miniatura|direita|Uma Drosera anglica com uma folha dobrada em torno de uma mosca presa pela mucilagem
Mucilagem é uma substância espessa e pegajosa produzida por plantas e por alguns microrganismos. Em algas verdes unicelulares do gênero Closterium, a extrusão de mucilagem participa da locomoção, empurrando a célula na direção oposta à secreção. Mucilagens não correspondem a uma única substância química. Nas plantas, são hidrocoloides formados principalmente por polissacarídeos, alguns deles com ácidos urônicos em suas cadeias, e podem conter glicoproteínas e outros componentes. Em contato com a água, formam estruturas gelatinosas ou muito viscosas.
Nas plantas, a mucilagem pode participar da retenção de água e afetar a germinação das sementes. Cactáceas e outras suculentas, assim como sementes de linho, são particularmente ricas em mucilagem.
Ocorrência
Os exopolissacarídeos e outros componentes da mucilagem ajudam a agregar e estabilizar partículas do solo. As chamadas "algas do solo" produtoras de exopolissacarídeos ajudam a estabilizar esses agregados. A substância recobre, por exemplo, a superfície externa de algas verdes unicelulares ou filamentosas e de cianobactérias. Entre as algas verdes, o grupo tradicionalmente chamado de Volvocales, incluído em Chlamydomonadales, produz exopolissacarídeos em determinado ponto do ciclo de vida. A composição das mucilagens vegetais varia, e elas podem conter pequenas proporções de substâncias como taninos e alcaloides.
Nas raízes
Nas raízes de muitas plantas, mucilagens ricas em polissacarídeos, que podem conter pectinas, são liberadas por células periféricas da coifa, pela rizoderme e pelos pelos radiculares. Microrganismos da rizosfera metabolizam parte desse material e também secretam polissacarídeos. A mistura forma o mucigel, uma camada de origem vegetal e microbiana que recobre raízes jovens.
A mucilagem radicular pode conservar água na região imediatamente ao redor da raiz, reduzir o atrito durante o crescimento no solo, modificar a estrutura do solo e participar das interações entre a planta e microrganismos. Depois de secar, porém, pode tornar-se hidrofóbica e dificultar o reumedecimento da rizosfera.
Em plantas carnívoras
A mucilagem tem uma função própria em algumas plantas carnívoras. Os gêneros Drosera, Pinguicula e outros possuem folhas cobertas por glândulas secretoras de mucilagem e usam armadilhas adesivas para capturar insetos.
Em ambientes marinhos
No ambiente marinho, pequenos agregados coloidais de matéria orgânica podem coalescer e formar grandes massas gelatinosas conhecidas como mucilagem marinha. No mar Mediterrâneo, o aquecimento da água superficial e o aumento da estabilidade da coluna de água criam condições que podem favorecer essa coalescência.
Usos humanos miniatura|Recipiente de vidro para mucilagem, da primeira metade do século XX
Algumas mucilagens vegetais são consumidas em alimentos ou suplementos. As cascas de sementes de psílio, por exemplo, fornecem fibra dietética solúvel e viscosa e aumentam o volume fecal.
Mucilagens vegetais também são empregadas em preparações farmacêuticas. Podem atuar como ligantes ou desintegrantes em comprimidos, espessantes em preparações líquidas, coloides protetores em suspensões e agentes gelificantes.
A casca interna do olmo-vermelho-americano, Ulmus rubra, uma espécie arbórea norte-americana, é tradicionalmente usada como demulcente e remédio para tosse e é comercializada em diferentes preparações para esse fim.
Na França do século XIX, uma forma inicial do confeito que deu origem ao marshmallow moderno era preparada com a substância gomosa extraída das raízes de Althaea officinalis, combinada com ovos e açúcar e batida até formar uma massa espumosa.
A mucilagem misturada com água tem sido usada como cola, sobretudo para unir objetos de papel, como etiquetas, selos postais e abas de envelopes. O nome "mucilagem" também foi aplicado a formulações adesivas feitas com goma arábica, dextrina ou outros ingredientes. Essas mucilagens e pastas eram usadas para colar etiquetas em latas de metal, madeira em porcelana e couro em papelão.
Na fabricação tradicional de papel na China, no Japão e na Coreia, mucilagens vegetais são adicionadas à polpa como agentes de dispersão, ajudando a manter as fibras separadas durante a formação da folha. As raízes de Abelmoschus manihot, anteriormente denominado Hibiscus manihot, tornaram-se uma das fontes empregadas para esse fim.
Durante a fermentação da soja para produzir nattō, cepas de Bacillus subtilis usadas como cultura iniciadora produzem uma camada pegajosa rica em ácido poli-γ-glutâmico. Esse polímero ocorre na mucilagem do nattō e responde por grande parte de sua textura pegajosa.
Na Suécia pré-industrial, folhas mucilaginosas de Pinguicula vulgaris e de espécies de Drosera eram empregadas na preparação de tätmjölk, um produto lácteo espessado. O papel das enzimas dessas folhas no processo é incerto. Para o etnobiólogo Ingvar Svanberg, a explicação enzimática provavelmente se devia a uma crença popular.
Implicações ecológicas para as plantas
A presença de mucilagem nas sementes pode alterar sua retenção de água, tolerância ao estresse hídrico e adesão às partículas do solo. Os efeitos sobre a germinação variam conforme a espécie e as condições ambientais, podendo ser positivos, nulos ou negativos. Algumas mucilagens também contêm substâncias com atividade alelopática, capazes de alterar o crescimento de outras plantas em ensaios experimentais.
Em experimentos com Artemisia sphaerocephala, os aquênios com mucilagem absorveram mais água do orvalho e permaneceram hidratados por mais tempo que aqueles dos quais a mucilagem havia sido removida. Essa hidratação favoreceu o reparo celular de danos no DNA provocados previamente por irradiação com raios gama. A quantidade de mucilagem produzida por semente pode variar entre populações de uma mesma espécie ao longo de sua área de distribuição, em relação às condições ambientais locais.
Uma variedade tradicional de milho desenvolve raízes aéreas que produzem uma mucilagem rica em carboidratos. O Sierra Mixe é uma variedade alta cultivada em solos pobres em nitrogênio, com pouco ou nenhum fertilizante, em Oaxaca, no México. Sua mucilagem abriga bactérias diazotróficas capazes de realizar fixação de nitrogênio no ambiente rico em açúcares e pobre em oxigênio formado ao redor dessas raízes.
Fontes vegetais
Entre as plantas e algas que contêm mucilagem estão os seguintes grupos e espécies:
Aloe vera Brasenia schreberi Althaea Basella alba, espinafre-de-malabar Cactáceas Chondrus crispus, musgo-irlandês Corchorus, juta Dioscorea polystachya, nagaimo ou inhame-chinês Drosera Drosophyllum lusitanicum Feno-grego Sementes de linho Kelp Raiz de alcaçuz Malvas Verbasco Quiabo Nopal Parthenium Pinguicula Plantago major, tanchagem-maior Cascas de sementes de psílio Sementes de Salvia hispanica, chia Talinum triangulare, cariru Taro Casca de Ulmus rubra, olmo-vermelho-americano
Ver também Exopolissacarídeos, polissacarídeos extracelulares produzidos por microrganismos Goma natural, substância vegetal viscosa usada, entre outras aplicações, em alimentos e adesivos Pectina, polissacarídeo vegetal capaz de formar géis Planta carnívora, grupo que reúne espécies com armadilhas adesivas à base de mucilagem
Ligações externas
"Mucilage" na Columbia Encyclopedia, 6.ª edição, 2007. "Mucilage" na Encyclopædia Britannica, 11.ª edição, volume 18, p. 954, 1911.
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