A Província de Minas Gerais foi instituída no Reino do Brasil pelas Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, em 28 de fevereiro de 1821, ainda no âmbito do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criada a partir da Capitania de Minas Gerais.

Foi uma província do Império do Brasil a partir de 1822, e deu origem ao atual Estado de Minas Gerais, após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

História Durante o período do Império do Brasil, de 1822 a 1889, a Província de Minas Gerais desempenhou um papel fundamental na consolidação e estabilidade do novo regime político.

A província, historicamente rica e influente, continuou a exercer um papel central na economia, na política e na cultura do país.

Viagem de Pedro I às Minas (1822) A viagem do então Príncipe Regente Pedro a Minas Gerais em 1822 foi um evento histórico importante que ocorreu como parte do processo de independência do Brasil. Pedro de Alcântara, filho do rei de Portugal, João VI, estava no Brasil desde 1808, quando a família real portuguesa se refugiou no país devido às invasões napoleônicas.

Em 1822, o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, mas a insatisfação com o domínio português estava crescendo. Nesse contexto, Pedro decidiu realizar uma viagem a Minas Gerais, uma das províncias mais importantes e influentes do Brasil colonial. A viagem tinha como objetivo fortalecer seu apoio e obter o respaldo das elites locais para a independência.

Pedro partiu do Rio de Janeiro em 25 de março de 1822, acompanhado por uma comitiva de ministros, conselheiros e guarda-costas. A viagem foi feita a cavalo e durou cerca de um mês. Durante o percurso, Pedro I passou por várias cidades, incluindo a atual Petrópolis, Barbacena, São João del-Rei, Mariana e Ouro Preto. A viagem do futuro imperador Pedro a Minas Gerais foi fundamental para consolidar o apoio à independência e marcou um momento importante na história do país.

Consolidação territorial No fim do século XVIII, começou a ocupação das atuais regiões da Zona da Mata, Norte de Minas e Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A expansão dos limites de Minas Gerais continuou ao longo do século XIX."Metamorfose de Minas", por A. de Paiva Moura Em 1800, definiu-se a divisa com o Espírito Santo, a qual foi estendida até a Serra dos Aimorés. Em 1816, as atuais regiões do Triângulo e Alto Paranaíba foram incorporadas a Minas Gerais transferidas da Capitania de Goiás.

Durante o primeiro reinado, o território de Minas Gerais passou por algumas transformações. Em 1824 o atual noroeste de Minas deixou de pertencer a Pernambuco e foi incorporado a Minas, com a incorporação da Comarca do Rio São Francisco. Devido ao movimento separatista da Confederação do Equador, Pedro I a desligou do território pernambucano como punição e para evitar a irradiação das ideias republicanas do movimento.

A comarca foi transferida para a província de Minas Gerais, de acordo com o decreto de 7 de julho de 1824:

Após três anos sob administração mineira, a região foi anexada à Bahia em 15 de outubro de 1827 por outro decreto real:

Embora o decreto tenha especificado a incorporação provisória da comarca, o território da antiga comarca permanece como parte da Bahia até a atualidade.

Já a divisa com o Rio de Janeiro, estabelecida sem muita precisão desde 1709, foi fixada em 1843 e, em 1857, o Vale do Jequitinhonha foi definitivamente transferido da Bahia para Minas Gerais.

Viagem de Pedro I às Minas (1831) Em 1822, Pedro I já havia viajado a Minas Gerais com o objetivo de angariar apoio dos poderes locais contra as exigências das Cortes portuguesas para que retornasse a Portugal. Naquela ocasião, os poderes locais de Minas acabaram aderindo à regência de Pedro I, anulando tendências autonomistas e simpatizantes às Cortes de Lisboa.

Entretanto, em 1831, quando retornou a Minas Gerais como Imperador do Brasil durante o final do primeiro reinado, a situação era bastante diferente. Os cariocas, especialmente os liberais exaltados, criticavam veementemente o governo de Pedro I, especialmente em relação a um suposto "gabinete secreto" e aos ministros do Imperador. A aproximação entre os liberais exaltados e os militares, assim como a popularidade dos periódicos exaltados no Rio de Janeiro, contribuíram para a deslegitimação do governo de Pedro I, que buscou fazer uma nova visita a Minas Gerais para obter o apoio das elites locais.

A comitiva que o acompanhou a Minas incluía a Imperatriz Amélia, a baronesa de Stuomfeder, o veador particular da Imperatriz, seis reposteiros, um médico, um capelão e mais cinco criados particulares. Apesar de a visita representar uma honra pessoal e o reconhecimento da importância da província, a população se sentiu incomodada, pois os impostos aumentaram significativamente para financiar as festas.

Em 22 de fevereiro de 1831, Pedro I chegou a Ouro Preto, sendo recebido com uma multidão de pessoas. Durante a Proclamação no Palácio do Governador, o Imperador denunciou a existência de um partido desorganizador que espalhava panfletos e calúnias contra seu governo, além de mencionar um grupo que pregava a adoção de uma "forma federativa" em oposição à Constituição. Ele pediu ao povo que não se deixasse influenciar por essas doutrinas perniciosas, alertando sobre o perigo que representavam para o Brasil.

Os liberais responderam duramente à Proclamação, criticando-a na imprensa e ressaltando a impopularidade de Pedro I na província. Esses eventos fizeram com que os liberais mineiros e cariocas se unissem em defesa da causa nacional contra o governo considerado "despótico" e "antinacional" de Pedro I.

A visita não trouxe os resultados esperados, e menos de um mês após o retorno da viagem a Minas Gerais, Pedro I abdicou do trono.

Revolta do Turvo

Na mesma época dos dois acontecimentos acima, em 18 de dezembro de 1831, cerca de cinquenta pessoas do Distrito de Santa Rita do Turvo, Freguesia do Mártir São Manoel do Rio da Pomba e Peixe, Termo da Leal Cidade de Mariana, se reuniram com armas (espingardas, pistolas, espadas, facas, foicinhas e zagaias) às dez da manhã no chamado Arraial de Santa Rita. Na manifestação, ouvia-se gritos de "Viva D. Pedro I" bem como de "Viva à liberdade". O grupo saiu pelas ruas convocando escravos, estimulando-os a pegar em armas e a se juntar à revolta para que todos ficassem livres. As medidas aplicadas pelo governo liberal para reprimir os acontecimentos em Santa Rita do Turvo incluiu a prisão dos revoltosos e também a abertura de processos. Essas posições, contudo, não foram suficientes para abafar as lideranças conservadoras.

Revolta do Ano da Fumaça Também conhecida como a Sedição Militar de 1833, a Revolta do Ano da Fumaça foi um conflito regencial que aconteceu em Ouro Preto, na então Província de Minas Gerais, em 22 de março de 1833. O movimento foi nomeado dessa maneira porque durante alguns dias daquele ano instalou-se uma grande neblina na região. A Sedição Militar de 1833 foi um movimento sem consistência que queria o retorno de Pedro I ao país, mas foi logo abafado pelo governo provincial.

Revolta de Carrancas A Revolta de Carrancas ou Levante de Bella Cruz foi uma rebelião de escravos que eclodiu em 13 de maio de 1833, nas propriedades da família Junqueira, ao sul da província de Minas Gerais. A revolta teve início na fazenda Campo Alegre, propriedade de Gabriel Francisco Junqueira, tendo continuidade na fazenda Bella Cruz. A revolta de Carrancas e a Sedição de 1833 estão relacionadas pois aconteceram concomitantemente. Há indícios de que o levante de Carrancas teria começado com o boato de libertação dos escravos na sedição.Andrade, Marcos Ferreira. As revoltas do Ano da Fumaça (1833): a revolta dos escravos de Carrancas e a sedição militar de Ouro Preto

Revolta Liberal de 1842

miniaturadaimagem|Proclamação de Pedro II visando acalmar os ânimos dos políticos de ambas as denominações partidárias.

A Revolta Liberal de 1842, que ocorreu durante o Império do Brasil, foi resultado das tensões políticas entre o Partido Liberal e o Partido Conservador. Após as chamadas Eleições do Cacete de 1840, marcadas por violência e fraude, o jovem imperador Pedro II, que havia assumido o trono com apenas 14 anos após a Declaração da Maioridade, inicialmente formou um ministério composto por liberais. No entanto, em 1841, sob a influência de uma facção conservadora conhecida como os áulicos, o Imperador dissolveu o Gabinete da Maioridade, destituindo os liberais do poder. Este ato provocou forte insatisfação e levou à organização de revoltas em São Paulo e Minas Gerais no ano de 1842.http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/ministerio.html http://paginas.terra.com.br/informatica/argh/home_tj/materia/hbcap10.htm

Em Minas Gerais, a revolta começou em 10 de junho de 1842, na cidade de Barbacena, que foi escolhida como sede do governo revolucionário. O líder liberal José Feliciano Pinto Coelho da Cunha (mais tarde conhecido como Barão de Cocais) foi aclamado como presidente interino da província pelos revoltosos.

O governo imperial, buscando reprimir o movimento, enviou a Guarda Nacional e tropas do exército para combater os insurgentes e prender seus líderes. Em 4 de julho, em Queluz, as forças imperiais sofreram uma derrota para os revoltosos comandados pelo Coronel Antônio Nunes Galvão. Após essa vitória, os rebeldes receberam reforços de várias cidades mineiras, como Santa Luzia, Santa Quitéria, Santa Bárbara, Itabira, Caeté e Sabará. Entretanto, a notícia da derrota das forças liberais em São Paulo gerou divergências entre os mineiros sobre um possível ataque a Ouro Preto.

Um episódio importante dessa revolta foi a batalha travada em Santa Luzia, onde o Solar Teixeira da Costa, que hoje abriga a Casa da Cultura, serviu como quartel-general dos revoltosos. Ainda é possível ver as marcas de bala nas janelas do casarão, testemunhas da luta. A batalha decisiva ocorreu no Muro de Pedras, entre as forças de Teófilo Benedito Ottoni e as tropas governistas lideradas pelo Duque de Caxias.

O Duque de Caxias, que havia sido nomeado comandante do exército pacificador, utilizou a mesma estratégia que havia empregado em São Paulo: tomar rapidamente a capital da província. No dia 6 de agosto de 1842, as tropas imperiais conseguiram capturar Ouro Preto, encerrando o levante em Minas Gerais. miniaturadaimagem|Monumento aos Bravos, ligado à Revolução Liberal de 1842, em Santa Luzia

O movimento de 1842 foi uma tentativa de reação do Partido Liberal à perda de poder após a ascensão dos conservadores, que haviam implementado medidas centralizadoras, como a recriação do Conselho de Estado e a reforma do Código do Processo Criminal de 1832. Essas ações, particularmente a lei nº 261 de dezembro de 1841, retiraram muitos dos avanços liberais alcançados com o Código Penal de 1830 e exacerbaram o conflito entre os dois partidos.

Os líderes do movimento liberal foram reprimidos pelas forças do governo, mas em 1844, o Imperador Pedro II concedeu anistia aos envolvidos na revolta, permitindo a reintegração de muitos deles à vida política. Esse gesto conciliador refletia a visão do Imperador, como apontado pelo historiador João Ribeiro: "as guerras civis e revoltas não passavam de equívocações sanáveis com o tempo e com a generosidade do governo".

Imigração

Os movimentos migratórios desempenharam papel relevante na formação demográfica da Província de Minas Gerais ao longo do século XIX. Embora a província não tenha recebido contingentes de imigrantes estrangeiros tão numerosos quanto aqueles direcionados para as províncias do Sul ou para as zonas cafeeiras de São Paulo, foi destino de diferentes fluxos populacionais, tanto voluntários quanto compulsórios.