Jardim Barro Branco é um bairro da Zona Norte de São Paulo, situado na área historicamente conhecida como Barro Branco. O topônimo é anterior ao loteamento urbano moderno e aparece na documentação histórica associado a um antigo núcleo rural, a uma capela, a estradas de ligação regional e à Invernada da Força Pública.

História Durante o século XVIII, o antigo caminho para Juqueri atravessava a Ponte Grande, passava pelas propriedades dos jesuítas em Santana e seguia em direção ao norte, provavelmente pelo percurso da atual Avenida Água Fria. Nesse trajeto encontrava-se a Capela de São Sebastião do Barro Branco, antes da descida para os campos do Tremembé e da entrada nas matas da Serra da Cantareira. A presença da capela e da estrada relacionava o Barro Branco aos caminhos que ligavam a cidade às localidades situadas ao norte da serra.

No início do século XIX, o Barro Branco já constituía um dos agrupamentos rurais compreendidos na extensa região de Santana. Um levantamento de propriedades rurais realizado em 1817 registrou dois lavradores na localidade, enquanto o recenseamento de 1825 distribuiu 25 fogos, ou unidades domiciliares, pela esquadra do Barro Branco. A população dessas áreas era formada por pequenos agricultores, escravizados, caipiras, carvoeiros, oleiros, madeireiros, fiandeiras, carreiros, quitandeiras e comerciantes, cujas atividades estavam vinculadas às estradas e ao aproveitamento dos recursos naturais.

A conservação dessas vias tornou-se uma questão recorrente com o aumento da circulação regional. Em 1905, o engenheiro J. Otávio Nébias elaborou um projeto de melhoramentos na Estrada do Barro Branco, no Tremembé, que incluía a construção de um pontilhão. Três anos depois foi inaugurada a estação Invernada do Tramway da Cantareira, destinada principalmente ao atendimento da Invernada da Força Pública instalada no bairro. A propriedade militar funcionava como local de descanso dos integrantes da corporação e de criação dos cavalos utilizados em suas atividades.

Em 1909, a Câmara Municipal de Juqueri solicitou à municipalidade paulistana a recuperação de um trecho de aproximadamente quatro quilômetros entre a estação da Cantareira, o Barro Branco e a Água Fria, então descrito como intransitável. A estrada era utilizada no transporte de gêneros alimentícios provenientes de Juqueri, Nazaré e Santo Antônio para o mercado da Rua 25 de Março, o que conferia importância econômica à sua conservação. Em 1915, o coronel Sezefredo Fagundes participou de serviços na Estrada do Barro Branco e da abertura de uma ligação que facilitava o deslocamento entre Tremembé, Guapira e Barro Branco, com obras de movimentação de terra, extração de pedras e construção de bueiro.miniaturadaimagem|Hospital da PMA demanda por transporte permaneceu presente nas décadas seguintes. Em 1920, moradores do distrito de Santana apresentaram um abaixo-assinado solicitando o prolongamento dos bondes do Alto de Santana até a junção das estradas de Água Fria, Barro Branco e Cantareira. O documento reuniu 206 assinaturas, mas a São Paulo Tramway, Light and Power Company declarou não considerar vantajosa a implantação da linha naquele momento.

Em 1924, um levantamento do imposto de comércio e indústria registrou no Barro Branco um botequim, um estabelecimento de ferrador e uma atividade ligada à produção de carvão. A localidade ainda integrava a área rural do município, na qual predominavam estabelecimentos esparsos e atividades primárias, como produção de carvão, extração de areia e funcionamento de olarias. No planejamento urbano contemporâneo da região de Santana e Tucuruvi, a Invernada do Barro Branco é identificada como um polo institucional que concentra uma academia de polícia, o Hospital da Polícia Militar e instalações associativas da corporação, além de constituir uma barreira física para a circulação viária local.

Ver também Água Fria Tucuruvi (distrito de São Paulo) Serra da Cantareira

Categoria:Bairros do Tucuruvi (distrito de São Paulo)