alt=A imagem mostra os resultados da primeira posição no eixo Meio Ambiente do Ranking Connected Smart Cities (2023), em que a cidade de Balneário Camboriú apresentou o melhor resultado.|miniaturadaimagem|Infográfico sobre o Ranking de Cidades Inteligentes no Eixo Meio Ambiente (2023) Uma Cidade inteligente (CI) é uma cidade que usa tipos diferentes de sensores eletrônicos para coletar dados e usá-los para gerenciar recursos e ativos eficientemente. Incluindo dados coletados de cidadãos, dispositivos que são processados e analisados para monitorar e gerenciar sistemas de tráfego e transporte, usinas de energia, redes de abastecimento de água, gerenciamento de saneamento básico, detecção de crimes, sistemas de informação, escolas, livrarias, hospitais e diversos outros serviços para a comunidade.
O conceito de cidade inteligente integra a tecnologia da informação e comunicação (TIC), vários dispositivos físicos conectados à rede IoT para otimizar a eficiência das operações e serviços da cidade e conectar-se aos cidadãos. A tecnologia da cidade inteligente permite que as autoridades da cidade interajam diretamente com tanto a infraestrutura da comunidade e da cidade como monitorem o que está acontecendo na cidade e como a cidade está evoluindo. As Tecnologias de informação e comunicação são usadas para melhorar a qualidade, desempenho e interatividade dos serviços urbanos, reduzir custos e consumo de recursos e aumentar o contato entre cidadãos e governo. As cidades inteligentes podem ajudar tanto o poder público a reconhecer problemas em tempo real, quanto o cidadão a produzir informações, auxiliando a mapear, discutir e enfrentar essas dificuldades. Uma CI pode, portanto, estar mais preparada para responder a desafios do que uma com um simples relacionamento "passivo" com seus cidadãos. No entanto, o próprio termo permanece pouco claro para suas especificidades e, portanto, aberto a muitas interpretações, vulnerável à mudanças.
As principais mudanças tecnológicas, econômicas e ambientais geraram interesse em cidades inteligentes, incluindo mudança climática, reestruturação econômica, mudança para consumo por varejo e entretenimento on-line, populações envelhecidas, crescimento da população urbana e pressões nas finanças públicas. A União Europeia (UE) dedicou esforços constantes à elaboração de uma estratégia para alcançar um crescimento urbano 'inteligente' para as cidades e regiões metropolitanas. A UE desenvolveu uma série de programas no âmbito da "Agenda Digital da Europa". Em 2010, destacou o seu foco no fortalecimento da inovação e do investimento em serviços de TIC, com o objetivo de melhorar os serviços públicos e a qualidade de vida. Estimativas da Arup é de que o mercado global de serviços urbanos inteligentes será de US$ 400 bilhões por ano até 2020. Exemplos de tecnologias e programas de cidades inteligentes foram implementados em Singapura, cidades inteligentes na: Índia,Dubai, Milton Keynes, Southampton, Amsterdã, Barcelona, Madri, Estocolmo, Copenhague, China e Nova York.
Conceitos Podem ser encontradas na literatura pelo menos cinco descrições do que seja uma cidade inteligente: alt=Infográfico sobre Cidades Inteligentes|miniaturadaimagem|Infográfico sobre Cidades Inteligentes|esquerda Uma CI muitas vezes é definida como uma reconstrução virtual de uma cidade, ou como uma cidade virtual (Droege, 1997).Droege, P. (ed.), (1997) Intelligent Environments -- Spatial Aspect of the Information Revolution, Oxford, Elsevier. O termo já foi usado como um equivalente de cidade digital, cidade da informação, 'cidade conectada', telecidade, cidade baseada no conhecimento, comunidade eletrônica, espaço comunitário eletrônico etc., cobrindo uma ampla gama de aplicações eletrônicas e digitais, relacionadas ao espaço digital de cidades e comunidades (MIMOS). Um outro significado foi dado pela World Foundation for Smart Communities (ou "Fundação Mundial de Comunidades Inteligentes"), que associa cidades digitais ao crescimento inteligente, um tipo de desenvolvimento baseado nas tecnologias da informação e comunicação. "Uma Comunidade Inteligente é uma comunidade que fez um esforço consciente para usar a tecnologia da informação para transformar a vida e o trabalho dentro de seu território de forma significativa e fundamental, em vez de seguir uma forma incremental" (California Institute for Smart Communities, 2001).California Institute for Smart Communities, (2001) Ten Steps to Becoming a Smart Community . Uma CI também pode ser definida como um ambiente inteligente, que embute tecnologias da informação e da comunicação (TIC) que criam ambientes interativos, que trazem a comunicação para o mundo físico. A partir desta perspectiva, uma cidade inteligente (ou em termos mais gerais um espaço inteligente) se refere a um ambiente físico no qual as tecnologias de comunicação e de informação, além de sistemas de sensores, desaparecem à medida que se tornam embutidos nos objetos físicos e nos ambientes nos quais vivemos, viajamos e trabalhamos (Steventon e Wright, 2006).Steventon, A., and Wright, S. (eds), (2006) Intelligent spaces: The application of pervasive ICT, London, Springer. Uma cidade inteligente também é definida como um território que traz sistemas inovativos e TIC dentro da mesma localidade. O Forum de comunidades inteligentes (2006) Intelligent Community Forum, (2006) What is an Intelligent Community . desenvolveu uma lista de indicadores que criam um quadro conceitual para a compreensão de como as comunidades e regiões podem ganhar vantagem competitivas na economia de hoje, que pode ser chamada de Economia da Banda Larga. Para se ter uma cidade inteligente (CI) é necessário combinar: (1) oferta ampla de banda larga para empresas, prédios governamentais e residências; (2) educação, treinamento e força de trabalho eficazes para oferecer trabalho do conhecimento; (3) políticas e programas que promovam a democracia digital, reduzindo a exclusão digital, para garantir que todos setores da sociedade e seus cidadãos se beneficiem da revolução da banda larga; (4) inovação nos setores público e privado e iniciativas para criar agrupamentos econômicos e capital de risco para apoiar o desenvolvimento de novos negócios; e (5) marketing do desenvolvimento econômico efetivo que alavanque a comunidade digital, para que ela atraia empregados e investidores talentosos. Na mesma linha, cidades (ou comunidades, clusters, ou regiões) inteligentes são aqueles territórios caracterizados pela alta capacidade de aprendizado e inovação, que já é embutida na criatividade de sua população, suas instituições de geração de conhecimento, e sua infra-estrututura digital para comunicação e gestão do conhecimento. A característica distintiva de uma cidade inteligente é o grande desempenho no campo da inovação, pois a inovação e a solução de novos problemas são recursos distintivos da inteligência.Komninos, N. (2002) Intelligent Cities: Innovation, knowledge systems and digital spaces, London and New York, Routledge.Komninos, N. (2006) The Architecture of Intelligent Cities, Conference Proceedings Intelligent Environments 06, Institution of Engineering and Technology, pp. 53-61. Por vezes, o conceito de cidades inteligentes se cruza com outros, como os de cidades resilientes e cidades conectadas. Mas a alternância nas ideias defendidas por esses conceitos não significa necessariamente uma frivolidade intelectual, mas sim um entendimento da cidade num determinado momento.
As três dimensões das cidades inteligentes As cidades inteligentes evoluem na direção de uma forte integração de todas dimensões da inteligência: humana, coletiva e artificial, disponíveis em uma cidade. Elas são construídas como aglomerados multi-dimensionais, combinando as três principais dimensões.Komninos 2006, 17-18; Komninos 2008, 122-123
A primeira dimensão está ligada às pessoas da cidade: a inteligência, inventividade e criatividade dos indivíduos que vivem e trabalham na cidade. Esta perspectiva foi descrita por Richard Florida (2002)Florida, R. (2002) The Rise of the Creative Class and how It's Transforming Work, Leisure, Community and Everyday Life, New York: Basic Books. como ‘cidade criativa’, que agrega os valores e desejos da ‘nova classe criativa’, constituída pelo talento e conhecimento de cientistas, artistas, empresários, capitalistas de risco, além de outras pessoas criativas, que têm enorme impacto na determinação de como é organizado o espaço de trabalho e, portanto, se as companhias vão prosperar, e se a cidade vai se desenvolver ou não.
A segunda dimensão tem a ver com a inteligência coletiva da população de uma cidade: 'a capacidade de comunidades humanas cooperarem intelectualmente na criação, na inovação e na invenção'; 'o aprendizado e o processo criativo coletivos realizado através de trocas de conhecimento e de criatividade intelectual'; 'a capacidade de um grupo se organizar para decidir a respeito de seu próprio futuro e controlar as formas de atingi-lo em contextos complexos' (Atlee 2004).Atlee, T. (2004) Definitions of Collective Intelligence , Blog of Collective Intelligence. Esta dimensão é baseada nas instituições da cidade que permitem a cooperação no conhecimento e na inovação.
A terceira dimensão é relacionada com a inteligência artificial embutida no ambiente físico da cidade, e disponível para sua população: a infra-estrutura de comunicação, os espaços digitais e as ferramentas públicas para a solução de problemas disponíveis para a população da cidade.
Assim, o conceito de cidade inteligente integra todas as três dimensões mencionadas de uma aglomeração: seus espaços físicos, a institucionais e digitais. Consequentemente, o termo "cidade inteligente" descreve um território com atividades bem desenvolvidas relacionadas a conhecimento, ou grupos de tais atividades; rotinas embutidas de cooperação social, permitindo o que o conhecimento e o know-how sejam adquiridos e adaptados; um conjunto desenvolvido de infra-estrutura de comunicação, espaços digitais e ferramentas de conhecimento e inovação; e uma habilidade comprovada de inovar, gerenciar e resolver problemas que apareçam pela primeira vez, uma vez que a capacidade de inovar e gerenciar a incerteza são os fatores críticos para se medir inteligência.
Características miniaturadaimagem|Bletchley Park é frequentemente considerada a primeira comunidade inteligente miniaturadaimagem|Edifícios Cyberport 1 e Cyberport 2 de Hong Kong. Uma cidade inteligente usa Tecnologias da Informação e Comunicação para:
Fazer uso eficiente de estrutura física das cidades (ruas, estradas, ambiente urbano, IoT) através da Inteligência Artificial, Big Data e Análise de Dados, para, por fim, retornar benefícios no desenvolvimento econômico, social e cultural. Envolver-se efetivamente com a população local na governança e decisão local, usando processos abertos de inovação e participação eletrônica, melhorando a inteligência coletiva dos órgãos da cidade por meio da governança eletrônica, com ênfase na participação popular e cooperação do cidadão no desenvolvimento da cidade. Inteligência de instrumentação: onde a infraestrutura da cidade é aperfeiçoada por meio da coleta de dados em tempo real, com análise e modelagem preditiva nos bairros da cidade, através da Inteligência Artificial. Exemplos de inteligência de instrumentação foram implementados em Amsterdã. Contudo, existe muita controvérsia em torno disso, principalmente no que diz respeito a questões de vigilância em cidades inteligentes. Isso é implementado através de: Uma infra-estrutura de IP comum, aberta a pesquisadores para desenvolver aplicativos. Sensores, medidores e dispositivos wireless transmitindo informações ao vivo. (TIC) Várias residências recebem medidores inteligentes de energia para analisar o consumo e reduzir o uso de energia. Compactadores de lixo movidos a energia solar, estações de carregamento de automóveis elétricos e lâmpadas que gastam menos energia.