O lobo-indiano, lobo-iraniano ou conhecido no passado como lobo hindu (Canis lupus pallipes) é uma subespécie de lobo-cinzento que habita desde o Sudoeste Asiático ao subcontinente indiano. É intermediário em tamanho entre o lobo-do-himalaia e o lobo-árabe, e não possui a luxuriante pelagem de inverno do primeiro, pois vive em condições mais quentes. Nesta subespécie, o lobo das planícies indianas é geneticamente basal para todos os outros Canis lupus existentes, com exceção do lobo-do-himalaia, de linhagem mais antiga, tendo os dois sido propostos como espécies separadas. O lobo-indiano viaja em grupos menores e é menos vocal que outras variantes do lobo-cinzento, além de ter a reputação de ser dissimulado.
Mas devido a cruzamentos com cães domésticos, sua população diminuiu muito.
Taxonomia O lobo-indiano foi descrito pela primeira vez em 1831 pelo ornitólogo britânico William Henry Sykes, sob o nome binomial Canis pallipes. Em 1941, Reginald Innes Pocock subordinou-o a Canis lupus, sob o nome trinomial Canis lupus pallipes.Pocock, R. I. (1941), Fauna of British India: Mammals volume 2, Taylor & Francis, pp. 82-94
Mistura com outras espécies de Canis Em 2018, o sequenciamento do genoma completo foi usado para comparar membros do gênero Canis. O estudo encontrou evidência de fluxo genético entre o lobo-dourado-africano, o chacal-dourado e o lobo-cinzento (da Arábia Saudita e Síria). Um lobo-dourado-africano da Península do Sinai egípcia mostrou alta mistura com os lobos-cinzentos do Oriente Médio, ressaltando o papel da ponte terrestre entre os continentes africano e eurasiano na evolução dos canídeos. Concluiu-se que o lobo-dourado-africano é descendente de um canídeo geneticamente misturado, com 72% do lobo-cinzento e 28% de um ancestral do lobo-etíope.
Canis indica
Árvore filogenética dos canídeos semelhantes ao lobo existentes atualmente, com tempos em milhões de anos
O lobo das planícies indianas é formado por dois haplótipos proximamente relacionados de DNA mitocondrial de linhagem materna, que se enquadram na subespécie Canis lupus pallipes do lobo-cinzento. Ele é encontrado somente nas planícies áridas e semiáridas peninsulares da Índia. Essas linhagens do lobo são geneticamente únicas em relação a todos os outros lobos do mundo e entre si. O lobo cinzento indiano e o lobo-do-himalaia são filogeneticamente basais para todos os outros lobos e são mais próximos do lobo-dourado-africano. Isto indica que eles são descendentes de uma distribuição antiga do lobo. Em abril de 2009, o nome binomial Canis indica foi proposto para esses dois haplótipos, como uma separação de nomenclatura e taxonômica do Canis lupus e criação de nova espécie através do Especialista de Nomenclatura do Comitê de Animais do CITES. O comitê posicionou-se contrário a esta proposta, mas recomendou que o nome fosse incluído na base de dados de espécies como um sinônimo do nome que estava listado. A proposta era baseada em um estudo que se apoiava em um número limitado de amostras de museus e zoológicos, que podiam não ser representativos da população selvagem, tendo sido requeridos estudos de campo adicionais.
Antes disso, dois grupos tinham sequenciado o DNA mitocondrial do lobo cinzento indiano e descobriram que ele é basal para todos os outros haplótipos existentes de Canis lupus, com exceção do lobo-do-himalaia, de linhagem mais antiga. Estudos posteriores compararam essas sequências com as de lobos de todo o mundo e confirmaram esta posição basal. Um estudo, baseado em um registro fóssil, estimou que a divergência entre o coiote e as linhagens de lobo ocorreu um milhão de anos atrás e, assumindo uma taxa de mutação do lobo, estimou que a divergência entre o lobo cinzento indiano e o ancestral do cão/lobo ocorreu há 400 mil anos. Outro estudo, que expressou dúvidas quanto ao estudo anterior, deu uma estimativa de 270 mil anos.
O lobo cinzento indiano está em perigo de extinção e sua população é estimada em 2 000-3 000 indivíduos. Ele se parece com o C. l. pallipes em sua aparência externa (características morfológicas) e no seu comportamento social/reprodutivo, mas é menor em tamanho. Ele é geneticamente distinto do C. l. pallipes. Esses achados sugerem que que o lobo cinzento indiano não é o pallipes encontrado no Oriente Médio e Ásia Central. Foi, portanto, proposto que o lobo cinzento indiano fosse reclassificado como a espécie separada Canis indica. Em 2016, um estudo de mtDNA dos lobos modernos e antigos indicou que o lobo cinzento indiano e o lobo-do-himalaia eram geneticamente basais quando comparados com todos os outros lobos cinzentos.
A referência taxonômica Taxonomia de Wilson e Reeder (2005) não reconhece Canis indica, entretanto o GenBank/National Center for Biotechnology Information relaciona Canis lupus indica.
Descrição e hábitos
O lobo-indiano é similar em estrutura ao lobo-eurasiático, mas é menor, mais esguio e tem pelo mais curto, com menos ou nenhum pelo inferior.Blanford, W. T. (1888), Fauna of British India: Mammalia, London, Taylor and Francis, pp. 137-40 Ele tipicamente mede entre 57 e 72 cm de altura no ombro, com os machos pesando entre 19 e 25 kg e as fêmeas entre 17 e 22 kg. Seu comprimento varia entre 103 e 145 cm do focinho à cauda. Como o lobo-árabe, ele tem pelo curto e fino no verão, embora o pelo no traseiro permaneça longo mesmo no verão, uma adaptação que se acredita destinar-se a proteção contra a radiação solar.Harrington, F. H. & Paquet, P. C. (1982). Wolves of the World: Perspectives of Behavior, Ecology, and Conservation. Park Ridge, N.J: Noyes Publications. O pelo é geralmente acinzentado-vermelho a avermelhado-branco com tons de cinza. Os pelos são acinzentados com preto, particularmente no traseiro, formando uma mancha escura em forma de V ao redor dos ombros. As patas são mais pálidas do que o corpo, e as partes inferiores são quase completamente brancas.Mivart, G. (1890), Dogs, Jackals, Wolves and Foxes: A Monograph of the Canidæ, London: R.H. Porter : Dulau, pp. 9-10 Os filhotes nascem com a cor marrom fuliginosa, com uma mancha branca leitosa no peito, que some com a idade. Espécimes pretos são raros, mas foram registrados no distrito de Solapur na Índia e em duas regiões do Irã. Neste último país, a mutação ocorre naturalmente, diferentemente dos lobos-cinzentos norte-americanos, que herdaram o alelo Kb, responsável pelo melanismo, de intercruzamento no passado com cães.
Seus hábitos são similares aos de outras subespécies de lobos cinzentos, embora o lobo-indiano geralmente viva em matilhas menores, raramente excedendo 6-8 indivíduos, e seja relativamente menos vocal, sendo raramente conhecido por uivar. A vocalização do lobo-indiano inclui uivos, uivos-latidos, choramingos, guinchos sociais e ganidos, tendo os uivos uma frequência média de 422 Hz e os ganidos 906 Hz. Há pelo menos um registro de um lobo solitário associando-se com um par de cães-selvagens-asiáticos no Santuário de Vida Selvagem de Debrigarh. Ele tende a se reproduzir entre o meio de outubro e fim de dezembro, e as crias nascem em buracos ou em ravinas. Ele tipicamente caça antílopes, roedores e lebres. Geralmente caça em pares quando o alvo são antílopes, com um lobo atuando como chamariz enquanto o outro ataca por trás. O território do lobo-indiano coincide com os do chacal-dourado, urso-beiçudo, leopardo, urso-pardo, leão-asiático e tigre.
Caça Os lobos-indianos são noturnos e caçam do anoitecer à alvorada, usando diferentes estratégias para as suas várias presas. Diz-se que esses lobos são excepcionais quanto à velocidade e resistência. Uma matilha de lobos-indianos se espalha quando caça lebres-indianas e vários roedores, em contraste com a coordenação desenvolvida quando o alvo é o antílope-negro. Este antílope é a principal presa para lobos em Nannaj e no Parque Nacional Blackbuck, e constitui até 88% do consumo de biomassa do lobo-indiano. Como o antílope é mais veloz, os lobos-indianos normalmente o perseguem em direção a ravinas, moitas ou depressões, onde mais lobos aguardam em emboscada. Além de dirigirem os antílopes para emboscadas, os lobos-indianos podem persegui-los descendo colinas em explosões de velocidade de curta duração. Os lobos-indianos também podem selecionar um animal doente ou machucado e separá-lo do bando, perseguindo-o até a exaustão. Esta estratégia é comumente vista em lobos-cinzentos, e com frequência é bem-sucedida. Finalmente, quando eles cobrem a distância e atacam, um único lobo agarra o focinho para asfixiar o antílope, enquanto os outros atacam por trás. Também foi registrado que os lobos-indianos usam a curiosidade para atrair antílopes para a morte. Uma história relata que um lobo rolava com as patas para cima, quando os antílopes estavam pastando. Quando o antílope acidentalmente interferiu com este lobo, dois outros saltaram para matá-lo.
Localização e status Ásia Ocidental Durante o século XIX, os lobos se espalhavam em muitas partes do leste da Terra Santa e no oeste do rio Jordão. Entretanto, eles diminuíram consideravelmente em número entre 1964 e 1980, principalmente devido a perseguição por fazendeiros.Qumsiyeh, Mazin B. (1996). Mammals of the Holy Land. Texas Tech University Press, pp. 146–148, Atualmente, as políticas de conservação de Israel e a efetiva imposição da lei mantêm uma população de tamanho moderado, que se irradia para os países vizinhos. A Turquia pode ter um papel importante na manutenção dos lobos na região, devido a sua contiguidade com a Ásia Central. As montanhas da Turquia serviram como refúgio para os poucos lobos remanescentes na Síria. Uma pequena população ocorre nas colinas de Golã e está bem protegida pelas atividades militares desenvolvidas lá.Mech, L. David; Boitani, Luigi (2003). Wolves: Behaviour, Ecology and Conservation. University of Chicago Press. p. 326-27. . Embora os lobos da Turquia não tenham proteção legal, eles contam cerca de 700 indivíduos.
Pouco se sabe das populações atuais de lobos no Irã, que ocorriam por todo o país em baixas densidades em meados dos anos 1970. Embora espalhados por todo o país e ausentes somente no deserto central de Lute, não há estimativa confiável do tamanho da população de lobos lá. Os lobos do Irã continuam a sofrer com a perda de hábitat, caça irregular e perda de presas.
Subcontinente indiano