miniaturadaimagem|327x327px|"A educação não se vende": questões sobre mensalidades, financiamento estudantil e a gratuidade da educação estão entre as principais bandeiras do movimento estudantil em vários países do mundo. O movimento estudantil é um ativismo da área da educação no qual as pessoas são os próprios estudantes, com o objetivo de causar mudanças políticas, ambientais, econômicas ou sociais. Embora frequentemente se concentre nas lutas diretamente relacionadas a eles nas escolas e universidades, os movimentos de estudantes também têm papel em eventos políticos e sociais. miniaturadaimagem|325x325px|Estudantes chineses em Pequim protestam contra o Artigo 156 do Tratado de Versalhes em 1919 - os movimentos estudantis muitas vezes lutam por questões políticas e sociais. Os movimentos estudantis modernos variam amplamente no assunto, tamanho e sucesso, com todos os tipos de alunos em todos os tipos de configurações educacionais participantes, incluindo estudantes de escolas públicas e privadas; alunos do ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação; e todas as etnias, origens socioeconômicas e perspectivas políticas. Alguns protestos de estudantes se concentram nos assuntos internos de uma instituição específica; outros se concentram em questões mais amplas, como uma guerra ou ditadura. Da mesma forma, alguns protestos de estudantes se concentram no impacto de uma instituição no mundo todo, como uma luta contra a política de educação do governo. Embora o movimento estudantil esteja comumente associado à política de esquerda, os movimentos escolares de direita também existem; e embates internos entre diferentes lados não são incomuns, como por exemplo, grandes movimentos estudantis lutaram em ambos os lados na questão do apartheid na África do Sul.
O movimento estudantil nas universidades é quase tão antigo quanto as próprias universidades. Estudantes em Paris e Bolonha fizeram grandes ações coletivas no início do século XIII, sobretudo em questões da comunidade universitária. Os protestos dos estudantes sobre questões políticas mais amplas também têm uma longa história. Por exemplo, na Coreia, durante a Dinastia Joseon, 150 estudantes da Sungkyunkwan protestaram contra o rei e suas ações ainda em 1519.
Causas Os primeiros movimentos estudantis registrados começaram na Europa e, em geral, podem ser divididos de acordo com sua causa em dois: aqueles que são inspirados pela melhoria das condições do corpo estudantil em geral, e que são legitimados na medida em que são a geração intelectual futura do sociedade em que são incubadas; e aquelas que respondem às condições de injustiça social que prevalecem no momento da ocorrência, justificando-se como um ato de justiça idealista.
Do ponto de vista do establishment os movimentos dos estudantes são sempre atípicos e inesperados e cada um emerge e evolui de forma única, dificultando - se não impossibilitando - encontrar uma maneira eficaz e inteligente de combate-los. Em suma, o Movimento Estudantil, num sentido mais amplo, é uma força jovem, com um espírito libertário que luta por demandas sociais para fazer justiça e a equidade dos povos. Não defende as ideologias imperialistas, nem os regimes totalitários, só busca a melhoria social e política de uma nação.
Consequências As reações às greves de estudantes variam desde a aceitação de muitos estudantes, que até forçaram as autoridades a criar ministérios e secretarias ou reformaram o sistema de participação do Estado na indústria ou na economia, de acordo com as propostas dos estudantes, indo até reações violentas contra eles, não sendo incomum mortes mesmo em manifestações públicas de natureza pacífica.
Os estudantes participaram ativamente de diversos momentos na história de várias nações, desde a Reforma Universitária na Argentina, a Revolução Socialista em Cuba , os eventos de Maio de 1968 na França, entre muitos outros. Os eventos do pós-guerra geraram uma maior reações dos estudantes contra a ordem política burguesa e o sistema corporativista, apesar de já terem movimentos desses temas antes disso. Durante os anos 1960 e 1970, o movimento estudantil manteve uma feroz oposição contra os governos, indo desde protestos até a resistência armada contra regimes ditatoriais. Os confrontos entre as forças do estado e os movimentos estudantis eram e ainda são frequentes.
Movimento estudantil por país
Alemanha miniaturadaimagem|392x392px|Protesto no prédio da Arquitetura da Universidade Técnica de Berlim contra as Leis de Emergência, em maio de 1968. Na Alemanha e nos estados que a antecederam, o movimento estudantil sempre esteve ligado ao espírito da sua época, e tendo o país passado por diversos momentos e estando sob a influência de diversas ideologias, não foi diferente com seus estudantes.
Em 1815, em Jena, a Urburschenschaft foi fundada. Era um Studentenverbindung (espécie de clube estudantil, apesar do termo alemão ser bem amplo) que se concentrou em ideias nacionais e democráticas. Em 1817, inspirados em ideias liberais e patriotas de uma Alemanha unida, as organizações estudantis reuniram-se para o Festival de Wartburg no simbólico Castelo de Wartburg, em Eisenach, Turíngia, onde livros tidos como reacionários foram queimados.
Em 1819, o estudante Karl Ludwig Sand assassinou o escritor August von Kotzebue, que zombava das organizações de estudantes liberais. Karl era membro da Burschenschaft, uma espécie de continuação da Urburschenschaft original.
Em maio de 1832, o Festival de Hambach foi celebrado no Castelo de Hambach, perto de Neustadt an der Weinstrasse, com cerca de trinta mil participantes, entre eles muitos estudantes. Esse evento, juntamente com o Frankfurter Wachensturm, em 1833, que planejava libertar estudantes detidos na prisão em Frankfurt, e o panfleto revolucionário de Georg Büchner, Der Hessische Landbote, foram fatores que levaram às Revoluções de 1848 nos Estados alemães.
Após a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, uma organização de estudantes foi formada, a Deutsche Studentenschaft (DSt, "União dos Estudantes Alemães"), entretanto, ela acabou dominada pelo braço estudantil nazi, a Nationalsozialistischer Deutscher Studentenbund (NSDStB, "Liga dos Estudantes Alemães Nacional-Socialistas") a partir de 1931. Entre outros acontecimentos, destaca-se a infame queima dos livros, realizada pelas duas entidades e também por uma terceira, a Allgemeiner Studierendenausschuss (AsTA), todas atuando sobre influência nazista.
Passada a Segunda Guerra Mundial, na década de 1960, o crescimento mundial do radicalismo estudantil e juvenil se manifestou através do movimento estudantil alemão e organizações como a Sozialistischer Deutscher Studentenbund ("União dos Estudantes Socialistas Alemães") O movimento na Alemanha compartilhou muitas preocupações de grupos similares em outros lugares, como a democratização da sociedade e a oposição à Guerra do Vietnã , mas também enfatizou questões mais específicas a nível nacional, como a forma de lidar com o passado nazista e a oposição aos Deutsche Notstandsgesetze, as leis de emergência extraordinárias que poderia se voltar contra os protestos estudantis.Tony Judt. 2005. Postwar: A History of Europe Since 1945. New York: Penguin Group
Argentina miniaturadaimagem|284x284px|Estudantes hasteiam a bandeira argentina sobre a Universidade Nacional de Córdoba após toma-la durante a Reforma Universitária de 1918. Na Argentina, como em outros países latino-americanos, o movimento estudantil remonta ao século XIX, mas só a partir de 1900 que se tornou uma força política importante. Em 1918, o ativismo dos estudantes desencadeou uma modernização geral das universidades, especialmente tendendo a democratização: foi a Reforma Universitária. Iniciada em Córdoba, os eventos desencadearam revoltas semelhantes em todo o país e por todo o continente, sendo um dos movimentos estudantis mais conhecidos até hoje.
Austrália Os estudantes australianos têm uma longa história de atuação nos debates políticos, especialmente nas novas universidades que foram estabelecidas em áreas suburbanas. Durante grande parte do século XX, o principal grupo organizador de campus em toda a Austrália foi a Australian Union of Students ("União Australiana dos Estudantes"), fundado em 1937 como Union of Australian University Students, tendo sido mantido até 1984. Foi substituído pelo National Union of Students ("União Nacional dos Estudantes") em 1987.
Bangladesh O movimento estudantil de Bangladesh é conflituoso e violento. As organizações estudantis atuam como braços milicianos dos partidos políticos de que fazem parte. Ao longo dos anos, confrontos políticos e conflitos entre facções em instituições educacionais mataram muitos, dificultando seriamente a vida acadêmica. As aulas e os semestres são interrompidos, prejudicando os alunos.
As divisões estudantis dos partidos dominantes dominam os campi e os dormitórios através do crime e da violência e desfrutam vários privilégios não autorizadas. Eles controlam os dormitórios para favorecer alunos leais e membros do partido. É comum a extorsão e a chantagem de professores e alunos por esses grupos.
Brasil miniaturadaimagem|349x349px|A criação da UNE, em 1937, é considerada um divisor de águas no movimento estudantil brasileiro.O Movimento Estudantil no Brasil data ainda do período imperial, quando os estudantes, recém-chegados da Europa e com conhecimento trazido de lá, intervinham em assuntos locais. Já no período republicano, em 1901 foi criada a Federação dos Estudantes Brasileiros, considerada a primeira entidade estudantil nacional, mas que não durou muito. Em 1910 foi realizado o I Congresso Nacional de Estudantes, em São Paulo.
O movimento estudantil começa a se reforçar a partir da década de 1930, após o Golpe de 1930. Em 1932, estudantes paulistas protestam contra o regime de Getúlio Vargas junto da população, e a repressão a esses protestos acaba matando quatro deles, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, cujos nomes formariam a sigla M.M.D.C e cujas mortes desencadeiam a Revolução Constitucionalista de 1932. Entidades como a Juventude Comunista, a Juventude Integralista, a União Democrática Estudantil, a Federação Vermelha dos Estudantes e a Frente Democrática da Mocidade surgem nessa década.miniaturadaimagem|349x349px|Protestos em Brasília contra o presidente Collor, em 1992.Logo, a demanda por uma entidade única que representasse os estudantes surge, e 1937, surge a União Nacional dos Estudantes, a UNE. Essa entidade mudou de vez a dinâmica do movimento estudantil brasileiro, tornou esse um dos movimentos sociais de maior expressão no país. Inicialmente favorável aos governos, a UNE trabalha nos primeiros anos para se consolidar. Com o final da Segunda Guerra Mundial, a dualidade da Guerra Fria se reflete na entidade - apesar de que quase sempre tendeu a esquerda.http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=185:o-pcb-e-a-fundacao-da-une&catid=1:historia-do-pcb
A UNE participa tanto de campanhas a favor das políticas governamentais, como “O petróleo é nosso”, quanto criticando, como na questão da supressão do PCB. Em 1948, surge a equivalente da UNE para os secundaristas brasileiros, a UBES.