A Seleção Francesa de Futebol representa a França no futebol internacional masculino. É administrada pela Federação Francesa de Futebol (FFF; ), entidade responsável pelo futebol na França. É membro da UEFA na Europa e da FIFA em competições mundiais. As cores e a iconografia da equipe fazem referência a dois símbolos nacionais: a Bandeira da França e o galo gaulês (coq gaulois). A equipe é conhecida coloquialmente como Les Bleus (Os Azuis). Manda suas partidas no Stade de France, em Saint-Denis, e treina no Centre National du Football, em Clairefontaine-en-Yvelines.
Fundada em 1904, a seleção conquistou duas Copas do Mundo FIFA, dois Campeonatos Europeus, uma Copa dos Campeões CONMEBOL–UEFA, duas Copas das Confederações FIFA e um título da Liga das Nações da UEFA. A França foi uma das quatro seleções europeias que participaram da primeira Copa do Mundo, em 1930. Vinte e oito anos depois, a equipe liderada por Raymond Kopa e Just Fontaine terminou em terceiro lugar na Copa do Mundo de 1958. A França viveu grande parte de seu sucesso em três períodos distintos: na década de 1980, entre o final da década de 1990 e o início da década de 2000 e entre o final da década de 2010 e o início da década de 2020.
Entre o início e a metade da década de 1980, sob a liderança de Michel Platini, vencedor de três edições da Bola de Ouro, a França conquistou o Euro 1984 — seu primeiro título oficial —, a Copa dos Campeões CONMEBOL–UEFA de 1985 e chegou a duas semifinais consecutivas de Copa do Mundo, em 1982 e 1986. Sob a capitania de Didier Deschamps, com Zinédine Zidane como principal jogador, Les Bleus conquistaram a Copa do Mundo de 1998 e o Euro 2000. Também venceram a Copa das Confederações em 2001 e 2003. Três anos depois, a França chegou à final da Copa do Mundo de 2006, perdendo por 5–3 na disputa por pênaltis para a Itália. Uma década depois, a equipe chegou à final do Euro 2016, na qual perdeu por 1–0 para a seleção de Portugal na prorrogação. Dois anos mais tarde, a França conquistou a Copa do Mundo de 2018, seu segundo título na competição. Após vencer a Liga das Nações de 2021, tornou-se a primeira e, até o momento, única seleção europeia a conquistar todas as competições de seleções principais da FIFA e da UEFA. Em 2022, a França chegou à sua segunda final consecutiva de Copa do Mundo, perdendo para a Argentina em uma disputa por pênaltis.
A França é um dos dois países — o outro é a seleção brasileira — a ter conquistado todas as competições masculinas de futebol de 11 jogadores da FIFA em todas as categorias etárias, tendo conquistado a Copa do Mundo FIFA, a Copa do Mundo FIFA Sub-20, a Copa do Mundo FIFA Sub-17, a extinta Copa das Confederações FIFA e um título no futebol olímpico.
A França mantém rivalidades futebolísticas históricas com outras seleções europeias, sobretudo com a Itália, a Alemanha e a Espanha. Uma forte rivalidade com a Argentina também surgiu e se intensificou entre o final da década de 2010 e o início da década de 2020, marcada por dois confrontos consecutivos em fases eliminatórias da Copa do Mundo — nas oitavas de final de 2018 e na final de 2022.Le Clash: Bitter soccer rivals France and Argentina meet in Olympic quarterfinals amid a racism spat Associated Press. 1 August 2024. Retrieved 3 August 2024.
História Primeiros anos (1900–1930)
A Seleção Francesa de Futebol foi criada em 1904, aproximadamente na época da fundação da FIFA. A equipe disputou sua primeira partida internacional oficial em 1.º de maio de 1904, contra a Bélgica, em Bruxelas, terminando em um empate por 3–3. No ano seguinte, em 12 de fevereiro de 1905, a França disputou sua primeira partida em casa, contra a Suíça. O jogo foi realizado no Parc des Princes, diante de 500 torcedores. A França venceu por 1–0, com o único gol marcado por Gaston Cyprès. Devido a divergências entre a FIFA e a (USFSA), a entidade esportiva do país, a França teve dificuldades para estabelecer uma identidade. Em 9 de maio de 1908, o Comitê Interfederal Francês (CFI), organização rival da USFSA, determinou que a FIFA passaria a ser responsável pelas participações da seleção nos Jogos Olímpicos seguintes, e não mais a USFSA. Em 1919, o CFI transformou-se na Federação Francesa de Futebol (FFF). Em 1921, a USFSA finalmente se fundiu com a FFF.
Em julho de 1930, a França participou da primeira Copa do Mundo FIFA, realizada no Uruguai. Em sua primeira partida na história da competição, a França derrotou a seleção do México por 4–1 no Estádio Pocitos, em Montevidéu. Lucien Laurent marcou o primeiro gol da história das Copas do Mundo. Por outro lado, a França também se tornou a primeira seleção a não marcar em uma partida de Copa do Mundo, após perder por 1–0 para a Argentina na fase de grupos. Outra derrota, para a seleção do Chile, resultou na eliminação da equipe ainda na fase de grupos. No ano seguinte, ocorreu a primeira convocação de um jogador negro para a seleção. Raoul Diagne, de ascendência senegalesa, fez sua estreia em 15 de fevereiro, em uma derrota por 2–1 para a Tchecoslováquia. Posteriormente, Diagne disputou a Copa do Mundo de 1938 ao lado de Larbi Benbarek, um dos primeiros jogadores de origem norte-africana a representar a seleção. Na Copa do Mundo de 1934, a França foi eliminada na primeira fase, após perder por 3–2 para a Áustria. No retorno da equipe a Paris, os jogadores foram recebidos como heróis por uma multidão de mais de quatro mil torcedores. A França sediou a Copa do Mundo de 1938 e chegou às quartas de final, perdendo por 3–1 para a então campeã — e posterior vencedora da edição de 1938 — Itália.
1950–1980 A primeira "geração de ouro" da França, no final da década de 1950, era formada por jogadores como Just Fontaine, Raymond Kopa, Jean Vincent, Robert Jonquet, Maryan Wisnieski, Thadée Cisowski e Armand Penverne. Na Copa do Mundo de 1958, a França chegou às semifinais, nas quais perdeu para a seleção brasileira. Na disputa pelo terceiro lugar, a França derrotou a Alemanha Ocidental por 6–3, com Fontaine marcando quatro gols, o que elevou seu total na competição para 13, um recorde de Copa do Mundo que permanece até hoje. A França sediou a primeira edição do Campeonato Europeu de Futebol, em 1960. Pelo segundo torneio internacional consecutivo, a equipe chegou às semifinais, mas foi derrotada por 5–4 pela Iugoslávia, apesar de estar vencendo por 4–2 até os 75 minutos. Na disputa pelo terceiro lugar, a França foi derrotada por 2–0 pela Tchecoslováquia.
Nas décadas de 1960 e 1970, a França entrou em um período de acentuado declínio, atuando sob o comando de vários técnicos e não conseguindo se classificar para diversos torneios internacionais. Em 25 de abril de 1962, Henri Guérin foi oficialmente nomeado o primeiro técnico da seleção. Sob o comando de Guérin, a França não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 1962 nem para o Campeonato Europeu de Futebol de 1964. A equipe voltou a disputar uma grande competição ao se classificar para a Copa do Mundo de 1966, mas não passou da fase de grupos. Guérin foi demitido após a Copa do Mundo. Ele foi substituído por José Arribas e Jean Snella, que exerceram conjuntamente a função de técnicos interinos. A dupla permaneceu no comando por apenas quatro partidas e foi substituída pelo ex-jogador Just Fontaine, que, por sua vez, dirigiu a equipe em somente dois jogos. Louis Dugauguez sucedeu Fontaine, mas, após as dificuldades iniciais nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, foi demitido e substituído por Georges Boulogne, que não conseguiu classificar a equipe para a competição. Boulogne foi posteriormente demitido após não conseguir a classificação para a Copa do Mundo de 1974 e foi substituído pelo romeno Ștefan Kovács, que se tornou o único técnico estrangeiro a comandar a seleção francesa. Sob o comando de Kovács, a França não conseguiu se classificar para o Euro 1976. Após dois anos no cargo, ele foi demitido e substituído por Michel Hidalgo.
Sob o comando de Hidalgo, a França prosperou, principalmente devido a jogadores como os defensores Marius Trésor e Maxime Bossis, o atacante Dominique Rocheteau e o meio-campista Michel Platini. Esses jogadores, ao lado de Jean Tigana, Alain Giresse e Luis Fernández, formaram o "carré magique" ("quadrado mágico"), que passou a atormentar as defesas adversárias a partir da Copa do Mundo de 1982. A França chegou às semifinais, sendo derrotada pela Alemanha Ocidental nos pênaltis. O confronto é considerado uma das maiores partidas da história das Copas do Mundo e foi marcado por controvérsias. A França terminou em quarto lugar após perder a disputa pelo terceiro lugar para a Polônia por 3–2. Dois anos depois, a França conquistou seu primeiro grande título internacional ao vencer o Euro 1984, que sediou. Sob a liderança de Platini, que marcou nove gols e terminou como artilheiro do torneio, a França derrotou a Espanha por 2–0 na final. Platini e Bruno Bellone marcaram os gols, antes de Hidalgo deixar o comando da seleção para ser substituído por Henri Michel. Posteriormente, a França conquistou a medalha de ouro no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 e, um ano depois, derrotou o Uruguai por 2–0 para vencer a Copa Artemio Franchi, precursora da Copa das Confederações FIFA. No intervalo de um ano, a França tornou-se detentora de três dos quatro principais troféus internacionais. Na Copa do Mundo de 1986, a França chegou às semifinais, perdendo novamente para a Alemanha Ocidental, mas conquistou o terceiro lugar após derrotar a Bélgica por 4–2.
Em 1988, a FFF inaugurou o Instituto Nacional de Futebol de Clairefontaine. A cerimônia de inauguração contou com a presença do então Presidente da França, François Mitterrand. Cinco meses após a inauguração de Clairefontaine, o técnico Henri Michel foi demitido e substituído por Michel Platini, que não conseguiu classificar a equipe para a Copa do Mundo de 1990.
A era Zidane e os campeões mundiais (1995–2006) Sob o comando de Gérard Houllier, a França e seus torcedores sofreram uma grande decepção ao não conseguirem se classificar para a Copa do Mundo de 1994. Restando duas partidas, a classificação estava praticamente garantida, com jogos contra o lanterna Israel e a ainda concorrente Bulgária. No entanto, a França sofreu uma surpreendente derrota em casa por 3–2 para Israel, após estar vencendo por 2–1 nos minutos finais, e, contra a Bulgária, sofreu um gol aos 90 minutos e perdeu por 2–1. A atribuição de responsabilidades e a revolta pública que se seguiram levaram à demissão de Houllier e ao afastamento de vários jogadores da seleção. O auxiliar de Houllier, Aimé Jacquet, foi nomeado técnico.