Portunhos é uma povoação portuguesa do Município de Cantanhede, no Distrito de Coimbra, que foi sede da extinta Freguesia de Portunhos, freguesia que tinha 15,38 km² de área e 1 187 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 77,2 hab/km².
A Freguesia de Portunhos foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Outil, para formar uma nova freguesia, denominada União das Freguesias de Portunhos e Outil, da qual é a sede.
Geografia Situada na zona sudeste do concelho de Cantanhede, a freguesia distava cerca de 7 km da cidade de Cantanhede. Com povoamento concentrado, era composta pelos lugares de Portunhos, Pena e Vale de Água, separados entre si cerca de 2 km. A localidade é atravessada pela ribeira de Ançã no sentido norte-sul.
thumb|290px|right|<center>Localização no Município de Cantanhede
História Origem e etimologia O nome da localidade remonta à designação Portunica, documentada num texto de 1080. Deriva do latim portus e está associada à existência de um porto na ribeira de Ançã, então navegável, que servia para embarcar e desembarcar mercadorias, entre as quais o calcário, o sal vindo da Figueira da Foz e as pipas de vinho. A fertilidade das margens da ribeira favoreceu também a instalação de lagares de azeite e de moinhos de água.
Idade Média e Época Moderna Em 1371, D. Fernando I criou o foral de Ançã, pelo qual o território de Portunhos foi incluído na doação a D. Afonso Telo, conde de Barcelos, da jurisdição da vila de Ançã. A antiga freguesia de São Julião de Portunhos pertencia ao priorado de Ançã, tornando-se mais tarde reitoria da apresentação dos marqueses de Louriçal.
Em 1839, a freguesia pertencia ao concelho de Ançã e à comarca de Coimbra. Com a extinção desse concelho, passou em 1852 para a comarca e concelho de Cantanhede.
Levantamento de 1867 Em 1867, no lugar da Pena, ocorreu um levantamento popular contra a proibição de os funerais serem realizados no interior dos templos, com semelhanças à Revolução da Maria da Fonte. O cortejo fúnebre que se dirigia para o cemitério de Portunhos foi interrompido por uma mulher que transportou os restos mortais de uma criança para a Igreja da Pena, juntando-se a população em sua defesa. O padre e o administrador do concelho não conseguiram apaziguar a revolta. Vieram tropas de infantaria e cavalaria para sufocar o tumulto, que só foi controlado após vários dias e com numerosos detidos e condenados no Tribunal de Cantanhede.
Economia A exploração do calcário — sob a forma de brita, rachão, calçadas e cantarias — constituía a principal fonte de rendimentos da população. Da pedreira d'El Rei saía matéria-prima com características únicas de maciez, alvura e plasticidade, integrada na tradição da Pedra de Ançã, utilizada desde a Renascença em obras de arquitetura e escultura, entre as quais o Palace Hotel do Buçaco.
População População da freguesia de Portunhos 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 807 928 920 898 916 820 955 1 061 1 068 1 219 1 063 1 178 1 194 1 228 1 187
Patrimônio Igreja Matriz de Portunhos (Largo da Ponte) Capelas do cemitério, de São João Baptista, de São Pedro e de São Francisco Cruzeiro (no lugar de Pena) Casa do Capitão-Mor e casa setecentista (à esquerda da igreja) Portal setecentista (em Portunhos) Sítio arqueológico de Barros 3, na vertente direita do vale da ribeira de Ançã: artefatos líticos em sílex de cronologia pré-histórica, descobertos durante o acompanhamento arqueológico da construção da autoestrada A14 e escavados pela ERA-Arqueologia em 2002 Vestígios romanos; no lugar da Pena, sítio dos Pardieiros, foi descoberto em 1991 um conjunto de cerca de duas mil moedas imperiais datadas dos finais do século IV e inícios do século V Exploração tradicional de pedreiras de calcário Matas da Fundação Ferreira Freire Antigos fornos de cal Nascente do Olho da Gruta
Ligações externas
Categoria:Antigas freguesias de Cantanhede Categoria:Antigas freguesias de Ançã