendo devido ao atraso na atualização das listas eleitorais, segundo informou o presidente do Conselho Econômico e Social da Costa do Marfim, Laurent Dona Fologo, autoridade próxima do então presidente Laurent Gbagbo. Em foi anunciado que seria realizada no final de fevereiro ou início de março do ano seguinte.
O representante local da ONU, Choi Young-jin, alertou que os atrasos nos preparativos do pleito fragilizavam a paz no país. "Infelizmente, o ritmo do processo foi extremamente lento", disse ele, acrescentando que "os atrasos acumulados são a nossa principal causa de inquietação porque podem colocar em perigo todo o processo de paz na Costa do Marfim". Choi considerou que os atrasos se deviam à burocracia e à complexidade logística da operação. Onze milhões de pessoas deveriam ser identificadas e, dentre elas, nove milhões deveriam ser inscritas nas listas eleitorais, com a ajuda de um sistema muito sofisticado, segundo informou o representante da ONU.ONU inquieta pelos atrasos na preparação das eleições. Expresso, 28 de Outubro de 2008
Resultados eleitorais +Resultados da apuração dos votosCandidatoPartido1.º turno2.º turno(segundo CC)2.º turno(segundo IEC)Votos válidos%Votos válidos%Votos válidos%Laurent GbagboFPI38.0451.4545.90Alassane OuattaraRDR32.0748.5554.10Henri Konan BédiéPCDI25.24<center>–<center>–<center>–<center>–Albert Toikeusse MabriUDPCI2.57Demais candidatosDemais partidos2.08Votos em branco/nulos–Total de votos registrados100Eleitorado apto a votar83.73
Repercussão pós-pleito A eleição, na qual a etnicidade e a cisão do país entre norte e sul desempenharam um papel crucial, em última instância opôs o presidente Gbagbo, que tem uma sólida base de apoio no sul, contra o líder da oposição e ex-primeiro-ministro Ouattara, que tem o apoio de grande parte do norte. Antes e após segundo turno registraram-se graves tensões e alguns incidentes violentos, mas os observadores internacionais consideraram que a eleição tenha sido essencialmente livre e justa.
Em 2 de dezembro de 2010, a Comissão Eleitoral Independente (CEI) divulgou os resultados provisórios, mostrando que Ouattara havia vencido a eleição no segundo turno com 54,10% dos votos. No entanto, o presidente do Conselho Constitucional declarou imediatamente que os resultados eram inválidosChristophe Koffi, "Ouattara proclamado vencedor da eleição na Costa do Marfim", AFP, 2 de dezembro de 2010. e, no dia seguinte, declarou Gbagbo vencedor com 51,45% dos votos.
Tanto Gbagbo como Ouattara reivindicaram a vitória e fizeram o juramento presidencial. Os acontecimentos que se seguiram levaram o país a uma crise política. A comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Europeia, os Estados Unidos e a França, antiga potência colonial, afirmaram seu apoio à Ouattara e pediram que Gbagbo deixasse a presidência.Costa do Marfim está à beira do genocídio, diz embaixador na ONU. Último Segundo, 30 de dezembro 2010.
Em 18 de dezembro, Gbagbo ordenou que todas forças de manutenção da paz das Nações Unidas deixassem do país, o que a ONU recusou, e o Conselho de Segurança ampliou o mandato da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim até . Potências internacionais chegaram, inclusive, à possibilidade de aumentar as forças da ONU no país. O Banco Mundial suspendeu os empréstimos ao país e restrições de viagem foram impostas a Gbagbo e seus aliados políticos. As crescentes tensões políticas resultaram em aumentos de até 10% nos preços do cacau, do qual a Costa do Marfim é a maior produtora mundial.
Ver também Crise na Costa do Marfim de 2010–2011
Ligações externas Perfil da Costa do Marfim . BBC, 13 de janeiro de 2011. Perguntas e respostas: a crise das eleições na Costa do Marfim . BBC, 28 de dezembro de 2010.
Presidenciais Costa do Marfim Categoria:2010 na Costa do Marfim