O SMS Von der Tann foi o primeiro cruzador de batalha operado pela Marinha Imperial Alemã. Sua construção começou em março de 1908 nos estaleiros da Blohm & Voss e foi lançado ao mar em março do ano seguinte, sendo comissionado em setembro de 1910. Projetado em resposta aos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible, era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 283 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de mais de 21 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 24 nós.

O Von der Tann serviu na Frota de Alto-Mar e teve um início de carreira tranquilo que envolveu principalmente exercícios de rotina e cruzeiros de treinamento para portos estrangeiros. Fez em 1911 uma grande viagem diplomática para a América do Sul. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o navio foi usado em várias incursões contra o litoral britânico durante os primeiros dois anos de conflito. Esteve presente em meados de 1916 na Batalha da Jutlândia, quando afundou o cruzador de batalha britânico , mas também foi seriamente danificado por acertos inimigos.

O navio foi rapidamente reparado e voltou ao serviço, porém pouco fez pelo restante do conflito e nunca mais entrou em combate, passando os últimos anos da guerra realizando incursões infrutíferas no Mar do Norte com o objetivo de atrair uma parte isolada da Grande Frota britânica. A Alemanha foi derrotada em novembro de 1918 e o Von der Tann foi internado no mesmo mês na base britânica de Scapa Flow. Ele permaneceu no local até 21 de junho de 1919, quando foi deliberadamente afundado por sua tripulação. Seus destroços foram reflutuados em 1930 e desmontados.

Antecedentes A história do Von der Tann começou em 17 de maio de 1906, quando o imperador Guilherme II da Alemanha emitiu uma ordem para uma competição de projeto por um couraçado rápido que combinava a velocidade de um cruzador blindado com o poder de fogo de um couraçado. Guilherme estabeleceu que o novo navio deveria ter uma bateria principal de pelo menos quatro canhões de 283 milímetros e uma velocidade máxima pelo menos três nós (5,6 quilômetros por hora) a mais que os couraçados mais modernos. Ele queria que a embarcação fizesse parte de uma divisão rápida da frota principal, que poderia realizar funções de reconhecimento. Ele afirmou que os couraçados da Classe Nassau então em desenvolvimento deveriam ser a base para o novo navio. O almirante Alfred von Tirpitz, o secretário de estado do Escritório Naval Imperial, era contra o conceito por vários motivos, porém suas objeções foram descartadas com o anúncio no dia 31 do mesmo mês de que a Classe Invincible, os cruzadores blindados mais novos da Marinha Real Britânica, seriam armados com canhões de 305 milímetros.

A competição de projeto não pode ser realizada, pois o departamento de projeto da Marinha Imperial Alemã já estava ocupado finalizando os trabalhos na Classe Nassau. Eles logos teriam de começar os trabalhos em um novo cruzador blindado, designado provisoriamente de "F", que sucederia o , cuja construção começaria no início de 1907. Mesmo assim, Guilherme e seus apoiadores moldariam significativamente "F". O Departamento Geral da Marinha concordou que cruzadores blindados futuros deveriam ser capazes de lutar na linha de batalha como uma ala ligeira, o que necessitava de um armamento de nível de couraçado. Foi sugerido um navio armado com seis canhões de 283 milímetros e capaz de alcançar 23 nós (43 quilômetros por hora). Discussões continuaram, incluindo a publicação em julho de 1906 de um artigo por Waldemar Vollerthun, que argumentava que os dois tipos de navios, couraçados e cruzadores de batalha, eram fundamentalmente incompatíveis pela diferença de suas funções táticas.

Oficiais de alta patente discordavam sobre qual papel o novo navio deveria desempenhar. Tirpitz pensava na embarcação como uma réplica da Classe Invincible, tendo canhões maiores, blindagem mais leve e velocidade elevada a fim de atuar como batedor para a frota e para destruir cruzadores inimigos. Ele não tinha a intenção de usá-lo na linha de batalha. Entretanto, Guilherme, junto com maioria dos outros membros do Escritório Naval Imperial, era a favor de incorporar o navio à linha de batalha após o contato inicial com o inimigo ter sido feito, o que exigiria uma blindagem mais pesada. Esta insistência na capacidade de lutar como parte da linha de batalha era uma consequência da inferioridade numérica da Marinha Imperial diante da Marinha Real. Propostas iniciais tinham uma bateria principal de armas de 305 a 343 milímetros, mas limitações financeiras forçaram o uso de canhões menores e mais baratos. As mesmas torres de artilharia duplas de 283 milímetros desenvolvida para a Classe Nassau foram selecionadas para "F".

Desenvolvimento Tirpitz, percebendo que os britânicos tinham criado o cruzador de batalha, concluiu em 18 de julho que não era mais possível manter suas objeções por questões militares e políticas. Ele instruiu o Departamento Geral, o Departamento de Construção e o Departamento de Armamentos a prepararem projetos para um novo cruzador armado com oito canhões de 305 milímetros, bem como um novo couraçado armado com dez canhões. O projeto do primeiro foi rapidamente abandonado por Tirpitz, mas o segundo se tornou a Classe Helgoland. Ele pediu outro projeto de cruzador em 4 de setembro, desta vez com o armamento reduzido para armas de 283 milímetros. Outras exigências incluíam uma bateria secundária de dez ou oito canhões de 149 milímetros, deslocamento e custo não superiores ao da Classe Nassau e uma melhora de blindagem relação ao Blücher.

Várias propostas foram apresentadas durante uma reunião em 15 de setembro, resolvendo vários desacordos que existiam sobre o projeto. Rudolf von Eickstedt, o arquiteto naval que chefiava o Departamento de Construção, disse que já que testes de explosivos para os propostos sistemas de proteção do Blücher ainda não tinham sido terminados, a construção deveria ser adiada a fim de permitir quaisquer alterações em "F". Ele afirmou que canhões de 210 ou 240 milímetros seriam suficientes para penetrar a blindagem dos novos cruzadores de batalha britânicos. Entretanto, o capitão de mar August von Heeringen do Departamento Geral disse que armas de 283 milímetros eram necessárias para que o navio fosse capaz de enfrentar couraçados. O contra-almirante Eduard von Capelle, o vice-diretor do Escritório Naval Imperial, afirmou que a bateria principal poderia ser reduzida para compensar o peso de quaisquer melhoramentos que pudessem ocorrer no sistema de proteção dependendo dos testes do sistema de proteção subaquático. Tirpitz rejeitou a ideia de uma redução do tamanho das armas principais, mesmo que isso significasse aumentar o deslocamento concordado de dezenove mil toneladas.

Dentre os projetos preliminares estavam opções para uma bateria secundária em quatro torres de artilharia duplas ou em casamatas em uma bateria central. As propostas com torres de artilharia foram rejeitadas, deixando dois projetos. O primeiro tinha a bateria principal em duas torres de artilharia duplas à vante e à ré, mais quatro torres individuais, duas em cada lateral. O segundo tinha quatro torres de artilharia duplas, duas das quais à meia-nau. Eickstedt apresentou outra proposta com seis canhões de 283 milímetros e uma bateria secundária de 170 milímetros. As armas principais ficariam na linha central, o que proporcionaria o mesmo disparo lateral das outras duas propostas, mas com um deslocamento oitocentas toneladas mais leve. Tirpitz rejeitou esta ideia, citado o problema político de responder a um navio britânico com oito canhões construindo um com seis.

A equipe de projeto apresentou três arranjos básicos para Guilherme em 28 de setembro: "1a", com duas torres de artilharia duplas e quatro individuais; "2a", com quatro torres duplas; e "5a", com três torres duplas na linha central e duas individuais nas laterais. Todas as variantes tinham a bateria secundária em casamatas. Guilherme aprovou "2a", que a equipe de projeto continuou a refinar, produzindo "2b" ao mover as torres laterais para um arranjo en echelon que proporcionaria um disparo lateral teórico de oito canhões, porém na prática isso era impossibilitado pelos efeitos de disparo. A liderança da Marinha Imperial revisou as duas propostas durante uma reunião ocorrida em 7 de novembro, bem como uma versão atualizada de "5a". O Departamento Geral preferia o maior poder de fogo de "5a" e citou os efeitos de disparo como objeção a "2b". Tirpitz afirmou que "5a" exigiria um aumento significativo de deslocamento para igualar a velocidade de "2b". Ele e Eickstedt escolheram "2b", o que finalmente encerrou a questão. Nessa mesma reunião foi discutido a troca dos tracionais motores de tripla expansão por novas turbinas a vapor no sistema de propulsão, o que aumentaria a velocidade máxima para 24 nós (44 quilômetros por hora); isto produziu um projeto "2a1". Melhoramentos no esquema de proteção e aumento na potência indicada no sistema de propulsão resultaram na versão final, "2c1".

Guilherme autorizou oficialmente a construção de "F", a ser nomeado Von der Tann em homenagem ao general de infantaria bávaro Ludwig von der Tann-Rathsamhausen, em 22 de junho de 1907. O contrato de construção foi fechado com os estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo em 26 de setembro. O custo do navio foi de 36,523 milhões de marcos, um aumento de 33 por cento em relação ao Blücher e o dobro do , o cruzador blindado anterior. Os aumentos significativos de preço causaram grandes problemas para a frota alemã, pois as Leis Navais que ditavam o programa de construção presumiam que os preços permaneceriam um tanto estáveis com o passar do tempo.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Von der Tann O Von der Tann tinha 171,5 metros de comprimento da linha de flutuação e 171,7 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 26,6 metros, mas que posteriormente aumentou para 27,17 metros com a instalação de redes antitorpedo. Seu calado era de 8,91 metros à vante e 9,17 metros à ré. O deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a 21,3 mil toneladas. O casco foi construído com armações de aço tanto transversais quanto longitudinais e era subdividido em quinze compartimentos estanques, tendo também um fundo duplo que percorria 75 por cento do comprimento do navio.

Era considerada uma embarcação com boa navegabilidade e movimentos gentis, porém tinha uma leve tendência ardente. A direção era controlada por dois lemes lado a lado. Era difícil de controlar enquanto navegava de ré. Perdia até sessenta por cento de sua velocidade e alteava em até oito graus com seu leme totalmente virado. Tanques antibalanço foram instalados durante a construção, mas mostraram-se ineficazes e reduziam o balanço em apenas 33 por cento. Quilhas externas foram depois adicionadas para tentar melhorar a estabilidade, com o espaço antes dedicado aos tanques antibalanço sendo usados para armazenar mais combustível. Desta forma, o Von der Tann podia carregar 180 toneladas a mais de carvão.