miniaturadaimagem|Buda sentado, Gandara, séculos I-II dC, no Museu Nacional de Tóquio. Estudos budistas, também conhecido em alguns meios como budologia, é o estudo acadêmico da tradição budista. O termo aplica-se especificamente a um ramo acadêmico contemporâneo, estando atrelado à Ciência da Religião e é distinto da filosofia budista propriamente dita. Como é caso na ciência da religião em geral, pesquisadores dos estudos budistas representam uma variedade de disciplinas incluindo história, antropologia e filosofia.

Ao contrário do estudo do judaísmo ou do cristianismo, o campo dos estudos budistas tem sido dominado no ocidente por pessoas alheias às culturas e tradições budistas. Entretanto, universidades asiáticas, principalmente aquelas de origem japonesa têm também realizado amplas contribuições.

Relação com o budismo contemporâneo

Para Charles Prebish, os acadêmicos que também são praticantes budistas preenchem um papel tradicional crucial e que tem, de outra forma, permanecido ausente em países que não são tradicionalmente budistas:

"Escolas" geográficas

Prebish escreveu que:

...associações geográficas parecem identificar pelo menos duas 'escolas' de budologia: a anglo-germânica e a franco-belga. A primeira (e mais antiga) foi liderada por T. W. Rhys Davids e Hermann Oldenberg, enquanto a segunda incluía principalmente Louis de La Vallée Poussin, Jean Przyluski, Sylvain Lévi, Paul Demiéville e Étienne Lamotte. A estas escolas, Edward Conze adiciona uma terceira: a escola de Leningrado, que inclui Stcherbatsky, Rosenberg, e Obermiller. A escola anglo-germânica enfatizava quase exclusivamente a tradição literária em Pali, enquanto que a escola franco-belga utilizava os materiais em sânscrito, juntamente com suas correspondentes traduções e comentários em chinês e tibetano. A escola de Leningrado é claramente mais próxima da escola franco-belga do que da escola anglo-germânica. Estas são classificações gerais, porém apesar de tudo elas capturam o estilo das tradições como elas têm sido mantidas durante o último século. Prebish, p. 185.

Prebish prossegue para a discussão dos desenvolvimentos nos Estados Unidos da América:

Apesar de alguns considerarem Eugène Burnouf o pai fundador dos estudos budistas como disciplina, o início dos estudos budistas nos Estados Unidos parece inextricavelmente ligado a três indivíduos: Paul Carus, Henry Clarke Warren e Charles Rockwell Lanman. [...] Apesar do trabalho destes educadores iniciais, foi apenas depois dos anos de 1960 que os estudos budistas começaram a emergir como uma disciplina significante no sistema universitário americano e na indústria de publicações. Durante os anos da guerra do vietnam e imediatamente após, os estudos budistas iriam gozar de um "boom", principalmente através dos esforços de professores universitários líderes como Richard Hugh Robinson da University of Wisconsin-Madison, Masatoshi Nagatomi da Harvard University e Alex Wayman da Columbia University. Sem dúvida houve muitas razões para o crescente desenvolvimento dos estudos budistas, dos quais não menos importante foram o crescimento dos programas de estudos por área nas universidades americanas; o crescente interesse governamental na coisas asiáticas; a imensa anomia social que permeava a cultura americana nos anos de 1960; e a crescente insatisfação com a (e talvez rejeição da) religião tradicional. Prebish, pp. 185-187.

Donald Lopez enfatiza a influência de Geshe Lundup Sopa em Wisconsin, e de Jeffrey Hopkins na Virginia. Prisoners of Shangri-La, p. tk

Programas de formação acadêmica e institutos

Prebish cita duas pesquisas por Hart nas quais os seguintes programas de formação acadêmica foram tidos como tendo produzido o maior número de pesquisadores com postos em universidades americanas: Chicago, Wisconsin, Harvard, Columbia, Yale, Virginia, Stanford, Berkeley, Princeton, Temple, Northwestern, Michigan, Washington e Tóquio. Prebish, p. 194.

Outras instituições estadunidenses com programas em estudos budistas incluem a University of the West, o Institute of Buddhist Studies, a Naropa University e o California Institute of Integral Studies. (Uma porção de centros budistas oferecem estudos semi-acadêmicos. Alguns destes parecem que provavelmente virão no futuro a ganhar status de instituições de ensino superior.)

Programas europeus de destaque incluem Oxford, Cambridge, School of Oriental and African Studies, as universidades de Humbolt e Bonn, e de Sorbonne. Na Ásia, a Universidade de Tóquio tem sido um centro importante de pesquisa budista.

Periódicos

Publicações especializadas em estudos budistas (em ordem alfabética): Buddhist Studies Review Chung-Hwa Buddhist Journal Contemporary Buddhism The Eastern Buddhist Journal of Buddhist Ethics Journal of Global Buddhism Journal of Indian and Buddhist Studies / Indogaku Bunkkyogaku Kenkyu (ainda sem sítion na internet!) Journal of the International Association of Buddhist Studies Pacific World: Journal of the Institute of Buddhist Studies The Pure Land: Journal of the International Association of Shin Buddhist Studies

Adicionalmente, muitos estudiosos publicam em periódicos devotados aos estudos por área geográfica (tais como Japão, China, Coreia etc.), ciência da religião em geral ou disciplinas tais como história, antropologia ou estudos linguísticos. Alguns exemplos seriam: Indo-Iranian Journal Journal of Contemporary Religion Journal of Indian Philosophy Journal of the Pali Text Society Philosophy East and West Buddhist-Christian Studies

Editoras de grandes universidades que têm publicado neste campo incluem aquelas de Oxford, Cambridge, Indiana, Princeton, SUNY, California, Michigan, Chicago, Hawaii e Virginia. Editoras não-universitárias incluem Curzon Press, E.J. Brill, Asian Humanities Press e Motilal Banarsidass. Um número de estudiosos tem publicado através de editoras budistas tais como Snow Lion Publications, Wisdom Publications ou Shambhala.

Lopez, Donald S., Jr. (ed.) Curators of the Buddha. University of Chicago Press, 1995. Prebish, Charles. "The Academic Study of Buddhism in America: A Silent Sangha." Chapter Eleven of American Buddhism: Methods and Findings in Recent Scholarship" (Duncan Ryuken Williams and Christopher S. Queen, eds.). Curzon Press: Surrey (UK), 1999. Pp. 183-214

Leitura complementar de Jong, J. W. A Brief History of Buddhist Studies in Europe and America. Tokyo: Koosei Publishing Company, 1997, ISBN 4333017629 Swearer, Donald K. and Promta, Somparn. The State of Buddhist Studies in the World 1972-1997.'' Bangkok: Center for Buddhist Studies, Chulalongkorn University, 2000, ISBN 974-346-371-2

Categoria:Estudos budistas Categoria:Ciência da religião Categoria:Campos interdisciplinares