Meio-sopranoVocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Academia Brasileira de LetrasVerbete "meio-soprano" - Dicionário Priberam Universal da Língua Portuguesa (do italiano mezzosoprano, com o mesmo significado) é a voz intermediária entre o soprano e o contralto. Geralmente apresenta um timbre mais encorpado que o soprano e tem uma extensão maior na região central-grave. Em cultura artística e no meio musical, costuma ser referida — como as demais vozes e outros atributos musicais — apenas pelo termo italiano correspondente. Ressalta-se que independente do termo, a meio-soprano pode atingir grandes extensões e a tessitura é geralmente baixa; é uma voz com maiores possibilidades. Uma boa mezzo tem e deve ter seus agudos bem desenvolvidos. Essa voz, assim como a de contralto, cada vez abunda menos. Sua extensão vocal vai do Lá3 ao Si5
Características vocais Como um contralto legítimo é uma voz rara, muitas vezes o meio-soprano é quem canta as partes de contralto nos divisis dos arranjos corais e vocais, valendo isso também para o soprano. Em particular é uma voz que tem maiores possibilidade de "misturar" o vocal no centro e descer com o som mais equalizado do que um soprano faria. Tais características são de importante ressalte, bem como a amplitude de registro e a ressonância, esta feita em voz de peito. As qualidades que identificam a voz do meio-soprano mantendo diferenças entre sopranos e contraltos são verificadas pelo timbre mais cheio, mais harmônico e mais aveludado com o desenvolvimento da voz de peito e coordenação no registro médio, um meio-soprano bem desenvolvido e com excelente registro médio foi Fedora Barbieri.https://www.belcantosociety.org/barbieri Ebe Stignani foi um raro exemplar de extensão vocal e ornamentação mantidos neste tipo de voz, além de dominar completamente as tessituras de soprano e contralto. A tessitura desta voz vai do G3 ao B♭5, sendo possível atingir mais alto ou mais baixo dependendo do nível e da técnica do meio-soprano, por exemplo, Giulietta Simionato, Ebe Stignani , Shirley Varret, Grace Bumbry que atingiam o Dó sobreagudo Soprano, além de notas graves em voz de peito, essencial para personagens como Azucena e Amnerishttps://www.belcantosociety.org/chest-voice-some-history/. Pauline Viardot-García, irmã de Maria Malibran, era uma exceção, pois seu timbre descomunal atingia desde o C3 ao F6; em registro ela também dominava o repertório para o soprano e o contralto. É uma voz frequentemente similar com o soprano e requer cuidados na classificação, sendo fundamental verificar a extensão e a potência marcante.
O termo meio-soprano foi desenvolvido em relação às vozes clássicas e operísticas, em que a classificação se baseia não apenas na escala vocal da cantora, mas também sobre a tessitura e timbre da voz. Para cantores clássicos e de ópera, seu tipo de voz determina os papeis que irão cantar e é o principal método de categorização. Na música popular, os cantores são principalmente definidos por seu gênero e não o seu alcance vocal. Quando a termos soprano, meio-soprano, contralto, tenor, barítono e baixo são usados como descritores de vozes não-clássicas, eles são aplicados mais livremente do que seriam para aqueles de cantores clássicos, geralmente referindo-se apenas ao alcance vocal percebida do cantor.
Divisões A classificação na Ópera: Meio-soprano coloratura Tem um registro quente inferior e um registro agudo ágil. Os cis que canta nas óperas muitas vezes exigem não só a utilização do registro inferior, mas também o salto na tessitura superior; ornamentados, com passagens rápidas. Tem uma gama de aproximadamente A3 para o C6, alguns casos podem de atingir um D6. O que distingue essa voz da classificação "soprano" é sua extensão no registro mais baixo e uma qualidade vocal mais quente, com registro médio largo e voz de peito bem desenvolvida, pode cantar Cenerentola de Rossini como também a princesa Eboli.
Meio-soprano lírico Com uma gama de aproximadamente F#3 para B5 ou até mesmo um C6, este tem uma qualidade às vezes muito suave e sensível, mas não tem o vocal do coloratura ou o tamanho da gama do dramático. É ideal para a maioria dos papéis de in travestir. Interpreta mulheres maduras e sedutoras, um bom exemplo está na Opera homônima Carmen e varia algumas arias de Contralto e Sopranos.
Meio-soprano dramático Tem um forte registro médio, um alto registro quente e uma voz que é mais ampla e mais poderosa do que os outros meio-sopranos. Esse tem menos agilidade vocal do que o coloratura; com o alcance de F3 para B5 podendo atingir um potente C6, com certas identificações com o contralto, bons exemplos dessa voz são Giulietta Simionato e Shirley Verrett, que também cantavam o repertório para Soprano dramático como Norma, Lady Macbeth e Santuzza e papéis pesados de Mezzsoprano que exigiam uso da voz de peito como Azucena e Amneris. Pode cantar sobre orquestras e coros com facilidade e muitas vezes foi usado na ópera do século XIX, para retratar as mulheres mais velhas, mães, bruxas e personagens do mal. Verdi escreveu muitos papéis para este meio-soprano no repertório repertório italiano e também há alguns bons papéis na opera francesa. A maioria destes papéis, no entanto, estão dentro do repertório do romantismo alemão e de compositores como Wagner e Strauss.
Papéis operísticos Azucena, o papel da cigana do Il Trovatore de Verdi (um dos papeis mais difíceis para o meio-soprano) tem um C6 para cantar numa das cadências. O "mezzo rossiniano", que tem uma abordagem mais leve por causa das coloraturas que tem a executar, também desmitifica a ideia da voz do mezzo ser grave. Um exemplo disso é o papel de Rosina no Il Barbieri di Siviglia de Rossini.
Interpreta Adalgisa, de Norma (escrita por Bellini para um soprano — Giulia Grisi), papel que, cantado no tom, obriga a subir até o dó sobreagudo (C6). É a voz característica de Amneris, de Aida, de Laura, de A Gioconda, de Açucena, de "O Trovador", papéis que exigem uma voz cheia, harmônica e potente, com graves profundos e agudos seguros.
Encontra-se também em Cherubino, de As Bodas de Fígaro, e Octavian, de "O Cavaleiro da Rosa".
Além destes, outros papéis onde se pode ouvir uma voz de meio-soprano são:
Agnes, em A Noiva Vendida de Bedřich Smetana; Amneris, em Aida de Verdi; Carmen, na ópera homônima de Bizet; Charlote, em Werther de Massenet; Clotilde, em Norma de Vincenzo Bellini; Conde Otaviano (ou Otávio) Rofrano, em Der Rosenkavalier, de Richard Strauss; Dalila, em Samson et Dalila, de Camille Saint-Saëns; Gertrude, em Roméo et Juliette, de Charles Gounod; Hänsel, Gertrude e a Feiticeira, em Hänsel und Gretel, de Engelbert Humperdinck Klytämnestra, em Elektra, de Richard Strauss; La Marquise e a Duquesa de Krakentorp, em La Figlia del Regimento, de Gaetano Donizetti; Mallika, Senhora Bentson e Rose, em Lakmé, de Léo Delibes; Mignon, em Mignon, de Ambroise Thomas; Ortrud, em Lohengrin, de Richard Wagner; Princesa Éboli, em Dom Carlos, de Verdi; Sra. Sedley (algumas vezes chamada de Sra. Nabob), em Peter Grimes, de Benjamin Britten Tisbe, em La Cenerentola de Rossini; Yniold, em Pelléas et Mélisande de Claude Debussy.
Há ainda alguns papeis que podem ser feitos por mezzos ou sopranos dramáticos:
Cherubino em Le nozze di Figaro de Mozart; Dorabella, em Così fan tutte de Mozart; Isaura, em A Escrava Isaura de Wallas Da Silva Soares; Leonora em La favorita de Donizetti; Santuzza, em Cavaleria Rusticana de Mascagni;
Cantoras meio-soprano
Música erudita
Adelaide Borghi-Mamo Angelika Kirchschlager Anne Sofie von Otter Cecilia Bartoli Christa Ludwig Elena Obraztsova Elīna Garanča Frederica von Stade Gail Dubinbaum Jane Rhodes Janet Baker Jennifer Larmore Joyce DiDonato Linda Finnie Lorraine Hunt‑Lieberson Luigia Abbadia Magdalena Kozená Margherita Durastanti Margherita Zimmermann Marilyn Horne Marina Viotti Marion Matthäus Marjana Lipovsek Marjorie Thomas Rosemary Kuhlmann Salli Terri Sonia Ganassi Teresa Berganza Yvonne Levering
Música popular
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Bibliografia FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Positivo, 2010
Categoria:Classificações vocais