"Loverboy" é uma canção gravada pela artista musical estadunidense Mariah Carey. Foi divulgada a partir de 16 de julho de 2001 como o primeiro single do seu oitavo álbum de estúdio e também trilha sonora do filme Glitter (2001), tornando-se assim no lançamento de estreia da artista com a distribuidora fonográfica Virgin Records, após ela ter assinado um contrato discográfico de cinco álbuns no valor de US$ 100 milhões, algo inédito naquele momento. A obra foi composta por Carey com o auxílio de Larry Blackmon e Thomas Jerkins, sendo produzida e arranjada também pela artista juntamente com Clark Kent. Blackmon, integrante da banda Cameo, fez uma participação vocal na canção. Musicalmente, "Loverboy" é uma faixa predominantemente de R&B e dance que interpola elementos dos gêneros funk e hip-hop, contendo amostras da música "Candy" (1986), de autoria de Cameo. As suas letras retratam uma protagonista que deseja ser amada pelo seu parceiro, fazendo referências aos seus variados desejos sexuais. Um remix com a participação dos artistas Ludacris, Da Brat, Shawnna e Twenty II foi gravado e lançado também pela Virgin Records, de modo a aumentar a reprodução da canção nas estações de rádio.
Antes mesmo de seu lançamento como um single, "Loverboy" foi centro de diversas controvérsias, iniciando com as informações de que a cantora então novata Jennifer Lopez e Tommy Mottola — ex-marido de Carey — haviam roubado a ideia de incluir a amostra da faixa "Firecraker", da Yellow Magic Orchestra, na faixa "I'm Real" (2001), um mês após Carey ter iniciado a concepção e produção de "Loverboy". Uma vez que a trilha sonora de Glitter seria lançada alguns meses após o segundo álbum de estúdio de Lopez, intitulado J. Lo (2001), Carey tomou a decisão de trocar a amostra de "Firecracker" por "Candy". A segunda controvérsia em torno de "Loverboy" aconteceu após a intérprete apresentá-la no programa de televisão Total Request Live (TRL). Na ocasião, ela surgiu inesperadamente de detrás de uma cortina e cantou trechos da música sem o apoio de instrumentação, enquanto empurrava um carrinho de sorvetes. Seguidamente, ela foi entrevistada por Carson Daly, apresentador do TRL, e respondeu as questões elaboradas por ele com frases invulgares. Pouco tempo após isto, a cantora acabou sendo hospitalizada, o que resultou em uma divulgação fraca da faixa, bem como da trilha sonora de Glitter.
O single foi recebido com opiniões mistas pela crítica especializada em música contemporânea, com alguns deles vangloriando o seu estilo musical retrô, enquanto outros revelaram um desagrado pela participação de Cameo, pois ofuscava Carey, bem como pelo uso da amostra e os vocais da artista ao longo da canção. Comercialmente, obteve um sucesso moderado, conseguindo listar-se entre as vinte melhores posições nas paradas musicais da Austrália, Canadá, Itália e Reino Unido. Nos Estados Unidos, "Loverboy" conseguiu atingir a vice-liderança da Billboard Hot 100. Apesar de ter sido a faixa mais vendida de 2001 em território estadunidense, tornou-se a primeira faixa de Carey a ser lançada como o primeiro single de um trabalho de estúdio a não classificar-se no topo da tabela supracitada.
O vídeo musical para "Loverboy" foi dirigido pelo fotógrafo David LaChapelle e apresenta Carey como uma líder de torcida que segura a bandeira do grande campeão de uma corrida de carros que, neste caso, é o seu parceiro. Um vídeo musical para o remix do single também foi filmado, contendo o mesmo enredo que o da versão original, e sendo adicionadas as cenas dos artistas participantes. Ambos vídeos foram fortemente criticados por introduzirem uma imagem mais apelativa a nível sexual de Carey.
Antecedentes e lançamento thumb|esquerda|200px|Carey em 1998 durante um evento promocional para o seu primeiro álbum de grandes sucessos, #1's. Após o término das atividades promocionais de seu sexto álbum de estúdio, Butterfly (1997), Carey iniciou o desenvolvimento de um filme e de uma trilha sonora, ambos intitulados All That Glitters. No entanto, a gravadora Columbia Records — então comandada por seu ex-marido Tommy Mottola — pressionou-a bastante pressionou-a a lançar uma compilação de grandes sucessos, em tempo para a temporada de férias em novembro. Consequentemente, a artista deixou de trabalhar em All That Glitters, e o álbum #1's foi distribuído em novembro de 1998. Depois do lançamento do seu sétimo trabalho de estúdio, Rainbow, em 1999, no qual ela exerceu todo o controle criativo sobre seu som, a artista deixou sua música e imagem mais hip-hop e R&B. Logo depois, Carey completou o seu contracto com a Columbia Records, e assinou com a Virgin Records, editora subsidiária da EMI Records, em um acordo de cinco discos, no valor de US$ 100 milhões, além da editora ter dado à cantora todo o controle conceptual e criativo do projecto. Ela optou por gravar um álbum em parte misturado com influências da década de 80 e outros géneros semelhantes, para tornar-se igual à definição do filme, que era ambientado em 1982. Enquanto a data se aproximava, o título foi alterado simplesmente para Glitter. No início de 2001, Carey terminou o seu relacionamento de três anos com o cantor latino Luis Miguel. Além da divulgação pesada do projecto, a intérprete já havia gravado as cenas para a película e gravado a banda sonora acompanhante, bem como já ter filmado WiseGirls (2001).
Após o lançamento de "Loverboy" em 16 de julho de 2001, Carey iniciou uma curta campanha de divulgação da faixa. Três dias depois do lançamento da canção, ela fez uma aparição surpresa no programa de televisão Total Request Live (TRL). Quando o apresentador Carson Daly voltou à transmissão do programa após um intervalo comercial, Carey surgiu detrás de uma cortina e começou a cantar o tema em versão a capella, vestida com uma camisa cinza masculina que lia "Loverboy" escrita com letras grandes na sua parte frontal e empurrava um carrinho de picolé. Aparentemente ansiosa e alegre, a cantora começou a distribuir os sorvetes para a plateia e os convidados do programa, enquanto acenava para a multidão que assistia ao programa ao vivo na Times Square. Carey caminhou até a plataforma onde estava Daly e começou a fazer um strip-tease, durante o qual tirou a camisa e revelou um conjunto amarelo e verde, induzindo o apresentador a exclamar "Mariah Carey perdeu a cabeça!". Embora tenha mais tarde revelado que que o apresentador estava ciente da sua presença no local momentos antes do acaso ter ocorrido, a cantora admitiu que ele havia sido instruído a agir como se estivesse surpreso, a fim de proporcionar um efeito mais dramático para o programa. A apresentação de Carey no TRL recebeu alta atenção da mídia especializada, com críticos e jornalistas descrevendo o comportamento da artista como "problemático" e "errático". Nos dias seguintes à aparição, Carey começou a mostrar um comportamento invulgar durante uma sessão de autógrafos para a versão em CD single de "Loverboy" na Tower Records em Nova Iorque. Ao aperceber-se que estava sendo filmada, ela começou a sair do foco principal e começou a abordar diversas questões, tendo inclusive discutido com o apresentador de programas de rádio Howard Stern, e como sua forma de humor em seu programa a incomodava bastante. Naquele ponto, Cindy Berger, assessora da artista, pegou o microfone de sua mão e ordenou à produção para que parasse de filmar a entrevista. Devido à pressão da mídia, seu horário de trabalho pesado e sua consequente separação de Miguel, Carey começou a postar mensagens de voz estranhas e uma série de mensagens perturbadoras em sua página oficial online.
Após a rápida remoção das mensagens da página, Berger comentou que Carey vinha estando "obviamente exausta" e que "não estava pensando muito bem" quando decidiu publicar aquilo. Dois dias depois, em 26 de julho seguinte, a intérprete foi subitamente hospitalizada em Connecticut sob motivos de "extrema exaustão" e "um colapso físico e emocional". Carey ainda iria participar do evento Live and Almost Legal, que iria comemorar o vigésimo aniversário da MTV em 1º de agosto, contudo, a sua hospitalização impediu que isto se concretizasse. Carey ficou hospitalizada e sob cuidados médicos por duas semanas, e permaneceu sem ser vista pelo público por um tempo prolongado. Com a exagerada cobertura da imprensa no que concerne à hospitalização da cantora, a Virgin Records e a 20th Century Fox — produtora de Glitter — tomaram a decisão de adiar o lançamento da trilha sonora e da produção cinematográfica: de 21 de agosto a 11 de setembro de 2001, e de 31 de agosto a 21 de setembro de 2001, respetivamente. Com a ausência de Carey na mídia e a sua desistência da divulgação do filme e do álbum, o seu contrato de US$ 100 milhões com a Virgin acabou sendo reduzido pela metade, acompanhado pelo seu despedimento da gravadora. Esta decisão foi atribuída às baixas vendas do projeto e da recepção negativa universal em relação à sua hospitalização e ao filme.
Estrutura musical e conteúdo
"Loverboy" é uma canção de andamento acelerado composta por Mariah Carey, Larry Blackmon e Thomas Jenkins. Ela deriva dos gêneros musicais R&B, pop e hip-hop e incorpora melodias que foram popularizadas ao longo da década dos anos 1980. Sendo o primeiro lançamento de Glitter, um álbum que se mostra bastante diferente de qualquer outro trabalho anterior da cantora, concentrando-se fortemente na recriação da música disco da década de 1980 de modo a igualar-se à temática do filme, "Loverboy" marca o primeiro lançamento de Carey desde o álbum Emotions (1991) cuja sonoridade remete a décadas anteriores. O refrão da música gira em torno de uma amostra da canção "Candy" (1986), de autoria do grupo Cameo, que também faz uma participação vocal na canção. De acordo com o jornalista Chuck Taylor, da revista Billboard, "Loverboy" é uma lembrança de muitos dos primeiros singles de álbuns de Carey, que também eram baseados em amostras de canções antigas. Devido ao uso excessivo da amostra de "Candy", e a combinação pesada da instrumental e dos vocais, Taylor afirmou que fizeram com que a canção ficasse "desprovida de um refrão típico". Elios Therepio, da revista NME, achou que a ideia da incorporação da amostra de "Candy" foi uma genialidade "no papel", mas uma vez gravada, sofreu de vários erros técnicos. Ele também sentiu que a canção não atingiu o mesmo sucesso de "Fantasy", que também usa uma melodia de uma canção antiga, e criticou a inclusão do "teclado e arranjos sintetizados". Sobre a voz de Carey, chamou-a de "obscura", expressando a sua dificuldade em entender as frases de Carey. Gil Kaufman, da MTV News, notou a inclusão de "baixo tímido [e] guitarras de rock". Liricamente, a protagonista da canção quer encontrar um homem mais velho que a "ame de verdade". Therepio encontrou ironias na parte "homem mais velho", porque Carey já teve um &mdash referindo-se ao seu ex-marido Tommy Mottola. Adicionalmente, ele sentiu que a intérprete estava mudando sua imagem de uma cantora de baladas para uma "imagem pin-up de uma estrela pop". A letra da canção é sexual, e apresenta a protagonista procurando por um "namorado" para realizar seus desejos: "Loverboy come on and love me/Give me more".