Peter Handke (Griffen, Caríntia, Áustria, 6 de dezembro de 1942) é um escritor austríaco. É também autor de teatro, romances, poesia, argumentista e realizador de cinema. Recebeu o Nobel de Literatura de 2019.

Biografia Peter Handke foi marcado pela experiência materna, a mãe ao falecer em 1970, escreveu a impressionante Desgraça . A sua mãe tinha ido viver para Berlim para casa dos sogros, durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1948, com o seu marido e filhos abandonou o sector. O seu marido, sem papéis instalou-se na sua casa natal na Áustria. Os seus dois irmãos morreram durante a Segunda Guerra Mundial em combate. A mãe adorava-os e transmitiu a Handke a sua admiração: os três eram de origem eslovena - a população mais pobre da Áustria, e a Caríntia é uma região fronteiriça e Handke aprendeu a esloveno, logo com gosto e por decisão própria. Mais tarde viajara por lá muito sobre aquela região (escreverá sobre aquele país e traduziu mesmo alguns autores eslovenos para alemão . Em 1961, iniciou os seus estudos de Direito em Graz, cidade onde se envolverá no grupo literário Das Forum Stadtpark.

Publicou o seu primeiro romance em 1965, abandonando desta forma a universidade para abraçar a carreira literária. Handke viveu a seguir em Düsseldorf, Berlim, Paris, Salzburgo e nos Estados Unidos da América.

Hanke causou controvérsia pelas suas declarações anti-OTAN e a favor da Sérvia. Partidário do Slobodan Milosevic, fez discurso em seu enterro e negou o massacre dos muçulmanos bósnios. Em Abril de 1999 voltou a reafirmar a sua oposição à política belicista da OTAN e aos ataques a Belgrado.

Realizou filmes e foi roteirista para o filme de Wim Wenders Die Angst des Tormanns beim Elfmeter (A Angústia do guarda-redes antes do penalty).

Obras

Prosa e peças de teatro

1966: Die Hornissen [As vespas]: romance. 1966: Weissagung und Selbstbezichtigung [Profecia e autoacusação]: estreou em 1966 sob a direção de Günther Büch, no Theater Oberhausen. 1966: Publikumsbeschimpfung und andere Sprechstücke: estreou sob a direção de Claus Peymann no Theater am Turm. No Brasil: Peças faladas (tradução de Samir Signeu; Perspectiva, 2015. ) 1967: Begrüßung des Aufsichtsrats [Saudação ao Conselho de Administração]: textos em prosa antigos. 1967: Der Hausierer [O mascate]: romance. 1967: Kaspar: estreou em 11 de maio de 1968 no Theater Oberhausen sob a direção de Günther Büch e no Theater am Turm sob a direção de Claus Peymann. Em Portugal: Gaspar (em Teatro: Peter Handke, coleção Teatro Vivo, tradução de Anabela Drago e Miguens Mendes; Plátano Editora, 1975) 1969: Deutsche Gedichte [Poemas alemães] 1969: Die Innenwelt der Außenwelt der Innenwelt [O mundo interior do mundo exterior do mundo interior] inclui: Die Aufstellung des 1. FC Nürnberg vom 27.1.1968 [A escalação do 1. FC Nürnberg de 27/01/1968] 1969: Prosa, Gedichte, Theaterstücke, Hörspiele, Aufsätze [Prosa, poemas, peças de teatro, peças radiofônicas, ensaios] 1969: Das Mündel will Vormund sein [O pupilo quer ser tutor]: direção de Claus Peymann no Theater am Turm. 1970: Die Angst des Tormanns beim Elfmeter: adaptado para o cinema por Wim Wenders em 1972 No Brasil: O medo do goleiro diante do pênalti (em O medo do goleiro diante do pênalti & Bem-aventurada infelicidade, tradução de José Pedro Antunes; Editora Brasiliense, 1988. ) Em Portugal: A angústia do guarda-redes antes do penalty (tradução de Maria Adélia Silva Melo; Relógio d'Água, 1987. ) 1970: Wind und Meer. Vier Hörspiele [O vento e o mar: quatro peças radiofônicas] 1971: Chronik der laufenden Ereignisse [Crônica dos acontecimentos atuais] 1971: Der Ritt über den Bodensee [A cavalgada sobre o Lago de Constança] 1972: Der kurze Brief zum langen Abschied No Brasil: Breve carta para um longo adeus (em A mulher canhota e Breve carta para um longo adeus, tradução de Lya Luft; Editora Brasiliense, 1985) Em Portugal: Uma breve carta para um longo adeus (tradução de Maria Adélia Silva Melo; Difel, 1986. ) 1972: Ich bin ein Bewohner des Elfenbeinturms [Sou um habitante da Torre de Marfim] 1972: Stücke 1 [Peças 1] 1972: Wunschloses Unglück No Brasil: Bem-aventurada felicidade (em O medo do goleiro diante do pênalti & Bem-aventurada infelicidade, tradução de José Pedro Antunes; Editora Brasiliense, 1988. ) Em Portugal: Um adeus mais-que-perfeito (tradução de Carlos Leite; Relógio d'Água, 2021. ) 1973: Die Unvernünftigen sterben aus [Os irracionais estão extintos]: direção de Horst Zankl, no Theater am Neumarkt, em Zurique, 1974. 1973: Stücke 2 [Peças 2] 1974: Als das Wünschen noch geholfen hat. Gedichte, Aufsätze, Texte, Fotos [Quando desejar ainda ajudava: poemas, ensaios, textos, fotos] 1975: Der Rand der Wörter. Erzählungen, Gedichte, Stücke [A margem das palavras: contos, poemas, peças] 1975: Die Stunde der wahren Empfindung Em Portugal: A hora da sensação verdadeira (tradução de Adélia Silva Mello, Difel, 1988. ) 1975: Falsche Bewegung [Movimento falso] 1976: Die linkshändige Frau: conto; adaptado para o cinema em 1977. No Brasil: A mulher canhota (em A mulher canhota e Breve carta para um longo adeus, tradução de Lya Luft; Editora Brasiliense, 1985) Em Portugal: A mulher canhota ( tradução de Maria Adélia Silva Melo; Difel, 1987. ) 1977: Das Ende des Flanierens. Gedichte [O fim do flanêur: poemas] 1977: Das Gewicht der Welt. Ein Journal [O peso do mundo: um diário] 1979: Langsame Heimkehr [Lento regresso para casa] 1980: Die Lehre der Sainte-Victoire [A lição de Sainte-Victoire] 1981: Kindergeschichte No Brasil: História de uma infância (tradução de Nicolino Simone Neto; Companhia das Letras, 1990. ) 1981: Über die Dörfer [Pelos povoados] 1982: Die Geschichte des Bleistifts [A história do lápis] 1983: Der Chinese des Schmerzes Em Portugal: O chinês da dor (tradução de Maria Adélia Silva Melo; Relógio d'Água, 1987. ) 1983: Phantasien der Wiederholung [Fantasias da repetição] 1986: Die Wiederholung No Brasil: A repetição (tradução de Betty M. Kunz; Rocco, 1988. ) 1986: Gedicht an die Dauer Em Portugal: Poema à duração (tradução de José A. Palma Caetano; Assírio & Alvim, 2019. ) 1987: Die Abwesenheit. Ein Märchen: adaptado para o cinema sob a direção do autor em 1992. No Brasil: A ausência (tradução de Lya Luft; Rocco, 1989. ) 1987: Der Himmel über Berlin [O céu sobre Berlim]: roteiro do filme de mesmo nome dirigido por Wim Wenders em 1987. 1987: Nachmittag eines Schriftstellers No Brasil: A tarde de um escritor (tradução de Reinaldo Guarany; Rocco, 1993. ) 1989: Das Spiel vom Fragen oder Die Reise zum sonoren Land [O jogo das perguntas ou A viagem ao país sonoro] 1989: Versuch über die Müdigkeit No Brasil: Ensaio sobre o cansaço (tradução de Simone Homem de Mello; Estação Liberdade, 2020. ) Em Portugal: Para uma abordagem da fadiga (tradução de Isabel de Almeida e Sousa; Difel, 1990. ) 1990: Noch einmal für Thukydides [Mais uma vez por Tucídides] 1990: Versuch über die Jukebox No Brasil: Ensaio sobre a jukebox (tradução de Luis S. Krausz; Estação Liberdade, 2019. ) 1991: Abschied des Träumers vom Neunten Land [Despedida do sonhador do nono país] 1991: Versuch über den geglückten Tag. Ein Wintertagtraum No Brasil: Ensaio sobre o dia exitoso: sonho de um dia de inverno (tradução de Simone Homem de Mello; Estação Liberdade, 2020. ) Em Portugal: Ensaio sobre o dia conseguido: um sonho de dia de inverno (tradução de Alexandra Lopes; Relógio d'Água, 2020. ) 1992: Die Stunde, da wir nichts voneinander wußten. Ein Schauspiel [A hora em que nada sabíamos uns dos outros: uma peça]: estreia sob direção de Claus Peymann no Burgtheater, em Viena, 1922. 1992: Die Theaterstücke [As peças de teatro] 1992: Die drei Versuche. Versuch über die Müdigkeit. Versuch über die Jukebox. Versuch über den geglückten Tag 1992: Langsam im Schatten. Gesammelte Verzettelungen 1980–1992 [Lentamente na sombra: notas dispersas reunidas] 1994: Die Kunst des Fragens [A arte de perguntar] 1994: Mein Jahr in der Niemandsbucht. Ein Märchen aus den neuen Zeiten [Meu ano na Baía de Ninguém: um conto de fadas dos novos tempos] 1996: Eine winterliche Reise zu den Flüssen Donau, Save, Morawa und Drina oder Gerechtigkeit für Serbien [Uma viagem de inverno aos rios Danúbio, Sava, Morava e Drina ou Justiça para a Sérvia] 1996: Sommerlicher Nachtrag zu einer winterlichen Reise [Suplemento de verão a uma viagem de inverno] 1997: Zurüstungen für die Unsterblichkeit. Königsdrama [Preparativos para a imortalidade: drama histórico] 1997: In einer dunklen Nacht ging ich aus meinem stillen Haus Em Portugal: Numa noite escura saí da minha casa silenciosa (tradução de Ayala Monteiro; Casa das Letras, 2006. ) 1998: Am Felsfenster morgens. Und andere Ortszeiten 1982–1987 [Na janela de pedra pela manhã: e outros horários locais] 1998: Ein Wortland. Eine Reise durch Kärnten, Slowenien, Friaul, Istrien und Dalmatien [Um país de palavras: uma viagem pela Caríntia, Eslovênia, Friuli, Ístria e Dalmácia]: com Liesl Ponger. 1999: Die Fahrt im Einbaum oder Das Stück zum Film vom Krieg [A viagem na canoa de tronco ou A peça para o filme sobre a guerra]: estreou no Burgtheater de Viena. 1999: Lucie im Wald mit den Dingsda. Mit 11 Skizzen des Autors [Lucie na floresta com os "coisos": com 11 esboços do autor] 2000: Unter Tränen fragend. Nachträgliche Aufzeichnungen von zwei Jugoslawien-Durchquerungen im Krieg, März und April 1999 [Perguntando entre lágrimas: registros posteriores de duas travessias da Iugoslávia na guerra, março e abril de 1999] 2002: Der Bildverlust oder Durch die Sierra de Gredos No Brasil: A perda da imagem ou Através da Sierra de Gredos (tradução de Simone Homem de Mello; Estação Liberdade, 2009. ) 2002: Mündliches und Schriftliches. Zu Büchern, Bildern und Filmen 1992–2000 [Orais e escritos: sobre livros, pinturas e filmes 1992-2000] 2003: Rund um das Große Tribunal [Em torno do grande tribunal] 2003: Untertagblues. Ein Stationendrama [Blues subterrâneo: um drama de estações] 2003: Warum eine Küche? [Por que uma cozinha?]: francês/alemão. 2004: Don Juan (erzählt von ihm selbst) No Brasil: Don Juan (narrado por ele mesmo) (tradução de Simone Homem de Mello; Estação Liberdade, 2007. ) 2005: Die Tablas von Daimiel [As tabelas de Daimiel] 2005: Gestern unterwegs. Aufzeichnungen November 1987 bis Juli 1990 [Ontem na estrada: registros de novembro de 1987 a julho de 1990] 2007: Spuren der Verirrten [Rastros dos perdidos]: estreou sob a direção de Claus Peymann no Berliner Ensemble em 2007. 2007: Kali. Eine Vorwintergeschichte [Kali: uma história de pré-inverno] 2007: Leben ohne Poesie. Gedichte [Viver sem poesia: poemas] 2007: Meine Ortstafeln. Meine Zeittafeln. Essays 1967–2007 [Minhas placas de sinalização; Minhas tabelas de tempo: ensaios] 2008: Die morawische Nacht. Erzählung Em Portugal: A noite do Morava (tradução de Ana Falcão Bastos; Relógio d'Água, 2021. ) 2008: Bis daß der Tag euch scheidet oder Eine Frage des Lichts. Lesung in Salzburg [Até que o dia vos separe ou Um questão de luz: leitura em Salzburgo] 2009: Die Kuckucke von Velika Hoca [Os cucos de Velika Hoca] 2010: Ein Jahr aus der Nacht gesprochen [Um ano falado da noite] 2010: Immer noch Sturm [Ainda a tempestade]: estreou em 2011 no Festival de Salzburgo. 2011: Der große Fall [A grande queda] 2011: Die Geschichte des Dragoljub Milanović [A história de Dragoljub Milanović] 2012: Die schönen Tage von Aranjuez. Ein Sommerdialog: estreou como peça de teatro no Festival de Viena, em 2012; Em Portugal: Os belos dias de Aranjuez: um diálogo de verão (tradução de Maria Manuel Viana; Documenta, 2014. ) 2012: Versuch über den Stillen Ort [Ensaio sobre o lugar silencioso] 2013: Versuch über den Pilznarren. Eine Geschichte für sich No Brasil: Ensaio sobre o louco por cogumelos: uma história em si (tradução de Augusto Rodrigues; Estação Liberdade, 2019. )