alt=Original pertencente a família do bibliógrafo Hélio Gravatá, cujos antepassados residiam em Salvador na província da Bahia nesta época.|miniaturadaimagem|362x362px|As listas de família eram preenchidas geralmente pelo/pela chefe do domicílio, na época chamado de "fogo". O censo demográfico do Brasil de 1872, também conhecido como Recenseamento da População do Imperio do Brazil, foi a primeira operação censitária realizada em território brasileiro, à época imperial.
O Império do Brasil estava realizando um desmonte do chamado "elemento servil", por isso, precisaria estimar a diminuição anual do número de escravos no país.
Foram recenseados todos os moradores em domicílios (chamados de "fogos") particulares e coletivos e que se encontravam nele na data de referência do censo que foi o dia 1º de agosto de 1872. A distribuição da população se fez segundo a cor, o sexo, o estado de livres ou escravos, o estado civil, a nacionalidade, a ocupação e a religião.
Diretoria Geral de Estatística Durante o período imperial, o governo sentiu necessidade de obter dados estatísticos para melhor conhecer o País. Por conta disso, em 1871, pelo decreto n. 4676, em cumprimento à lei 1.829, criou-se a Diretoria Geral de Estatística (DGE), para organizar as atividades estatísticas nacionais e realizar, no ano seguinte, o primeiro recenseamento feito no Brasil. Com a instalação da República, o novo governo reorganizou a DGE e ampliou suas atividades, implantando o registro civil de nascimentos, casamentos e óbitos. A partir de 1890, realizados pela então Direção Geral de Estatística, os censos ocorreram de dez em dez anos, com a exceção de 1910 e 1930, nos quais a conjuntura política impediu a realização. A DGE foi dissolvida em 1931, e apenas em 1934 seria criado um órgão equivalente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Perfil da população thumb|esquerda|upright=1.5|Brasileiros do século XIX. 1ª linha: brasileiros brancos. 2ª linha: brasileiros pardos (da esquerda para a direita: duas mulheres mulatas, duas mulheres cafuzas e uma garota e um homem caboclo). 3ª linha: três brasileiros índios de diferentes tribos seguidos por afro-brasileiros de diversas etnias Os resultados finais revelaram que o Brasil tinha 9.930.478 habitantes, sendo 5.123.869 homens e 4.806.609 mulheres. Os homens representavam 51,6%, e as mulheres 48,4% da população total. Com relação ao número de habitantes, os resultados não incluem 181.583 habitantes, estimados para 32 paróquias, nas quais não foi feito o recenseamento na data determinada. miniaturadaimagem|317x317px|Grupos étnicos de maior percentual nos municípios do Brasil Segundo o censo 38,3% eram pardos, 38,1% brancos e 19,7% negros. Os índios, nomeados no censo como "caboclos", perfaziam 3,9% do total, curiosamente, os indígenas ficaram durante 101 anos sem aparecer como categoria separada nos levantamentos populacionais, só retornando em 1991. No caso dos indígenas, alguns, pelo tom de pele, podem ter sido classificados como “pardos”; além disso, a ampla maioria dos povos originários foi ignorada pelo censo, porquanto diversas aldeias não foram contadas, porque houve dificuldade de se chegar a elas. Devemos considerar, também, que inúmeros povos indígenas viviam em tribos isoladas, conservando seus hábitos tradicionais de existência. miniaturadaimagem|317x317px|Proporção de escravos por munícipio Em 1872, os escravos representavam 15,2% da população brasileira, destes 31% foram declarados como sendo pardos. Alguns municípios possuíam mais escravos que pessoas livres, como em Santa Maria Magdalena, São João da Barra, Valença, Pirahy e Vassouras, no Rio de Janeiro; Bananal, em São Paulo; Santa Cruz, na Bahia; e São Luiz Gonzaga, no Maranhão.
Os estrangeiros somavam 3,8% da população do Brasil. Do total de imigrantes, 36% eram escravos. Os “africanos”, escravos, livres ou libertos, eram a maior parte dos estrangeiros (46%); em seguida, estão portugueses (33%), alemães (10,5%), italianos (2,1%) e franceses (1,8%). Apesar de não estarem arrolados no censo, a maioria dos "africanos", eram provenientes de diversos grupos étnicos, os predominantes eram: os Iorubás, Bantos, Minas, Jejes, Hauçás; oriundos de ao menos oito grandes regiões do continente, como Senegâmbia, Golfo do Benim, África Centro-Ocidental e Golfo de Biafra, e outras.
Entre a população livre, 23,4% dos homens e 13,4% das mulheres foram considerados alfabetizados. Da população que tinha entre 6 e 15 anos, 17% dos homens e 11% das mulheres frequentavam escolas. Os dados populacionais por faixa etária mostraram que 24,6% da população eram de crianças menores de 10 anos de idade; 21,1% eram adolescentes e jovens entre 11 e 20 anos; 32,9% eram adultos entre 21 e 40 anos; 8,4 % tinham entre 41 e 50 anos; 12,8% tinham entre 51 e 70 anos; e, por último, apenas 3,4 % tinham mais de 71 anos de idade.
99,72% da população foi classificada como católica (9.902.712 pessoas) e 0,28% (27.766) como não católica. 80% dos “acatólicos” eram imigrantes alemães. Esses dados, contudo, devem ser analisados com cautela. Havia, naquela época, cerca de 383 mil índios, que seguiam suas próprias concepções religiosas. Além do mais, todos os escravos foram classificados como católicos, porém muitos deles mantinham a religiosidade originária da África que, após a abolição, daria origem às religiões afro-brasileiras.Religião Províncias e o Município Neutro no território do Império do Brasil em 1872.|thumb|238x238px|borda miniaturadaimagem|236x236px|Quadro geral da população escrava considerada em relação aos sexos, estados civis, raças, religião, nacionalidade, e graus de instrução para a Província do Rio Grande do Norte no censo de 1872.
O censo apresenta, além da contagem da população, informações específicas sobre pessoas com deficiência, acesso à escola e profissões exercidas, entre outras. Na época, a profissão de lavrador era a com o maior número de pessoas, seguida por serviços domésticos. Das profissões liberais, a de artista tinha mais representantes, inclusive entre a população escrava. Dentre as mulheres as profissões predominantes eram de serviço doméstico, lavradoras e costureiras. Partindo da população total (homens e mulheres), cerca de 42% não tinham profissão (55% entres os livres, 24% entre escravos). A própria DGE reconhece que o contingente sem uma profissão específica era “enorme”, sobretudo nas províncias do Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Pernambuco.
O Censo registrou quase 10 milhões de habitantes distribuídos em 20 províncias e no Município Neutro. O Brasil se dividia em 641 municípios, que, por sua vez, se subdividiam em 1.473 paróquias, as unidades mínimas de informação. A coleta foi realizada nas paroquias.
Neste Censo, a atual região Nordeste ainda aparecia como a maior do país. Das oito províncias mais populosas do Brasil, metade eram do nordeste, também estavam dentre as mais povoadas, já que Pernambuco tinha área menor que São Paulo mas com população maior; e a Paraíba com quase a mesma população do Rio Grande do Sul e área bem menor também. Os moradores das atuais regiões nordeste e sudeste combinados compunham 87,2% da população do país.
É necessário destacar que no Império do Brasil os contemporâneos entendiam o país como sendo geograficamente dividido em apenas duas grandes regiões: o norte (as províncias localizadas do Amazonas à Bahia) e o sul (do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul). Sendo assim, a população nortista, ou seja, as que viviam da Bahia ao Amazonas, era de 4 971 407 (50, 06%) e as que viviam nas demais províncias, ou seja o sul, eram de 4 683 469 (47,16%); portanto, a população das duas regiões era praticamente equivalente, com uma pequena vantagem para o norte.
O Município Neutro, localizado entre as províncias do sul, possuía 274 972 habitantes, cerca de 2,77% da população do país. Minas Gerais, com 2 039 735 habitantes era a província mais populosa e com maior número de paróquias (370), a melhor distribuição da população nas paróquias (incluindo áreas urbanas e rurais) era um resquício da emigração populacional decorrente da atividade minerária, que teve seu apogeu no século anterior e levou à mudança da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763 (as duas maiores cidades no censo de 1872).
Em 1872 o peso da população rural era enorme quando comparado ao da urbana. A população das capitais provinciais e do Município Neutro representava 10,41% da população total, ou seja, 1 083 039 pessoas. Para completar o quadro, 48% da população urbana concentrava-se apenas nas cidades do Rio de Janeiro, Salvador e Recife.
Municípios mais populosos em 1872
População por província
ProvínciaMunicípiosParóquias não incluídasTotal de paróquiasPopulação Livre% LivrePopulação Escrava% Escravos Total da população em 1872 Amazonas 7 - 22 56 631 98,30 979 1,70 Pará 32 - 70 247 779 90,02 27 458 9,98 Maranhão 37 1 53 284 101 78,95 74 939 21,05 Piauí 22 2 27 178 427 88,23 23 795 11,77 Ceará 46 - 57 689 773 95,58 31 913 4,42 Rio Grande do Norte 22 - 27 220 959 94,44 13 020 5,56 Paraíba 24 - 38 354 700 94,28 21 526 5,72 Pernambuco 39 - 71 752 511 89,42 89 028 10,58 Alagoas 19 - 28 312 268 89,73 35 741 10,27 Sergipe 24 5 30 153 620 87,16 22 623 12,84 Bahia 72 - 169 1 211 792 87,84 167 824 12,16 Espírito Santo 13 - 25 59 478 72,41 22 659 27,59 Rio de Janeiro 33 6 123 490 087 62,61 292 637 37,39 São Paulo 89 - 142 680 742 81,29 156 612 18,71 Paraná 16 - 23 116 162 91,67 10 560 8,33 Santa Catarina 11 - 38 144 818 90,62 14 984 9,38 Rio Grande do Sul 28 4 72 367 022 84,41 67 791 15,59 Minas Gerais 72 14 370 1 669 276 81,84 370 459 18,16 Goiás 26 - 54 149 743 93,36 10 652 6,64 Mato Grosso 9 - 15 53 750 88,97 6 667 11,03 Município Neutro - - 19 226 033 82,20 48 939 17,80 Império do Brasil 641 32 1473 8 419 672 84,78 1 510 806 15,22
População dos municípios das capitais de província ProvínciaCapitalPopulaçãoProporção em relação à da provínciaPosição no país Amazonas Manaos29 33450,9%74º Pará Belém61 99722,5%7º Maranhão São Luís31 6048,8%62º Piauí Therezina21 69210,7%137º Ceará Fortaleza42 4585,9%26º Rio Grande do Norte Natal20 3928,7%160º Paraíba Parahyba24 7146,6%105º Pernambuco Recife116 67113,9%3º Alagoas Maceió27 7038%83º Sergipe Aracaju9 5595,4%366º Bahia Salvador129 1099,4%2º Espírito Santo Victória16 15719,7%211º Rio de Janeiro Nictheroy47 5486,1%20º São Paulo São Paulo31 3853,8%64º Paraná Curitiba12 65110%280º Santa Catarina Desterro25 70916,1%96º Rio Grande do Sul Porto Alegre43 99810,1%23º Minas Gerais Ouro Preto48 2142,4%19º Goiás Goyaz19 15911,9%174º Mato Grosso Cuiabá35 98759,6%48º
População cabocla (indígena) por província Província População total Caboclos % Amazonas 57 610 36 828 63,9 Pará 275 237 44 589 16,2 Maranhão 359 040 10 943 3,0 Piauí 202 222 13 453 6,6 Ceará 721 686 52 837 7,3 Rio Grande do Norte 233 979 11 039 4,7 Paraíba 376 226 9 567 2,5 Pernambuco 841 539 11 805 1,4 Alagoas 348 009 6 364 1,8 Sergipe 176 243 3 087 1,7 Bahia 1 379 616 49 882 3,6 Espirito Santo 82 137 5 529 6,7 Rio de Janeiro 782 724 7 852 1,0 São Paulo 837 354 39 465 4,7 Paraná 126 722 9 087 7,1 Santa Catarina 159 802 2 892 1,8 Rio Grande do Sul 434 183 25 717 5,9 Minas Gerais 2 039 735 32 322 1,5 Goiás 160 395 4 250 2,6 Mato Grosso 60 417 8 524 14,1 Município Neutro 274 972 923 0,3 Império do Brasil 9 930 478 383 955 3,9
Quadros do Censo
Ver também População do Brasil
Ligações externas Recenseamento do Império - 1872 (IBGE) Censo de 1872 (UFMG) População dos municípios das capitais - 1872 Lista de municípios do Império do Brasil por população - 1872
1872 Categoria:Demografia do Brasil Categoria:História do Império do Brasil Categoria:1872 no Brasil