Francisco "Chico" Anysio de Oliveira Paula Filho (Maranguape, 12 de abril de 1931 – Rio de Janeiro, 23 de março de 2012) foi um comediante, ator, radialista, produtor, roteirista, escritor, apresentador, compositor e pintor brasileiro. Amplamente reconhecido como um dos maiores humoristas da história do Brasil e uma das figuras mais influentes e conhecidas da televisão nacional, numa carreira que abrangeu 65 anos. Notabilizou-se por sua extraordinária capacidade de criação e interpretação de personagens, tendo dado vida a mais de duas centenas de tipos cômicos ao longo de sua carreira, muitos dos quais se tornaram ícones da cultura popular brasileira.

Iniciou sua trajetória artística no rádio na década de 1940, migrando posteriormente para a televisão, onde consolidou sua carreira em programas humorísticos de grande repercussão. Seu trabalho mais emblemático foi o programa Chico Anysio Show, exibido nas décadas de 1960 e posteriormente na de 1980, no qual apresentou uma ampla galeria de personagens, como Professor Raimundo, Justo Veríssimo, Nazareno e Painho, evidenciando sua versatilidade e domínio da linguagem cômica. Além da televisão, destacou-se também no cinema, teatro e literatura, atuando em produções cinematográficas e escrevendo livros, roteiros e crônicas. Sua obra exerceu profunda influência sobre gerações posteriores de humoristas, sendo frequentemente citado como referência fundamental no desenvolvimento do humor no país.

Dirigiu e atuou ao lado de importantes nomes do humor brasileiro no rádio e na televisão, como Paulo Gracindo, Grande Otelo, Costinha, Walter D'Ávila, Jô Soares, Lúcio Mauro, Renato Corte Real, Renato Aragão, Agildo Ribeiro, Ivon Curi, José Vasconcellos e muitos outros. Em 2009 recebeu a mais alta honraria da cultura no Brasil, a Ordem do Mérito Cultural.

Biografia Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu na cidade cearense de Maranguape em 12 de abril de 1931. Mudou-se, aos sete anos, com a mãe e três irmãos – entre eles a atriz Lupe Gigliotti e o cineasta Zelito Viana – para o Rio de Janeiro, morando em uma pensão no bairro carioca do Catete. O pai havia ficado no Ceará. Um incêndio havia destruído toda a frota de sua empresa de ônibus e ele não viajou, tentando refazer a vida na construção de estradas. Tinha o objetivo de se tornar advogado, mas a habilidade natural para o humor e a necessidade de trabalhar o fizeram mudar de rumo. Aos dezessete anos decidiu fazer um teste para locutor e radioator na Rádio Guanabara, saindo-se excepcionalmente bem no teste para locutor, ficando em segundo lugar. O primeiro lugar ficou com outro jovem iniciante, Silvio Santos. Na rádio na qual trabalhava exercia várias funções de radioator a comentarista de futebol. Participou do programa Papel Carbono de Renato Murce. Na década de 1950 trabalhou nas rádios Mayrink Veiga, Clube de Pernambuco e Clube do Brasil. Nas chanchadas da década de 1950 Chico passou a escrever diálogos e eventualmente atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica. Chegou a entrar em um curso de direito, mas não concluiu a faculdade.

Na TV Rio estreou em 1957 o Noite de Gala. Em 1959 estreou o programa Só Tem Tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, mais tarde chamado de Chico Total. Além de escrever e interpretar seus próprios textos no rádio, televisão e cinema, sempre com humor fino e inteligente, Chico se aventurou com relativo destaque pelo jornalismo esportivo, teatro, literatura e pintura, além de ter composto e gravado algumas canções.

Chico Anysio foi um dos responsáveis pela intermediação referente ao exílio de Caetano Veloso em Londres. Quando completou dois anos de exílio, Chico enviou uma carta para Veloso, para que este retornasse ao Brasil. Caetano e Gilberto Gil haviam sido presos em São Paulo, duas semanas depois da decretação do AI-5, o ato que dava poderes absolutos ao Regime Militar. Trazidos ao Rio de carro, os dois passaram por três quartéis, até viajarem para Salvador, onde passaram seis meses sob regime de prisão domiciliar. Em seguida, em meados de 1969, receberam autorização para sair do Brasil, com destino a Londres, de onde só retornariam no início de 1972.

Desde 1969, esteve ligado à Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num elenco que contava com os artistas mais famosos do Brasil, graças também à relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni. Após a saída de Boni da Globo em novembro de 1997, Chico paulatinamente perdia espaço na programação da emissora, situação agravada no mesmo ano por um acidente em que fraturou a mandíbula. Anos antes, em entrevista concedida em 1989 para a revista Visão, já demonstrava sua insatisfação com a emissora que, segundo Chico, estava preferindo dar oportunidade aos mais jovens o deixando de lado. Em 2009, aos 77 anos, concede entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, no qual afirma estar conformado com a "geladeira" (condição em que o artista é contratado pela emissora, mas fica sem trabalhar), admitia que sua situação era irreversível e que não sentia mais falta de apresentar programas humorísticos.

thumb|Chico Anysio em 2003.

Em 2005 fez uma participação no Sítio do Pica-pau Amarelo, onde interpretava o "Dr. Saraiva" e, mais tarde, participou da novela Sinhá Moça, na Rede Globo. Em 2009, participou da dublagem brasileira de Up - Altas Aventuras, como o protagonista Carl Fredericksen. O elenco também incluía seu filho Nizo Neto.Chico Anysio conta história para turma da neta no Rio

Vida pessoal

Família Era filho de Francisco Anysio de Oliveira Paula, dono de uma empresa de ônibus e de Haydeé Vianna de Oliveira Paula (que sofria de um problema no coração, o que a levou a ser internada várias vezes até sua morte aos 89 anos). É pai de oito filhos: o ator Lug de Paula (famoso por interpretar o personagem Seu Boneco na Escolinha do Professor Raimundo), do casamento com a atriz e comediante Nancy Wanderley; do ator, comediante e dublador Nizo Neto (Seu Ptolomeu da Escolinha) e do diretor de imagem Rico Rondelli, ambos filhos da atriz e vedete Rose Rondelli; do DJ Cícero Chaves, da união com a ex-frenética Regina Chaves (1982-2021); do ator/escritor Bruno Mazzeo, do casamento com a ex-modelo e atriz Alcione Mazzeo; Rodrigo e Vitória, da relação com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello; e de André Lucas, filho adotivo.

É irmão da falecida atriz Lupe Gigliotti, com quem contracenou em vários trabalhos na televisão; do cineasta Zelito Viana; e do industrial, compositor e ex-produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira, da atriz e diretora Cininha de Paula e é tio-avô da atriz Maria Maya, filha de Cininha com o ator e diretor Wolf Maya. Era casado com a empresária Malga Di Paula.

Saúde Chico gravou um vídeo para o Congresso Brasileiro de Psiquiatria declarando que era depressivo e que, se não tivesse feito tratamento, não teria feito 20% do que fez em sua vida. Há 24 anos fazendo tratamento afirmou que o preconceito contra o doente mental e a psiquiatria era uma "burrice".

Seu filho, Nizo Neto, confessou que o pai sofria de depressão e era hipocondríaco, porém, nunca assumiu este último. Admitiu que o pai pagava um salário para o farmacêutico ir uma vez por semana em sua casa lhe aplicar injeções e adorava cirurgias. Em 2023, o humorista Rey Biannchi declarou que Chico passou por uma fase em que era usuário regular de Cocaína. O filho Nizo Neto afirmou que a história era mentirosa.

Morte O humorista foi internado em 2 de dezembro de 2010, quando deu entrada no hospital devido a falta de ar. Na avaliação inicial, detectou-se obstrução da artéria coronariana, sendo submetido à angioplastia. Chico Anysio ficou 109 dias internado, recebendo alta apenas em 21 de março de 2011. Nesse período, permaneceu a maior parte do tempo na UTI.

Em 23 de abril de 2011, Chico Anysio retornou ao programa Zorra Total interpretando a personagem Salomé. No quadro, Salomé conversava "de mulher para mulher" com a presidente Dilma Rousseff.

O humorista também se preparava para gravar sua participação em alguns filmes, entre eles A Hora e a Vez de Augusto Matraga, dirigido por Vicente Coimbra, Desde o Princípio, dirigido por Cesar Nero, Os sonhos de um Sonhador - A História de Frank Aguiar, dirigido por Caco Milano, entre outros, porém, em 30 de novembro de 2011, foi internado novamente, devido a uma infecção urinária. Recebeu alta 22 dias depois, em 21 de dezembro, mas já no dia seguinte voltou a ser internado, com hemorragia digestiva. Em fevereiro de 2012 foi diagnosticado com uma infecção pulmonar. Apresentou uma piora nas funções respiratória e renal em 21 de março daquele ano.

Chico Anysio morreu em 23 de março de 2012, aos oitenta anos, no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, por falência múltipla de órgãos. O velório aconteceu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, que foi aberto ao público ao meio dia, onde se reuniram milhares de fãs, amigos e colegas de trabalho como Maurício Sherman, Glória Pires, André Lucas, Orlando Drummond e José Santa Cruz. Seu último pedido foi o de ser cremado; parte de suas cinzas foi enviada para Maranguape, sua cidade natal, e o resto para os estúdios da Globo.

Entre os bens deixados por Chico de herança estão 3 salas comerciais, 6 carros e um apartamento de R$ 4 milhões na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O humorista acumulou também muitas dívidas, como quase R$ 2,5 milhões em Imposto de Renda e R$ 1,4 milhão de dívidas com impostos das três salas comerciais. Em 2020, foi revelado que Chico Anysio deixou Lug de Paula de fora do testamento. Como a justiça brasileira não permite que uma pessoa seja deserdada voluntariamente, o processo de herança corria legalmente na justiça até 2023.

Relação com futebol thumb|Em 1970. Em 1950, Chico Anysio comentou jogos da Copa do Mundo para a Rádio Guanabara. Em 1990, após a grande popularidade de seu personagem Coalhada, um estereótipo do jogador de futebol da época, Anysio foi convidado pela Globo para ser um dos comentaristas do Mundial da Itália. Em 2006, foi colunista convidado do jornal esportivo Lance. Em um de seus artigos, denominado "Cabelos em pé, galera!", Chico teceu críticas a alguns jogadores, como Cafu e Ronaldo. No mesmo artigo, ele teceu críticas de cunho racista à Dida, dizendo "Não tenho confiança em goleiro negro. O último foi o Barbosa, de triste memória na Seleção". Na época, o artigo foi minimizado por Anysio, no qual disse que "Meu pensamento sobre goleiros negros não tem nada a ver com discriminação, porque eu adoro atacantes negros, zagueiros negros, craques negros e meio-campistas; eu não vejo como um branco ou amarelo ou vermelho pode ser melhor do que um preto nos 100 metros, longo ou triplo salto e eventos de longa distância. No basquete, os negros são deuses de verdade, e dominam o futebol americano. Eu só não gosto deles no gol".

De dezembro de 2007 a outubro de 2010, Chico escrevia um blog pessoal no portal Bloglog, mantido pela Globo.com. Em 27 de fevereiro de 2009, Anysio voltou a criticar Ronaldo, em artigo denominado "Multa covarde", após ele ser multado pelo Corinthians por chegar atrasado à concentração, em um hotel de Presidente Prudente. No texto, Anysio ironiza o clube cobrar apenas R$ 2 mil de multa ao atleta. Em 10 de março, após Derby contra o Palmeiras, Chico disse, em uma postagem chamada "Falta de Ídolos", que existia um entusiasmo exagerado com o Fenômeno, após ele marcar o primeiro gol em seu retorno ao Brasil. Torcedor vascaíno "vira-casaca", segundo ele mesmo, foi homenageado pelo clube - de forma póstuma - com seu nome batizando a sala de imprensa do estádio São Januário.

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