A Seleção Australiana de Futebol (ou Socceroos) é a seleção que representa a Austrália nas competições internacionais. É dirigida pela Federação de Futebol da Austrália (que até 2005 era chamada de Associação Australiana de Futebol), a organização responsável pelo esporte na Austrália. Uma particularidade de seu uniforme refere-se exatamente à combinação de cores usada no mesmo: embora a bandeira do país tenha as cores azul, vermelho e branco, a seleção usa tonalidades de verde e amarelo. Isso porque, ao contrário de muitos selecionados nacionais, que baseiam suas cores na bandeira, a seleção australiana usa como base as cores de uma planta típica do país, a acácia, que tem folhas verdes e flores amarelas.
Classificou-se para as Copas do Mundo de 1974, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026 e em sete Olimpíadas. A seleção australiana aplicou a maior goleada de que já se teve notícia no futebol internacional: uma vitória por 31 a 0 contra a Seleção da Samoa Americana. O time fazia parte da Oceania até 2005. Hoje na Confederação Asiática de Futebol (desde 2006), o time alcançou um feito sonhado por muitos colaboradores da Federação de Futebol da Austrália: se classificou para uma Copa do Mundo pela primeira vez sem a necessidade de enfrentar a repescagem.
História thumb|300px|Austrália enfrentando a Alemanha, pela Copa das Confederações 2005. A primeira seleção australiana foi formada em 1922, durante uma excursão à Nova Zelândia. Durante a digressão, a Austrália sofreu duas derrotas e conseguiu um empate. Austrália, Nova Zelândia, China e África do Sul deveriam organizar jogos teste ou amistosos pelos próximos 25 anos, a fim de popularizar o esporte em seus países. Como a Austrália adotou a política de passagem aérea barata, e por ser isolada geograficamente, a seleção dificilmente jogaria contra adversários de fora da Oceania.
Oponentes imaginários A primeira tentativa da Austrália foi na Copa de 1966, na Inglaterra. Após uma decisão da FIFA de disponibilizar poucas vagas a países fora do eixo Europa/América do Sul, a Austrália deveria decidir sua participação num playoff contra a Coreia do Norte. Em 1965, a Coreia do Norte não era reconhecida por diversos países, incluindo o Reino Unido, juntamente com a própria Austrália, aonde a Copa do Mundo FIFA do ano seguinte seria disputada. Adicionalmente, o jogo foi marcado para ser disputado no Camboja, forte aliado da Coreia do Norte. Para completar a situação, houve uma certa pressão política para que o país cedesse o seu lugar para a Coreia do Norte, o que eventualmente aconteceu.
As campanhas para as Copas de 1970, 1978, 1982 e 1986 colocaram a Austrália na posição de país politicamente isolado do resto do mundo, prejudicando suas futuras participações. Outros países como Israel (que as nações vizinhas recusaram-se a enfrentar), China (por causa da revolução de Taiwan), Irã (que estava passando por uma revolução), e Nova Zelândia (outro país oceânico) também estavam na mesma situação. A consequência disso foi que o país teve disputar as eliminatórias em uma espécie de playoff contra seleções que ocasionalmente jogavam a repescagem mundial.
Após, inúmeros protestos da Federação Australiana de Futebol e tentativas frustradas de ingressar na AFC. Apesar disto, o processo foi simplificado nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1990. E com a expansão do número de 24 seleções para 32 seleções na Copa do Mundo FIFA de 1998. Houve uma mudança, já que seria disponibilizada "meia vaga" para a Oceania. Assim, o vencedor da Oceania teria que jogar sua classificação contra uma outra seleção de um outro continente, que é escolhida por meio de sorteio.
Eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 Em 1973, a Austrália ganhou uma vaga para a Copa de 1974, via eliminatórias da AFC/OFC. Começou a campanha num grupo com Nova Zelândia, Iraque e Indonésia, com 6 vitórias e 3 empates. Depois, eliminou Irã (3-0 em Sydney, 0-2 em Teerã) e Coreia do Sul (0-0 em Sydney, 2-2 em Seul e 1-0 no jogo-desempate em Hong Kong). No mundial, a Austrália caiu no grupo 1, junto com a anfitriã Alemanha Ocidental, a Alemanha Oriental e o Chile. Perdeu para as duas Alemanhas (0-2 para a Oriental, 0-3 para a Ocidental) e empatou por 0-0 com o Chile, ficando em 14º lugar.
Um dado curioso é que a equipe chamou para o mundial imigrantes nascidos no Leste Europeu: os sérvios Dragan "Doug" Utjesenović, Branko Buljević, o croata Ivo Rudić, o alemão de Königsberg (atual Kaliningrado) Manfred Schäfer e o húngaro Attila Abonyi, além do técnico servo-bósnio Zvonimir "Ralé" Rašić. Na Copa do Mundo FIFA de 2006, uma boa parte dos integrantes da seleção australiana era de descendentes de croatas, italianos e gregos.
Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994 A trajetória da Austrália para a Copa de 1994, nos Estados Unidos, é um exemplo do que a Oceania precisava passar para ter um representante. Para se classificar, a Austrália precisava jogar três estágios de playoff. O primeiro era as eliminatórias da Oceania. A seleção australiana terminou o Grupo 1 invicta em quatro jogos contra Taiti e Ilhas Salomão, marcando 13 gols. No jogo final, enfrentando a Nova Zelândia, terminou o primeiro jogo (na Nova Zelândia, em 30 de maio de 1993) ganhando por 1 a 0. A Austrália venceu o segundo jogo por 3 a 0 (agregando, 4 a 0), assim como as eliminatórias. Após isto, precisaria vencer mais dois jogos contra o Canadá, terceiro colocado da CONCACAF. O primeiro jogo (jogado no Canadá, em 31 de julho de 1993) foi vencido pelos canadenses por 2 a 1. No segundo, jogado em (Sydney, em 15 de agosto de 1993) a Austrália venceu por 2 a 1, que se prorrogou devido à igualdade dos dois placares. O jogo foi para os pênaltis, vencidos pela Austrália por 4 a 1. A Austrália foi qualificada para disputar 2 jogos contra o segundo colocado do Grupo 1 da América do Sul, a Argentina. O primeiro jogo (realizado em Sydney em 31 de Outubro de 1993) terminou empatado em 1 a 1. Em 17 de novembro, o segundo jogo foi disputado na Argentina, sendo vencido pelos anfitriões por 1 a 0. Assim, a Argentina foi a última classificada para a Copa do Mundo FIFA de 1994.
Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998 Em 1997, após vencer as eliminatórias da OFC, a Austrália precisou jogar dois jogos contra o Irã para se classificar à Copa de 1998, na França. Dirigida pelo veterano treinador inglês Terry Venables, empatou por 1 a 1 no Irã, e esperando por um bom resultado em casa, após estar vencendo por 2 a 0, em Melbourne, viu o Irã empatar e se classificar pela regra dos gols fora de casa.
Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 Em 2001, os Socceroos novamente venceram as eliminatórias da OFC, após massacrar as seleções das pequenas nações da Oceania, incluindo um 22 a 0 em Tonga e o recorde mundial entre seleções nacionais de 31 a 0 em Samoa Americana. Mesmo sem Harry Kewell e Mark Viduka, venceu facilmente a Nova Zelândia, única ameaça real na Oceania. Novamente precisou jogar dois jogos da repescagem para ir à Copa de 2002, na Coreia do Sul e no Japão. Nesta ocasião, o oponente foi a quinta seleção da CONMEBOL, o Uruguai. No primeiro jogo em Melbourne, a Austrália venceu por 1 a 0, gol de pênalti de Kevin Muscat, mas as esperanças do mundial acabaram depois de perder de 3 a 0 em Montevidéu.
Outras campanhas As poucas participações do time em Copas não se refletem em outros jogos, como as razoáveis apresentações contra times fortes do "eixo do futebol", com vitórias na Copa das Confederações 2001 (sobre a França e Brasil). Também empatou com a França por 1 a 1 em novembro de 2001 na cidade de Melbourne. Um jogo particular ocorreu contra a metrópole inglesa em 2003, terminando por 3 a 1 para a colônia, em plena Londres. Outro resultado de destaque foi o segundo lugar no Torneio Bicentenário da Austrália, disputado em seu próprio país em 1988, no qual obteve uma goleada histórica sobre a Argentina por 4x1 e sendo superado somente pelo Brasil.
A aceitação na AFC Muitos australianos acreditam que o único meio da Austrália progredir no futebol seria abandonando a OFC e se tornar membro da AFC. Seu futebol desenvolveu-se o suficiente para deixar de ser considerado "amador", possibilitando o país a disputar torneios de maior importância, já que seus jogos mais competitivos somente aconteciam em torneios amistosos ou em alguns jogos das eliminatórias da OFC onde, como comprovado pelos últimos resultados, bem poucas equipes lhes são capazes de fazer frente.
Johnny Warren, que foi à Copa de 74 e um respeitado locutor de jogos e capitão honorário dos Socceroos, expressava claramente seu desejo da Austrália juntar-se à AFC. Apesar das várias tentativas mal sucedidas, informações vazadas de Tóquio, em março de 2005, sugeriam que a FAF reuniu-se várias vezes com a AFC. Em 23 de março, o comitê executivo da AFC decidiu unanimemente que convidaria a Austrália para juntar-se à zona asiática.
O presidente da AFC, Mohammed Bin Hammam, resume as razões da decisão:
Assim como é desenvolvida no futebol, a Austrália têm uma economia respeitável e é isto que queremos para o futebol, assim como o Japão, a Coreia do Sul, a Arábia e a China. Se a Austrália entrar, os benefícios serão enormes, e é isto será bom para todos.
Em 17 de abril, o comitê executivo da OFC endossa a proposta de moção da Austrália. A FIFA aprova a moção em 30 de junho e assim em 1º de janeiro de 2006 a Austrália foi ratificada como membro da entidade e passou a disputar as eliminatórias da Copa da Ásia de 2007 a partir de fevereiro de 2006. O anúncio formal da integração da Austrália foi feito no final de novembro de 2005; porém, disputou a Copa de 2006 ainda como membro da OFC devido a ter cumprido o processo de classificação pela confederação.
Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006 Em 2004, o time dá os primeiros passos rumo à classificação para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, liderando a fase classificatória. Próximo da fase final, o time empatou em 2 a 2 com as Ilhas Salomão, resultado que eliminou a Nova Zelândia da final, dando lugar as Ilhas Salomão.
O treinador Frank Farina sai do cargo por "consenso mútuo" em 29 de junho de 2005, após os Socceroos perderem a chance de ganhar um jogo na Copa das Confederações 2005, frustrando toda a expectativa ao redor desta partida. Em 22 de julho, o holandês Guus Hiddink, famoso após levar a Coreia do Sul ao quarto lugar em 2002, é anunciado pela FAF como novo treinador da seleção. Este anúncio traz intensa especulação da mídia australiana sobre outros candidatos e sobre a proposta prematura feita a Hiddink, que combinou seu trabalho como técnico do PSV Eindhoven e da seleção australiana, permanecendo como comandante dos Socceroos até o fim da Copa de 2006.
Depois de treinos iniciais com a seleção nos Países Baixos, sua primeira tarefa como técnico foi um resultado agregado de 9 a 1 contra as Ilhas Salomão, nas finais das eliminatórias da OFC. A tarefa restante era o playoff entre o campeão da OFC e o quinto colocado da CONMEBOL, onde o campeão classifica-se para a Copa. Em outubro de 2005, a Austrália bateu a Seleção Jamaicana de Futebol num amistoso por 5 a 0, em jogo ocorrido em Londres. A vitória foi a maior da Austrália contra um time melhor posicionado no Ranking da FIFA.