The Third Man é um filme noir britânico-americano de 1949, do gênero suspense, dirigido por Carol Reed, com roteiro de Graham Greene baseado em sua obra homônima. O longa-metragem conta a história do escritor estadunidense Holy Martins (Joseph Cotten) que viaja a Viena para aceitar um emprego com seu amigo Harry Lime (Orson Welles), apenas para descobrir que ele "morreu". Martins fica em Viena para investigar a morte de Lime, ficando apaixonado pela namorada dele, Anna Schmidt (Alida Valli).

Ambientado em uma Viena pós-segunda guerra mundial. O longa-metragem é fortemente influenciado pela cinematografia do expressionismo alemão e foi um dos primeiros filmes a usar extensivamente o ângulo holandês. Combinado com o uso de locais em ruínas da cidade, o estilo de O Terceiro Homem evoca a exaustão e cinismo no início da Guerra Fria. The Third Man é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos sendo celebrado pela atuação de Orson Welles, trilha sonora e cinematografia atmosférica.Halliwell, Leslie and John Walker, ed. (1994). Halliwell's Film Guide. New York: Harper Perennial. ISBN 0-06-273241-2. p 1192

Sinopse Um escritor americano chega a Viena, após a Segunda Guerra Mundial, e descobre que seu amigo Harry Lime foi morto em circunstâncias misteriosas. Ele passa a investigar o caso e descobre várias inconsistências nas explicações dos amigos de Harry.

Elenco Orson Welles como Harry Lime Joseph Cotten como Holly Martins Alida Valli como Anna Schmidt Trevor Howard como Major Calloway Paul Hörbiger como Karl, porteiro de Lime Ernst Deutsch como "Barão" Kurtz Erich Ponto como Dr. Winkel Siegfried Breuer como Popescu Hedwig Bleibtreu como governanta de Anna Bernard Lee como Sargento Paine Wilfrid Hyde-White como Crabbin Não creditado Annie Rosar como a esposa do porteiro Alexis Chesnakov como Brodsky, oficial russo Herbert Halbik como o Pequeno Hansel, o menino com uma bola Robert Brown como policial militar britânico na cena de perseguição no esgoto Paul Hardtmuth como o porteiro do Hotel Sacher Geoffrey Keen como Policial Militar Britânico Eric Pohlmann como garçom no Smolka's Reed De Rouen como Policial Militar Americano na Estação Ferroviária Irmão Theodore como Homem (figurante) na rua Nelly Arno como a mãe de Kurtz Karel Štěpánek como ator no Teatro Josefstadt

Produção Desenvolvimento Antes de escrever o roteiro, Graham Greene elaborou a atmosfera, caracterização e o clima da história escrevendo um romance como sendo o tratamento da produção. Greene nunca pretendeu que fosse lida pelo público em geral, embora acabasse sido publicada mais tarde com o mesmo nome do longa-metragem. O romance é narrado em primeira pessoa sob a perspectiva do personagem Calloway. Em 1948, Graham Greene conheceu Elizabeth Montagu em Viena; ela o levou para passeios pela cidade, seus sistemas de tratamento de esgotos e algumas de suas casas noturnas menos respeitáveis. Ela também apresentou Greene a Peter Smolka, o correspondente da Europa Central do The Times, que contou a Greene histórias sobre o mercado negro em Viena.

Durante as filmagens do filme, a cena final foi objeto de uma disputa entre o produtor David O. Selznick e o diretor Carol Reed. Enquanto Selznick preferia o final esperançoso do livro, com Martins e Anna indo embora juntos, Reed se recusou a terminar o longa com o que ele sentiu ser uma cena artificialmente feliz. Greene (que inicialmente concordava com o produtor) escreveu mais tarde: "Uma das poucas disputas importantes entre Carol Reed e eu dizia respeito ao final, e ele provou estar triunfantemente certo". A contribuição de Selznick, segundo ele mesmo, foi principalmente trazer Joseph Cotten e Orson Welles e encurtar a duração de The Third Man quando foi lançado nos Estados Unidos.

Ao passar do tempo, houve especulações ocasionais de que Welles era o diretor de facto de The Third Man, ao invez de Reed. O livro de Jonathan Rosenbaum de 2007, Discovering Orson Welles, chama isso de "equívoco popular", embora tenha notado que o filme carregue elementos wellesianos como traição em amizades masculinas, Rosenbaum escreve que Welles "não dirigiu nada no filme; os fundamentos de seu estilo de filmagem e edição, trilha sonora e significado, estão claramente ausentes. No entanto, velhos mitos são difíceis de morrer, e alguns espectadores persistem em acreditar no contrário". O próprio Welles alimentou essa teoria em uma entrevista de 1958, na qual ele disse que "escreveu inteiramente o papel" do personagem Harry Lime e que também teve um papel não especificado na produção do filme — mais do que a contribuição que ele fez para Journey into Fear— porém, segundo Welles isto era um "assunto delicado" porque ele não era o produtor do filme.Welles, Orson; Epstein, Mark W. Orson Welles: Entrevistas. Mississippi: Universidade de Mississippi, 2002 (PDF) No entanto, em outra entrevista desta vez realizada em 1967 com Peter Bogdanovich, Welles disse que seu envolvimento foi mínimo: "Era todo do Carol". Orson Welles contribuiu apenas com alguns dos diálogos mais conhecidos do filme. Bogdanovich declarou na introdução do DVD:Janus Films. The Janus Films Director Introduction Series presents Peter Bogdanovich on Carol Reed's The Third Man. (DVD)

Filmagem Em seis semanas, as cenas principais foram finalizadas em Viena no dia 11 de dezembro de 1948 e também foram utilizadas as instalações do Sievering Studios. A produção então mudou-se para a Worton Hall Studios em Isleworth e na Shepperton Studios em Surrey sendo concluídas em março de 1949. Thomas Riegler enfatiza as oportunidades de se filmar cenas de espionagem da Guerra Fria que os locais de Viena disponibilizaram e observa que "o engenheiro de áudio Jack Davies notou pelo menos uma pessoa misteriosa no set".

As cenas de Harry Lime no esgoto foram filmadas no local ou em cenários construídos em Shepperton; a maioria destas cenas de locação usou dublês para Welles."Shadowing the Third Man". documentário. BBC Four. Dezembro de 2007. Arquivado do original em 20 de abril de 2008. No entanto, Reed afirmou que, apesar da relutância inicial de Orson Welles, ele rapidamente se entusiasmou e ficou em Viena para terminar a filmagem.Noble, Peter. The Fabulous Orson Welles. Hutchison, 1956

Em 2015, o assistente de direção Guy Hamilton revelou que Greene e Reed trabalharam muito bem juntos, mas Welles "geralmente irritava todos no set". Sua ausência temporária forçou Hamilton a intervir como dublê de corpo, e as filmagens das cenas de esgoto foram transferidas para estúdios no Reino Unido como resultado das reclamações de Welles sobre isto.

O diretor tinha quatro unidades de câmera diferentes filmando em Viena durante a produção. Ele trabalhou 24 horas por dia, usando Benzedrina para se manter acordado. Frase sobre o Relógio Cuco Em uma cena famosa, Lime encontra Martins no Wiener Riesenrad no parque de diversões do município de Leopoldstadt. Olhando para as pessoas abaixo de seu ponto de vista, Lime as compara a pontos e diz que seria insignificante se uma delas ou algumas delas "parassem de se mover, para sempre". De volta ao chão, ele observa:

De acordo com o roteirista Graham Greene, "a popular linha de diálogo sobre os relógios cuco suíços foi escrita no roteiro pelo próprio Sr. Welles" (no roteiro publicado, está incluso em uma nota de rodapé). Greene escreveu em uma carta que "O que aconteceu foi que durante as filmagens de The Third Man foi considerado necessário para o tempo inserir outra frase". Welles aparentemente disse que as falas vieram de "uma antiga peça húngara" - em qualquer caso, a ideia não é original de Welles, como reconhecido por ele próprio. A fonte mais provável é a do pintor James McNeill Whistler; em uma palestra feita em 1885 publicada em "Ten O'Clock" do Sr. Whistler no ano de 1888, ele disse que "Os suíços em suas montanhas... Que pessoas mais dignas! ... ainda assim, a perversa e desdenhosa [deusa, Arte] não quer nada disso, e os filhos dos patriotas ficam com o relógio que gira o moinho, e o cuco repentino, com dificuldade contido em sua caixa! Pois isso foi Tell um herói! Por isso Gessler morreu!". Em uma reminiscência de 1916, o pintor americano Theodore Wores disse que "tentou obter um reconhecimento de Whistler de que São Francisco algum dia se tornaria um grande centro de arte por conta de nossas vantagens climáticas, cênicas e outras. 'Mas o ambiente não leva a uma produção artística', Whistler retrucou. 'Considere a Suíça. Lá, o povo tem tudo na forma de vantagens naturais — montanhas, vales e céu azul. E o que eles produziram? O relógio cuco!".

This Is Orson Welles (1993) cita Welles: "Quando o filme foi lançado, os suíços gentilmente me apontaram que nunca fizeram relógios cuco",Nigel Rees, Brewer's Famous Quotations, Sterling, 2006, pp. 485–86 já que os relógios cuco foram realmente inventados na Floresta Negra alemã. O escritor John McPhee destacou que quando os Bórgias floresceram na Itália, a Suíça tinha "a força militar mais poderosa e temida da Europa" e não era o país neutro que mais tarde se tornou.McPhee, John. La Place de la Concorde Suisse. New York, Noonday Press (Farrar, Straus and Giroux), 1984. McPhee está citando "The Swiss at War" do Douglas Miller. Trilha Sonora O tocador de cítara Anton Karas compôs e executou a trilha sonora do filme. Antes da produção chegar a Viena, Karas era um artista desconhecido no Heurigers local. De acordo com a Time: "O filme exigia música apropriada para a Viena pós-Segunda Guerra Mundial, mas o diretor Reed decidiu evitar valsas piegas e fortemente orquestradas. Em Viena, uma noite, Reed ouviu um musicista tocador de cítara chamado Anton Karas, [e] ficou fascinado pela melancolia estridente de sua música". O diretor levou o músico para Londres onde trabalhou com ele na soundtrack do filme por seis semanas.

"The Third Man Theme" foi lançado como single em 1949/50 (Decca no Reino Unido, London Records nos EUA). Tornou-se um best-seller. Em novembro de 1949, 300.000 discos foram vendidos na Grã-Bretanha, e a princesa Margaret, na adolescência, era supostamente uma fã. Após seu lançamento nos EUA em 1950, "The Third Man Theme" passou 11 semanas em primeiro lugar na parada de mais vendidos nas lojas da Billboard, de 29 de abril a 8 de julho. A exposição fez de Anton Karas uma estrela internacional, e o trailer do filme afirmava que "a famosa trilha sonora de Anton Karas" deixaria o público "em polvorosa com sua cítara".

A música adicional para o filme foi escrita pelo compositor australiano Hubert Clifford sob o pseudônimo de Michael Sarsfield. De 1944 a 1950, Clifford foi diretor musical de Korda na London Film Productions, onde escolheu os compositores e conduziu as trilhas sonoras dos filmes, além de compor muitas trilhas sonoras originais. Um trecho da sua adaptação da música de The Third Man, The Casanova Melody, foi orquestrado por Rodney Newton em 2000. Diferenças entre a versão Americana e britânica Quando o lançamento original começa, a voz do diretor Carol Reed (não creditada) descreve a Viena pós-guerra do ponto de vista de um gângster. A versão exibida nos cinemas americanos cortou onze minutos de filmagem (incluindo a cena da dançarina de topless ao fundo) e substituiu a narração de Reed pela narração de Cotten como Holly Martins. Selznick instituiu esta substituição porque não achava que o público americano se identificaria com o tom sombrio do original. Atualmente, a versão de Reed encontra-se disponível para os americanos. Em 26 de junho de 2015, uma versão restaurada foi disponibilizada no Reino Unido.

Em setembro de 2024, o StudioCanal lançou uma restauração 4K do filme para celebrar seu 75º aniversário. Teve uma curta exibição nos cinemas do Reino Unido e mais tarde foi lançado em Blu-ray 4K.

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