A tecnologia educacional (TE) é a incorporação de tecnologias da informação e comunicação (TIC) na educação para apoiar os processos de ensino e aprendizagem em diferentes contextos de educação formal e não formal.

Entende-se por tecnologia o resultado da fusão entre ciência e técnica. O conceito de tecnologia educacional pode ser enunciado como o conjunto de procedimentos (técnicas) que visam "facilitar" os processos de ensino e aprendizagem usando a ciência.POLEGATCH (2013) Estudo sobre as Tecnologias Educacionais. Pós Graduação em Língua Espanhola. Universidade Tuiuti Do Paraná. Curitiba

A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) teve um desenvolvimento explosivo na última parte do século XX e início do século XXI, ao ponto que deram lugar ao que é chamado de "Sociedade do Conhecimento" ou "das informações". Praticamente não há uma única área da vida humana que não tem sido impactada por este desenvolvimento: saúde, finanças, os mercados de trabalho, produtividade industrial de comunicações, governo, etc. O conhecimento se multiplica mais rápido do que nunca e é distribuído quase que instantaneamente. O mundo tornou-se um lugar menor e mais interconectado. Para bem e para mal, as boas e más notícia vem antes: as descobertas da ciência, novos remédios e soluções, descobertas e inovações, mas também as crises econômicas, infecções, novas armas e formas de controle.

As mudanças provocadas pelo uso das tecnologias educacionais geram a necessidade de competências que até então não eram necessárias, mas que neste novo contexto deverão ser desenvolvidas pelos indivíduos. Consequentemente, a tecnologia educacional é o meio e não o fim do processo educativo e como tal deve ser inserida nas atividades de sala de aula como companheira e não apenas como uma forma de automatizar processos antes realizados, pois assim assumimos a produção de novos conhecimentos e não somente a reprodução.

Tecnologia na aprendizagem Existem diversas teorias sobre a forma de aprendizagem, as principais são:

behaviorismo: afirma ser o aprendizado uma troca de estímulos(provenientes do meio) e respostas(comportamento apresentado)Mizukami, Maria da Graça Nicoletti, "Ensino as Abordagens do Processo, Capítulo 2, 1986, Editora Epu". O conhecimento pode ser adquirido não voluntariamente (condicionamento respondente), como um reflexo das mudanças dos estímulos do meio, ou voluntariamente (condicionamento operante) exigindo uma maior atividade humana. Essa teoria foi proposta por John B. Watson no inicio do século XX. epistemologia genética: o aprendizado é uma combinação de estruturas inerentes da pessoa e uma interação dela com o objeto de estudoDongo-Montoya, Adrián Oscar, "Teoria da aprendizagem na obra de Jean Piaget", Capítulo 1, 2009, Editora Unesp. Essa teoria foi proposta pelo suíço Jean Piaget em meados do século XX.

Essas teorias têm um tom mais psicológico e neurológico, porém existem teorias mais relacionadas com o lado pedagógico do aprendizado, como no caso do educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, afirmando que o indivíduo aprenderia o objeto de estudo através de uma continua troca de questionamentos e respostas com a realidade, trilhando o seu próprio caminho e rumo de aprendizado, pois o processo de aprendizagem não trata-se apenas de uma repetição, mas também de um processo de construção e reconstrução fazendo possível, dessa forma, constatar as mudanças propostasFreire, Paulo, "Pedagogia da Autonomia Saberes necessários à prática educativa", Capítulo 2, 1996, Editora Paz e Terra

Dispositivos e mídias A tecnologia educacional não é uma atividade recente se levarmos em conta a inserção de mídias na educação. Desde o começo do registro da palavra escrita, passando ao uso de novas mídias, vemos evidências de discussão sobre o impacto dessas mediações no processo de ensino e aprendizagem. Atualmente tendemos a associar a tecnologia a artefatos eletrônicos como o computador ou o tablet. No entanto, o giz e a lousa, tido como artefatos antiquados (antigamente eram feitas de pedra - ardósia) bem como os livros impressos são tecnologias sofisticadas, largamente utilizadas ao redor do planeta. Um dos grandes desafios para os sistemas de ensino é a reflexão sobre o papel do desenvolvimento tecnológico e seus artefatos e sistemas (atualmente associados às TICs) no ambiente educacional, tais como o papel da internet, da televisão e do rádio que funcionam como meios educativos formais ou informais.

Nos estudos da tecnologia educacional, procura-se pensar em formas adequadas de utilizar os recursos tecnológicos na educação, ou seja, as funções maiores da escola serão enriquecidas com a grandeza das novas fontes de informações e ferramentas tecnológicas modernas preocupando-se com as técnicas e sua adequação às necessidades e à realidade dos educandos, da escola, do professor, da cultura em que a educação está inserida.

Contínuas transformações tecnológicas em todo o mundo vem influenciando as relações sociais. Neste contexto os espaços formais de ensino (escola, universidade) e os espaços não formais tem mais uma vez buscado refletir sobre a influência da tecnologia no processo de ensino e aprendizagem. Nestes termos, como resultado do avanço das pesquisas em torno do computador e da Internet no final do século XX trouxeram renovado interesse na inserção desses sistemas na educação. A tecnologia educacional deixa de ser encarada como "ferramentas" que tornam mais eficientes e eficazes os processos já sedimentados, passando a ser consideradas como elementos estruturantes de diferentes metodologia. A múltiplas mídias (desde o livro até a Internet) permitem a utilização de diversas linguagens e novas forma de comunicação. É crescente o número de escolas e centros de educação que estão usando ferramentas on-line e colaborativas para aprendizado e busca de informações.

Todas as ferramentas podem ser utilizadas como instrumentos educacionais. Parte da função da tecnologia educacional é avaliar sua integração nas práticas educativas de modo a promover um momento de ensino-aprendizagem que seja coeso.

A perspectiva pedagógica O educador tem papel primordial na avaliação e seleção de mídias e ferramentas para uso no ensino, independente da perspectiva pedagógica na qual se baseia. Para alguns, a tecnologia educacional pode ser pensada para facilitar a "assimilação" do conhecimento; para outros como um mediador na construção de estruturas mentais; ainda para outros como uma "ferramenta cognitiva" que funciona como um mediador do processo de aprendizagem. Na mídia popular, o dispositivo é muitas vezes apenas pensado como um "motivador" ou estimulador da curiosidade do aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a informação mais popular.

História As tecnologias de informação vieram revolucionar, não só a educação, mas também a sociedade atual. As tecnologias contribuíram para novas modalidades de educação, formais e informais, individuais e coletivas, de natureza autodidata ou tuteladas por instituições de ensino, em regime presencial, híbrido ou totalmente mediado por tecnologias digitais.

A utilização de meios auxiliares de educação remonta aos primórdios da civilização, através de técnicas tão rudimentares, como pinturas nas paredes das cavernas. Desde então, outras ferramentas educativas foram desenvolvidas. Em 1650, surgem relatos de instrumentos, como o Horn-Book (madeira com gravuras), utilizado na alfabetização durante a época colonial. Entre 1850 a 1870 surge o Ferule, um espeto de madeira, mais grosso, utilizado como apontador. O Ferule e o Horn-Book eram usados, simultaneamente, para efeitos de aprendizagem e na aplicação de castigos, reforçando, assim, a ideia de uma educação punitiva.

Em 1870 surge a lanterna mágica, percussora do projetor de slides, que permitia projetar imagens em placas de vidro. Em 1890 aparecem as ardósias e, posteriormente, o quadro preto de giz. Em 1889 cria-se o cinetoscópio, também designado de imagem em movimento, levando a que, em 1902, o Charles Urban, em Londres, exibi-se os primeiros filmes educativos.

Em 1900 surge o lápis, que juntamente com o papel, passam a substituir as ardósias. Em 1905 desenvolve-se o estereoscópio, que permitia visualizar imagens. O datilógrafo (ou máquina de escrever), introduzido no contexto escolar em 1920, foi um dos recursos tecnológicos mecânicos mais utilizado pelos alunos durante várias décadas, embora estivesse, maioritariamente, associado às escolas de datilografia. Estas máquinas estiverem presentes nas escolas até 1990, apresentando muitos pontos em comum com as tecnologias que originaram os computadores.

O rádio entra no sistema educacional, em 1923, na Escola Superior de Haaren, em Nova Iorque, que foi a primeira escola pública a utilizar o rádio em sala de aula. Os programas educacionais de rádio duravam 30 a 60 minutos e dirigiam-se a alunos de diferentes anos escolares. Em 1925, surge o projetor de filmes, aperfeiçoado a partir do projetor de slides.

Em 1934, as gravações fonográficas são inseridas no contexto educacional, evoluindo, posteriormente, para dar origem ao leitor e ao gravador de áudio (final dos anos 50).

Em 1930, aparece o retroprojetor, inicialmente, utilizado na área militar. Durante a Segunda Guerra Mundial são aplicados os primeiros meios audiovisuais no ensino a larga escala, como os filmes e os projetores. Também nessa altura (1942), o Laboratório de Investigação Balística do exército norte-americano, em conjunto com a Universidade da Pensilvânia, constrói o Computador e Integrador Eletrónico Numérico (ENIAC), cuja missão inicial consistia em realizar apenas cálculos balísticos. O ENIAC é considerado, por muitos autores, o primeiro computador da história.

A partir dos anos 50, os projetores de slides passam a ser, largamente, utilizados nas instituições de ensino. Também nesta altura surge o hipertexto e o memex, com Vannevar Bush (1945).

Em Dezembro de 1957 dá-se o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial, pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no contexto da Guerra Fria, originando grandes mudanças nas políticas educativas dos Estados Unidos da América (EUA) e dos seus aliados, que passaram a encarar a atividade educativa como uma indústria. Outro efeito gerado pelo Sputnik foi a criação da agência de investigação militar, nos EUA, que esteve na origem da Internet.

A televisão foi pela primeira vez usada para propósitos de ensino, em 1939, nas escolas públicas de Los Angeles e na Universidade Estadual do Iowa, nos EUA. A televisão teve o seu pico de popularidade até aos anos 50, período a partir do qual foi alvo de grande criticismo pelo sistema de ensino norte-americano. Em algumas escolas, a televisão teve um papel reduzido no ensino, sendo usada como metodologia auxiliar. Noutras, os programas de televisão permitiram substituir uma grande parte do tempo em sala de aula liderado pelos professores.

Em 1940 cria-se a caneta esferográfica e o mimeografo. Em 1951 aparecem as cassetes de vídeo e em 1957 surge a máquina de ensinar de Skinner, introduzida pela primeira vez na Universidade de Harvard. As máquinas de ensinar estiveram na origem da instrução programada, recorrendo a programas padrão, que davam instruções aos alunos, direcionando-os para secções de apoio ou bibliografia auxiliar, caso necessitassem clarificar dúvidas, ou encorajando-os a avançar para novos tópicos, conforme demostravam domínio sobre os temas abordados. Os professores apenas programavam, mas quem dava as orientações era o programa. Após uma fase inicial, que privilegiava a máquina, percebeu-se que a combinação da instrução programada com o ensino do professor detinha mais benefícios.