A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) é uma denominação protestante de base teológica luterana, a qual faz parte da Federação Luterana Mundial. A denominação tem origem na imigração alemã para o Brasil no século XIX. Tinha, em 2023, cerca de 614.555 membros, sendo a 11ª maior denominação protestante no Brasil. É a primeira igreja protestante instalada no Brasil após a promulgação da Constituição brasileira de 1824, que estabeleceu liberdade religiosa no país.Artigo 5 da Constituição brasileira de 1824 A presidência é exercida pela pastora Sílvia Beatrice Genz. Sua sede localiza-se em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

História A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) surgiu como resultado da chegada de imigrantes europeus ao país no século XIX. Naquele período, diversos países da Europa enfrentavam sérias dificuldades econômicas, deixando milhares de pessoas sem perspectivas de futuro. A esperança de uma vida melhor motivou muitas famílias a migrarem para as Américas, tanto do Norte quanto do Sul. Entre os imigrantes, destacam-se os alemães de tradição protestante, que estabeleceram duas comunidades pioneiras: uma em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, em 3 de maio de 1824, e outra em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 25 de julho de 1824. Essas comunidades formaram a base para a fundação da IECLB. Apesar de 1824 ser considerado o marco inicial da instituição, registros indicam a presença de imigrantes antes disso, como o caso de um grupo proveniente da Suíça que chegou ao Brasil em 1819.

Até 1889, o artigo 5º da Constituição do Império do Brasil estabelecia: “A religião Católica Apostólica Romana continuará sendo a religião oficial do Império. As demais religiões serão toleradas apenas em cultos domésticos ou privados, realizados em locais específicos, sem qualquer característica externa de templo”.

Por conta dessa norma, as comunidades luteranas não tinham permissão para construir igrejas com torres, cruzes ou sinos. Além disso, enfrentavam algumas limitações na esfera civil. Casamentos realizados por evangélicos não eram reconhecidos oficialmente, e, em certos locais, havia obstáculos relacionados a sepultamentos. Imigrantes protestantes também não podiam participar da vida política. Foi nesse cenário que as primeiras comunidades evangélico-luteranas começaram a se organizar no Brasil.

O fluxo de imigrantes, principalmente vindos da Alemanha, aumentava constantemente. Muitos se fixaram nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mas também houve grupos que se estabeleceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. À medida que novos grupos chegavam, novas comunidades iam sendo formadas. No Rio de Janeiro, então capital do Império, a primeira comunidade evangélica surgiu em 1827. Em Santa Catarina, as primeiras comunidades se estabeleceram em Blumenau (1850) e Dona Francisca, atual Joinville (1851).

Em 2004 a IECLB contava com 713.502 membros, distribuídos em 18 Sínodos, 413 paróquias, 1.770 comunidades, 1.162 Pontos de Pregação, 46 Escolas, 13 Ancionatos, 20 Hospitais e 12 Casas de Retiro, 577 pastores e pastoras, 34 diaconisas, 98 obreiros e obreiras diaconais e 135 catequistas. Possui organizações étnicas, como a Comunidade Escandinava, Comunidade Húngara, uma Congregação Japonesa e o Grupo de Negros da Escola Superior de Teologia. A IECLB é forte atuante na área diaconal, atividades ecumênicas e missões evangelísticas.

Organização miniaturadaimagem|316x316px|Sínodos da IECLBSegundo a Constituição da IECLB a igreja organiza-se em comunidades, paróquias e sínodos. Em comum, são dirigidos pelo Concílio da Igreja, o Conselho da Igreja e a Presidência.

Organização regional da IECLB Atualmente, a IECLB divide-se administrativamente em sínodos: Sínodo da Amazônia Sínodo Brasil Central Sínodo Centro-Campanha-Sul Sínodo Centro-Sul Catarinense Sínodo Espírito Santo a Belém Sínodo Mato Grosso Sínodo Nordeste Gaúcho Sínodo Noroeste Riograndense Sínodo Norte Catarinense Sínodo Paranapanema Sínodo Planalto Rio-grandense Sínodo Rio dos Sinos Sínodo Rio Paraná Sínodo Sudeste Sínodo Sul-Rio-Grandense Sínodo Uruguai Sínodo Vale do Itajaí Sínodo Vale do Taquari

Sínodos que precederam a IECLB Sínodo Rio-Grandense (1886) Sínodo Evangélico Luterano de Santa Catarina, Paraná e outros Estados (1905) Sínodo Evangélico de Santa Catarina e Paraná (1911) Sínodo Evangélico do Brasil Central (1912/1913)

Doutrina miniaturadaimagem|284x284px|Templo da IECLB de Domingos Martins, é o mais antigo templo protestante ornado com uma torre no Brasil. A construção da torre foi inalgurada em 1887, o artigo 5º da constituição proibia que igrejas não católicas usassem símbolos religiosos e tivessem aparência externa de templo. A IECLB tem por doutrina a base feita pelo reformador Martinho Lutero. Lutero pregava que a salvação vinha pela graça e pela fé, contrariando à ideia de salvação por obras. A igreja também utiliza os outros livros lançados por Lutero como uma base para o ensino de sua doutrina. O Catecismo Menor é ensinado a pessoas com um básico aprofundamento das principais teologias da Igreja. Um livro semelhante, porém maior e com aprofundamento mais detalhado é conhecido como Catecismo Maior, que é ensinado aos adultos. Além destes documentos, a IECLB também aceita como parte de seu ensino a Confissão de Augsburgo e o Livro de Concórdia. A IECLB crê em dois sacramentos, o Batismo e a Santa Ceia. São três os credos ecumênicos presentes na IECLB: o Credo Apostólico, o Credo Niceno-Constantinopolitano e o Credo Atanasiano. Em 1580, a Igreja Luterana incorporou os três credos em suas confissões, reunidas no Livro de Concórdia.

Questões sociais

A igreja ordena mulheres ao ministério pastoral desde 1982.

Conforme o site da IECLB, a denominação permite aos seus membros liberdade de opinião "sobre questões ético-morais (aborto, divórcio, anticoncepcionais, etc.) e comportamentais (comida, bebida, vestimenta, lazer, sexualidade, etc.)."

Em 2007, a denominação publicou documento intitulado "Matrimônio, Família e Sexualidade Humana", no qual declarou se empenhar "na defesa dos direitos humanos e da dignidade de todo ser humano sem distinção de gênero e orientação sexual". No mesmo documento, foi afirmado que relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo ou entre pessoas de sexos distintos, mas não casadas, poderiam cumprir muitos objetivos e propósitos da sexualidade humana, razão pela qual a igreja deveria refletir nos elementos positivos de tais relações.

Em 2011, a denominação publicou o documento intitulado "Homoafetividade", no qual afirmou que há divergência de opinião entre seus membros sobre o tema. Todavia, declarou que "de modo algum devem as pessoas homossexuais ser discriminadas ou afastadas do convívio na comunidade de fé." O mesmo documento afirmou ainda que, "pessoas homossexuais, que vivem a sua condição sem causar escândalo, podem realizar um trabalho abençoado na comunidade, ao colocarem a serviço do Evangelho os dons que Deus lhes deu". Todavia, o documento não permitiu a celebração ou impetração de benção para casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

O documento também diz que, no momento atual da Igreja, não há condições de uma pessoa homossexual praticante assumir o exercício público do ministério eclesiástico na IECLB.

Em 2020, Heilike Philippsen Mog, mulher trans, foi eleita para a Coordenação Sinodal Sudeste da IECLB.

Em dezembro de 2025, a denominação publicou o "Manual de Linguagem Inclusiva", estabelecendo orientações específicas para que as celebrações, orações e avisos contemplem toda a comunidade, evitando o masculino genérico, trazendo recomendações para documentos oficiais, ofícios e correspondências, visibilizando a presença feminina e a diversidade da igreja. Também incentiva o uso de metáforas e títulos bíblicos que não fiquem restritos apenas à figura masculina ao referir-se à Deus.

Demografia Ano ParóquiasMembros Crescimento 1968 - 643.917 - 1978 - 736.901 14,44% 2002 - 712.316 -3,33% 2010 - 700.000 -2,22% 2012 - 671.389 -4,08% 2014 481 666.309 -0,75% 2016 483 643.693 -3,39% 2018 - 587.175 -8,79% 2020 - 628.557 +7,04% 2023 - 614.555 -2,23%

Conforme estatísticas da denominação, seu número de membros esteve em declínio entre 2002 e 2018. Em 2020, a denominação relatou crescimento, pela primeira vez desde que voltou a divulgar estatísticas.

As maiores causas do declínio de membros, conforme a própria denominação foram o ingresso em outras denominação e emigração. Todavia, conforme estudo realizado em 2004, a queda de natalidade e da taxa de batismo também foram causas do declínio. Perfil dos membros miniaturadaimagem|294x294px|Templo da IECLB em Pomerode, SC. Devido à origem da denominação, a maioria das igrejas foram projetadas seguindo os padrões arquitetônicos alemães.

Segundo dados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010, 51,73% da população luterana era de mulheres e 48,27% eram homens. 68,66% do luteranos residiam no meio urbano e 31,332% no meio rural. 90,51% dos luteranos eram brancos, 7,71% eram pardos , 1,32% negros, 0,31% amarelos e 0,14% indígenas. Assim sendo, a população luterana tem o percentual de brancos 43% maior que a média nacional, enquanto todos os demais grupos étnicos são menos representados entre os luteranos. A uniformidade étnica do grupo religioso deve-se sobretudo a origem dos seus membros, sendo a maioria descendentes de imigrantes alemães, concentrado a Região Sul do Brasil.

Nos demais assuntos o Censo agrupou os luteranos com os demais protestantes históricos. No quesito sobre escolaridade, 14,61% do protestantes históricos tinham nível superior completo, acima da média nacional de 11,26%, da média dos católicos romanos, pentecostais, evangélicos sem denominação e pessoas sem religião.

Na renda nominal mensal, 3,12% dos protestantes históricos tinham a renda superior a 10 salários mínimos, número superior a média nacional de 3%, da média dos católicos romanos, pentecostais e evangélicos sem denominação.

Não existem pesquisas específicas sobre a renda da população luterana na Brasil, mas nos Estados Unidos, conforme estudo do Pew Research Center, as duas maiores denominações luteranas naquele país (Igreja Evangélica Luterana na América e Igreja Luterana - Sínodo de Missouri) estavam entre a população com maior renda per capita, quando a pesquisa foi realizada em 2016. Além disso é um dos grupos religiosos com maior escolaridade no país. Juventude da IECLB

A IECLB organiza seu trabalho com jovens através da formação de grupos cujos objetivos são o aprofundamento bíblico-teológico, a comunhão cristã e vivência da fé. Em 2004 havia mais de 700 grupos de jovens, sendo que o número de membros jovens da IECLB (14-25 anos) era de 122 mil.BOBSIN, Oneide, KUNH JUNIOR, Norberto, BECKER, Claudio G. Sociabilidade Juvenil, In: Protestantismo em Revista. Os 18 sínodos da IECLB e outras entidades paraeclesiásticas (Movimentos internos da IECLB e ONGs principalmente) desenvolvem atividades para os grupos,como acampamentos, congressos, encontrões, retiros, olimpíadas, eventos culturais e musicais.

A Juventude Evangélica da IECLB se organiza com um Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE), Coordenações Sinodais (COSIJE) e grupos de comunidades e paróquias. A cada dois anos acontece o Congresso Nacional na JE (CONGRENAJE). O CONAJE tem promovido intercâmbios internacionais, tendo como parceiras as igreja luteranas da Baviera (Alemanha), Evangelical Lutheran Church in America, Noruega, Suécia, Austrália e IERP (ConeSul).

Diaconia

Na IECLB existem duas comunhões: a comunhão das diaconisas, que formam a Irmandade Evangélica Luterana, e a Comunhão Diaconal, mais conhecida por COD.

Irmandade Diaconal