O Rally dos Sertões é uma competição brasileira de rali, que acontece anualmente e tem duração de dez dias. Normalmente, as quatro primeiras etapas são válidas para o Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country. O nome do rali remete à grande obra literária de Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, à Coluna Prestes e à Virgulino Ferreira, o "Lampião".
Além da competição que envolve carros, caminhões, motos, quadriciclos e UTVs, o Sertões também é conhecido por levar Ação Social e Ambiental para os locais por onde a prova passa. O rali leva uma caravana de quase 2 mil pessoas por edição e movimenta todos os setores da economia das cidades por onde passa.
História A história do Rally dos Sertões começa com o Rally São Francisco, em 1991, entre Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e Maceió, nas praias do Nordeste brasileiro. O ano de 1993 marcou a primeira edição do Rally dos Sertões, com largada em Campos do Jordão, na região fria e montanhosa do estado de São Paulo, com chegada nas praias do Rio Grande do Norte. A competição reuniu 34 motos (então era a única categoria) e 3,5 mil quilômetros de percurso. Natal foi também o destino final da segunda edição, em 1994, com 4,5 mil quilômetros e 44 pilotos de todo o Brasil e também estrangeiros, iniciando a fase internacional do evento.
Os resultados positivos dos dois primeiros anos selaram à terceira edição do Rally Internacional dos Sertões, em 1995, o status de grande evento, a confirmação vindo pela participação de ícones do motociclismo mundial, como o italiano Edi Orioli, que venceu o Rally Dakar de 1996, e os espanhóis Fernando Gil e Jordi Arcarons. A terceira edição do Sertões marcou também a estreia dos carros com tração 4x4, tornando as possibilidades da prova ainda maiores.
Em 1996, o evento passou às mãos de Marcos Ermírio de Moraes e à Dunas Race, empresa por ele criada, para transformar a competição no maior rali do mundo disputado dentro de um único país.
Em 2008 o Rally dos Sertões passou a contar como uma das etapas do Mundial Cross-Country da Federação Internacional de Automobilismo para carros e caminhões.
O Sertões move uma caravana de 2 mil pessoas durante 15 dias, tendo governos, prefeituras, investidores privados e empresas de comunicação como parceiros para movimentar algo perto de R$ 50 milhões por edição. Por estimular o consumo em cada uma das pequenas cidades pela qual a prova passa, gera um impacto econômico único para aquelas comunidades.
Ação Ambiental
Desde 2001, a equipe de Ação Ambiental do Rally dos Sertões é responsável pela limpeza de todos os detritos e resíduos deixados pelos competidores ao longo dos mais de 5 mil quilômetros de percurso da competição, bem como o recolhimento de todo o lixo resultante dos acampamentos da prova. O grupo também é incumbido de indenizar – em dinheiro e assim que passa o último concorrente – os proprietários das áreas rurais que tenham sofrido algum tipo de dano, como a quebra de cercas ou de porteiras.
Formada por dez integrantes a cada etapa - quatro permanentes e seis recrutados em cada cidade - a equipe de Ação Ambiental do Rally dos Sertões é dividida em dois grupos. O primeiro cuida diretamente do trabalho nas trilhas. À bordo de uma picape 4x4, equipada com rádio, sistema de rastreamento via satélite e todos os recursos para limpeza – como pás, vassouras e produtos para absorção de resíduos no solo ou na água – o grupo liderado parte para a trilha logo após a largada do último caminhão inscrito na competição. Ao longo do percurso, vão sendo recolhidos pneus, peças (ou fragmentos) de alumínio e de fibra de vidro, papéis e plásticos.
O segundo coordena as tarefas de recolhimento e de coleta seletiva dentro dos acampamentos; por meio de acordos com as prefeituras locais, todo o lixo é encaminhado para programas de reciclagem. O trabalho também inclui a distribuição de cinzeiros ecológicos, sacolinhas plásticas para serem levadas nos veículos de competição e de apoio, e sacos de lixo para acondicionamento dos detritos nos próprios acampamentos.
Prêmios Vencedora do Enviromental Awards 2009, prêmio concedido pela FIM (Federação Internacional de Motociclismo) aos mais destacados programas de conscientização e de preservação do meio ambiente ligados aos esportes a motor em todo o mundo.
Vencedora de Prêmio concedido pela UML (União Latino-Americana de Motociclismo) entidade filiada à FIM, em 2007.
Saldo Ao longo dos dez dias de competição do Rally dos Sertões, a equipe de Ação Ambiental distribui mil cinzeiros ecológicos, 6 mil sacolinhas plásticas, 6 mil sacos de lixo, e utiliza 20 kg de produtos para absorção de resíduos líquidos. Ao todo, são recolhidos ao longo do percurso 750 kg de detritos, 75 litros de óleo e 15 toneladas de lixo - papel, plástico, alumínio e vidro, além de 600 litros de óleos lubrificantes e de cozinha - dos acampamentos. No total, são empregados 100 voluntários e cerca de 10 mil pessoas são impactadas de forma positiva, direta ou indiretamente.
Equipe A Ação Ambiental do Rally dos Sertões é uma atividade desenvolvida pela equipe "Os Canastras", que surgiu como uma agência de turismo voltada aos esportes de aventura dentro da Serra da Canastra, em Minas Gerais. Além de Carlos Andrade, o "Carlão", coordenador geral de Ação Ambiental do Rally dos Sertões, os outros três integrantes da equipe são Orlei de Souza, Marcos Campos e Rômulo Miranda. Eles deixaram de lado as atividades de turismo e são especializados em ações ambientais para eventos fora de estrada.
Ação Social
A importância do Rally dos Sertões vai muito além do aspecto esportivo. Por onde passa com sua enorme caravana de mais de 2 mil pessoas, o rali é sinônimo de esperança e prosperidade. Além dos benefícios econômicos, é realizado há 12 anos um importante trabalho social que começa antes e não cessa com o fim da competição.
O Programa de Desenvolvimento Sustentável da Escola (PDSE), desenvolvido pelo Instituto Brasil Solidário, leva educação, saúde, esportes, cultura e ensinamentos sobre meio ambiente para cidades que recebem o Rally dos Sertões.
Entre as principais ações executadas estão: montagem de uma biblioteca completa com acervo de 1,2 mil livros e revistas, doação de material esportivo, oficinas de artes, pintura, atividades de lazer voltadas ao público infantil, atendimentos oftalmológicos com doação posterior de óculos, atendimentos médicos e odontológicos – incluindo uma farmácia, que doa medicamentos prescritos por um especialista –, palestras educativas, montagem de horta, viveiro e arborização, sala sustentável, oficina de papel reciclado, apresentações locais, entre outras atividades.
Em 2012, a Ação Social do Rally dos Sertões foi desenvolvida pela Universidade Metodista de São Paulo.
A partir de 2013, a organização social SAS Brasil passou a realizar as ações sociais do Rally dos Sertões, levando atendimento médico especializado às populações das regiões remotas por onde a prova passava. Em 2019, a SAS Brasil tornou-se o braço social oficial do Rally dos Sertões, ampliando a parceria. Dezenas de milhares de pessoas já foram atendidas nos projetos sociais realizados pela organização desde 2013.
Categorias e Subcategorias Motos Cada piloto pode levar dois motores reserva lacrados, que passam por vistoria dos comissários técnicos e podem ser trocados em qualquer momento do rali.
Super Production Com preparação livre, as motos protótipos e originais de fábrica podem ter motorização de 250 a 1300 cm³ de cilindrada. O mesmo chassi deve ser utilizado durante todo o rali, caso seja feita alguma alteração, o piloto é imediatamente desclassificado.
Production Aberta Originais de fábrica com até 700 cm³ de cilindrada, as motos desta categoria podem ter motores de dois ou quatro tempos e devem seguir as normas da Federação Internacional de Motociclismo (FIM). Pneus, rodas, bancos, tanque de combustível, escapamento, suspensões traseira e dianteira, transmissão secundária, guidão, caixa de ar, controle de marchas e freio podem sofrer alterações de modo a aumentar a competitividade, resistência e segurança. Como na Super Production, o chassi deverá ser o mesmo durante todo o rali, mas pode receber reforço e a troca da embreagem precisa ser autorizada pelo comissário técnico do Sertões. Manutenção, só a básica, como a regulagem de mistura de combustível no carburador, troca de pneus, raios, aros, lonas e pastilhas de freio, para-lamas e limpeza de filtros.
Marathon Com as mesmas regras de manutenção da Production Aberta, as motos desta categoria possuem motores de 250 a 450 cm³ de cilindrada de dois e quatro tempos. Entram também motos fabricadas no Brasil com até 700 cm³ de capacidade.
Over 45 Com motos nacionais ou importadas, nesta categoria os pilotos precisam ter no mínimo 45 anos de idade. O regulamento é o mesmo da Super Production.
Rally Moto Brasil Motocicletas de trail e enduro, de até 300cc de 2 e 4 tempos produzidas no Brasil, com preparação livre.
230 Exclusiva para as motos Honda CRF230http://sertoes.com/files/Regulamento_Particular_Sertoes2018_Motos_Quadris_UTV_CBM.pdf
Self Destinada à participação de pilotos que disputam a prova sem auxílio mecânico. Foi criada em 2018 com objetivo de resgatar o espírito dos primeiros ralis e fornecer uma opção de menor custo. Permite motos e quadriciclos de qualquer cilindrada. https://www.vipcommnews.com/rally-dos-sertoes-2018-categoria-honda-crf-230/
Quadriciclos Com tração 4x2 ou 4x4, os quadris podem ter motorização de até 1.300 cm³ de cilindrada e assim como nas motos, podem levar dois motores-reserva lacrados, que passam por vistoria dos comissários técnicos da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e podem ser trocados em qualquer momento do rali. Este ano, nove pilotos estão inscritos nesta categoria no Rally dos Sertões.
UTVs Considerado um meio termo entre um quadriciclo e um carro, o UTV conta 12 duplas na 20ª edição do Rally dos Sertões. Sigla para Utility Task Vehicle (Veículo multi-tarefas), o UTV é um derivado do quadriciclo, mas em vez do guidão, o piloto tem volante, banco com cinco de cinco pontos e pedais, como em um carro. Utiliza-se da mesma motorização e homologação via CBM. Estreando de forma experimental no Sertões, possui uma gaiola com reforço na estrutura tubular para proteger piloto e navegador, portas rígidas, redes protetoras laterais e banco tipo concha. O uso de pneus é livre e o motor tem 89 cavalos de potência, podendo atingir até 130 km/h.
Carros A categoria Carros está dividida em T1-FIA, Protótipo-T1, Pró Brasil, Super Production, Production-T2.
T1-FIA Com peso mínimo que varia entre 860 e 2.050 quilos, dependendo da capacidade cúbica dos cilindros e na tração, os carros dessa categoria podem ser equipados com motores turbo, mas com no máximo dois estágios e não são permitidos propulsores com pós-combustão. Carros a gasolina ou diesel com duas válvulas por cilindro devem usar restritores de ar na admissão com no mínimo 34 milímetros e com 32 nos carros com mais de duas válvulas. Os veículos turbo diesel devem usar restritores com 39 milímetros.
Apenas chassis com estruturas tubulares de no mínimo 1,5 milímetro de espessura são liberados e a transmissão deve ser completamente manual, mas o câmbio sequencial é permitido. No caso da suspensão, apenas sistemas que permitem regulagem de flexibilidade e altura dos carros em movimento são proibidos; o restante é livre. Carros com tração 4x4 devem utilizar rodas com no máximo 810 milímetros e nos veículos 4x2 a medida máxima é de 940 milímetros.
Protótipo-T1 Nesta categoria os carros podem ser modelos preparados ou protótipos com tração 4x4 ou 4x2, movidos a gasolina, etanol ou diesel. Os restritores de ar na admissão devem ser de 36 milímetros nos carros a gasolina, 38 nos modelos nos modelos a etanol e 40 no caso do diesel ser o combustível.
Pró-Brasil