Pedro Fernandes de Bragança (antes de 1130 - depois de 1195), foi senhor de Bragança, um rico-homem e cavaleiro medieval do reino de Portugal e ainda mordomo-mor de D. Afonso Henriques entre os anos de 1169 e 1175, e depois na corte dos primeiros anos de D. Sancho I até 1194.

Primeiros anos Pedro era filho primogénito de Fernão Mendes II de Bragança e da sua primeira esposa, Teresa Soares da Maia, pertencendo desta forma a uma das mais notáveis linhagens do Reino de Portugal, os Bragançãos. Esta família reveste-se de especial importância, pois para além do seu domínio incontestável na atual região de Trás-os-Montes, que integrava os seus domínios fronteiriços, que podiam facilmente mudar a fação do reino que apoiava (entre Portugal e Leão), destacava-se a sua reputação de valentes guerreiros. A acrescentar a estas qualidades, e a acreditar nos Livros de Linhagens, o seu trisavô, Fernão Mendes I, teria casado com uma infanta filha de Afonso VI de Leão, dando-lhe desta forma um poder equiparável ao do seu suposto cunhado Henrique de Borgonha.

Na corte Quando se compara a sua carreira curial com a do seu irmão, Pedro surgiu relativamente tarde na corte (1162), pois o seu irmão mais novo, Mem Fernandes II de Bragança, havia sido já alferes-mor entre 1146 e 1147, e migrara para Leão em 1156, onde desempenhara nova alferesia. Em Portugal Pedro Fernandes terá aparecido na corte pela primeira vez em dezembro de 1162, quando confirma o foral concedido a Mós. Por esta altura deteria já o cargo de tenente de Bragança que lhe foi atribuído, tradicional na família e geralmente na posse dos seus chefes. Em 1186 surgiu também com a tenência de Viseu.

O seu casamento com Fruilhe Sanches de Celanova era já tradicional na linhagem no que diz respeito ao seu caráter régio, uma vez que a mulher era, pelo lado materno, sobrinha de Afonso I de Portugal. Ao mesmo tempo, por esta mesma ligação, era sua "co-irmã", já que Sancha Henriques, a referida irmã daquele monarca, era também sua madrasta. Aparte a ligação muito próxima entre os nubentes, Pedro tentou aproximar-se também de magnates influentes na corte, e o pai de Fruilhe, Sancho Nunes de Celanova, fora um deles, dado que combatera na Batalha de São Mamede ao lado do então infante Afonso contra a fação da mãe deste, Teresa de Leão.

Contudo, foi a Mordomia-mor, ao lado do cunhado, Vasco Sanches de Celanova, que fez com que Pedro de facto sobressaísse na corte. Os dois cunhados parecem desempenhar o cargo simultaneamente até 1172, data a partir da qual Pedro começa a confirmar-se como único mordomo, e assim se manteria até 1175, quando foi substituído.

Apesar de ter sido destituído, Pedro continua a estar documentado, pelo menos em Portugal, até 1190.

Em Leão À semelhança do seu irmão, é provável que em determinado momento tenha deixado a corte portuguesa para se instalar em Leão, onde terá servido Afonso IX, dado que surge em 1193 como tenente da Extremadura. Pedro poderia na verdade estar a desempenhar o cargo desde 1190, e ter continuado a exercê-lo até 1195.

Pedro está documentado até 1195, tendo provavelmente falecido pouco depois desta data.

Papel fundiário Pedro e Fruilhe eram proprietáriosPedro e a esposa são muitas vezes referidos nas inquirições de 1258, mandadas fazer por Afonso III de Portugal. de diversos bens em vários julgados transmontanos. Pedro herdou os haveres das localidades de Torre de Dona Chama e vizinhas, no concelho de Mirandela. A freguesia de Algeriz é referenciada nas inquirições como uma povoação honrada, pertença de filhos e netos de D. Pedro Fernandes de Bragança, bem como da Ordem do Hospital. Esta ordem foi uma das mais beneficiadas pelas doações de Pedro e da sua esposa, que incidiam sobretudo nas terras de Mirandela e Ledra, como o couto de Sambade, em Alfândega da Fé.

Ainda nesse julgado, Pedro doou a freguesia de Vilarelhos, situada na margem esquerda da Ribeira da Vilariça, no vale da Vilariça (no coração do nordeste transmontano) ao Mosteiro do Bouro.

Matrimónio e descendência Pedro desposou, em data incerta, Fruilhe Sanches de Celanova, filha de Sancho Nunes de Celanova e de D. Sancha Henriques, infanta de Portugal, de quem teve:

Garcia Pires de Bragança "Ledrão", provavelmente o filho mais velho, casou com Gontinha Soares de Tougues; Fernão Pires de Bragança, casou com uma asturiana e foi pai de Fernão Fernandes de Bragança; Vasco Pires de Bragança, casou com Sancha Pires de Baião; Nuno Pires de Bragança, teve filhos com Maria Fogaça; Sancha Pires de Bragança, casou com Ermígio Mendes de Ribadouro; Teresa Pires I de Bragança, casou com Afonso Hermiges de Baião.

Bibliografia

Gayo, Manuel José da Costa Felgueiras, Nobiliário das Famílias de Portugal, Carvalhos de Basto, 2ª Edição, Braga, 1989. vol. I-pg. 601 (Azevedos) e vol. II-pg. 236 (Barbosas).

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