Tomás Pinto Brandão (Porto, Portugal, 5 de março de 1664 - 31 de outubro de 1743) foi um poeta barroco português, amigo de Gregório de Matos.

Biografia

Nascido no Porto, oriundo de família modesta, era filho de Gonçalo Pinto Camelo e de Isabel Brandão. O seu pai era formado em Direito, exercendo advocacia no Tribunal da Relação do Porto até posteriormente rebaixar-se como requerente.

Aos dezassete anos estabeleceu-se em Lisboa. Na capital conhece Gregório de Matos em 1680, formando a partir daí uma amizade estreita que os levará a embarcar para a Baía, em março de 1682, a fim de se assentarem na guarnição da cidade. Alguns dos seus poemas revelam as conquistas amorosas e tempos recreativos na colónia, refletindo o espírito boémio e burlesco que iriam caracterizar os escritos de cada poeta.

Em 1693, foi preso por ordem de António Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, governador do Estado do Brasil, por "travessuras e excessos" - motivo esse detalhado num poema de Gregório de Matos, que salienta um frade como causa, em seguimento de uma disputas pelos favores de uma mulher casada. Tomás Pinto Brandão é degredado para Angola, contudo, em 1694, após João de Lencastre estabelecer-se como novo governador-geral do Brasil, a sua pena foi transferida para o Rio de Janeiro.

Serviu na guarnição carioca, mas foi novamente encarcerado por conta de uma sátira a pedido de um nobre próximo ao então ex-governador do Rio de Janeiro, Luís César de Meneses, que terá influenciado o seu cunhado, João de Lencastre. Cumpriu o seu degredo em Benguela, chegando a alcançar o posto de capitão da infantaria e acumulou uma fortuna considerável no comércio de escravos, possuindo entre sessenta a setenta escravos. Chegou inclusive a apaixonar-se por Nana Ambundo, sobrinha da rainha Mwene Nzinga.

Segundo Jair Rattner, Tomás Pinto recebeu permissão de Luís César de Meneses, quando este já era governador de Angola, para regressar ao Rio de Janeiro, após lhe oferecer escravos que lhe valeu o indulto do governador. Apesar das desavenças iniciais com Luís César, poemas posteriores de Tomás Pinto demonstram que formaram um laço de amizade. Vendeu todos os escravos que detinha (exceto Damião, que o serviu até à morte) e casou-se com Josefa de Melo.

Considerando-se merecedor pelo seu serviço militar no império, retomou para Lisboa em 1703 com pretensão de receber o hábito de Cristo. Na capital do reino seguiu uma vida libertina e opulenta, sendo um frequentador assíduo de comédias e casas de jogo. Contudo a vida de Tomás Pinto sofreu reviravolta aquando de uma disputa com a sogra que ditou o fim do casamento e quase o colocava na prisão senão fosse por intervenção de nobres que confraternizavam com o poeta. À falta de documentação oficial, desconhece-se a razão da denúncia da sua sogra. Embora o confronto tenha acelerado a sua ruína financeira, Tomás Pinto Brandão criticou a sua sogra com um tom mordaz, no mais puro estilo barroco, a sua sogra. Diz Tomás Pinto Brandão, bem conhecido na praça, que é tal a sua desgraça, que tem por sogra um dragão; e porquanto esta objecção hoje todo o seu mal é, pede que hoje se lhe dê (por ver se saúde logra) remédio a este mal de sogra e receberá mercê. Tomás Pinto Brandão, "Pinto Renascido", 1732

Sem as riquezas que trouxera de África e do Brasil, dedicou-se inteiramente à poesia, vivendo sob proteção dos nobres que apreciavam as suas sátiras, retribuindo através da escrita de loas elogiosas. referência As suas silvas, décimas, romances e sátiras eram vendidas na cidade pela Irmandade dos Homens Cegos, para a qual escrevia. Chegou a entrar no paço régio e a ser valido de D. João V que lhe concedeu o ofício de escrivão dos defuntos e de ausentes, cargo que Tomás Pinto se queixava nos seus poemas por não dar rendimentos suficientes. O seu estado financeiro fê-lo escrever uma série de petições ao rei, pedindo o hábito da Ordem de Cristo, ao infante D. António e outros nobres, à procura de patrocínio.

Foi um dos maiores críticos de Bartolomeu Lourenço de Gusmão, tendo sido ele quem alcunhou de Passarola o projeto fantasioso de um navio voador divulgado em princípios de 1709 por Gusmão e Joaquim Francisco de Sá Almeida e Menezes. http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/tbrandao.htm

Com ajuda do marquês de Cascais, Manuel José de Castro Noronha Sousa e Ataíde, publicou também uma recolha da sua poesia satírica, O Pinto Renascido Empenado e Desempenado - Primeiro Voo (1732), marcada por um conjunto de poemas que ilustram a sociedade portuguesa setecentista com um olhar jornalístico, se bem que mantendo o seu teor humorístico.

Nos últimos anos da sua vida, vivia apenas do suporte dos seus amigos, recebendo do Conde de Sabugosa uma casa na Junqueira, onde iria morrer no dia 31 de outubro de 1743.

A sua autobiografia burlesca em verso, Vida e Morte de Tomás Pinto Brandão, Escrita por Ele Mesmo Semivivo, só seria publicada a título póstumo, e aí relata os pormenores das suas aventuras pelo Brasil e por África, ao mesmo tempo que dá uma imagem curiosa e interessante do Portugal da época.

Referências

Ligações externas Obras de Tomás Pinto Brandão na Biblioteca Nacional de Portugal

Categoria:Poetas de Portugal Categoria:Naturais do Porto