Clássico da Saudade é, no futebol paulista, o confronto entre Palmeiras e Santos."Palmeiras x Santos", Globo.com/Futpedia, Página Visitada em 2/5/2015http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,top-5-os-mais-marcantes-classicos-entre-santos-e-palmeiras-pelo-paulistao,1025907http://globotv.globo.com/sportv/sportvnews/v/classico-da-saudade-santos-e-palmeiras-reuniram-os-maiores-expoentes-do-futebol-arte/4026417/http://blogdojuca.uol.com.br/2013/04/um-sabado-do-classico-da-saudade/http://blogs.lancenet.com.br/neto/2015/10/29/classico-da-saudade-e-da-atualidade/ Este nome refere-se ao fato de reunir os dois maiores times do futebol paulista durante o auge do futebol arte brasileiro, na década de 1960, quando o Palmeiras tinha Ademir da Guia como principal craque, e o Santos, Pelé, considerado o maior jogador de futebol e o maior atleta de todos os tempos.
Ao longo de mais de 100 anos de clássicos disputados, além de jogos que entraram para a história do futebol brasileiro, as equipes decidiram títulos importantes nas esferas estadual, nacional e continental, como o Campeonato Paulista, a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos e a Copa Libertadores da América.
Maiores clássicos thumb|250px|direita|Jogadores de Santos e Palmeiras em partida disputada na Vila Belmiro pelo Campeonato Brasileiro de 2017 thumb|250px|direita|Disputa entre jogadores de Santos e Palmeiras em partida disputada na Vila Belmiro pelo Brasileirão de 2017 Jogos de 1915 a 1950 O primeiro Clássico da Saudade da história ocorreu em 3 de outubro de 1915 no Velódromo de São Paulo. O Palestra Itália, que tinha apenas 1 ano de vida, queria disputar o Campeonato Paulista de Futebol de 1916, mas a Associação Paulista de Esportes Atléticos, impôs uma condição: que vencesse um time de ponta de sua escolha. E o escolhido foi o Santos, que apesar de não disputar o Paulistão, era conhecido e respeitado pelo seu grande futebol. O amistoso ainda serviu para arrecadar ajuda para as vítimas da Grande Seca do Nordeste de 1915. O Santos goleou o Palestra Itália por 7 a 0, acabando com as pretensões alviverdes de disputar o Paulistão do próximo ano. O Palestra quase fechou as portas depois disso, mas resistiu graças à expulsão do Scottish Wanderers, clube que foi punido por pagar jogadores num campeonato amador. Assim o palmeiras conseguiu uma vaga para disputar o Paulistão, e ambos (Santos e Palestra) disputaram o Paulistão de 1916. No Paulistão de 1927, o grande ataque santista formado por Osmar, Camarão, Siriri, Feitiço, Araken Patusca e Evangelista, o primeiro a chegar à marca dos 100 gols marcados na história do campeonato, parou diante do Palestra de Bianco Spartaco Gambini e Heitor Marcelino Domingues, que venceu por 3 a 2 em plena Vila Belmiro. O Palestra sagrou-se bicampeão paulista. Em 11 de dezembro de 1932, jogando no Estádio da Ponte Grande, em São Paulo, o Palestra Itália aplicou a maior goleada da história do Clássico da Saudade: um 8 a 0 humilhante sobre o Santos, se vingando do 7 a 0 de 1915. O Alviverde do Parque Antarctica conquistou o Campeonato Paulista de 1947 com uma vitória, na penúltima rodada, diante do Alvinegro da Vila Belmiro, por 2 a 1, fazendo a festa em plena Vila Belmiro. Nesse clássico de 28 de dezembro de 1947, o Peixe já não lutava pela taça.
Jogos de 1950 a 1970 O maior espetáculo do futebol. Palmeiras e Santos se enfrentavam pelo Torneio Rio-São Paulo de 1958 naquela noite de 6 de março no Pacaembu. Era apenas mais um jogo do torneio, que não decidiria nada. Mas o que aconteceu naquela noite foi algo inacreditável. O Santos contava com Dalmo, Zito, Dorval, Jair da Rosa Pinto, Pagão, Pelé e Pepe. O Palmeiras tinha Valdemar Carabina, Waldemar Fiúme, Mazzola e Urias. Quem começou a festa foi o Palmeiras com um gol do ponta-esquerda Urias aos 18 minutos. Pelé empatou aos 21 e Pagão virou aos 25, com Nardo empatando 1 minuto depois. Em seguida, três golpes que pareciam mortais - como num deboche, Dorval aos 32, Pepe aos 38 e Pagão aos 46 minutos estabeleceram 5 a 2. Goleada! No intervalo, Oswaldo Brandão pediu vergonha aos palmeirenses, trocou o goleiro e colocou em campo o uruguaio Carballo. Com ele ao seu lado, Mazzola transformou-se no diabo loiro e o milagre aconteceu: Paulinho fez o terceiro tento palmeirense aos 16 do segundo tempo. Mazzola fez outro aos 19 e empatou por 5 a 5 aos 27 do segundo tempo. Urias marcou aos 34 do segundo tempo. O Palmeiras virava para 6 a 5! "Milagre no Pacaembu!" gritava Édson Leite, testemunhando o que classificava de "o maior espetáculo que já vi no futebol". Só que com a máquina do Santos, o milagre duraria pouco. Aos 38 minutos, Pepe empatou e, logo depois, aos 41 minutos do segundo tempo, virou-o para Santos 7 a 6 no Palmeiras. Em um jogo de 13 gols, que para sempre deixaria saudade. Para o cineasta Aníbal Massaíni, "esta partida é tida como a mais emocionante da história. Faleceram cinco pessoas por causa dela, três com registro, uma dentro do Pacaembu" "Novo filme de Pelé deve ter selo Globo e busca achar 'gol de placa' do Maracanã", UOL Esporte, 17/9/2011. No Paulistão de 1959, Peixe e Verdão terminaram o campeonato empatados em 63 pontos. O regulamento previa um supercampeonato disputado em melhor de 4 pontos. As duas primeiras finais tinham terminado empatadas, 1 a 1 e 2 a 2. Em campo, os elencos refletiam o equilíbrio do marcador: Dorval, Zito, Pagão, Pelé e Pepe contra Djalma Santos, Zequinha, Chinesinho e Julinho Botelho. Um festival de craques: 13 dos 22 jogadores em campo já haviam vestido a camisa da Seleção Brasileira. O estádio do Pacaembu, naquele dia, 10 de janeiro de 1960, inchou de tanta gente, e os santistas riram primeiro, quanto Jair da Rosa Pinto - que anos antes jogara no Palmeiras - lançou Pelé que abriu a contagem. Mas o Verdão não se intimidou e o empate veio logo depois, com Julinho. A bola, chutada por Romeiro, espirrou em Formiga e sobrou para o ponta. Julinho vinha sendo a melhor opção de ataque do time palmeirense, que dominava o meio-campo com Zequinha e Chinesinho. A partir daí, o jogo se tornou mais ofensivo. Aldemar marcava Pelé - um duelo que se tornaria famoso e tempos depois faria o Crioulo eleger aquele zagueiro leal seu melhor marcador. O tempo corria e a torcida alviverde, que há nove anos não festejava um título paulista, temia pelo pior: a vitória santista na prorrogação. E então aconteceu, perto do final. Chinesinho foi derrubado. Falta. Enquanto o goleiro Laércio orientava a barreira, Romeiro ajeitou a bola. Mãos na cintura, mediu a distância. Quase se podia ouvir sua respiração, no Pacaembu em silêncio, e soou forte o impacto violento de sua chuteira na bola, que subiu e desceu numa curva suficientemente ardilosa para tornar inútil o salto de Laércio. Quando a rede tremeu, tudo ficou verde. O invencível Santos não era mais invencível e o Palmeiras renasceu naquele dia. "Foi uma vitória da união", explicou o técnico Oswaldo Brandão, apontando para seus jogadores, seus heróis. Palmeiras Supercampeão paulista de 1959. "Estamos fadados a enfrentar esse time do Santos pelos próximos cinco anos". eis a frase do técnico Osvaldo Brandão após a conquista do Paulistão de 1959, pelo Palmeiras sobre o Santos. E no Paulistão seguinte, de 1960, seus temores se confirmariam: duas derrotas, uma por 3 a 1 em São Paulo. No returno, o Santos sagrou-se campeão paulista de 1960 com uma vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras, que já não lutava pela taça, em um jogo noturno na Vila. Pelé e Zito marcaram para o Peixão, e Chinesinho descontou para o Verdão. Verdão e Peixe fizeram a semifinal da Taça Brasil de 1964. Em 4 de novembro de 1964, no Pacaembu, o Santos venceu por 3 a 2. Em 10 de novembro, no jogo da volta no mesmo estádio, um massacre por 4 a 0 sobre a Academia garantiu o Alvinegro Praiano na final diante do Flamengo, contra quem se tornaria tetracampeão nacional. No ano seguinte, novamente pelas semifinais da Taça Brasil de 1965, novo Clássico da Saudade. Com jogos no Pacaembu, no primeiro prélio, uma exibição exuberante de Toninho Guerreiro, com 3 gols, garantiu o 4 a 2 para o Time da Baixada. Em 10 de novembro, com um empate em 1 a 1, o Santos eliminou pelo segundo ano seguido o Palmeiras, indo para a final contra o Vasco, quando sagrou-se pentacampeão nacional. Em 19 de maio de 1968 o Santos exorcizou um fantasma. Quase onipotente na Década de 1960, só não foi decacampeão por causa de um time: o Palmeiras. O Verdão, no Campeonato Paulista de Futebol de 1968 era o único time que poderia roubar o título do Santos, pois apesar de ter muitos jogos e pontos a menos, matematicamente poderia alcançá-lo, desde que vencesse ao confronto direto e todos seus jogos seguintes atrasados… E a grande ameaça daquele time era Ademir da Guia, o maestro da Academia. O primeiro tempo foi morno e terminou em 0 a 0. Na etapa final o Palmeiras saiu na frente com China. O Santos, experiente, não se abalou. Empatou a partida aos 9 minutos com Edu. E a certeza da vitória veio aos 14 com uma jogada genial de Pelé. Com 2 a 1 no placar o Santos estava bem mais seguro. Aos 21 minutos, saiu o terceiro gol com Toninho Guerreiro. Era o fim de um fantasma que atrapalhou uma hegemonia total do Santos na década de 60. Santos bicampeão paulista de 1968 e festejando em pleno Estádio Palestra Itália. Santos e Palmeiras se classificaram para o quadrangular final do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968, junto com Internacional e o Vasco. Em 8 de dezembro, ambos entraram no gramado do Morumbi, ambos com uma vitória na primeira rodada e indo decidir a taça. Mas o Peixe não deu chance, venceu por 3 a 0, e se isolou na liderança do quadrangular. Na rodada final, o Alvinegro venceu o Vasco e se sagrou campeão nacional, enquanto o Verdão terminava em 4º. Santos, Palmeiras, Corinthians e São Paulo fizeram um super quadrangular final no Campeonato Paulista de Futebol de 1969. Em 16 de junho, pela 2ª rodada, Palmeiras e Santos que haviam vencido na primeira rodada e lideravam, se encontrariam no Parque Antárctica. O Verdão havia vencido, durante os turnos, o Peixe por 3 a 2 no Morumbi e por 1 a 0 em plena Vila Belmiro. Mas, justo na decisão, levou 3 a 0 do Alvinegro da Baixada diante de sua própria torcida. Ao Santos, bastou empatar seu último clássico, contra o São Paulo, para sagrar-se tricampeão. Terminada a Copa do Mundo de 1970, os olhos dos torcedores se voltaram para o Campeonato Paulista. E nada melhor que recomeçar com um grande clássico. Palmeiras e Santos se enfrentaram num domingo, 5 de maio no Morumbi, tendo seus jogadores tricampeões de volta. E eles não decepcionaram, principalmente os do Santos. Um gol em cada tempo. Aos 39 minutos, Edu fingiu bater direto uma falta na meia direita, mas abriu para Carlos Alberto. Um centro da linha de fundo, Manuel Maria errou o chute, a bola bateu em Ademir da Guia e entrou. O outro gol, aos 27 minutos do segundo tempo. Lima rolou a bola para Edu, livre pela esquerda. Edu andou e chutou de curva. Leão pensou - como todo mundo - que a bola ia cruzar em frente ao gol e saiu para cortar. A bola fez uma curva, passou por trás de Leão e entrou quase no ângulo. Na saída, a Polícia fez um cordão de isolamento em volta do ônibus do Santos. Todos queriam ver de perto seus jogadores e abraçar Pelé.