thumb|300px|Ônibus em Belo Horizonte.
O Transporte em Belo Horizonte trata sobre a questão da mobilidade urbana no município brasileiro de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais, na perspectiva histórica e atual.
Os problemas de mobilidade urbana enfrentados pela população de Belo Horizonte são considerados um dos maiores males da cidade. Os problemas começaram já na concepção do projeto urbanístico do engenheiro Aarão Reis, responsável pela construção da nova capital. O traçado viário idealizado pelo engenheiro, cuja implementação se limitou à área compreendida dentro do círculo formado pela Avenida do Contorno, privilegiou a forma radioconcêntrica, ou seja, todas as ruas partiam do centro. Atualmente, essa área corresponde a 3,5% da mancha demográfica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A configuração então assumida pela cidade através das décadas seguintes, de ter no seu centro o polo provedor, foi um dos fatores preponderantes para o atual cenário somado à ausência de obras viárias importantes.
De acordo com dados do IBGE, em 2022, havia um total de 1.596.427 carros, 9.406 ônibus, 250.857 motocicletas e mais 524.871 outros veículos utilitários feitos por via terrestreIBGE. Frota de veículos. 2021. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/belo-horizonte/pesquisa/22/28120. Acesso em: 30 de junho de 2022. O metrô de superfície da cidade conta com 19 estações e 28,1 quilômetros de trilhos. Porém, a história dos transportes não se limita a isto. No percurso viário da cidade, passaram bondes, trólebus, trens suburbanos e carros por tração animalFundação João Pinheiro. Centro de estudos históricos culturais. Omnibus: Uma história dos transportes coletivos em Belo Horizonte. Fundação João Pinheiro. 1996. ISBN: 85-8593006-3. Disponível em: http://fjp.mg.gov.br/omnibus-uma-historia-dos-transportes-coletivos-em-belo-horizonte/
Bicicletas miniaturadaimagem|Passeio de bicicleta no Parque Municipal. 1943. Acervo Museu Histórico Abílio Barreto Nos anos 1940, a bicicleta era utilizada como lazer em Belo Horizonte em praças e parques, como o Parque Municipal Américo Renné Giannetti. Atualmente, é um meio de locomoção para quem escolhe um hábito saudável e uma forma de não emitir mais gases poluentes gerados em outras formas de locomoção.
A utilização de bicicletas como meio de transporte é bastante reduzida. O relevo acidentado e a falta de ciclovias inibem o crescimento do uso do transporte. Em Belo Horizonte, 24 mil viagens são feitas de bicicleta diariamente, o equivalente a apenas 0,6% dos 4,2 milhões de deslocamentos.
Belo Horizonte não tem uma boa infraestrutura para quem opta por vias de locomoção sustentável. Com o total de 330km² em área total, há apenas 105,9 quilômetros de ciclofaixas na capitalPrefeitura de Belo Horizonte. Rotas cicloviárias em BH. BHTRANS. Disponível em: https://prefeitura.pbh.gov.br/bhtrans/informacoes/transportes/bicicletas/rotas-cicloviarias. Acesso em: 24 de junho de 2022.right|thumb|230px|Início de ciclovia na Savassi.O uso da bicicleta pode ser uma solução para o trânsito conturbado da cidade, sendo uma das diretrizes do planejamento de transporte na capital. Mesmo sem previsão para a construção de ciclovias, há projetos para a instalação de bicicletários nas estações de metrô para que as bicicletas sejam usadas em pequenas distâncias auxiliando o transporte coletivo, fazendo a integração com o metrô e diminuindo o fluxo de veículos na região central. Há também propostas de construir ciclovias mais extensas na cidade, além de outros bicicletários (menos de 1% da população belo-horizontina usa a bicicleta como primeira opção de transporte) e incentivar os deslocamentos a pé através da revitalização dos espaços públicos com a ampliação das calçadas como as intervenções na região central dentro do Programa Centro Vivo nas ruas Rio de Janeiro, Caetés, Carijós e o Boulevard Arrudas .
A BHTrans, empresa que gerencia o sistema viário da capital, apontou em planejamento de 2017 que, em 2020, haveria um total de 411 quilômetros de ciclovia, além de bicicletários nas estações do metrô e do MOVE para melhor uso do sistema não motorizado na capital. Mas esses novos trechos prometidos não foram realizados e apenas 16 novos quilômetros foram implantadosEstado de Minas. BH é a cidade com maior relação veículo/habitante entre 17 capitais do país. Estado de Minas. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/10/22/interna_gerais,910469/bh-e-a-cidade-com-maior-relacao-veiculo-habitante-entre-17-capitais.shtml. Acesso em: 23 de junho de 2022..
Em 2022, o então prefeito Fuad Nomam afirmou que 74 km de ciclofaixas serão implantadas, em parceria com o grupo de ciclistas Pedala BH, até o fim de sua gestão em 2024Em quase 20 anos, Belo Horizonte implantou 26,5% do total de ciclovias mapeadas. Patrícia Fiuza. G1.Disponível em: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2022/08/04/em-quase-20-anos-belo-horizonte-implantou-265percent-do-total-de-ciclovias-mapeadas.ghtml. Acesso em: 20/12/2022.
Veículos particulares Belo Horizonte é a capital com maior relação veículo/habitante entre as capitais mais populosas do Brasil Estado de Minas. BH é a cidade com maior relação veículo/habitante entre 17 capitais do país. Estado de Minas. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/10/22/interna_gerais,910469/bh-e-a-cidade-com-maior-relacao-veiculo-habitante-entre-17-capitais.shtml. Acesso em: 23 de junho de 2022. De acordo com dados do IBGE e da Companhia Nacional de Trânsito, em 2015 a cada 100 moradores da cidade 65 tinham veículos própriosEstado de Minas. BH é a cidade com maior relação veículo/habitante entre 17 capitais do país. Estado de Minas. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2017/10/22/interna_gerais,910469/bh-e-a-cidade-com-maior-relacao-veiculo-habitante-entre-17-capitais.shtml. Acesso em: 23 de junho de 2022.
Desde a década de 1970, o número de automóveis nas ruas da cidade tem aumentado, como é possível observar nas fotografias da avenida Afonso Pena em 1973 e 1997 e da avenida João Pinheiro em 2006.
O número elevado de carros se deu a partir do processo nacional de industrialização e desenvolvimento no governo do presidente Juscelino Kubitschek nas décadas de 1950 e 1960, por meio da implementação de novas empresas estrangeiras como a Ford e a criação do Grupo Executivo de Indústria Automobilística.
Com o passar dos anos, diferentes formas de locomoção foram usadas em Belo Horizonte. Algumas agora extintas – como os bondes e outras adaptadas como os trólebus movidos a energia elétrica – e outras permanentes como os ônibus movidos à diesel e os carros. A frota destes vem aumentando anualmente devido à falta de infraestrutura dos transportes coletivos, seja ônibus ou metrô. Nota-se que há várias formas de se locomover e de ocupar a cidade em diferentes épocas, que vão se modificando a partir das transformações da cidade.
Diariamente, o Detran de Minas Gerais tem emplacado cerca de 500 veículos novos. Em 2007, a frota de veículos atingiu a marca de um milhão de veículos, o que serve como um alerta de que o pior ainda pode estar por vir, já que a curto prazo não há projetos para acompanhar o desenfreado crescimento da frota de veículos na cidade. A frota de carros tem crescido a taxas que variam de 4 a 7% ao ano desde 1999 e esse crescimento só perde para o número de motos na cidade, que registra um crescimento médio de 11,5% ao ano.
Ônibus miniaturadaimagem|Inauguração da primeira empresa de auto-ônibus de Belo Horizonte: 19 de setembro de 1922. Acervo: Museu Histórico Abílio Barreto A primeira linha de ônibus em Belo Horizonte foi inaugurada em março de 1923 por meio de quatro ônibus. Cinco anos depois, em 1928, oito novas linhas foram criadas. Funcionando das 6 até às 22 horas, comportando 27 passageiros em pé e sem a possibilidade de pessoas em pé, circulavam pela Praça da Liberdade, Prado, Quartel (uma alusão ao 1º Batalhão em Santa Efigênia), Serra, Carlos Prates, Floresta, Santo Antônio e LagoinhaForeaux, Francisco Amorim Gontijo. Mobilidade urbana e burocracia em Belo Horizonte – 1897 a 2017. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte. 2017. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/handle/1843/31491.
Com o aumento da ocupação urbana da capital nas décadas de 1930 e 1940, foi necessário a criação de vias rápidas com direção ao centro da cidade. Avenidas como Amazonas, Antônio Carlos, Pedro II e Silviano Brandão foram implantadas e novas linhas de ônibus de ônibus foram criadas. Dessa forma, com esse incremento, as empresas viárias que começaram a apostar no novo sistema lucrativo de transporte Fundação João Pinheiro. Centro de estudos históricos culturais. Omnibus: Uma história dos transportes coletivos em Belo Horizonte. Fundação João Pinheiro. 1996. ISBN: 85-8593006-3.
A partir do aumento da industrialização de Belo Horizonte na década de 1970, a mancha urbana da cidade cresceu para a região Oeste e Norte de Belo Horizonte. Mesmo com novas oportunidades de emprego na mesma região em que moravam, muitas pessoas ainda necessitavam se locomover para a região central. Com isso, a oferta de linhas de ônibus, quadros de horários e pontos de embarque e desembarque nas linhas de ônibus foi ampliada.
Em 1980, a gestão de transportes sofreu mudanças que abrangeram também a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Neste ano foi criada a Metrobel, que coordenou o sistema viário da RMBH. Durante a gestão, as mudanças mais efetivas foram a padronização de cores nos ônibus com cores diferentes de acordo com o trajeto. A azul identificava as linhas diametrais, fazendo a ligação entre bairros. Já a vermelha identificava linhas expressas e semi expressas, ligando bairros de Belo Horizonte à região central.
O vale-transporte foi implantado em Belo Horizonte por meio da lei federal criada em dezembro de 1985 pelo então presidente José Sarney. Esta abrangia apenas os trabalhadores do mercado formal, não atendendo os autônomos e os informais.
Desde 1995 vem sendo implantado o BHBUS (Plano de Reestruturação do Sistema de Transporte Coletivo de Belo Horizonte), que busca aprimorar o sistema de ônibus no sentido de criar uma rede de transporte integrada (metrô e ônibus municipais e intermunicipais), que se divide em dois subsistemas: Tronco-alimentado e Interbairros.
Um dos grandes problemas do sistema de ônibus belo-horizontino é principalmente a falta de prioridade em relação ao tráfego comum, ou seja, com pouco conforto você gasta praticamente o mesmo tempo de alguém com automóvel particular, sendo o principal motivo de migração entre os modais. Desde dezembro de 2012, o preço das tarifas recebeu um reajuste de 5,66% na qual a tarifa mais comum, que era de R$ 2,65 passou para R$ 2,80, o que indica um custo mensal, para um trabalhador regular com uma rotina de 6 dias por semana, a importância de aproximadamente R$ 134,40, ou seja, uma quantia considerável em relação ao valor do salário mínimo.
Além da falta de prioridade, podemos citar a insegurança em chegar ao seu trabalho no horário correto, o alto custo das tarifas existentes, além de outros fatores igualmente relevantes que devem ser destacados no momento em que o belo-horizontino realiza sua escolha entre usar o veículo pessoal ou o ônibus, que são a falta de conforto dos coletivos e a falta de frequências adequadas para determinados horários do dia.