A seleção de ginástica artística feminina dos Estados Unidos é o grupo composto pelas seis atletas principais mais a primeira ginasta suplente, que representam a nação durante as competições internacionais.

A primeira conquista internacional atingida pelas norte-americanas foi a medalha de bronze coletiva obtida nas Olimpíadas de Londres, em 1948. Após esta, apenas quarenta anos mais tarde a base da equipe tornou-se novamente competitiva.

Até meados da década de 1980, os Estados Unidos eram um país considerado de segunda linha na ginástica artística, à exceção das conquistas de Mary Lou Retton nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984. O primeiro título mundial no individual geral foi conseguido em 1991 e as primeiras medalhas por equipes foram alcançadas nos Jogos de Barcelona 1992 (bronze) e Atlanta 1996 (ouro), destacando-se a ginasta Shannon Miller, medalhista por cinco vezes em uma edição olímpica. Oito anos mais tarde, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, o ouro não foi repetido, mas a equipe norte-americana manteve-se no pódio com uma medalha de prata, repetida nos Jogos de Pequim, em 2008. Nas Olimpíadas de 2004, 2008 e 2012, o ouro do concurso geral manteve-se com as norte-americanas: primeiro, Carly Patterson tornou-se a vencedora da prova e em seguida foi a vez da ginasta russa naturalizada estadunidense, Nastia Liukin e por último a estreante Gabby Douglas.

Para o ciclo olímpico de 2013-2016, os Estados Unidos apresentam uma competitiva equipe feminina, vencedora do Mundial de Tóquio em 2011, que aparece entre as favoritas ao ouro nas competições internacionais. Gabby Douglas e Alexandra Raisman lideram a qualidade deste time.

História: surgimento e evolução

De 1800 até o início dos anos de 1900, a palavra ginástica nos Estados Unidos indicava um treinamento físico, parte integrante das aulas de educação física nas escolas, em pequena escala, sofrendo uma gradativa evolução. Os dois termos utilizados no princípio desta época foram "ginástica leve" (com uso de aparatos, como hoje semelhante a ginástica rítmica) e "ginástica avançada" (de realização masculina em aparelhos maiores e fixos). Eventualmente, houve uma combinação das duas com a calistenia, exercícios militares e jogos.RICE, Emmett. A Brief History of Physical Education. Editota: A.S. Barnes and Co., 1952. LCCN 52007397

De influência alemã, o esporte chegou à nação por meio dos ginastas que, fugidos do bloqueio ginástico, caracterizado pela proibição da prática, estabeleceram-se em algumas partes do país. Além de formarem centros de treinamento e trazerem os aparelhos, os alemães ainda influenciaram com o estilo engajado de usufruir do desporto, de acordo com os ensinamentos de Friedrich Ludwig Jahn, trazidos por três de seus discípulos. Entre os membros da ginástica alemã que radicaram-se nos Estados Unidos, estiveram o Dr. Charles Beck – responsável pela introdução de um programa educacional envolvendo a ginástica, ainda que fazendo parte da preparação para esportes melhor difundidos como o beisebol e o hóquei -, o Dr. Charles Follen – fundador do segundo ginásio de ginástica norte-americano, na Universidade de Harvard - e Francis Leiber – terceiro e último pioneiro, que difundiu o esporte em Boston.BAILEY, James. Handbook of Gymnastics in the Schools. Editora: Allyn and Bacon, Inc., 1974. ED 126062PRICE, Keeney & GIALLOMBARDO, Phillips. Gymnastics and Tumbling. Editora: U.S. Naval Institute, 1943. ASIN B001ABJ8ME Entre as mulheres, o primeiro seminário foi fundado em Connecticut, no ano de 1828, por Catherine Beecher, interessada na educação intelectual e moral advinda do desporto.

Inicialmente, pela política manter-se afastada da prática gímnica, o que não ocorreu na Europa, o desporto se manteve apenas como uma espécie de culto dentro dos centros de treinamento. Em decorrência disso, pouco tempo depois, seu conceito fora quase totalmente esquecido – permanecendo no programa das escolas militares e estagnando como condicionamento físico, devido ao fechamento de muitas instituições. Cronologicamente, as mudanças mais acentuadas deram-se cerca de vinte anos mais tarde, entre 1848 e 1850, com o estabelecimento de programas gímnicos, novamente evoluindo dentro das escolas.Após a Guerra Civil, a ginástica tornou-se um esporte competitivo, desenvolvendo-se em vários clubes e associações. Duas décadas mais tarde, o programa já era uma parte pertencente ao aprendizado de profissionais da Educação Física, agora como um desporto e não mais como preparação para outros esportes ou para a guerra. Cinco anos adiante, a Escola Normal já treinava novos professores e ginásios específicos começaram a ser abertos, sendo o primeiro o American Sokol - originalmente inaugurado em Praga.No começo dos anos de 1900, as escolas ganharam alguns equipamentos e após instabilidade, a ginástica firmou-se no país findos os anos de 1930, devido ao grande interesse sobre os programas ginásticos.

Sob influência alemã, suíça - incluindo a aplicação da calistenia - e a prática da ginástica também como recreação após a Primeira Guerra Mundial, o desporto surgiu e evoluiu em território norte-americano, tendo como primeira faculdade de educação física, a Universidade de Educação Física de Indiana, onde estes fundamentos foram sistematizados e aplicados na formação dos profissionais do esporte.Handbook of Gymnastics in the Schools. BAILEY, James. Allyn and Bacon, Inc, Estados Unidos 1974. Mais tarde, os Estados Unidos foram a primeira nação fora da Europa a entrar na FEG, tornando-a a conhecida Federação Internacional de Ginástica, em 1921. Quase cinquenta anos depois, a entidade hoje chamada de U.S Gymnastics (antes, Federação Norte-Americana de Ginástica), tornou-se a responsável pelo esporte e suas modalidades, incluída a seleção de ginástica artística feminina.

Quadro de desempenho Abaixo, o quadro demonstrativo do desempenho das equipes norte-americanas ao longo de suas participações em grandes competições internacionais até o último evento realizado – entre Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundias e Jogos Pan-Americanos. Ao longo de sua competitiva história, nenhuma medalha conquistada foi retirada.

Aparelhos A seguir, quadro de desempenho por aparelhos. Analisando abaixo, chega-se à conclusão de que as norte-americanas são mais bem-sucedidas nas barras assimétricas, em um somatório geral dos aparatos e nos campeonatos mundiais. A trave, no entanto, foi o aparelho no qual as ginastas mais conquistaram medalhas de ouro olímpicas, com duas em um total de sete. Nos pan-americanos, o solo foi o aparelho do qual as estadunidenses mais saíram-se vitoriosas. Já na prova do salto, em mais de sessenta anos de competições, as ginastas mostram pouca tradição de disputas e conquistas, enquanto os demais aparelhos demonstram um número de conquistas e pódios semelhantes.

Conquistas25px|Solo25px|Barras assimétricas25px|Trave25px|Salto sobre o cavaloJogos Olímpicos 1 2 4 7 1 3 3 7 2 3 3 8 0 3 0 3Campeonatos Mundiais 4 3 4 11 6 6 3 15 5 5 5 15 3 2 2 7Jogos Pan-Americanos 11 8 6 25 9 9 7 25 10 4 7 21 6 8 6 20Total 16 13 14 43 16 18 13 47 17 12 15 44 9 13 8 30

Seleções Seção dividida por ciclo olímpico a partir dos anos 2000 - devido ao estabilizado trabalho de base alcançado durante este período -, com destaque para as ginastas representantes destes grupos de quatro anos. Para datas anteriores, destacados momentos, ginastas e conquistas nas três maiores competições internacionais.

1936 – 2000 Até ao início da década de 1980, poucas haviam sido as conquistas estadunidenses: apesar de a primeira equipe competitiva ter sido formada para os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, apenas doze anos mais tarde, a equipe atingiu um positivo resultado - o bronze nas Olimpíadas de 1948. Adiante, foram quase dez novas edições sem subir ao pódio olímpico e poucas medalhas em mundiais, salvando-se apenas regulares apresentações nos Jogos Pan-americanos.

Parte do desempenho envolvia as técnicas e os métodos de ensino das atletas, além de um novo cenário no qual as ginastas se apresentavam mais jovens, em contraponto com a época de atletas gímnicas como Larissa Latynina, Vera Caslavska e Ágnes Keleti (mais altas e mais maduras), e no qual suas carreiras se renovavam ou encerravam a cada contagem de ciclo olímpico. Em 1981, chegou aos Estados Unidos o casal Marta e Béla Károlyi. O técnico romeno, conhecido pelos títulos conquistados com a seleção romena e por treinar a bem-sucedida Nadia Comăneci, realizou mudanças ao montar, no ano seguinte, um ginásio – o Sundance Gym. Lá, treinou as medalhistas internacionais Mary Lou Retton e Julianne McNamara. Por seus resultados individuais, foi chamado para organizar os treinadores da seleção feminina, como treinador-chefe, posto no qual permaneceu durante onze anos, sem abandonar seu ofício de técnico, no qual ainda formou outras ginastas destacadas, como Kim Zmeskal e Dominique Moceanu. Durante a década de 1990, sua esposa, Marta, foi considerada o pilar entre o treinador e os demais técnicos das atletas componentes da seleção, pois seu marido não apenas era visto como inovador, mas também como polêmico e autoritário. Devido às suas constantes contribuições, em 2001, Marta foi convocada ao posto de coordenadora, no qual permanece até a presente data tendo sido já campeã olímpica, mundial e pan-americana.

Resumindo a época, os maiores destaques destes 52 anos foram: a conquista da primeira medalha olímpica por equipes, em 1948. A primeira medalha mundial, em 1970. A chegada dos Károlyi, em 1981. O primeiro ouro olímpico por equipes, em 1996, que apresentou à nação as Sete Magníficas. E as três mais expressivas ginastas, que competiram entre as décadas de 1980 e 1990 – Mary Lou Retton, Shannon Miller e Kim Zmeskal.

As Sete Magníficas 200px|direita|thumb|Seleção composta pelas ginastas campeãs olímpicas da ginástica artística pela primeira vez: Shannon Miller, Dominique Moceanu, Dominique Dawes, Kerri Strug, Amy Chow, Amanda Borden e Jaycie Phelps.

As Sete Magníficas, em inglês: Magnificent Seven, foram o grupo formado pelas ginastas Shannon Miller, Dominique Moceanu, Dominique Dawes, Kerri Strug, Amy Chow, Amanda Borden e Jaycie Phelps, que competiram nos Jogos Olímpicos de 1996, em Atlanta. As ginastas conquistaram pela primeira vez na história olímpica a medalha de ouro por equipes feminina para os Estados Unidos. Neste evento, disputado entre Rússia, Romênia e Estados Unidos, as norte-americanas precisavam de nota na prova do salto, último evento a ser disputado por elas, para superar as russas, então primeiras colocadas naquele final de bateria. Última a competir das ginastas que disputavam o pódio, Kerri Strug machucou-se após a queda em seu primeiro salto. Precisando de nota acima de 9,600 para vencer a disputa, realizou o segundo salto com o tornozelo enfaixado e atingiu a nota 9,712, suficiente para saírem vitoriosas as norte-americanas, por 0,821 ponto de diferença. Tal esforço deixou a torcida e a imprensa cativadas e o treinador orgulhoso do inédito feito realizado "em casa", que repercutiu no país e no mundo durante a continuidade dos Jogos Olímpicos e as perpetuou nacionalmente.

Este grupo figura no Salão da Fama da Ginástica dos Estados Unidos como o melhor de todos os tempos, não só pela conquista inédita, mas também por ser formado por uma das sete melhores ginastas norte-americanas (Shannon Miller) e por apresentar os primeiros grandes resultados de quase dez anos de trabalho e mudanças competitivas após a chegada dos Károlyi e das propostas de melhorias na qualidade da modalidade a nível de competição.

Ginastas destacadas