Um ícone gay ou ícone LGBT se trata de uma figura histórica, celebridade ou uma personalidade pública que, em determinados enquadramentos, serve como referência às comunidades lésbicas, gays, bissexuais e transgênero. As qualidades distintivas dos ícones gay incluem beleza, elegância e "glamour", força frente à adversidade, androginia, extravagância e, no caso dos artistas, a participação em obras de referência para a cultura LGBT. Existem ícones gay de todas os tipos de orientações sexuais e identidade de gênero, não se limitando apenas a pessoas LGBT.

Os ícones gay históricos são geralmente escolhidos devido à sua orientação sexual, mesmo que esta seja alvo de debate entre historiadores, como São Sebastião ou Antínoo, ou ficcionais como Aquiles e Pátroclo

Embora a maioria dos ícones gay aceite a diversidade LGBT, apoiando por vezes as causas ou organizações LGBT, alguns manifestam-se em oposição a tal designação, alegando a existência de uma suposta agenda política.

Ícones gay históricos thumb|130px|left|Estátua de Antínoo, (Museu Arqueológico Nacional de Nápoles).

Antínoo Um dos ícones gay mais antigos é Antínoo, o jovem amante do imperador romano Adriano.Birley, Anthony: Adriano. Barcelona: Península, 2005. ISBN 84-96333-36-1. Antínoo foi venerado por séculos em diversas regiões da Roma Antiga. Sua trágica história de vida e a sua beleza fascinaram artistas de todos os tempos, e o culto da sua imagem promovido por Adriano prolongou-se pelos séculos, tenso sido elevado, já nos tempos modernos, ao estatuto de ícone gay.thumb|upright|130px|São Sebastião, por Andrea Mantegna.

São Sebastião São Sebastião é também, desde há algumas centenas de anos, uma referência homossexual e, mais recentemente, um dos mais reconhecidos ícones gay. A forma como é representado, em pintura e escultura, quase sempre nu, com um belo corpo musculado, o simbolismo das flechas trespassando-lhe o corpo e a expressão de êxtase doloroso, são, de certa forma, responsáveis pela atração que este santo tem provocado nos homossexuais desde o século XIX. Richard A. Kaye escreveu que "os homens gay contemporâneos viram imediatamente em Sebastião o anúncio comovedor do desejo sexual (de facto, um ideal homoerótico) e um exemplo prototípico de um gay escondido no armário que foi torturado".

Sebastião tem sido o nome de código escolhido por vários autores para caracterizarem os seus personagens quando estes são homossexuais ou tragicamente sofredores, como, por exemplo, Tennessee Williams em Suddenly, Last Summer, Evelyn Waugh em Reviver o Passado em Brideshead e Oscar Wilde em Little Britain (dramaturgo que, posteriormente, se tornaria um famoso ícone gay, devido ao seu julgamento e prisão por sodomia).

Maria Antonieta Maria Antonieta é um dos primeiros ícones lésbicos. Os rumores das suas relações com outras mulheres foram divulgados com detalhes pornográficos pelos panfletos anti-monárquicos antes da Revolução Francesa. Na Inglaterra vitoriana, os biógrafos que romantizaram o Antigo Regime negaram afincadamente tais rumores, porém descreveram romanticamente a amizade "fraternal" de Maria Antonieta com a Princesa de Lamballe como um dos "escassos e grandes amores que a Providência reúne na morte". Nos finais do século XIX, Maria Antonieta foi transformada em ícone de culto do safismo: a sua execução, vista como um martírio trágico, pode ter contribuído para essa honraria. As alusões na literatura redobram-se nos inícios do século XX, especialmente em The Well of Loneliness de Radclyffe Hall, em que Jonathan Brockett descreve Maria Antonieta e a Princesa de Lamballe como "pobres almas… mortalmente fartas dos subterrefúgios e dos fingimentos", e com Jean Genet, que, fascinado com a sua história, incluiu uma cena da execução em sua obra As criadas, de 1947.

Ícones gay no cinema O cinema e o seu glamour sempre atraiu fortemente uma parcela da comunidade gay que elevou muitas das suas estrelas à condição de ícone. Entre os mais conhecidos encontram-se Judy Garland, Carmen Miranda, Marlene Dietrich, Greta Garbo, James Dean, Marlon Brando, Bette Davis, Marilyn Monroe, Joan Crawford, Julie Andrews, Rock Hudson,Steven Frank, 2007. What Does It Take to Be a Gay Icon Today? Audrey Hepburn e Elizabeth Taylor.thumb|241x241px|Judy Garland (1922-1969), como Dorothy no filme O Feiticeiro de Oz (1939).|left

Judy Garland O cinema é provavelmente a fonte mais rica de ícones gay, e Judy Garland é o arquétipo de ícone gay do cinema. Foi com o papel de Dorothy Gale e sua interpretação da canção Over the rainbow, ambos no filme O Feiticeiro de Oz, que Judy conquistou o prestígio da comunidade gay. A canção descrevia um local imaginário e utópico, em que os sonhos se tornavam realidade. É relativamente fácil de perceber como esta mensagem apelava aos gays, isolados e reprimidos e tão carentes de esperança, da época pré-Stonewall, que rapidamente a converteram no seu hino pseudo-oficial. Na década de 1950, "ser amigo de Dorothy" foi uma expressão utilizada entre os homossexuais para indicar que alguém era gay. Com efeito, no filme, a personagem Dorothy fazia-se acompanhar de três amigos especiais e diferentes do considerado "normal": um leão medroso, um espantalho sem cérebro e um homem de lata sem coração. No entanto, algumas fontes indicam que originalmente a expressão "amigo de Dorothy" se referia a Dorothy Parker, uma autora que tinha muitos gays entre os seus leitores, tendo a frase sido reaproveitada após o filme com Judy Garland.

Marlene Dietrich Marlene Dietrich, a primeira atriz alemã a triunfar em Hollywood, também é considerada um ícone gay pela sua beleza, glamour, sensualidade, mas, sobretudo, pela grande ambiguidade que demonstrava nos seus filmes e espetáculos ao vestir-se, provocantemente, com roupas masculinas. Marlene foi para as mulheres do século XX, um modelo de libertação e subversão. thumb|222x222px|Carmen Miranda tornou-se um símbolo da cultura gay internacional.|left

Carmen Miranda A famosa cantora e atriz brasileira, nascida em Portugal, tornou-se um dos ícones gays mais celebrados no século XX. Com todo o seu individualismo e exagero visual, alcançado através do uso de altas sandálias plataformas, vistosos turbantes, saias rodadas, maquiagem carregada e gestos elaborados, se tornou referência para drag queens de todo o mundo. Exemplo brasileiro da forte relação entre o público homossexual e Carmen Miranda foi o surgimento em 1984, no Rio de Janeiro, da Banda Carmen Miranda, grupo carnavalesco predominantemente gay, dedicado a louvar a figura da cantora.

Ícones gay na música thumb|No âmbito musical, Madonna é uma das mais respeitadas e cultuadas figuras gays, tendo uma legião de fãs homossexuais.

O grupo mais numeroso de ícones gays tem origem no campo da música, principalmente com as divas de canção como: Maria Callas, António Variações, Dalida, Agoney,El gran cambio de look de Agoney Hernández ('OT 2017') Édith Piaf, Donna Summer, Diana Ross, Boy George, Barbra Streisand, Cher Isabel Pantoja, Sylvester, Rocío Jurado, Madonna, Cyndi Lauper, Kylie Minogue, Helena Paparizou, Katy Perry, Beyoncé, Lady Gaga, Britney Spears, Christina Aguilera, Rihanna, Selena Gomez, Lana Del Rey e Ariana Grande.

O caso de Judy Garland, com a canção Over the Rainbow, repetiu-se frequentemente com cantores que interpretaram canções sensíveis para a comunidade gay, que as elevou alguams vezes à categoria de hinos gay. É o caso de Gloria Gaynor com I Will Survive que serviu como hino tanto ao movimento gay como às feministas, RuPaul e Martha Wash com It's Raining Men (gravado originalmente pelas Weather Girls), Cindy Lauper com Girls Just Want to Have Fun, Madonna em Vogue e La Isla Bonita.

Boy George Frequentador da lendária boate Blitz, George Alan O'Dowd já era conhecido em Londres por suas roupas extravagantes, pomposas e rebeldes no final da década de 70. De lá também surgiram ícones como Duran Duran e Spandau Ballet em questão de meses. Formou em 1981 o Culture Club onde afirmou mundialmente sua androginia e bending de gênero em shows e vídeo clipes. Emplacou hits como "Do You Really Want To Hurt Me", "Karma Chameleon" e "Miss me Blind" que teriam sido inspiradas em seus relacionamentos com Jon Moss e Kirk Brandon, vocalsta do Theatre of Hate. Em meio às polêmicas com drogas, Ressurge em 1987 com o álbum Sold, e tem mostrado militância LGBT não só em entrevistas, mas com canções desde "No Clause 28" de 1989 (uma afronta a Margaret Thatcher que propunha censura ao LGBT tal como Vladimir Putin faz hoje), a "Turn 2 Dust", de 2011. Em 2013 lança "Love and Danger" cujo clip aborda o relacionamento homoafetivo de dois homens. miniaturadaimagem|Dalida em 1967.

Dalida Em 1974, a egípcio-francesa Dalida lança um registro com duas canções: Gigi l'Amoroso e Il venait d'avoir 18 ans. Il venait d'avoir 18 ans, Pour ne pas vivre seule, Depuis qu'il vient chez nous e Bambino fará um papel muito importante na adoção da cantora pela comunidade gay. A comunidade gay foi prendida principalmente a Dalida nos anos setenta, o dela que representa para eles a mulher arquetípica, fascinante, enquanto movendo, talentoso e tolerante.

Cher Músicas como Believe e Strong Enough de Cher, são dois grandes exemplos de hinos gays da atualidade e foram grandes sucessos, além do fato de seu filho com Sonny Bono ter-se assumido transexual ainda na adolescência e ter feito operação de redesignação sexual em 2010, fatos que a tornaram uma ativista do direitos LGBT, explicando talvez a sua popularidade entre esse meio.

Freddie Mercury Freddie Mercury, o vocalista dos Queen foi também considerado um ícone gay desde a década de 1980 devido ao seu enorme talento, ao seu físico varonil, ao seu descaramento juvenil e à sua pouco dissimulada bissexualidade. A sua morte trágica e antecipada contribuiu para aumentar a sua imagem mítica.

Madonna Desde o início de sua carreira nos anos anos 80 Madonna tem sido bastante cultuada pelas comunidades Homossexuais por suas performances, estilo, dança e por seu apoio contra a discriminaçãogay. Um dos mais famosos exemplos em sua carreira é o videoclipe da canção Vogue, em que Madonna e seus dançarinos fazem coreografias e poses inspiradas em performances feitas por homossexuais em boates e casas de shows em Nova York. Além de ser um de seus maiores clássicos, Vogue é um dos maiores hinos gays dos anos 90 e de todos os tempos. Outras canções de Madonna também se destacam entre o público homossexual, como "Like a Virgin", "Papa Don't Preach", "Express Yourself", "Sorry" e "Girl Gone Wild".

Katy Perry Katy Perry explodiu como grande simpatizante da causa homossexual. Desde o seu surgimento na mídia com I Kissed a Girl, critica de forma direta o preconceito e a agressividade com os quais grande parte da comunidade LGBT tem que conviver. Além disso, apoia incondicionalmente seus fãs, a maioria pertencente a esse grupo. No clipe da música Firework, considerada por muitos o hino da geração, ela expõe um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Além disso, entoa em sua doce melodia que as pessoas devem amar a si mesmas, e que não devem ser intimidadas ou depreciadas, pois são especialmente únicas. Com seu álbum PRISM, teve novas melodias se tornando hinos dentro dos grupos homossexuais, dentre elas Walking on Air, que foi amplamente aceita, mesmo sendo um apenas single promocional.

Lady Gaga left|thumb|Lady Gaga discursando na Marcha Nacional pela Igualdade,no dia 11 de Outubro de 2009,em Washington,Estados Unidos.