miniaturadaimagem|258px|direita|Escravos negros detidos no tronco, Brasil, ca. 1830 Tronco era um instrumento de tortura e humilhação pública, com função semelhante à da berlinda. Em termos gerais, era constituído por uma estrutura de madeira com buracos e quase sempre correntes, onde os membros dos supliciados eram presos. Geralmente era colocado num local onde o castigo pudesse ser visto por outros, a título de exemplo. Foi usado na Europa e nos Estados Unidos até ao século XIX.
O uso de do tronco remonta à Atenas Clássica, onde sua utilização é mencionada no código de leis de Sólon. A lei que descreve esse uso é citada pelo orador Lísias: "'Ele ou ela terá o pé preso no tronco por cinco dias, caso o tribunal acrescente tal medida à sentença'. O 'tronco' aí mencionado, Teomnesto, é o que hoje chamamos de 'confinamento na madeira'" (Lis. 10.16)."Lysias, Against Theomnestus 1, section 16". Project Perseus.
No Brasil, com o intuito de castigar os escravos, havia uma variante do tronco onde os indivíduos eram chicoteados, também como exemplo. Qualquer ato de desobediência ou falha no cumprimento das tarefas era suficiente para que o escravo sofresse maus tratos, que iam desde xingamentos, bofetões e pontapés até a morte por açoite. Os escravos presos no tronco também estavam sujeitos a levar palmadas e surras com cordas e barras de ferro.
Atos dos Apóstolos Atos 16:16-40, segundo o relato, o cristão Paulo e Silas, estiveram presos e seus pés estavam preso no instrumento de tortura tronco, enquanto eram forçados a ficarem a assentarem-se. Segundo o Livro, eles cantara hinos e foram libertos.
Flávio Josefo
Flávio Josefo (historiador judeu-romano), que viveu no século I e testemunhou as táticas do exército romano, menciona em sua obra clássica A Guerra dos Judeus o uso do tronco para punir prisioneiros rebeldes.
O relato: Josefo narra que, durante o cerco de Jerusalém e em revoltas na Judeia, os generais romanos lançavam os cativos mais perigosos em masmorras escuras com os pés presos no "madeiro" (xýlon). O detalhe técnico: ele enfatiza que a intenção era quebrar o espírito dos prisioneiros antes mesmo dos interrogatórios oficiais, usando a imobilização forçada para causar exaustão física profunda
Filon de Alexandria
Fílon de Alexandria (filósofo e historiador judeu, Século I), vivendo exatamente no mesmo período de Jesus e dos apóstolos, registrou as atrocidades cometidas por governadores romanos (como Flaco, no Egito) contra as populações locais.
O relato: Fílon descreve cidadãos sendo arrastados para as prisões e tendo seus pés violentamente imprensados no xýlon. O detalhe técnico: ele relata explicitamente a agonia de se passar dias com os membros inferiores fixados em posições que forçavam os tendões e causavam inchaço monstruoso nas pernas, pois o sangue não conseguia circular de volta para o coração.
Plínio, o Jovem
Plínio, o Jovem (governador romano, final do Século I / início do II), em suas famosas correspondências com o imperador Trajano sobre como lidar com a expansão dos cristãos na província da Bitínia, menciona os métodos de detenção.
O relato: ele detalha que escravos e suspeitos eram mantidos sob severa custódia física enquanto aguardavam o julgamento. Para evitar fugas e como punição imediata, o uso de amarras de madeira que travavam o corpo em posições desconfortáveis era o procedimento padrão das províncias romanas.
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