Prisoner é o décimo sexto álbum de estúdio da cantora e atriz americana Cher, lançado em 22 de outubro de 1979 pela Casablanca Records. O projeto foi originalmente concebido pelo produtor Bob Esty como um álbum temático intitulado Mirror Image, inspirado na vida pública de Cher, na dualidade entre sua imagem glamorosa e sua autopercepção, e nos efeitos da fama. No entanto, durante o processo de gravação, Cher decidiu incorporar elementos de rock ao trabalho, o que levou à inclusão de novas faixas e à alteração do título para Prisoner.
O álbum foi precedido pelo single "Hell on Wheels", lançado em agosto de 1979, cujo videoclipe é considerado um dos pioneiros no estilo anterior à MTV. Um segundo single, "Holdin' Out for Love", foi lançado apenas como promoção em alguns mercados, sem obter entrada nas paradas musicais. A capa do disco, que trazia Cher nua e acorrentada em pose sugestiva, gerou atenção na ocasião de seu lançamento.
Prisoner recebeu avaliações mistas da crítica especializada. Enquanto publicações como o Los Angeles Times elogiaram sua direção mais voltada ao rock, outras o descreveram como um trabalho dançante, porém pouco memorável. Comercialmente, o álbum não repetiu o sucesso de seu antecessor, e seu lançamento coincidiu com a venda da Casablanca Records para a Polygram Corporation, o que resultou em falta de apoio promocional para Cher dentro da gravadora.
Desenvolvimento e produção Após o sucesso do single "Take Me Home" e do álbum que o acompanhava, Cher foi chamada novamente para gravar um sucessor. O produtor Neil Bogart, da Casablanca Records, solicitou a Bob Esty que desenvolvesse um conceito capaz de inspirar ou, ao menos, interessar a cantora. Esty propôs um álbum temático sobre a vida exposta de Cher – sua existência de alto perfil e a dualidade entre sua imagem pública e sua autopercepção. O projeto foi inicialmente aceito pela artista, e o título escolhido para o álbum seria Mirror Image. A arte planejada incluía uma capa com sua imagem glamorosa, encarte interno com manchetes de tabloides e contracapa com uma foto mais simples e descontraída, expressando exasperação com a própria fama.
Bob Esty escreveu dez canções e gravou demos com Michelle Aller. No entanto, Cher estava em turnê com seu show noturno em Las Vegas, o que tornou o agendamento das sessões de gravação praticamente inviável. A equipe precisou viajar pelo país para localizá-la. Segundo Esty, Cher demonstrava resistência ao trabalho em estúdio, alegando cansaço, falta de interesse naquele tipo de música e preferência pelos lucros de suas apresentações ao vivo.
Inicialmente, o álbum seguiu o conceito original, com canções como "Outrageous" (sobre seus figurinos extravagantes e sua identidade como motociclista), "Hell on Wheels" (inspirada em sua paixão por patins), "Mirror Image" (sobre a fama e a publicidade) e "Shopping" (sobre seus hábitos de consumo). Posteriormente, Cher decidiu incluir rock no projeto, alterando o formato acordado. Foram adicionadas "Boys and Girls" (sugerida por Gene Simmons), "Holdin' Out for Love" (de Tom Snow) e "Prisoner" (escrita por David Paich, do Toto, a pedido de Cher, que buscava maior credibilidade artística). Esty relatou que o conceito original foi completamente descaracterizado, e o título do álbum foi alterado para Prisoner.
Detalhes do álbum e lançamento Prisoner foi lançado em outubro de 1979, nove meses depois de seu antecessor, Take Me Home. A capa trazia uma foto de Cher nua, acorrentada em pose sadomasoquista, com as mãos algemadas cobrindo as partes íntimas. Na ocasião do lançamento, a Casablanca Records havia sido vendida para a Polygram Corporation, e Neil Bogart deixava o selo, o que resultou na falta de suporte para Cher na empresa.
Em 1990, a Casablanca lançou na Europa o álbum no formato compact disc (CD) incluindo em um mesmo disco Prisoner e Take Me Home. Essa edição apresenta a capa dos dois álbuns e as outras duas fotografias incluídas nas contracapas originais dos LPs foram adicionadas ao encarte. Em 1993, a gravadora lançou o mesmo álbum nos Estados Unidos, dessa vez com uma nova capa e artes (incluindo as duas fotos da contracapa dos LPs no encarte) e sendo intitulada The Casablanca Years.
Em 1995, a gravadora britânica de álbuns de baixo custo Tring International relançou o álbum em formato compact disc (CD) sob o título Holdin' Out for Love; no entanto, após a PolyGram — a gravadora matriz da então extinta Casablanca Records — processar, alegando que o lançamento da Tring não era autorizado, a Tring admitiu que o suposto licenciador das faixas do álbum agiu sem autoridade, concordando em cessar a comercialização do CD Holdin' Out for Love e em destruir todo o estoque restante.
Singles "Hell on Wheels" foi escrita por Bob Esty e Michele Aller, produzida por Esty e lançada como o primeiro e único single internacional do álbum, em agosto de 1979. Liricamente, a faixa é sobre "seguir o que você gosta" e foi gravada porque Cher admitiu ser fanática por patins. O single tinha "Git Down (Guitar Groupie)" no lado B, e ambas as faixas foram lançadas em uma versão estendida de 12"Hell on Wheels Japanese 7" liner notes, Philips Records (1979) que nunca foi lançada em CD. Em 1979, a música foi incluída na trilha sonora original do filme Roller Boogie, posteriormente, lançada no Japão com uma arte diferente, apresentando uma foto de Cher no centro inferior, tirada da revista After Dark, e com um fotograma de Linda Blair e Jim Bray. Em 2019, a música foi tema da campanha publicitária de outono da Michael Kors com Bella Hadid e Mayowa Nicholas.Archived at Ghostarchive and the Wayback Machine: Exibido pela primeira vez no programa de televisão noturno da NBC, The Midnight Special, videoclipe da canção, que exigiu que Cher patinasse com o braço quebrado por estradas íngremes, foi seu primeiro clipe profissional e é considerado um dos pioneiros no estilo MTV, antes mesmo da existência do canal.
A canção recebeu críticas divergentes: o Los Angeles Times descreve a música como a melhor faixa do álbum e observa: "'Hell on Wheels' agarra-se à moda do patins tão tenazmente — e com tanto estilo — quanto os Beach Boys agarraram-se ao surfe. Joel Flegler da revista Fanfare, ao resenhar a trilha sonora de Roller Boogie, deu uma crítica negativa a todas as músicas, usando a palavra 'pior' em referência à duração do álbum. Outro crítico disse que todas as músicas do álbum tinham a mesma influência do rock e, sobre a faixa, disse que era "seu esforço moderninho de roller-disco". No entanto, em 1999, Randy Cordova do The Arizona Republic elogiou a música, chamando-a de "hino do roller-disco". Comercialmente, a canção teve desempenho moderado apenas nos Estados Unidos, onde teve um desempenho moderado na parada Billboard Hot 100 estreando na posição 81 em 15 de setembro de 1979, e alcançando sua posição mais alta (59) em 13 de outubro. Na parada Cash Box Top 100 atingiu a posição de número 64. "Hell On Wheels" foi também seu último sucesso para a Casablanca Records.
"Holdin' Out for Love" foi lançada como single promocional no final de 1979 na América do Norte (apenas como promo para DJs), Europa e Japão. A canção foi a primeira colaboração composicional entre Tom Snow e a letrista Cynthia Weil: Weil e seu marido Barry Mann, que formaram a icônica dupla de compositores Mann/Weil, que se conheceu no banquete da premiação da BMI, onde Snow havia sido homenageado por escrever a música "You". Snow recordaria: "Fiz algo que não costumo fazer, porque não sou muito de me autopromover. Criei coragem, fui até lá e me apresentei". Depois de conhecer o trabalho de Snow e ficar favoravelmente impressionada, Weil concordou em colaborar com ele. A composição inaugural da dupla Snow/Weil, "Holdin' Out for Love". Devido à falta de promoção por parte da gravadora, não entrou nas paradas e foi amplamente ignorada comercialmente. A canção obteve maior sucesso anos depois, em 1982, quando foi gravada por Angela Bofill para seu álbum Something About You, atingindo a posição de número 25 na parada musical Hot R&B/Hip-Hop Songs.
Recepção crítica
O jornal Los Angeles Times considerou Prisoner o "álbum mais interessante de Cher até agora", pontuando que "a direção é mais rock do que disco raiz". O jornal californiano The Modesto Bee classificou o trabalho como "rock'n'roll dançante — mas não particularmente memorável". A Cash Box o descreveu como "uma gostosura de MOR disco, pop softcore e um toque ou outro de big band", e afirmou que "o estilo vocal masculinizado de Cher domina todas as faixas", um estilo descrito como "muito adequado para as letras 'durtonas' do álbum". A Record World escreveu que Cher "diminuiu as batidas disco" de seus trabalhos anteriores, mas enfatizou que "você ainda pode dançar ao som desta nova coletânea", descrevendo-a como "um pacote inteligente para vários formatos de rádio", impulsionado por seus "vocais de rock sempre poderosos".
Desempenho comercial O álbum falhou em aparecer em paradas musicais e foi a última incursão de Cher na música disco.
Lista de faixas Créditos adaptados do LP Prisoner, de 1979.
Ficha técnica Créditos adaptados do LP Prisoner, de 1979.
Vocais Vocal principal: Cher Vocais de apoio: Michelle Aller, Arnold McCuller, Luther Vandross, Ginger Blake, Laura Creamer, Linda Dillard
Instrumentistas Richard Tee – órgão Hammond B3 Jeff Porcaro, Alvin Taylor, Rick Shlosser, Mike Baird – bateria Kim Hutchcroft – flauta, saxofone Gary Herbig – saxofone Bill Reichenbach Jr. – trombone John Pierce – baixo elétrico David Williams, Robby Krieger, Steve Lukather, Ira Newborn, Joey Brasler – guitarra Tom Snow – teclados David Paich – piano John Hobbs – piano, órgão Hammond Dan Wyman – sintetizador, programação Bob Esty – piano, sintetizador, vocais de apoio, arranjos de cordas Victor Feldman – tímpanos, pandeira Paulinho Da Costa, Larry Emerine, Alan Estes, Oliver C. Brown – percussão Jerry Hey – arranjos de metais Sid Sharp – spalla (concertino)
Equipe técnica Larry Emerine – coprodutor, engenheiro de som Harry Langdon – fotografia
Categoria:Álbuns de Cher Categoria:Álbuns em língua inglesa