O SN Álvaro Alberto é um projeto de submarino nuclear de ataque, desenvolvido pela Marinha do Brasil e que se encontra em fase de construção, sob responsabilidade da Itaguaí Construções Navais (ICN). Faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos, inserido na parceria estratégica firmada entre a França e o Brasil em 2009, que também incluiu a transferência total de tecnologia e o apoio à construção de quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo, derivados da Classe Scorpène.
O nome do submarino é uma homenagem ao vice-almirante e cientista da Marinha, Álvaro Alberto da Mota e Silva, responsável pela implantação do Programa Nuclear Brasileiro. Mota e Silva também foi presidente do Comitê de Energia Atômica das Nações Unidas entre 1946 e 1947 e presidente da Academia Brasileira de Ciências por dois mandatos, de 1935 a 1937 e de 1949 a 1951. O Brasil é o sétimo país do mundo a desenvolver a tecnologia necessária para a construção de submarinos nucleares.
História
O projeto do submarino nuclear da Marinha data da década de 1970, mais precisamente entre 1976 e 1978. Foi decidido que o país deveria obter os três processos vitais para a energia atômica. O primeiro ponto foi o domínio do ciclo do combustível nuclear, conhecido internamente como o "projeto Ciclone." Em segundo lugar, o desenvolvimento de um reator nuclear para uso nos submarinos, o "projeto Remo." Como terceiro ponto, o desenvolvimento do conhecimento para projetar e construir um casco para acomodar o reator em desenvolvimento, o "projeto Costado."
Domínio do ciclo de combustível direita|miniaturadaimagem| Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, no estado do Rio de Janeiro O início do projeto para o domínio do ciclo do combustível e reator nuclear ocorreu em 1979, quando a Marinha ingressou no IPEN-SP (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo), onde passou a atuar num dos mais ambiciosos programas no país até ao momento. Em 1982, a Marinha conquistou a sua primeira grande vitória ao adotar a técnica de ultracentrifugação para enriquecimento e conhecer a tecnologia do hexafluoreto de urânio, em Poços de Caldas, Minas Gerais. No mesmo ano, os pesquisadores do projeto realizaram o enriquecimento isotópico de urânio com centrífugas totalmente construídas no Brasil.
Para apoiar as atividades experimentais do programa de pesquisa e desenvolvimento do ciclo do combustível e reatores nucleares, foi construído no estado de São Paulo o Centro Experimental Aramar (CEA), que abriga instalações de testes e laboratórios de validação experimental. Também é responsável pelo enriquecimento de urânio em pequena escala industrial, mas suficiente para abastecer reatores nucleares de pesquisa existentes no país. Num período de aproximadamente vinte anos o país adquiriu o ciclo do combustível nuclear e pôde iniciar a construção do reator nuclear naval.
Reator nuclear naval direita|miniaturadaimagem| Presidente Jair Bolsonaro em visita ao protótipo do reator (2020) Em 2014, após muitos anos e uma série de problemas, atrasos no financiamento federal e congelamentos de programas, o primeiro reator naval de testes nucleares foi construído em terra, no Centro Experimental de Aramar, com o objetivo de viabilizar os processos tecnológicos, industriais e operacionais da energia nuclear em instalações aplicáveis à propulsão de embarcações.
Casco de submarino direita|miniaturadaimagem|O Riachuelo No início do projeto, em 1979, a Marinha desconhecia os processos de construção de casco de um submarino. Primeiro foi necessário adquirir novos e modernos submarinos que pudessem ser feitos no Brasil. Os primeiros submarinos eram da classe Tipo 209 de origem alemã (que seria no Brasil a Classe Tupi). Em 1982, o país assinou contratos para a construção de cinco novos submarinos da Marinha, quatro deles em território brasileiro, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. O país também investiu na modernização das suas instalações e na capacitação da indústria nacional, bem como na qualificação humana.
Em 2009, o Brasil comprou à França quatro submarinos ampliados da classe Scorpène com propulsão convencional por um valor de US$ 10 bilhões, com um acordo total de transferência de tecnologia, dando ao país o conhecimento para o projeto e construção de modernos cascos. A primeira embarcação brasileira da classe, o , foi lançado no dia 14 de dezembro de 2018.
A base de Itaguaí, no Rio de Janeiro é o ponto de desenvolvimento e fabricação de submarinos. De 2010 a 2012, um grupo de trinta e um engenheiros, vinte e cinco oficiais e seis funcionários civis recebeu treino e instrução teórica pela DCNS, em Cherbourg. Em 2018, mais de quatrocentos engenheiros brasileiros trabalharam na equipe do projeto do submarino nuclear, originalmente formado pelo grupo que recebeu treinamento na França.
A primeira etapa do projeto do Álvaro Alberto, denominada de "Fase A" (Conceção e Estudos de Exequibilidade), foi iniciada em julho de 2012 e foi encerrada com sucesso em julho de 2013. A segunda, "Fase B", correspondente ao Projeto Preliminar, teve início em agosto de 2013 e foi encerrada em janeiro de 2017, também com sucesso. A conclusão desta permitiu a elaboração dos contratos de aquisição do Pacote de Materiais e da Construção do SN-BR. Assim, fazendo com que seja possível prever o custo global para a obtenção do submarino, criou as condições necessárias o desenvolvimento da "Fase C", Projeto de Detalhamento, a última fase antes do início da construção.
Racional estratégico O programa de modernização da Marinha do Brasil prevê o desenvolvimento e construção de seis submarinos SSN. Na doutrina brasileira, a razão de ser da estratégia de defesa nacional é o desenvolvimento da capacidade de dissuasão estratégica contra "qualquer força hostil" ao território nacional terrestre ou marítimo. O país entende que, com a sua futura frota nuclear, pelo menos algumas das suas armas serão capazes de sobreviver ao primeiro ataque (nuclear ou não nuclear) de um inimigo e evitar novas tentativas de agressão. Outra justificativa é defender os recursos naturais da chamada Amazônia Azul, a zona econômica exclusiva e plataforma continental do país.. p. 185.. p. 279-283.
Política nuclear brasileira O país tem uma política de não armas nucleares desde a década de 1990. No entanto, especialistas do Laboratório Nacional de Los Alamos concluíram que o Brasil desenvolveu capacidade tecnológica para colocar em campo armas nucleares, caso essa política mude,Brazil and the Bomb German Council on Foreign Relations. usando centrífugas como a Fábrica de Combustível Nuclear de Resende para produzir urânio altamente enriquecido para esse tipo de armamento.How Brazil Spun the Atom Institute of Electrical and Electronics Engineers. Weapons of Mass Destruction (WMD): Resende Nuclear Fuel Factory (FCN) Globalsecurity.org. Em vez disso, o país optou por trabalhar no desenvolvimento de uma frota de submarinos nucleares.
Características O Álvaro Alberto tem muitas semelhanças com o seu antecessor convencional da classe Scorpène. O primeiro submarino nuclear brasileiro terá uma boca de 9,8 m (32 ft) para acomodar o reator nuclear de água pressurizada (PWR). Tem ainda de comprimento e um deslocamento de 6 000 toneladas, que serão impulsionados por um sistema de propulsão totalmente elétrico com uma potência de 48 MW (64 000 hp).
As vantagens de um SSN em relação a um SSK com propulsão convencional são maior velocidade e autonomia muito mais longa, podendo ficar meses sem necessidade de reabastecimento, evitando emergir periodicamente para a superfície, não comprometendo sua furtividade.
As suas funções incluem plataformas de coleta de inteligência, inserção e extração de equipes de forças especiais, além das funções SSN tradicionais de caça e ataque. O papel mais proeminente dos SSN é a capacidade de lançar mísseis de cruzeiro, dando uma sobreposição significativa entre submarinos de mísseis de cruzeiro (SSGN) e submarinos de ataque tradicionais.
Programa de construção Nome No. Construtor Batimento Lançamento Comissionamento Custo Estado Álvaro Alberto SN10 ICN, Ilha da Madeira 2018 2029 2032 a 2034 US$ 7,4 bilhões Em construção
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