O Sukhoi Su-25 Grach (Russo: Cy-25 ) (OTAN: Frogfoot) é um avião russo de apoio aéreo aproximado desenvolvido na União Soviética pela Sukhoi Design Bureau com asas fixas e motores duplos. O voo do primeiro protótipo ocorreu em 22 de Fevereiro de 1975, depois de uma série de testes e referências de utilidade e engenharia, entrando em produção no ano de 1979 na fábrica de Tbilisi.
Possui várias versões e atualizações ao longo dos anos, incluindo de dois lugares, modelo de exportação, entre outros.
O Su-25 possui extensa história operacional em mais de 30 anos de serviço. Foi altamente utilizado pela União Soviética na Guerra do Afeganistão (1979-1989), voando em missões contra-insurgência contra os Mujahideen. Teve importância para a Força Aérea Iraquiana na Guerra Irã-Iraque (1980-1988), sendo vários destruídos na Guerra do Golfo (1990-1991). Entre os anos de 1990 e 2010 esteve presente na Primeira e Segunda Guerra da Chechênia, na Guerra na Abecásia (1992–1993), no Conflito na Macedônia de 2001, Guerra da Ossétia do Sul em 2008, na Guerra no Alto Carabaque (2020) e na Invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Foi altamente exportado, o que o faz presente em diversos países, sobretudo em combate à insurgentes na África, Ásia e Europa, incluindo Costa do Marfim, Sudão, Angola, Peru, Irã e Iraque.
Desenvolvimento
Protótipo Frente a necessidade de um avião de ataque ao solo aproximado e suporte terrestre, a Sukhoi Design Bureau começou a desenvolver o projeto do Su-25 em 1968. Os objetivos eram conseguir um avião subsônico de extrema facilidade de uso, manutenção, altíssima manobrabilidade e resistência a danos, pontos que não eram acatados pelos aviões de ataque tático existentes na URSS no momento (caso do Sukhoi Su-7, Sukhoi Su-17 e Mig-23).Gordon and Dawes 2004, p. 6-7. Entre os anos de 1971 e 1972, a Sukhoi entra na disputa com a Yakovlev, Ilyushin e Mikoyan para uma aeronave de ataque, vencendo a disputa com o Su-25 como design mais avançado.
Em 1972 ocorre a revisão do projeto, e o protótipo é terminado em 1974 com a denominação T8-1, sendo o primeiro voo feito pelo piloto de testes Vladimir Ilyushin em 22 de Fevereiro de 1975. A Sukhoi continuou os testes com dois exemplares até outubro de 1976, observando a engenharia e procedimentos referentes ao mesmo. No ano de 1978 foi decidido pelo governo soviético o teste oficial, tendo como base as pistas do Afeganistão, usando dos dois protótipos, T8-1D e T8-3, quatro pilotos, dois do departamento de Design da Sukhoi e dois do Instituto R&D das Forças Armadas. Em 1980, no aeroporto de Shindand no Afeganistão, foram feitos 100 testes, sendo 44 missões táticas, demonstrando superioridade de combate notória sobre o Ilyushin Il-102, concluindo o batismo de fogo do Su-25.Gordon and Dawes 2004, pp. 23–41.
Design - Características
Características Gerais O Su-25 é uma avião que possui alta gama de armamentos e possibilidades de uso. Contém aerodinâmica convencional, com asas em formato trapezoidal sobre as entradas de ar, com calda e leme tradicional. Vários tipos de metal estão presentes na construção, 60% alumínio, 19% de aço, 13.5% titânio, 2% liga de magnésio and 5.5% de outros materiais.Gordon and Dawes 2004, pp. 73–75. thumb|Visão da frente do avião
No design, possui alongamento de asa alto, ângulo moderado e cantilever de metal. Cada asa possui cinco pilones aeronáuticos para carregar armamentos ou tanques adicionais, além de cinco sessões de Slats, dois Flaps e um Aileron.
A blindagem é reforçada para ataques próximos ao solo, sendo a versão SM com vidros a prova da munição, demonstrando ser altamente resistente a fogo antiaéreo. Os tanques de combustível são reforçados para serem a prova de explosão. Possui uma metralhadora 30mm com 250 disparos; capacidade de lançar mísseis ar-terra guiados Kh-29L, Kh-25LD; ar-ar R-73E; bombas incendiárias ZB-500; bombas não guiadas S-8, S-13, S-24, S-25; além de possibilidade de colocar células de combustível adicionais. thumb|Visão da asa do Su-25. 5 pilones aeronáuticos Como características de combate, o Su-25 foi projetado para ser usado em qualquer ambiente, independente de operacional diurno ou noturno e condições climáticas. Como referencial de apoio aéreo tático aproximado, seu uso foi múltiplo para ataques ao solo, de alvos blindados, tanques, pontes, posições de fogo, comboios, entre outros, passando de ambientes montanhosos até urbanos. Apresenta fácil manobrabilidade e uso, o que aumenta a utilização e eficiência para o qual foi projetado.
Aviônica thumb|Visão do Cockpit do Su-25 Possui uma amplitude de componentes. Utiliza-se de um sistema de Radar Doppler DISS-7 para navegação, podendo ser usado a noite tanto pelo visual quanto pelos instrumentos. Não tem sistema de TV para guiar ataques aéreos, utiliza-se de um sistema de alvo a laser. Contém um sistema de transponder SO-69 para identificação amigo ou inimigo, além de sistemas de sinalizador e Chaff para defesa contra armas antiaéreas e receptor do alerta de radar (RWR) SPO-15. As últimas versões, caso da SM e TM, possuem sistemas de aviônica e armamentos atualizados.Gordon and Dawes 2004, pp. 111–126.
Evolução Ao longo de mais de 30 anos de operação do Su-25, diversas mudanças ocorreram em seu projeto em busca de otimizar a performance. A primeira grande reestilização compreendeu entre 1987 e 1988 para melhorar sua capacidade de controle de danos, juntamente com a mudança de motor do R-95 para R-195. Obviamente, tal atualização foi decorrente da experiência adquirida no Afeganistão. Com o passar dos anos os sistemas do Su-25 foram modernizados conforme a evolução tecnológica e necessidades de campo.
História Operacional
Guerra do Afeganistão (1979-1989) A primeira unidade operacional foi o Ducentésimo Esquadrão Independente, inicialmente colocada em Sital-Chai na República Socialista Soviética do Azerbaijão. Em 19 de Julho ocorre a relocação desse esquadrão de ataque para a base aérea de Shindand no oeste do Afeganistão, tornando-se a primeira unidade de Su-25 introduzidos naquele país. Seu objetivo tático condizia em ataques de precisão em posições e estruturas controladas por rebeldes Afegãos nas montanhas. Outra unidade, o Trencentésimo Sexagésimo Oitavo Regimento de Ataque, o qual foi formado em 12 de julho de 1984, foi também introduzido posteriormente no país.Gordon and Dawes 2004, pp. 133–149.
Ao longo da Guerra do Afeganistão, o Su-25 lançou o total de 139 mísseis guiados de todos os tipos contra os Mujahideen e suas posições. Em média, cada aeronave fez 360 sorties por ano, o que é considerado o mais elevado número que qualquer outro tipo de aeronave no Afeganistão. Pelo fim da guerra, por volta de 50 Su-25 foram entregues às bases aéreas do país, carregando o total de sessenta mil sorties. Entre os anos de 1981 e 1989, período respectivo a entrada do primeiro esquadrão e suas saídas, entre 21 e 23 aeronaves foram perdidas em operações de combate, sendo 9 destruídas em solo.
Guerra Irã-Iraque (1980-1988) O Su-25 esteve presente na Guerra Irã-Iraque na Força Aérea Iraquiana. Foram feitos média de 900 sorties durante a guerra, sendo o principal anteparo iraquiano para ataques ar-solo. Durante o período mais intenso de combate da guerra, o Su-25 fazia em média quinte sorties por dia para cada unidade. Apenas um foi abatido por um míssil MIM-23 Hawk terra-ar, no qual o piloto conseguiu ejetar. Depois da guerra, Saddam Hussein condecorou todos os pilotos de Su-25 da Força Aérea Iraquiana com a maior honra militar do país.
Guerra de Nargorno-Karabakh (1988-1994) O Su-25 esteve presente em ambas as partes durante o conflito entre Armênia e Azerbaijão, sobretudo de forma não oficial, resultado de vários desertores da Rússia e Georgia. Seu uso não foi constante.
Guerra do Golfo (1990-1991) thumb|Um Su-25 abatido durante a Operação Tempestade no Deserto Devido a superioridade aérea das forças da coalizão na Guerra do Golfo, as unidades táticas de Su-25 não puderam decolar. Pelo menos 7 aviões voaram do Iraque para o Irã em 1991, buscando local seguro. O único combate que o Su-25 teve nessa guerra foi em 6 de fevereiro de 1991, no qual dois F-15 Eagle C dos EUA operando em Al-Kharj na Arábia Saudita, abateram dois MiG-21 e dois Su-25, que caíram em um deserto perto da fronteira com o Irã.
Guerra na Abecásia (1992-1993) A Força Aérea da Georgia usou Su-25 contra os separatistas na Abecásia durante a Guerra na Abecásia (1992–1993), sendo uma unidade derrubada em Nizhnaya Eshera por sistema de MANPADS SA-14.
Primeira Guerra da Chechênia (1994-1996) O Su-25 foram altamente utilizado na Primeira Guerra da Chechênia, juntamente com outras aeronaves, alcançando superioridade aérea e destruindo mais de 266 aeronaves Chechenas em solo. Foram feitas em torno de 5300 sorties de ataque entre os anos de 1994 e 1996, como parte do Quarto Exército Russo, que tinha 140 aviões, entre eles Su-17M, Su-24 e Su-25, os quais foram assessorados por um Beriev A-50 AWACS. Entre o armamento utilizado, bombas e mísseis não guiados, S-5, S-8, S-24, além de FAB-250 e FAB-5000; o uso de guiados compreendeu em torno de 2,3% dos ataques, com Kh-25ML, KAB-500L e KAB-500KR.THOMAS. Timothy L. Air Operations in Low Intesity Conflict: The case of Chechnya. www.airpower.maxwell.af.mil/airchronicles/apj/apj97/win97/thomas.pdf
A Primeira Guerra da Chechênia foi um importante marco para as forças russas, demonstrando necessidade de atualização de táticas aéreas, uso de equipamento e perspectivas. As forças russas não conseguiram tirar proveito da superioridade aérea, mesmo com pouca resistência a ataques aéreos e uso de táticas de guerrilha pelos terroristas chechenos.
Alguns incidentes ocorreram na guerra relacionados ao Su-25. Em 4 de fevereiro de 1995, um foi abatido por um veículo ZSU-23-4, a cerca de 5 quilômetros de Grozny. O piloto morreu devido ao impacto depois de ejetado, não abrindo o paraquedas a tempo. Em 5 de maio de 1995 outro Su-25 foi derrubado por disparos de calibre .50BMG/12.7mm, por arma antiaérea em solo.
No dia 4 de abril de 1996, um Su-25 foi abatido por um míssil disparado por um FIM-92 Stinger, quanto fazia reconhecimento sobre o vilarejo de Goiskoye. O piloto, Major Alexander Matvienko foi resgatado. Em 5 de maio de 1996 um Su-25UB foi derrubado por um MANPADS 9K34 Strela-3 em missão de reconhecimento perto de Mairtup. O piloto e co-piloto morreram. No total foram 5 Su-25 derrubados ao longo do conflito.
Guerra Eritreia-Etiópia (1998-2000) A Força Aérea da Etiópia usou Su-25 para atacar alvos na Eritreia durante a Guerra Eritreia-Etiópia. Em 15 de Maio de 2000 um Su-25 foi abatido por um Mig-29 da Força Aérea da Eritreia, matando o piloto.
Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000) A Força Aérea Russa usou intensamente o Su-25 na Segunda Guerra da Chechênia, entrando no estado separatista não reconhecido da República Chechena da Ichkeria após a invasão do Daguestão por terroristas chechenos. Ao longo das operações, apenas um Su-25 foi abatido, no qual foi utilizado MANPADS perto do vilarejo de Tolstoy-Yurt.
Conflito na Macedônia de 2001 Su-25 foram usados pela Força Aérea da Macedônia contra separatistas Albaneses no Conflito na Macedônia de 2001.Gordon and Dawes 2004, pp. 100–102.
Primeira Guerra Civil da Costa do Marfim (2002-2007) Su-25 foram utilizados pelo governo para atacar alvos rebeldes, autodenominados "novas forças", na Primeira Guerra Civil da Costa do Marfim. Em 6 de novembro de 2004, pelo menos um Su-25 atacou a força pacificadora francesa da ONU estacionada em Bouaké. Como retaliação, tropas francesas atacaram a base aérea de Yamoussoukro, destruindo pelo menos dois Su-25.
Guerra da Ossétia do Sul (2008) thumb|Su-25 Russo