A invasão do Panamá foi uma operação militar realizada pelo exército dos Estados Unidos, durante a presidência de George H. W. Bush, em 20 de dezembro de 1989 com o objetivo de capturar o General e ditador panamenho Manuel Noriega, que atuava como comandante em chefe das Forças de Defesa da República do Panamá, que foi exigido pela justiça estadunidense acusado de tráfico de drogas. A operação foi denominada Operation Just Cause (Operação Justa Causa) pelo comando militar dos Estados Unidos.

Noriega, que mantinha laços de longa data com as agências de inteligência dos Estados Unidos, consolidou seu poder para se tornar o ditador de facto do Panamá no início da década de 1980. Em meados da mesma década, as relações entre Noriega e os Estados Unidos começaram a se deteriorar devido às repercussões do assassinato de Hugo Spadafora e da remoção do presidente Nicolás Ardito Barletta do cargo. Suas atividades criminosas e associação com outras agências de espionagem vieram à tona e em 1988 ele foi indiciado por um grande júri federal sob várias acusações relacionadas a drogas. As negociações que buscavam sua renúncia, iniciadas durante a presidência de Ronald Reagan, foram, no final das contas, infrutíferas. Em 1989, Noriega anulou os resultados das eleições gerais panamenhas, que pareciam ter sido vencidas pelo candidato da oposição, Guillermo Endara; o presidente Bush respondeu reforçando a guarnição dos Estados Unidos na Zona do Canal. Após a declaração de estado de guerra entre o Panamá e os Estados Unidos aprovada pela assembleia geral panamenha, bem como o tiroteio fatal do tenente dos fuzileiros navais dos Estados Unidos, Robert Paz, nascido na Colômbia, em um bloqueio rodoviário das Forças de Defesa do Panamá (PDF), Bush autorizou a execução do plano de invasão do Panamá.

Em 20 de dezembro, teve início a invasão dos Estados Unidos ao Panamá, na qual as forças panamenhas foram rapidamente derrotadas, embora as operações militares tenham continuado por várias semanas. Pouco após o começo da invasão, Guillermo Endara tomou posse como presidente, enquanto Manuel Noriega conseguiu fugir por alguns dias antes de se refugiar na missão diplomática da Santa Sé na Cidade do Panamá, onde acabou se rendendo em 3 de janeiro de 1990. Noriega foi então levado aos Estados Unidos, julgado, condenado e sentenciado a 40 anos de prisão. Segundo o Pentágono, a invasão resultou na morte de 516 panamenhos — 314 soldados e 202 civis — além de 23 soldados e 3 civis norte-americanos. A ação foi condenada pela Assembleia Geral da ONU, pela OEA e pelo Parlamento Europeu como violação do direito internacional, enquanto o governo dos Estados Unidos justificou a invasão alegando a proteção de cidadãos americanos no Panamá e a defesa da democracia e dos direitos humanos.

Alguns pesquisadores argumentaram que essa foi a primeira grande ação militar dos Estados Unidos não relacionada à Guerra Fria, enquadrando-a como um precursor das intervenções unilaterais em uma ordem mundial emergente, com ênfase na opinião pública, legitimidade internacional, execução operacional e mudança de regime.

Antecedentes Em 1977, o general Omar Torrijos Herrera como chefe de Estado da República do Panamá e Jimmy Carter como presidente dos Estados Unidos da América, assinaram um novo tratado sobre o canal do Panamá, o Tratados Torrijos-Carter cujas principais cláusulas os Estados Unidos concordaram com a devolução dos territórios administrados, a monitorização do funcionamento do canal, o encerramento de bases militares e a partida de todos os soldados norte-americanos do Panamá. Carter concordava com um calendário para a transição de todos os aspectos referentes ao Canal de Panamá, antes do ano 2000. No entanto, a condição de defesa em conjunto, dando a possibilidade de uma intervenção armada no Panamá, caso a operação do canal estivesse comprometida. Em 1983, tomou posse como comandante em chefe das Forças de Defesa do Panamá, o general Manuel Antonio Noriega, que serviu por muitos anos como um G2 ou chefe de inteligência militar panamenho e foi identificado como um associado próximo da CIA. Nas eleições presidenciais de 1984, a primeira votação popular desde o início da ditadura militar de 1968, foi declarado o vencedor Nicolas Barletta Arditto ao clamor popular de fraude. Entretanto, nos EUA, o senador Jesse Helms exigiu que o governo norte-americano tomasse medidas para eliminar Noriega, o diretor da CIA William Casey saiu em defesa do general panamenho, afirmando que realizou grandes tarefas para o governo dos Estados Unidos.

thumb|left|150px| Manuel Antonio Noriega, ex-presidente do Panamá, capturado e julgado pelos EUA: acusado de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.

Em 1985, Nicolás Barletta Arditto renunciou à presidência e foi substituído pelo primeiro Vice-presidente Eric Arturo Del Valle. Algumas fontes atribuem a renúncia de Nicholas Barletta Arditto a decisão de esclarecer o assassinato do Dr. Hugo Spadafora, que repetidamente acusou Noriega de vários crimes, incluindo assassinato e tráfico de droga. O segundo no comando das Forças da Defesa, coronel Roberto Diaz Herrera, foi aprovado em 1986, retirando as ordens diretas do general Noriega. Díaz Herrera emitiu declarações públicas acusando Noriega de fraude eleitoral em 1984, assassinato político e cumplicidade na morte de Torrijos, levando a fortes protestos da população.

Apesar da colaboração disfarçada com Ronald Reagan em sua guerra contra a Nicarágua (incluindo o famigerado Escândalo Irã-Contras), as relações entre os Estados Unidos e o regime do Panamá piorou na década de 1980. Os Estados Unidos congelaram a ajuda econômica e militar ao Panamá, no Verão de 1987 em resposta à crise política interna e um atentado contra a embaixada americana. O General Noriega, em fevereiro de 1988 foi acusado pelos EUA em tribunal sobre o tráfico de droga. Em Abril de 1988, o Presidente Reagan invocou a lei de emergência internacional com potências económicas, congelamento de ativos aos bancos do Governo panamenho, taxas de retenção para o uso do canal, e proíbe os pagamentos por agências americanas, empresas e indivíduos para o regime de Noriega. O país entrou em turbulência. Quando as eleições nacionais foram realizadas em maio de 1989, foram manchadas por acusações de fraude a partir de ambos os lados.

Quando Guillermo Endara ganhou as eleições presidenciais realizadas em maio de 1989, o regime Noriega anulou a eleição, citando maciça interferência norte-americana. Observadores eleitorais estrangeiros, incluindo a Igreja Católica e Jimmy Carter certificaram a vitória eleitoral de Endara, apesar de tentativas de fraude generalizada pelo regime. A mando dos Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos convocou uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, mas foi incapaz de obter a partida de Noriega. Os EUA, então, começaram a enviar milhares de tropas para as bases na zona do canal.

Em Dezembro de 1989, a Assembleia Nacional concedeu poderes especiais ao general Noriega nomeado chefe do Gabinete de Guerra, ao mesmo tempo que declara a República do Panamá, em um estado de guerra contra os Estados Unidos da América.

A justificativa para a invasão thumb|300px|Mapa da Operação Justa Causa.

A justificativa oficial dos Estados Unidos para a invasão foi articulada pelo presidente George H.W. Bush, na manhã de 20 de dezembro de 1989, poucas horas após o início da operação. O presidente Bush listou quatro razões para a invasão:New York Times, 21 December 1989, "A Transcript of President Bush's Address on the Decision to Use Force".

Proteger a vida dos cidadãos norte-americanos no Panamá. Em sua declaração, Bush afirmou que Noriega havia declarado que existia um estado de guerra entre o Panamá e os Estados Unidos, e que ele também ameaçava a vida dos cerca de 35 mil cidadãos estadunidenses que lá viviam. Houve numerosos confrontos entre forças dos Estados Unidos e do Panamá; um marine foi morto alguns dias antes; A defesa da democracia e dos direitos humanos no Panamá; Combate ao tráfico de drogas. O Panamá havia se tornado um centro de lavagem de dinheiro e de um ponto de passagem para o tráfico de drogas para os Estados Unidos e Europa; Proteger a integridade dos Tratados Torrijos-Carter. Os membros do Congresso e outros políticos norte-americanos alegaram que Noriega ameaçava a neutralidade do Canal do Panamá e que os Estados Unidos tinham o direito, nos termos dos Tratados, de intervir militarmente para proteger o Canal do Panamá.

A invasão thumb|left|Um blindado LAV-25 americano no Panamá. Os norte-americanos dispuseram de 26 mil soldados das unidades de elite, dos comandos da marinha, do exército e da 82ª Divisão Aerotransportada para a invasão. As Forças de Defesa Panamenhas somaram apenas 12 mil soldados e o país dispunha de uma minúscula força aérea.

O exército dos Estados Unidos transferiu para o Panamá a 82ª Divisão Aerotransportada para a operação militar, que possuía 12 mil soldados. As bases militares estadunidenses nas margens do Canal do Panamá, de acordo com o Tratado Torrijos-Carter legalizavam a presença militar no istmo para a defesa conjunta por ambas as nações na via navegável, contavam com um exército de 12 mil que não participaram na Operação Just Cause.

Dois dias antes do ataque, um soldado norte-americano foi morto quando passou um posto de controle em frente ao Quartel Central da Guarda Nacional, o que foi considerado como o desencadeador do conflito. A invasão começou na madrugada de 20 de dezembro de 1989 com bombardeios de muitas instalações militares e políticas. O objetivo do ataque era anular qualquer resposta por parte do exército panamenho. Os bombardeios destruíram vários aeroportos e bases militares do país.

Apesar das armas de alta tecnologia utilizadas pelos Estados Unidos, houve muitas mortes de civis por devido a realização de muitos ataques a edifícios não militares. A entrada dos soldados americanos no bairro de Chorrillo, onde havia muitos adeptos de Noriega, foi particularmente sangrenta.

Não houve qualquer declaração de guerra e a ação foi condenada pela Assembleia Geral da ONU e pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A operação durou poucos dias diante da superioridade do exército ocupante e a pouca resistência encontrada.

290px|thumb|Um M113 do Exército dos EUA no Panamá.

Poucas horas após o início da invasão, Guillermo Endara foi empossado como presidente do país em uma base militar estadunidense.John T. Fishel, Civil Military Operations in the New World, Greenwood Publishing Group, 1997 É geralmente aceito que Endara teria sido o vencedor na eleição presidencial, que havia sido marcada anteriormente naquele ano.Los Angeles Times, 21 December 1989, "Combat in Panama, Operation Just Cause". Nos dias seguintes à intervenção, devido à ausência da polícia e da passividade das tropas norte-americanas, ocorreram pilhagem e vandalismo em várias cidades o que aumentou as perdas materiais.

Captura de Noriega A Operação Nifty Package foi uma operação lançada para impedir a fuga de Noriega; foi afundado um barco de Noriega e destruído seu jato, a um custo de quatro mortos e nove feridos. As operações militares continuaram por várias semanas, principalmente contra unidades militares do exército panamenho. Noriega manteve-se em fuga por vários dias, mas ao perceber que tinha poucas opções diante de uma caçada massiva e uma recompensa de US$ 1 milhão por sua captura, obteve refúgio na missão diplomática do Vaticano na Cidade do Panamá. Uma pressão psicológica do exército estadunidense sobre ele e uma pressão diplomática sobre a missão do Vaticano, no entanto, foi implacável, como foi a reprodução de música alta de rock and roll dia e noite em uma área densamente povoada. Noriega finalmente se rendeu aos militares estadunidenses em 3 de janeiro de 1990.

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