A Copa Rio é uma competição de futebol do Rio de Janeiro organizada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ). É por meio dela que alguns clubes do estado obtêm vagas em competições nacionais, como a Copa do Brasil ou o Campeonato Brasileiro da Série D. É considerada a segunda competição mais importante da federação, atrás do Campeonato Carioca.
Disputada pela primeira vez em 1991, tinha como objetivo definir o segundo clube do Rio de Janeiro que participaria da Copa do Brasil. Contudo, por alguns anos essa finalidade ficou de lado, a começar pela edição inaugural: o Flamengo foi o primeiro vencedor da história da Copa Rio, porém não participou da copa nacional do ano seguinte, pois já tinha conseguido vaga na Copa Libertadores de 1993 através do Campeonato Brasileiro de 1992. O torneio só voltou efetivamente a garantir uma vaga em competições nacionais a partir de 2007, ano em que o campeão pôde escolher entre uma vaga na Copa do Brasil ou no Campeonato Brasileiro da Série C. Com a criação de mais uma divisão no futebol brasileiro a partir de 2009, desde 2008 o campeão da Copa Rio escolhe entre a Copa do Brasil ou Campeonato Brasileiro da Série D. A vaga não escolhida é destinada ao vice-campeão.
Ao longo dos anos, o torneio já foi disputado em diversos formatos e com número de participantes variando a cada edição. Atualmente, é jogado em sistema eliminatório, com partidas de ida e volta até a final. São aptos a participar da Copa Rio clubes das quatro primeiras divisões do escalão estadual, definidos de acordo com as posições nas respectivas competições.
Em 29 edições realizadas, houve 18 clubes campeões. O Volta Redonda é o maior vencedor da Copa Rio, com cinco títulos, seguido pela Portuguesa-RJ, com quatro conquistas.
História 1991–1995: surgimento Antes da Copa Rio, a Taça Guanabara, em edições independentes (de 1965 a 1971 e em 1980), exercia o papel de competição secundária em relação ao Campeonato Carioca no cenário do futebol do Rio de Janeiro. Com essa lacuna em aberto já há alguns anos, na década de 1990 o dirigente Eduardo Viana, que presidiu a FERJ de 1984 até 2006, decidiu criar uma copa estadual, a então chamada Taça do Estado do Rio de Janeiro (ou simplesmente Taça Rio).
Em agosto de 1990, o Conselho Arbitral da federação aprovou a criação da "I Taça do Estado do Rio de Janeiro", um novo torneio com a participação de times da segunda e terceira divisão estadual em uma fase inicial, com os times da primeira divisão se juntando numa fase final. O propósito original da nova competição era definir um dos representantes do estado na Copa do Brasil do ano seguinte (o outro seria o campeão do Campeonato Carioca), além de manter as equipes em atividade entre o Campeonato Brasileiro e o estadual, mas a ideia não recebeu muita aceitação dos chamados clubes grandes. Segundo o pesquisador Roberto Assaf, o certame foi criado com uma motivação obscura: "ver se o Americano era campeão". Este, o clube ao qual Viana era torcedor.
A primeira edição contou com a participação de 24 equipes, divididas entre o "Campeonato da Capital" (que remete ao Carioca pré-1979, ou seja, antes da fusão de federações que resultou na FERJ) e o "Campeonato do Interior" (que abrangia as cidades do extinto Campeonato Fluminense, relativo ao antigo Estado do Rio de Janeiro). Estes dois campeonatos anexos perdurariam até 1995, com a semifinal chaveada entre o campeão e o vice-campeão de cada um deles, a fim de decidir os finalistas da Copa Rio. Por conta do grande número de equipes, o Jornal dos Sports chegou a apelidar o torneio de "Copão". Na final da competição, o Flamengo derrotou o Americano, o time de Eduardo Viana, no Maracanã. Os jogadores Gaúcho, Zinho, Fabinho, Paulo Nunes, Júnior Baiano, Piá Carioca, Wilson Gottardo, Gilmar Rinaldi e Júnior, peças fundamentais no título do Campeonato Brasileiro de 1992, garantiram o título do Fla na Copa Rio de 1991. Mesmo vencendo a Copa Rio de 1991, o rubro-negro não disputou a Copa do Brasil de 1992, apesar da "dobradinha" estadual (também foi o campeão do Carioca de 1991); isso, pois quando da realização da Copa do Brasil de 1992, o clube já estava classificado à Copa Libertadores de 1993 por seu título no Campeonato Brasileiro de 1992.Jornal do Brasil, 20/07/1992 (pág 4 da seção de Esportes), 22 e 23/07/1992 (pág 7 da seção de Esportes. A FERJ foi representada na Copa do Brasil de 1992 pelo segundo e quarto colocados do Campeonato Carioca de Futebol.
Nos dois anos seguintes, ocorreram as únicas duas edições que tiveram clássicos nas finais. Em 1992, o Vasco da Gama derrotou o Fluminense nas duas partidas decisivas. Já em 1993, o cruz-maltino levou a melhor diante do Flamengo na decisão; reportagem do Globo Esporte afirma que o Flamengo foi obrigado a poupar jogadores nas finais, pois tinha jogo da Supercopa Libertadores no dia anterior à primeira partida (ida), e do Campeonato Brasileiro no dia anterior à segunda partida (volta); ainda assim, na decisão o rubro-negro apresentou nomes conhecidos, como Fábio Baiano, Sávio e Rodrigo Mendes. A Copa Rio de 1993 foi lembrada na mídia por ser, desde então, a última vitória do Vasco sobre o Flamengo em uma final (desconsiderando jogos decisivos de turnos do estadual), sucedendo a final do Cariocão de 1988, marcada pelo gol do "folclórico" jogador vascaíno Cocada.
Em 1994, o Volta Redonda tornou-se o primeiro campeão de fora da capital, ao bater o Fluminense nos pênaltis, e ficou com a taça. Nessa edição, o Vasco desistiu no meio da disputa, uma vez que já estava classificado para a Copa do Brasil. Já em 1995, o Voltaço sagrou-se bicampeão, em uma edição marcada por outra desistência, dessa vez do Flamengo, que se retirou da disputa alegando divergências com a FERJ. Nesse ano, os outros grandes clubes só escalaram reservas e não avançaram até a final. O vice-campeão foi o Barra Mansa, na primeira final entre dois times interioranos.
Das cinco primeiras edições, apenas uma vez o propósito da competição de classificar a equipe vencedora para a Copa do Brasil se cumpriu, quando o Volta Redonda disputou o torneio nacional em 1995, por ter vencido a Copa Rio do ano anterior. Em 1992 e 1993, o Vasco também foi campeão do Campeonato Carioca, ganhando a vaga na Copa do Brasil por esta competição, enquanto o vice-campeão ocupou a outra vaga. Já a partir de 1995, a CBF começou a aplicar novos critérios de participação na Copa do Brasil, aumentando o número de representantes por estado, não contemplando mais a Copa Rio.
1996–1997: as copas do interior
No início de 1996, a CBF aumentou novamente o número de participantes da Copa do Brasil, incluindo não só campeão e vice cariocas do ano anterior, mas também equipes convidadas, o que contemplava todos os quatro grandes do Rio de Janeiro. Com isso, a Copa Rio perdeu ainda mais prestígio: sem a participação das maiores equipes do estado, os demais times da capital também não demonstraram interesse. Assim, foi disputado apenas o "Campeonato do Interior" tanto em 1996 quanto em 1997.
A edição de 1996 foi vencida pelo Rubro Social, agremiação de Araruama, após derrotar o Mesquita na final. Já o torneio de 1997 foi conquistado pelo Duquecaxiense, que bateu o Rodoviário de Piraí na decisão.
1998–2000: tentativa de reestruturação A partir de 1998, a FERJ reformulou o torneio para ter o retorno dos times da capital, porém sem garantir classificação para a Copa do Brasil. Contudo, esta empreitada durou apenas três anos. Na edição de 1998, as equipes participantes foram divididas em três grupos, dois com clubes da capital e um com agremiações do interior. Flamengo e Fluminense foram as únicas equipes grandes que participaram do campeonato. Para o Tricolor, recém-rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro, a Copa Rio passou a ser tratada como "salvação" da temporada. Na final, o Fluminense venceu o São Cristóvão e ficou com o título.
Em 1999, o torneio foi disputado mais uma vez sem a presença de nenhum dos clubes grandes. Na ocasião, o Volta Redonda tornou-se o primeiro time a vencer a Copa Rio por três vezes, ao derrotar o Madureira nos dois jogos da final, garantindo desde então o posto de maior ganhador da competição. Em 2000, o certame contou com a participação do Botafogo, marcando a última vez que um time do G-4 carioca disputou a Copa Rio. O título, no entanto, ficou com a Portuguesa-RJ, o primeiro time de menor investimento da capital a ser campeão.
2005: a edição isolada Após cinco anos sem ser disputada, a Copa Rio foi recriada em 2005. O novato Tigres do Brasil, fundado um ano antes na cidade de Duque de Caxias, ficou com o título, superando o Macaé.
2007–2016: a retomada definitiva Em 2007, a competição foi retomada com novos atrativos: após muitos anos, a Copa Rio voltou a oferecer uma vaga na Copa do Brasil do ano seguinte e também passou a garantir uma vaga no Campeonato Brasileiro da Série C. Campeão da edição, o Volta Redonda optou por disputar a Copa do Brasil. Já a vaga na Série C de 2008 ficaria com a Cabofriense, vice-campeã, que desistiu de disputar o Brasileirão. Como as demais equipes mais bem colocadas não demonstraram interesse em participar, a vaga na Terceirona nacional ficou com o Duque de Caxias, sexto colocado. Curiosamente, mesmo com a presença assegurada "de última hora", a equipe da Baixada Fluminense conquistou o inédito acesso para Série B de 2009 ao terminar a Série C na quarta colocação.
A partir de 2008, com a anunciada reformulação da Série C do Brasileirão para o ano seguinte e a criação da Série D, a Copa Rio passou a oferecer vagas para a Copa do Brasil e para a quarta divisão nacional. O campeão desta edição foi o Nova Iguaçu, que se classificaria para a Copa do Brasil, enquanto o vice-campeão Americano ficaria com a vaga na Série D de 2009. Contudo, o time da Baixada Fluminense abriu mão de sua participação na copa nacional e o Americano herdou o seu lugar. Com isso, quem participou da quarta divisão do Brasileiro foi o Madureira, terceiro colocado na Copa Rio.
No ano seguinte, o Tigres do Brasil ficou com o troféu pela segunda vez na história ao bater o Madureira na grande decisão. Assim, a equipe duquecaxiense participou da Copa do Brasil de 2010, enquanto o Tricolor Suburbano disputou a Série D. Classificado via Copa Rio, o Madureira conquistou o acesso na Série D do Brasileirão no ano seguinte. Em 2010, o Sendas ficou com o título ao vencer na decisão o Bangu, optando por disputar a Série D em 2011 – o que faria já sob o novo nome Audax Rio. O Bangu, por sua vez, disputou a Copa do Brasil.
Em 2011, o campeão foi o Madureira ficando com a classificação para a Copa do Brasil de 2012, pois a equipe já disputava a Série C do Brasileirão. O Friburguense, vice-campeão, ficou com a vaga para a Série D de 2012. Na edição seguinte, o Nova Iguaçu conquistou o segundo título ao bater o Bangu. Em 2013, o Duque de Caxias ficou com a taça após derrotar o Boavista-RJ na grande final.
Em 2014 e 2015, o Resende dominou a competição e garantiu o bicampeonato. No primeiro título, emoção até o fim: no último jogo do campeonato, o goleiro Arthur marcou o gol da vitória aos 50 minutos do segundo tempo, levando a decisão contra o Madureira para os pênaltis, vencidos pelo Gigante do Vale. No outro ano, o título veio com uma goleada na final por 5–2 diante da Portuguesa-RJ.