O Castelo de Windsor é uma residência real localizada na cidade de Windsor em Berkshire, Inglaterra, Reino Unido. A edificação é notável por sua longa associação com as famílias reais inglesa e britânica e também por sua arquitetura. O castelo original foi construído no século XI, após a conquista normanda da Inglaterra por Guilherme I. Ele é usado pelos monarcas desde o reinado de Henrique I e é o castelo há mais tempo habitado de toda a Europa. Seus luxuosos Apartamentos de Estado do início do século XIX são arquiteturalmente significantes, descritos pelo historiador Hugh Roberts como "uma sequência soberba e inigualável de quartos amplamente considerados como a expressão mais completa do posterior gosto jorgiano". O castelo também conta com a Capela de São Jorge do século XV, considerada por historiadores como "uma das realizações supremas da arquitetura perpendicular gótica inglesa". Mais de quinhentas pessoas vivem e trabalham no Castelo de Windsor.

Originalmente projetado para proteger a dominação normanda nos arredores de Londres, além de vigiar uma parte estrategicamente importante do rio Tâmisa, o Castelo de Windsor foi construído como um castelo de mota, com três alas cercando uma colina central. Ele foi gradualmente substituído por fortificações de pedra e aguentou um longo cerco durante a Primeira Guerra dos Barões no início do século XIII. Henrique III construiu um palácio luxuoso dentro do castelo durante a metade do século, com Eduardo III indo além e reconstruindo a fortificação para produzir um conjunto ainda mais grandioso de edifícios que se tornariam "o mais caro projeto de construção secular em toda Idade Média na Inglaterra". A maior parte do projeto de Eduardo durou até o período Tudor, quando Henrique VIII e Isabel I passaram usar o castelo cada vez mais como uma corte real e o centro do entretenimento diplomático.

O Castelo de Windsor sobreviveu ao tumultuado período da Guerra Civil Inglesa, quando foi usado como quartel-general militar para as forças parlamentares e como cativeiro de Carlos I. Durante a restauração inglesa, Carlos II reconstruiu grande parte da edificação com a ajuda do arquiteto Hugh May, criando um conjunto de extravagantes interiores no estilo barroco que até hoje são admirados. Jorge III e Jorge IV renovaram e reconstruíram o palácio de Carlos II após um período de negligência no século XVIII, produzindo a um custo colossal os atuais projetos dos Apartamentos de Estado, repletos de móveis nos estilos rococó, gótico e barroco. Vitória fez pequenas mudanças no castelo, que se transformou no centro do entretenimento real durante grande parte de seu reinado. O Castelo de Windsor foi usado como refúgio da família real durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial e sobreviveu a um incêndio em 1992. Ele é atualmente um ponto turístico popular e sede de várias visitas de estado.

Arquitetura thumb|upright=1.5| O Castelo de Windsor ocupa um enorme terreno de mais de cinco hectares e combina as características de fortificação, palácio e cidade pequena. O castelo de hoje foi criado durante uma sequência de projetos de construção, culminando em um trabalho de reconstrução depois do incêndio de 1992. É em sua essência um projeto jorgiano e vitoriano baseado em uma estrutura medieval, com características góticas reinventadas em um estilo moderno. A arquitetura do castelo tem tentado desde o século XIV produzir uma reinterpretação contemporânea das antigas tradições e modas, imitando repetidas vezes estilos ultrapassados e antiquados. Como resultado, o arquiteto sir William Whitfield salientou que a arquitetura do Castelo de Windsor possui "uma certa qualidade ficcional", com os desenhos gótico e pitoresco gerando "uma sensação que uma interpretação teatral está sendo colocada aqui" apesar de tentativas do final do século XX de expor mais das estruturas antigas para aumentar a sensação de autenticidade. ; Mesmo que haja algumas críticas, sua arquitetura e história lhe dão um "lugar entre os maiores palácios europeus".

Ala Central No centro do Castelo de Windsor está a Ala Central, um colherão formado ao redor de uma mota no centro da ala. A mota tem 15 m de altura e é feita de giz originalmente escavado de um fosso ali perto. A fortaleza no topo da mota, chamada de Torre Redonda, é baseada na fortificação original do século XII, ampliada para cima em 30 m no início do século XIX pelo arquiteto Jeffry Wyatville a fim de produzir uma altura e silhueta mais imponente. O interior da Torre Redonda foi reformado em 1991–93 para dar mais espaço para a Royal Collection, com uma sala adicional sendo construída no espaço deixado pela expansão oca feita por Wyatville. A torre na realidade não é cilíndrica, mas sim epitrocoide devido a forma da estrutura e a mota embaixo. A altura atual foi criticada como sendo desproporcional para sua largura; por exemplo, o arquiteto Tim Tatton-Brown a descreveu como uma mutilação da antiga estrutura medieval.

A entrada leste da Ala Central está agora aberta, com os portões levando para o norte a partir da ala até o Terraço Norte. A saída oeste é protegida pelo Portão Normando. O portão, que apesar de seu nome data do século XIV, é bem abobadado e decorado com entalhes, incluindo máscaras de leões medievais, símbolos tradicionais de majestade, para formar uma impressionante entrada para a Ala Superior. Wyatville redesenhou o exterior e seu interior foi convertido no século XIX para uso residencial.

Ala Superior thumb|350px|left|A Ala Sul e Ala Superior; a entrada oficial dos Apartamentos de Estado está na esquerda. A Ala Superior do Castelo de Windsor é formada por vários grandes edifícios cercados pela muralha de colherão superior, formando um quadrilátero central. Os Apartamentos de Estado estão ao longo do lado norte da ala, com outros prédios ao longo da muralha oeste, com o lado sudoeste sendo ocupado pela Torre de Eduardo III e no sul pelos apartamentos reais de Jorge IV. A mota da Torre Redonda forma o canto oeste da ala. Uma estátua em bronze de Carlos II a cavalo fica do lado da Torre Redonda. Inspirada pela estátua de Carlos I em Londres esculpida por Hubert Le Sueur, a estátua foi esculpida em 1679 por Josias Ibach, com o pedestal de mármore contendo entalhes de Grinling Gibbons. A Ala Superior é adjacente ao Terraço Norte, que tem vista para o rio Tâmisa, e ao Terraço Leste, com vista para os jardins; ambos os terraços foram construídos por Hugh May no século XVII.

A Ala Superior foi tradicionalmente julgada como sendo "para todos os efeitos uma criação do século XIX ... a imagem que o início do século XIX tinha de como um castelo deveria ser", resultado de extensas modificações realizadas por Wyatville sob Jorge IV. As muralhas da Ala Superior são feitas de pedra no interior e tijolos normais, com detalhes góticos em pedras de Bath amarelas. Os edifícios da Ala Superior são caracterizados pelo uso de pequenos pedaços de pederneira na argamassa, originalmente colocados no castelo durante o século XVII para dar uma aparência semelhante às alvenarias de diferentes períodos. A vista desta ala foi projetada para ser dramática quando vista de longe ou em silhueta contra o horizonte, uma imagem de ameias e torres altas influenciadas pelo movimento pitoresco do século XVIII. Trabalhos arqueológicos e de restauração depois do incêndio de 1992 mostraram até que ponto a estrutura atual representa o restante dos elementos dos trabalhos originais do século XII, apresentados dentro do contexto da remodelação final de Wyatville.

Apartamentos de Estado thumb|350px|Os Apartamentos de Estado na Ala Superior. Da esquerda para direita: a Entrada Oficial, a o Salão de São Jorge e a Entrada dos Convidados. Os Apartamentos de Estado formam a maior parte da Ala Superior e estão ao longo do lado norte do quadrângulo. O prédio moderno segue as fundações medievais colocadas por Eduardo III, com o andar térreo sendo formado por porões e câmaras e o mais grandioso primeiro andar formando a parte principal do palácio. No primeiro andar, o desenho do canto oeste dos Apartamentos de Estado é principalmente obra do arquiteto Hugh May, enquanto a estrutura do lado leste representa os planos de Jeffry Wyatville. Os interiores foram em sua maior parte projetados por Wyatville no início do século XIX. Ele tinha a intenção que cada aposento ilustrasse um estilo particular arquitetônico e que combinasse com móveis e obras de arte do período.

O conceito de Wyatville continua a dominar os apartamentos até hoje, apesar de algumas alterações com o passar dos anos. Aposentos diferentes seguem os estilos clássico, gótico e rococó, juntos com elementos jacobinos em alguns lugares. Vários aposentos no canto leste do castelo foram restaurados após o incêndio de 1992, utilizando métodos de "restauração equivalente" – as salas foram restauradas para que ficassem similares a sua aparência original, mas usando materiais modernos e escondendo melhoramentos estruturais. Esses aposentos também foram ao mesmo tempo parcialmente redesenhados para corresponder mais de perto ao gosto moderno. O historiador de arte Hugh Roberts elogiou os Apartamentos de Estado como "uma sequência soberba e inigualável de quartos amplamente considerados como a expressão mais completa do posterior gosto jorgiano" Outros, como o arquiteto Robin Nicolson e o crítico Hugh Pearman, os descreveram como "brandos" e "nitidamente maçantes".

thumb|left|upright|A Sala de Desenhos Carmesim em 2007, reforma pós-incêndio de 1992. As obras mais famosas de Wyatville são os aposentos no estilo rococó. Essas salas pegam os aspectos fluidos e lúdicos do movimento artístico, incluindo muitas peças originais de decoração de Luís XV, porém os projeta em uma escala "amplamente inflada". Investigações feitas após o incêndio de 1992 mostraram que muitos dos artefatos e características rococós do castelo moderno são, ao contrário de acessórios do século XVIII transferidos da Casa Carlton ou da França, na verdade imitações do século XIX em gesso e madeira criados para se misturarem aos originais. O Grande Salão de Recepção é o projeto rococó mais proeminente, com 30 m de comprimento e 12 m de altura, ocupando o local do antigo grande salão de Eduardo III. ; Esse aposento, restaurado após o incêndio, inclui um enorme teto francês rococó, caracterizado pelo restaurador chefe Ian Constantinides como possuindo uma "grosseria de forma e crueza de mão ... completamente ofuscado pelo puro efeito espetacular quando você estiver a uma distância". Esse aposento é decorado com um conjunto de tapeçarias francesas Gobelins restauradas. Apesar de decorado com menos folheamentos a ouro que na década de 1820, o resultado mantém-se como "um dos melhores conjuntos de decoração da Regência". ; As Salas de Desenho Branca, Verde e Carmesim possuem um total de 62 troféus: painéis de madeira pintados a ouro e entalhados com ilustrações de armas e espelhos de guerra, muitos com significados maçônicos. Restaurados ou trocados após o incêndio de 1992, esses troféus são famosos por sua "vitalidade, precisão e qualidade tridimensional", tendo sido originalmente trazidos da Casa Carlton em 1826, alguns importados da França e outros entalhados por Edward Wyatt. Mesmo sendo luxuosos, os móveis suaves desses aposentos são mais modestos que os originais da década de 1820, tanto em questões de gosto moderno quanto em preço.