Projeto Livro Azul () foi um de uma série de estudos sistemáticos de objetos voadores não identificados (OVNIs) realizados pela Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Iniciou em 1952, e foi o terceiro estudo do tipo, seguindo os primeiros projetos: Sign (1947) e Grudge (1949).RUPPELT, Edward J. Discos voadores: relatório sobre os objetos aéreos não identificados. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1959, p. 92, 100, 164 e 186. Uma ordem para encerrá-lo foi dado ao estudo em dezembro de 1969 e toda a atividade no seu âmbito cessou em janeiro de 1970. O projeto tinha duas metas: determinar se os OVNIs eram uma ameaça para a segurança nacional daquele país e analisar cientificamente dados relacionados com OVNIs.

Milhares de relatórios de OVNIs foram coletados, analisados e arquivados. Como resultado do Relatório Condon (1968), que concluiu que o estudo dos OVNIs não era susceptível de produzir grandes descobertas científicas, e de uma revisão do relatório pela Academia Nacional de Ciências, o Projeto Blue Book foi encerrado em dezembro de 1969. A Força Aérea estadunidense forneceu o seguinte resumo de suas investigações:

Nunca nenhum OVNI relatado, investigado e avaliado pela Força Aérea foi uma indicação de ameaça à segurança nacional; Não houve provas apresentadas ou descobertas pela Força Aérea de que os avistamentos classificados como "não identificado" representariam desenvolvimentos tecnológicos ou princípios além do alcance do conhecimento científico moderno; e Não havia nenhuma evidência indicando que os avistamentos classificados como "não identificado" eram veículos extraterrestres.

No término do Projeto Blue Book, havia sido recolhido 12 618 relatos de OVNIs, e este concluiu que a maioria deles eram erros na identificação de fenômenos naturais (como nuvens, estrelas, etc) ou de aeronaves convencionais. De acordo com o Escritório Nacional de Reconhecimento uma série de relatórios poderia ser explicada por voos até então secretos dos aviões de reconhecimento U-2 e A-12.National Reconnaissance Office Review and Redaction Guide: Appendix C - Glossary of Code Words and Terms " (PDF). National Reconnaissance Office. 2008 Uma pequena porcentagem (701) de relatos de OVNIs foram classificados como inexplicáveis, mesmo após uma análise dita rigorosa. Os relatos de OVNIs foram arquivados e estão agora disponíveis sob a Lei da Liberdade de Informação, mas os nomes e outras informações pessoais de todas as testemunhas foram ocultados. Foram mais de 130 000 páginas desclassificadas que inicialmente foram disponibilizados para consulta nos Arquivos Nacionais em Washington, D.C.

Projetos anteriores Os estudos públicos de OVNIs da USAF foram iniciados pela primeira vez sob o Projeto Sign (em português: "Sinal") no final de 1947, depois de muitos relatos de OVNIs amplamente divulgados (ver Kenneth Arnold). O Projeto Sign foi iniciado especificamente a pedido do general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea na Base Aérea Wright-Patterson. A mesma base que iria abrigar o Projeto Sign e todas as posteriores investigações públicas oficiais da USAF.

O projeto Sign foi oficialmente inconclusivo quanto à causa dos avistamentos. No entanto, de acordo com o capitão da Força Aérea dos EUA, Edward J. Ruppelt (o primeiro diretor do Projeto Blue Book), a avaliação inicial da Sign (a assim chamada Avaliação da Situação) escrita no final do verão de 1948, concluiu que os discos voadores eram naves reais, que não eram feitas pela União Soviética ou pelo Estados Unidos e teriam provavelmente origem extraterrestre. Esta hipótese foi apresentada ao Pentágono, mas depois rejeitada pelo general Hoyt Vandenberg, então chefe de gabinete da USAF, citando a falta de provas físicas. Vandenberg por conseguinte desmantelou o Projeto Sign.

Projeto Sign foi sucedido no final de 1948 pelo Projeto Grudge (em português: "Rancor"), que foi criticado como tendo um mandato desacreditador. Ruppelt se referiu à era do Projeto Grudge como a "Idade Média" da investigação inicial de OVNIs da USAF. O Grudge concluiu que todos os OVNIs eram fenômenos naturais ou outras más interpretações, embora também afirmasse que 23% dos casos reportados não poderiam ser explicados.

História

Era do Capitão Ruppelt De acordo com o Capitão Edward J. Ruppelt, até o final de 1951, vários generais do alto escalão da USAF muito influentes estavam tão insatisfeitos com o estado das investigações da Força Aérea de OVNIs que desmantelaram o Projeto Grudge e o substituíram com o Projeto Blue Book em março de 1952, um desses homens foi o general Charles P. Cabell. Outra importante mudança veio quando o general William Garland se juntou à equipe de Cabell; Garland pensava que o assunto OVNI merecia exame sério porque ele havia sido testemunha de algo semelhante.

O novo nome, o Projeto Blue Book, foi escolhido para se referir aos cadernos azuis usadas para testes em algumas faculdades e universidades. O nome foi inspirado, disse Ruppelt, pela atenção que oficiais de alta patente estavam dando o novo projeto; era como se o estudo dos OVNIs fosse tão importante quanto um exame final da faculdade. Blue Book também teve um estatuto superior ao Projeto Grudge, com a criação do Ramo de Fenômeno Aéreo.ver Clark, 1998

Ruppelt foi o primeiro chefe do projeto. Ele era um piloto experiente, tendo sido condecorado por seus esforços com o Army Air Corps durante a Segunda Guerra Mundial e tendo depois ganhado um diploma em aeronáutica. Ele oficialmente cunhou o termo "Unidentified Flying Object" ( "Objeto Voador Não Identificado"), para substituir os muitos termos ( "pires voador", "disco voador" e assim por diante) que os militares tinham usado anteriormente; Ruppelt pensou que "objeto voador não identificado" era um termo mais neutro e preciso. Ruppelt pediu demissão da Força Aérea alguns anos mais tarde, e escreveu o livro O Relatório sobre Objetos Voadores Não Identificados , que descreveu o estudo dos OVNIs pela Força Aérea dos Estados Unidos de 1947 a 1955. O cientista americano Michael D. Swords escreveu que "Ruppelt conduziu o último esforço genuíno para analisar OVNIs".Dr. Michael D. Swords; "UFOs, the Military, and the Early Cold War Era", p102

Ruppelt implementou uma série de mudanças: ele simplificou a maneira pela qual OVNIs foram relatados a (e por) oficiais militares, em parte na esperança de aliviar o estigma e o ridículo associado com testemunhas de OVNIs. Ruppelt também ordenou o desenvolvimento de um questionário padrão para testemunhas de OVNIs, na esperança de descobrir dados que pudessem ser sujeitos a análise estatística. Ele encomendou o Battelle Memorial Institute para criar o questionário e informatizar os dados. Usando relatos de casos e os dados informatizados, Battelle, em seguida, realizou um estudo científico e estatístico maciço de todos os casos de OVNI da Força Aérea americana, concluída em 1954 e conhecido como "Projeto Blue Book Relatório Especial N° 14 " (veja o resumo abaixo).

Sabendo que o partidarismo tinha prejudicado o progresso do Projeto Sign, Ruppelt fez o seu melhor para evitar os tipos de especulação aberta que tinham levado a equipe da Sign a ser dividida entre defensores e críticos da hipótese extraterrestre. Como Michael Hall escreve: "Ruppelt não só levou o trabalho a sério, mas esperava que sua equipe fizesse o mesmo. Se alguém sob o seu comando se tornou cético demais, ou muito convencido de uma teoria particular, logo se viu fora do projeto." Em seu livro, Ruppelt relatou que despediu três dos seus funcionários logo no início do projeto, porque eles eram ou "muito pró" ou "muito contra" uma hipótese ou outra. Ruppelt procurou o conselho de muitos cientistas e especialistas, e emitiu boletins de imprensa regulares (assim como relatórios mensais classificados para a inteligência militar).

Cada base da Força Aérea dos EUA tinha um oficial do Blue Book para coletar relatos de OVNIs e encaminhá-los para Ruppelt. Durante a maior parte do mandato de Ruppelt, ele e sua equipe foram autorizados a entrevistar qualquer um dos militares que testemunharam algo anômalo no céu, e não eram obrigados a seguir a hierarquia militar. Esta autorização sem precedentes sublinhou a seriedade da investigação do Blue Book.

Sob a direção de Ruppelt, o Livro Azul investigou um número de casos de OVNIs bem conhecidos, incluindo as chamados Luzes de Lubbock, e um caso amplamente divulgado observado por radar/visual em 1952 sobre Washington, D.C. De acordo com Jacques Vallee, Ruppelt iniciou a tendência, seguida em grande parte pelas investigações posteriores do Blue Book, de não considerar seriamente os numerosos relatos de aterrissagem de OVNIs e/ou interação com os seus supostos ocupantes.

O astrônomo Dr. J. Allen Hynek foi o consultor científico do projeto, como tinha sido nos Projetos Sign e Grudge. Ele trabalhou para o projeto até o seu término e inicialmente criou a categorização que foi depois ampliada e hoje é conhecida como Close encounters (português: Encontros imediatos) . Ele era um nítido cético quando ele começou, mas disse que seus sentimentos mudaram para um ceticismo mais oscilante durante a pesquisa, depois de encontrar uma minoria de relatos de OVNIs que ele achava que eram inexplicáveis.

O então capitão Ruppelt deixou o Blue Book em fevereiro de 1953, devido a uma realocação temporária. Voltou alguns meses depois, para encontrar a sua equipe reduzida de mais de uma dezena para dois subordinados. Frustrado, Ruppelt sugeriu que uma unidade de Comando de Defesa Aérea (o 4602º Esquadrão do Serviço de Inteligência Aérea) fosse encarregada das investigações sobre OVNIs.

Painel Robertson Em julho de 1952, após um aumento para centenas de avistamentos ao longo dos últimos meses, uma série de detecções de radar coincidentes com avistamentos a olho nu foram observados perto do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, D.C (ver Incidente de OVNI em Washington de 1952).

Depois de muita publicidade, estes avistamentos levaram a Agência Central de Inteligência (CIA) a estabelecer um painel de cientistas liderados pelo Dr. H. P. Robertson, um físico do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que incluía vários físicos, meteorologistas e engenheiros, e um astrônomo (Hynek). O Painel Robertson foi organizado pela primeira vez em 14 de Janeiro de 1953, com o intuito de formular uma resposta ao esmagador interesse público em OVNIs.

Ruppelt, Hynek e outros apresentaram as melhores provas, incluindo filmagens sem edições, que tinham sido recolhidas através do Blue Book. Depois de passar 12 horas revendo 6 anos de dados, o Painel Robertson concluiu que a maioria dos relatos de OVNIs tinha explicações simples, e que tudo poderia ser explicado com uma investigação mais aprofundada, que eles consideraram não valer o esforço.

Em seu relatório final, eles enfatizaram que os relatórios de OVNIs de baixo grau e inverificáveis estavam sobrecarregando os canais da inteligência, com o risco de fazer esquecer uma ameaça convencional genuína para os EUA. Portanto, eles recomendaram que a Força Aérea não enfatizasse o assunto dos OVNIs e embarcasse em um campanha de desmistificação para diminuir o interesse público. Eles sugeriram desengano através da mídia, incluindo a Walt Disney Productions, e usando psicólogos, astrônomos e celebridades para ridicularizar o fenômeno e apresentar explicações simples. Além disso, os grupos civis ufológicos "deveriam ser vigiados por causa de sua potencialmente grande influência sobre o pensamento das massas... A irresponsabilidade aparente e o possível uso de tais grupos para fins subversivos devem ser considerados".