O Reino Indo-Grego (ou Reino Greco-IndianoComo em outros compostos semelhantes, tais como "franco-canadense", "indo-europeu", "afro-americano", etc, a área de origem costuma vir primeiro, e a área de "chegada" depois, de modo que "greco-indiano" seria uma nomenclatura mais precisa, normalmente, do que "indo-grego". Esta, no entanto, se tornou a forma geral mais usada, especialmente depois da publicação do livro de Narain, The Indo-Greeks.) abrangeu várias regiões do noroeste e do norte do subcontinente indiano durante os dois últimos séculos a.C., e foi governado por mais de 30 reis helenísticos,Eutidemo I foi, de acordo com Políbio 11.34, um grego magnésio. Seu filho, Demétrio I, fundador do reino indo-grego, era, portanto, de etnia grega, ao menos por parte do pai. Organizou-se um tratado de casamento para Demétrio com uma filha do governante selêucida (que tinha ascendência persa). A etnia dos reis indo-gregos posteriores é menos clara ("Notes on Hellenism in Bactria and India". W. W. Tarn. Journal of Hellenic Studies, Vol. 22 (1902), pág. 268-293). Por exemplo, Artemídoro () pode ter tido ascendência indo-cita. Podem ter ocorrido casamentos dentro da família a um certo nível, como exemplificado por (que se casou com Roxana da Báctria) ou (que se casou com Apama).geralmente em conflito entre si. O reino foi fundado quando o rei greco-báctrio Demétrio invadiu a Índia em princípios do Nesse contexto, a fronteira da "Índia" era o Indocuche. Finalmente, os gregos na Índia dividiram-se do Reino Greco-Bactriano centrado na Báctria (hoje a fronteira entre o Afeganistão e o Uzbequistão). A expressão "reino indo-grego" descreve, em sentido amplo, várias politeias dinásticas. Havia numerosas cidades, como Taxila, Panjabe, ou Puscalavati e Sagala.Wheeler, Mortimer. Flames over Persepolis (Londres, 1968). pp. 112 Essas cidades teriam abrigado várias dinastias em sua época e, baseado na Geografia de Ptolomeu e na nomenclatura de reis posteriores, um certo Teófilo no sul foi também, provavelmente, um sátrapa em algum ponto.

Durante os seus dois séculos de domínio, os reis indo-gregos combinaram os símbolos gregos e indianos e as línguas gregas e indianas, como pode ser visto em suas moedas, e combinaram práticas religiosas gregas, hindus e budistas, como pode ser visto nos restos arqueológicos de suas cidades e nas indicações do seu apoio ao budismo, o que aponta para uma rica fusão de influências indianas e helenísticas.Avari, Burjor. India, the Ancient Past, p. 130 A difusão da cultura indo-grega teve consequências que ainda são sentidas nos dias de hoje, particularmente por meio da influência da arte greco-budista.

O Reino Indo-Grego desapareceu definitivamente como entidade política por volta de , após as invasões indo-citas, embora bolsões de populações gregas provavelmente tenham permanecido na região por muitos séculos a mais, durante o domínio subsequente do Reino Indo-Parta e do Império Cuchana.Narain, "The Indo-Greeks", 2003, p. 278

Presença grega na Índia Em 326 a.C., Alexandre, o Grande conquistou a região noroeste do subcontinente indiano até o rio Beás, e estabeleceu satrapias, bem como várias cidades, como Bucéfala, até as suas tropas se recusarem a deslocar-se mais a leste.India, the Ancient Past, Burjor Avari, p.92-93 As satrapias indianas de Panjabe foram deixadas ao domínio de Poro e Taxiles, o que foi reafirmado na Partilha de Triparadiso, em , e as tropas gregas restantes nessas satrapias foram deixadas ao comando do general . Pouco tempo após , Eutidemo derrubou Taxiles, até deixar a Índia em Outro general também dominou as colônias gregas do Indo: Peiton, filho de Agenor,Justin XIII.4 até a sua partida para a Babilônia em

Em 305 a.C., liderou um exército até o Indo, onde encontrou Chandragupta Máuria. O confronto terminou com um tratado de paz, e um "acordo de epigamia" (em grego: Επιγαμια), que significa ou um casamento dinástico, ou um acordo para casamento entre indianos e gregos. Conformemente, Seleuco cedeu a Chandragupta os seus territórios a noroeste, possivelmente até Aracósia e recebeu 500 elefantes de guerra (que tiveram um papel importante na vitória de Seleuco na batalha de Ipso).Burjor, Avari. India, the Ancient Past, p. 106-107

Vários gregos, como o historiador Megástenes,Avari, Burjor. India, the Ancient Past, p. 108-109 seguido por Deimaco e Dionísio, foram enviados para residir na corte máuria.McEvilley, p. 367 Presentes continuaram a ser trocados entre os dois governantes.Ateneu de Náucrates. Os deipnosofistas, Livro I, cap. 32 At. Deip. I.32. Mencionado em McEvilley, p. 367 A intensidade desses contatos é constatada pela existência de um departamento do estado máuria dedicado para estrangeiros gregos () e persas,Narain, "The Indo-Greeks", p. 363 ou pelos restos de cerâmica helenística que podem ser encontrados ao longo do norte da Índia.Narain, "The Indo-Greeks", 2003, p. 363

Nessas ocasiões, as populações gregas aparentemente permaneceram no noroeste do subcontinente indiano sob domínio máuria. O neto de Chandragupta, Asoca, que se convertera à fé budista declarada nos Éditos de Asoca, registrou em pedra, algumas delas em grego,Narain, "The Indo-Greeks"Brussagli, p. 89 que as populações gregas dentro do seu reino também teriam que se converter ao budismo.McEvilley, p. 368 Nos seus éditos, Asoca afirma que enviou emissários budistas para governantes gregos, chegando até o Mediterrâneo (Édito nº 13),Rawlinson, Intercourse between India and the Western world, p. 39, citado em McEvilley, p. 368 e que desenvolveu fitoterapia em seus territórios, para o bem de humanos e animais (Édito nº 2).

Os gregos na Índia parecem, até mesmo, ter tido um papel ativo na propagação do budismo, já que alguns dos emissários de Asoca, como McEvilley, p. 370 ou o professor ,McEvilley, p. 370, citando Woodcock, "The Greeks in India", p. 55 são descritos em fontes pális como proeminentes monges gregos ("Yona"), ativos em proselitismo budista (o Mahavamsa, XII).Texto completo do Mahavamsa: Clique em 'chapter XII' Também se pensa que os gregos contribuíram para o trabalho escultural dos Pilares de Asoca e, de forma mais geral, ao florescimento da arte máuria.Avari, Burjor. "India, the Ancient Past", p. 118

Novamente em , o imperador selêucida liderou um exército em direção à Índia, onde recebeu elefantes de guerra e presentes do rei .Bopearachchi, Monnaies, p. 52

História do reino indo-grego

A história do reino indo-grego abrange um período que vai do até o início do , no norte e no noroeste da Índia. Existiram mais de 30 reis indo-gregos, geralmente em competição por diferentes territórios. Muitos deles são conhecidos somente por suas moedas. Muitas das datas, territórios e relações entre os reis indo-gregos são baseadas em análise numismática, algumas escrituras clássicas e escrituras indianas.

A invasão do norte da Índia e o estabelecimento do que seria conhecido como o "reino indo-grego" iniciou-se por volta de quando , filho do rei greco-bactriano , liderou suas tropas pelo Indocuche. Apolodoto pode ter avançado para o sul, enquanto Menandro posteriormente liderou invasões para o leste. Após suas conquistas, Demétrio recebeu o título ("Aniceto", que significa invencível), nunca dado antes para um rei.

Evidência escrita das invasões gregas iniciais sobrevive nas escrituras de Estrabão e Justino, e nos registros em sânscrito de Patanjali, Calidasa e no Yuga Purana, entre outros. Moedas e evidências arquitetônicas também registram a campanha grega inicial.

Ver também Greco-budismo

Bibliografia

Bernard, Paul (1994). "The Greek Kingdoms of Central Asia." In: History of civilizations of Central Asia, Volume II. The development of sedentary and nomadic civilizations: 700 B.C. to A.D. 250, pp. 99-129. Harmatta, János, ed., 1994. Paris: UNESCO Publishing. ISBN 92-3-102846-4.

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reprinted by Oxford, 1962, 1967, 1980; reissued (2003), "revised and supplemented," by B. R. Publishing Corporation, New Delhi.

Segunda edição, com adendos e errata, (1951). Reeditado, com prefácio atualizado por Frank Lee Holt (1985), Ares Press, Chicago ISBN 0-89005-524-6

Ligações externas

Ancient coinage of the Greco-Bactrian and Indo-Greek kingdoms