As Caldas de Monchique, igualmente conhecidas como Termas de Monchique, são uma povoação e estância termal situada na freguesia de Monchique do Município de Monchique, na região do Algarve, em Portugal. Localiza-se a sul da vila de Monchique, a cerca de 6 km de distância desta, junto à estrada nacional EN266.

As propriedades terapêuticas das águas locais são reconhecidas desde o tempo do Império Romano, altura em que receberam a designação de águas sagradas.

As águas provêm de oito nascentes, sendo ricas em bicarbonato, flúor, sílica e sódio. Adequam-se ao tratamento de problemas no aparelho respiratório e no aparelho digestivo, assim como ao tratamento de problemas musculares e reumáticos. Apresentam também propriedades relaxantes. Estas águas brotam em temperaturas compreendidas entre os 27°C e os 31,5°C, possivelmente devido a diferentes percursos de escoamento.

Descrição Localização As termas de Monchique estão situadas na zona interior do Barlavento Algarvio, a cerca de 6 Km de Monchique e 18 Km de Portimão. Localizam-se a cerca de 206 m de altitude, na encosta meridional da colina da Picota, parte do conjunto da Serra de Monchique, Nas proximidades situa-se o alto da Picota, de onde se avista um vasto panorama da região em redor.

As Caldas de Monchique também são conhecidas pela sua luxuriante vegetação.

Fonte termal As termas de Monchique são alimentadas por seis fontes, fornecendo uma água super alcalina, com um pH de 9.5. Faz parte da família das águas sulfúreas, mais precisamente das sulfúrias primitivas ou sódicas, que em Portugal também são encontradas em São Pedro do Sul, Vizela e Aregos. As águas sulfúreas são determinadas pela presença de enxofre orgânico e vivo, com um efeito expectorante, anti-séptico e queratoplástico, combinando o efeito sinérgico do enxofre com os bicarbonatos, tornando-as indicadas para doenças respiratórias e de nutrição, artrites reumatónicas crónicas e degenerativas, e problemas digestivos, Entre as doenças respiratórias tratadas pelas águas das Caldas de Monchique, contam-se a asma, bronquite, rinite, alergias e sinusite, enquanto que as músculo-esqueléticas incluem tensão muscular, tendinites, artrite, artrose, espondilite, espondilose, reumatismo, e deformações na coluna vertebral.

As Caldas de Monchique foram por diversas vezes consideradas entre as melhores do país, tendo feito parte da lista das principais estâncias termais pelas páginas Mundo de Viagens e Momondo em 2017, Hotelandia em 2018, e Ekonomista em 2019.

Além das Caldas, existiam várias outras fontes termais no Município, com destaque para as Águas Santas da Fornalha, na freguesia de Alferce, e a Malhada Quente, na freguesia de Monchique.

Composição O complexo ocupa uma área aproximada de 39 Ha, e é composta por vários edifícios e espaços verdes, com percursos pedonais e um circuito de manutenção física. Está situado numa área protegida com mais de 50 Ha, onde dá uma especial importância à preservação dos aquíferos. Em 2020, o complexo das Caldas de Monchique incluía quatro hotéis (Hotel Central, Central Suites & Apartments, Hotel D. Carlos Regis e o Hotel Termal), um ginásio, piscinas exteriores, um restaurante, três bares e diversas lojas.

Chalets A estância termal de Monchique apresenta um dos principais conjuntos de chalets na região, casas que tentam emular o estilo dos edifícios do centro da Europa, com coberturas muito inclinadas, com elevado uso de elementos em madeira, como torreões e mirantes, e vãos de forma ogival, no estilo neo-gótico. Este tipo de edifício foi introduzido em Portugal no século XIX, com o desenvolvimento da classe média e burguesa em ambiente urbano, que procurou modelos inovadores para as suas casas de férias, criando um vivo contraste com as tradicionais habitações das camadas menos abastadas. O conjunto dos chalets das Caldas de Monchique apresenta-se como um caso particular, devido às suas funções ligadas à saúde e às limitações geográficas, tendo surgido nos finais da centúria, com o desenvolvimento daquela estância, criando uma miscelância de estilos tardo-romântico, revivalista e centro-europeu. Destacam-se vários edifícios em particular, incluindo um junto à estrada com várias coberturas e uma pintura às riscas vermelhas e brancas, e um grupo de habitações no lado oposto do vale onde ressalvam os vãos ogivais e as coberturas de águas muito inclinadas. Porém, o principal exemplo na estância termal é o Chalet das Caldas, igualmente conhecido como Chalet Mascarenhas Gregório, que apresenta múltiplos telhados de águas muito inclinadas, com debrum de sanca em madeira esculpida, e organizada em vários módulos. O edifício foi alvo de obras de restauro entre 2005 e 2006, pelo director da Escola Internacional do Algarve.FERNANDES e JANEIRO, 2008:99-102

Hotel D. Carlos Regis Esta unidade hoteleira reabriu em 2022, com o nome de Pure Monchique Hotel, depois de ter estado encerrada durante vários anos.

Hospedarias Nova e Velha

O edifício é utilizado como estabelecimento hoteleiro, sendo parte do complexo do Hotel Central. Foi construído pelo bispo do Algarve, D. Simão da Gama, tendo sido concluído em 1692. Foi alvo de extensas obras de restauro no século XIX, durante as quais foi aumentada e restaurada.

A Hospedaria Nova, posteriormente renomeada para Apartamentos D. Francisco, é um dos edifícios que contribuem para a criação de um ambiente montanhoso romântico no conjunto das Caldas de Montanha, destacando-se a sua fachada de estilo ecléctico, com um frontão central de função decorativa.

Hotel Termal das Caldas de Monchique

O edifício foi projectado em 1959 como um hospital termal, tendo sido construído ainda nesse século, e depois readaptado para servir como um hotel.

thumb|Antigo edifício do Bioparque, em 2009. Capela das Caldas de Monchique e Bioparque

A Capela de Santa Teresa, mais conhecida como Capela ou Ermida das Caldas de Monchique, foi construída em 1940, com projecto do arquitecto Carlos Rebello de Andrade. No interior, de uma só nave, destaca-se a decoração com painéis de azulejo do século XVIII, representando a vida da Santa Teresa.Vilas e Aldeias do Algarve Rural, 2003:48

O edifício do Bioparque das Caldas de Monchique consistiu num pavilhão totalmente construido em madeira, situado perto do acesso à Capela das Caldas. Desenhado por António Marques Miguel, tinha no seu interior várias casas-retiro, um restaurante e um centro de informações.FERNANDES e JANEIRO, 2008:116-117

Unidade fabril O complexo termal inclui igualmente uma unidade de engarrafamento da Sociedade Água de Monchique, que em Outubro de 2019 empregava 35 pessoas, sendo uma das entidades com maior peso económico e uma das maiores empregadoras do concelho.

História Antiguidade e Idade Média A zona em que se encontram as Caldas de Monchique foi habitada pelo menos desde o Neolítico, tendo os arqueólogos Abel Viana, Octávio da Veiga Ferreira e José Formosinho escavado vários monumentos funerários daquele período, entre 1937 e 1949. Foram encontradas dezasseis sepulturas na necrópole de Palmeira, sete sepulturas na necrópole do Esgravatadouro e três na necrópole da Eira Cavada. Além dos dólmenes, também foram descobertos outros vestígios do período anterior ao domínio romano, como peças de sílex. A ocupação no local terá continuado ao longo do período calcolítico e depois pela Idade do Bronze, tendo algumas sepulturas sido identificadas como sendo deste último período.

As propriedades das Caldas de Monchique foram pela primeira vez aproveitadas durante o período romano, tendo continuado a ser exploradas mesmo após o final daquela civilização, devido às virtudes curativas das suas águas. Num artigo publicado no Jornal de Lagos em 1 de Novembro de 1945, José Formosinho relata que no local foi encontrada uma grande quantidade de vestígios romanos, incluindo fragmentos de construções como tijolos e telhas, muitos fragmentos de cerâmica, e uma lápide que faz referência às águas termais. As ruínas de estruturas romanas indicam a presença de canos e pequenos depósitos de água, tendo sido igualmente encontradas tesselas, pequenos cubos coloridos que geralmente decoravam as paredes e os pavimentos de tanques de água e outros compartimentos. O espólio romano também inclui algumas moedas. Os vestígios de estruturas romanas foram completamente destruídos com a construção do moderno complexo termal e da fábrica de engarrafamento.

As Caldas continuaram a ser utilizadas durante o domínio visigótico, uma vez que foram encontradas peças em bronze daquele período, e foram descobertas várias sepulturas da Alta Idade Média. Quanto à época islâmica, foram recolhidas moedas e identificados vestígios de edifícios. O escritor Gentil Marques transcreveu uma lenda popular do século XIV, a Lenda da moura da serra de Monchique, na qual a fonte foi criada quando um jovem pescador rejeitou os encantos de uma moura encantada, Zuleima.MARQUES, 1964:245

No local também foram encontradas moedas do período português antigo.

Séculos XV e XVI Em 1490, o rei D. João II questionou os seus médicos sobre quais seriam as melhores fontes termais no país para aliviar as suas doenças, tendo sido sugeridas as caldas de Monchique e de Óbidos. De forma a saber qual das duas fontes termais eram mais eficazes, foram reunidos doentes com a mesma enfermidade do rei e enviados a ambas as estâncias, tendo sido destacado para Monchique um moço de Pêro Dias. Este regressou totalmente curado, pelo que o monarca decidiu ir às caldas algarvias, apesar da oposição de alguns dos seus médicos. Enviou então a Monchique o vedor da sua casa, João Fogaça, de forma a preparar a sua estadia nas caldas, tendo o monarca partido para o Algarve em 15 de Outubro de 1495, uma Quarta-Feira. Chegou a Monchique no Sábado, onde assistiu a festejos organizados em sua honra, e a um torneio de luta. Seguiu para as caldas na segunda-feira, tendo antes de partir oferecido aos habitantes de Monchique um terreno baldio na serra. Esteve nas termas durante cinco dias, durante os quais bebeu e banhou-se nas águas, como ficou registado nas crónicas de Garcia de Resende. Esta estada prova que na altura já existiriam estruturas nas caldas que permitiram ao rei alojar-se e tomar banho. No entanto, na Quarta-Feira foi a uma caçada na Fóia, tendo o rei ficado doente devido às baixas temperaturas, embora o cronista tenha apontado que os sintomas poderiam ter sido igualmente provocados por envenenamento. No Sábado de manhã, em 5 de Novembro, partiu para Alvor, onde acabou por falecer no mesmo dia.

Séculos XVII a XIX