Um medicamento fitoterápico é aquele alcançado de plantas medicinais, onde utiliza-se exclusivamente derivados de droga vegetal tais como: suco, cera, exsudato, óleo, extrato, tintura, entre outros.Medicamentos Fitoterápicos, no http://www.anvisa.gov.br; Acesso 24 de Dez de 2008 O termo confunde-se com fitoterapia ou com planta medicinal que realmente envolve o vegetal como um todo no exercício curativo e/ou profilático. Os fitoterápicos são medicamentos industrializados e têm legislação específica. São uma mistura complexa de substâncias, em que, na maioria dos casos, o princípio ativo é desconhecido.

O simples fato de coletar, secar e estabilizar um vegetal não o torna medicamento fitoterápico. Deste modo, vegetais íntegros, rasurados, triturados ou pulverizados, não são considerados medicamentos fitoterápicos; em outras palavras, uma planta medicinal não é um fitoterápico. Também não são considerados fitoterápicos os chás, medicamentos homeopáticos e partes de plantas medicinais.

Embora de difícil consenso, um fitoterápico pode ser definido como um medicamento (obtido pela tecnologia farmacêutica e industrializado) de origem vegetal (fitomedicamento) caracterizado por apresentar várias substâncias químicas (fitoquímicos) responsáveis pelos efeitos terapêuticos e/ou colaterais (também). Esta definição se opõe à de um medicamento não-fitoterápico, cuja origem do(s) princípio(s) ativo(s) não é exclusivamente vegetal, além de ser variada (ex: anti-histamínicos, antitérmicos e vitamina C todos juntos em comprimidos antigripais). Por exemplo (típico), o fitoterápico Ginkgo biloba tem cerca de 20 substâncias ativas que respondem juntas pelo efeito terapêutico, sem a totalidade simultânea das quais, o mesmo efeito não se alcança na plenitude.

Assim como outros medicamentos, os fitoterápicos, quando utilizados de forma incorreta, podem proporcionar problemas de saúde.

Por isso, para regulamentar a comunicação ao usuário, uma resolução da Anvisa em vigor desde 10 de março de 2010 padroniza regras para comercialização. Cada produto deve indicar para o que serve e seus possíveis efeitos colaterais. Os dados devem estar em um folheto informativo na embalagem ou no invólucro da planta.Fitoterápicos deverão vir com orientação sobre forma de uso - Folha de S.Paulo, 11 de março de 2010 (visitado em 11-3-2010)Anvisa regulamenta produtos fitoterápicos - Jornal Nacional, 10 de março de 2010 (visitado em 11-3-2010)

Definição de órgãos regulatórios Fitoterápico, segundo a RDC n°48 de 16 de março de 2004 da Anvisa é o medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Sua eficácia e segurança é validada através de levantamentos etnofarmacológicos de utilização, documentações tecnocientíficas em publicações ou ensaios clínicos fase 3. Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais.RESOLUÇÃO-RDC Nº. 48, DE 16 DE MARÇO DE 2004, no http://e-legis.anvisa.gov.br ; Acesso 24 de Dez de 2008

Segundo a OMS, os medicamentos fitoterápicos são aqueles preparados com substâncias ativas presentes na planta como um todo, ou em parte dela, na forma de extrato total.Sobre fitoterapia, no http://www.labcat.com.br; Acesso 24 de Dez de 2008

Utilização na saúde pública No Brasil, o Ministério da Saúde, torna disponível a utilização de medicamentos fitoterápicos na saúde pública. Desde 2007, as prefeituras brasileiras podem adquirir espinheira-santa, utilizada no tratamento de úlceras e gastrites e guaco para sintomas da gripe, como a tosse, ambos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No final de 2009, foram incluídos à lista de fitoterápicos utilizados pelo SUS a alcachofra, aroeira, cáscara sagrada, garra-do-diabo, isoflavona da soja e unha-de-gato.

Através da Portaria interministerial (2.960/2008) assinada pelo Ministério da Saúde do Brasil e outros nove ministérios (Casa Civil; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Cultura; Desenvolvimento Agrário; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior; Integração Nacional; Meio Ambiente; e Ciência e Tecnologia) foi criado o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos com objetivo de ampliar a utilização deste tipo de medicamento pelo SUS.

Também em janeiro de 2009, o Ministério da Saúde do Brasil divulgou uma lista com 71 plantas que podem ser utilizadas como medicamento fitoterápico. Eis a composição da lista:

Nome científico Nome popular Uso Achillea millefolium Mil-folhas, Dipirona Combate úlceras, feridas, analgesica Allium sativum Alho Anti-séptico, Anti-inflamatório e Anti-hipertensivo Aloe spp (A. vera ou A. barbadensis) Babosa, áloes Combate caspa, calvície e é antisséptico, tira lêndea de piolhos e é cicatrizante Alpinia spp (A. zerumbet ou A. speciosa) Colônia Anti-hipertensivo Anacardium occidentale Caju Antisséptico e cicatrizante Ananas comosus Abacaxi Mucolítica e fluidificante das secreções e das vias aéreas superiores. Apuleia ferrea = Caesalpinia ferrea Jucá, pau-ferro-verdadeiro, ibirá-obi Infecção catarral, garganta, gota, cicatrizante Arrabidaea chica Crajirú, carajiru Afeções da pele em geral (impigens), feridas, Antimicrobiano Artemisia absinthium Artemísia Afeções de Estômago, fígado, rins, verme (lombriga, oxiúro, giárdia e ameba) Baccharis trimera Carqueja, carqueja amargosa Combate feridas e estomáquico Bauhinia spp (B. affinis, B. forficata ou variegata) Pata de vaca Bidens pilosa Picão Combate úlceras Calendula officinalis Bonina, calêndula, flor-de-todos-os-males, malmequer Feridas, úlceras, micoses Carapa guianensis Andiroba, angiroba, nandiroba Combate úlceras, dermatoses e feridas Casearia sylvestris Guaçatonga, apiáacanoçu, bugre branco, café-bravo Combate úlceras, feridas, aftas, feridas na boca Chamomilla recutita = Matricaria chamomilla = Matricaria recutita Camomila Combate dermatites, feridas banais Chenopodium ambrosioides Mastruz, erva-de-santa-maria, ambrosia, erva-de-bicho, mastruço, menstrus Corrimento vaginal, antisséptico local Copaifera spp Copaíba Anti-inflamatório Cordia spp (C. curassavica ou C. verbenacea) Erva baleeira Anti-inflamatório Costus spp (C. scaber ou C. spicatus) Cana-do-brejo Combate leucorreia e infecção renal Croton spp (C. cajucara ou C. zehntneri) Alcanforeira, erva-mular, pé-de-perdiz Combate feridas, úlceras Curcuma longa Açafrão Cynara scolymus Alcachofra Combate ácido úrico Dalbergia subcymosa Verônica Auxiliar no tratamento de inflamações uterinas e da anemia Eleutherine plicata Marupa, palmeirinha Hemorroida, vermífugo Equisetum arvense Cavalinha Diurético Erythrina mulungu Mulungu Sistema nervoso em geral Eucalyptus globulus Eucalipto Combate leucorreia Eugenia uniflora ou Myrtus brasiliana Pitanga Diarreia Foeniculum vulgare Funcho Antisséptico Glycine max Soja Sintomas da menopausa, osteoporose Harpagophytum procumbens Garra-do-diabo Artrite reumatoide Jatropha gossypiifolia Pião-roxo, jalapão, batata-de-téu Antisséptico, feridas Justicia pectoralis Anador Cortes, afecções nervosas, catarro bronquial Kalanchoe pinnata = Bryophyllum calycinum Folha-da-fortuna Furúnculos Lamium album Urtiga-branca Leucorreia Lippia sidoides Estrepa cavalo, alecrim, alecrim-pimenta Malva sylvestris Malva, malva-alta, malva-silvestre Furúnculos Maytenus spp (M. aquifolium ou M. ilicifolia) Concorosa, combra-de-touro, espinheira-santa, cancerosa Anti-séptica em feridas e úlceras Mentha pulegium Poejo Mentha spp (M. crispa, M. piperita ou M. villosa) Hortelã-pimenta, hortelã, menta Mikania spp (M. glomerata ou M. laevigata) Guaco Broncodilatador Momordica charantia Melão de São Caetano Morus sp Amora Ocimum gratissimum Alfavacão, alfavaca-cravo Orbignya speciosa Babaçu Passiflora spp (P. alata, P. edulis ou P. incarnata) Maracujá Calmante Persea spp (P. gratissima ou P. americana) Abacate Ácido úrico, prevenir queda de cabelo, anticaspa Petroselinum sativum Falsa Phyllanthus spp (P. amarus, P.niruri, P. tenellus e P. urinaria) Erva-pombinha, quebra-pedra Plantago major Tanchagem, tanchás Feridas Plectranthus barbatus = Coleus barbatus Boldo Polygonum spp (P. acre ou P. hydropiperoides) Erva-de-bicho Corrimentos Portulaca pilosa Amor-crescido Feridas, úlceras Psidium guajava Goiaba Leucorreia, aftas, úlcera, irritação vaginal Punica granatum Romeira Leucorreia Rhamnus purshiana Cáscara sagrada Ruta graveolens Arruda Salix alba Salgueiro branco Schinus terebinthifolius = Schinus aroeira Araguaíba, aroeira, aroeira-do-rio-grande-do-sul Feridas e úlceras Solanum paniculatum Jurubeba Solidago microglossa Arnica Contusões Stryphnodendron adstringens = Stryphnodendron barbatimam Barbatimão, abaremotemo, casca-da-virgindade Leucorreia, feridas, úlceras, corrimento vaginal Syzygium spp (S. jambolanum ou S. cumini) Jambolão Tabebuia avellanedae Ipê-roxo Tagetes minuta Cravo-de-defunto Trifolium pratense Trevo vermelho Uncaria tomentosa Unha-de-gato Imunoestimulante, anti-inflamatório Vernonia condensata Boldo da Bahia Vernonia spp (V. ruficoma ou V. polyanthes) Assa-peixe Zingiber officinale Gengibre Tosse

Etapas de desenvolvimento Etapa botânica A etapa botânica refere-se à identificação do material vegetal. Esta etapa é de suma importância, pois diferentes espécies podem ter também efeitos diferentes. Também é avaliado a atividade do vegetal, concentração de seus princípios ativos em diferentes épocas e locais de colheita. Um vegetal pode ser confundido com outro muito facilmente.

Etapa farmacêutica Determina-se e identifica-se as substâncias de valor no vegetal. Assim é criado a forma de preparo correta, garantindo a estabilidade das amostras.

Etapa de ensaios biológicos O possível medicamento é testado em ensaios farmacodinâmicos, farmacocinéticos e toxicológicos em animais de laboratório.

Etapa clínica Esta fase é dividida em quatro seguimentos: na primeira etapa o medicamento é usado em poucas pessoas e são avaliados sua farmacocinética, farmacodinâmica, dosagem e local de aplicação; a segunda etapa testa o medicamento em doentes; a terceira etapa prolonga-se o tempo de uso e na última etapa utiliza-se um número maior de pacientes para confirmar as etapas anteriores.

Ver também Fitoterapia Botânica médica Lista de plantas medicinais

Ligações externas Decreto que aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências.

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