miniaturadaimagem|Operários (1933), pintura de Tarsila do Amaral, representando a multietnicidade nas indústrias brasileiras. |300x300px Indústria no Brasil teve seus primeiros passos já no período colonial. Levou-se um certo tempo, porém, para crescer satisfatoriamente no início do século XIX através de investimentos autônomos estimulados pelo período monárquico e principalmente para se solidificar e se estruturar a partir da década de 1930, com as medidas políticas dos governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Hoje, o país é considerado um dos países subdesenvolvidos mais industrializados do mundo e ocupa o décimo quinto lugar no segmento em escala global.

Os esforços do passado geraram bens de consumo e até mesmo tecnologia de ponta. Os principais tipos de indústrias no Brasil são as automobilísticas, petroquímicas, de produtos químicos, alimentares, de minerais não metálicos, soja, têxtil, de vestuário, metalúrgica, mecânica, etc. No Brasil, as áreas de comércio, saúde, serviço público, profissionais liberais, educação, serviços bancários, de comunicação, de transporte e outras estão diretamente ligadas à indústria. Mas ao mesmo tempo em que cresce a industrialização, crescem seus impactos ambientais, produzindo muita poluição, destruição de ecossistemas e declínio da biodiversidade nacional. Já existem políticas públicas para combate e minimização desses impactos, cresce a conscientização ecológica mesmo entre o empresariado e têm sido observados alguns progressos práticos neste sentido, mas ainda há muito por fazer neste campo.

No entanto, a industrialização nunca ocorreu homogeneamente a nível nacional. Essa desconcentração é uma das características atuais da industrialização brasileira contemporânea: segundo o IBGE, a concentração no Sudeste baixou para 48% das indústrias."A indústria sai da crise", in: Atualidades Vestibular + Enem 2011, p.151. Editora Abril.

A indústria brasileira encontra-se fortemente no Sudeste, especialmente no estado de São Paulo, apesar de atualmente muitas novas unidades industriais estarem se instalando nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.

História Período colonial

Durante o período colonial, apenas uma pequena indústria para consumo interno era permitida, devido às distâncias entre a metrópole e a colônia, e eram, principalmente, as manufaturas têxteis e a do ferro. Isso até a segunda metade do século XVIII, quando, em 1785, Portugal proibiu fábricas na colônia por meio do alvará de 5 de janeiro desse ano. O motivo foi evitar que os produtos da colônia criassem concorrência com os do Reino.

Mandou-se fechar as todas as manufaturas têxteis da colônia, exceto a de panos grossos de algodão, que serviam para vestir os escravos. A perseguição estendeu-se à indústria do ferro, de modo que apenas saber como fundir o metal já era suficiente para tornar alguém suspeito de "ideias perigosas e subversivas" à Coroa. Era o golpe de morte na indústria da colônia.

Origens: décadas de 1800-1840 A transferência da corte portuguesa para o Brasil teve profundos efeitos econômicos, impulsionando a atividade econômica no país ao abrir novas oportunidades de comércio, estimular investimentos locais e promover o desenvolvimento de setores-chave, marcando um período de significativo crescimento econômico.

A Carta régia de 28 de Janeiro de 1808, assinada por João VI de Portugal poucos dias após ancorar em Salvador, foi um dos fatores que contribuíram para a revogação do alvará de 1785, então em vigor, não apenas desbloqueando os portos brasileiros.

Em 1º de abril de 1808 decretou-se uma lei que suspendia a de 1785. Ficavam, assim, autorizadas as atividades em território colonial. Os estabelecimentos surgiram em sua maioria no Sudeste brasileiro (sobretudo nas províncias do Rio de Janeiro, Minas Gerais e, mais tarde, em São Paulo), mas também no Nordeste do país (em Pernambuco e na Bahia). Cerca de 77 estabelecimentos registrados entre 1808 e 1840 foram classificados como "fábricas" ou "manufaturadas". Contudo, a maioria (cerca de 56 estabelecimentos), seriam consideradas apenas como oficinas pelos padrões de hoje, e eram voltadas para a produção de sabão e velas de sebo, rapé, fiação, tecelagem, alimentos, derretimento de ferro, derretimento de metal, lã e seda, entre outros. Na época, esses estabelecimentos utilizavam tanto escravos quanto trabalhadores livres.Szmrecsány, 2002, p. 282. thumb|esquerda|upright|Empreendedores como o Visconde de Mauá impulsionaram a industrialização no Brasil.

Existiam cerca de vinte estabelecimentos que hoje seriam conhecidos como manufaturados de fato, e deste total, 13 foram criados entre os anos de 1831 e 1840. Todos, no entanto eram de porte pequeno e se assemelhavam mais a grandes oficinas do que a fábricas próprias. Ainda assim, os produtos manufaturados eram bastante diversificados e de uso comum: chapéus, pentes, ferração e serrarias, fiação, tecelagem, sabão e velas, vidros, tapetes, óleo, etc. Segundo estudiosos, provavelmente por causa da instabilidade do período regencial, apenas nove destes estabelecimentos ainda estavam em funcionamento pelos idos de 1841, mas estes nove eram de grande tamanho e hoje podem ser considerados como um "presságio de uma nova era para a fábrica" brasileira.Szmrecsány, 2002, p. 283.

Em 28 de abril de 1809, o alvará do Príncipe Regente Dom João VI marcou o nascimento da proteção à propriedade intelectual no Brasil, estabelecendo as bases legais para a salvaguarda da propriedade industrial.

O advento da real produção manufaturada antes da década de 1840 era extremamente limitada, devido à auto-suficiência das regiões do país (sobretudo as fazendas produtoras de café e cana-de-açúcar, que produziam seus próprios alimentos, roupas, equipamentos, etc.), e também à falta de capital e aos altos custos de produção que tornaram impossível para a fábrica nacional competir com produtos estrangeiros à época. Segundo estudiosos, os custos eram altos porque a maioria das matérias-primas eram importadas, apesar de algumas plantações já usarem máquinas.Szmrecsány, 2002, p. 285 a 287.

Avanços: décadas de 1840 e 1860 thumb|Estaleiro na cidade do Rio de Janeiro, cerca de 1862. A promulgação da tarifa de Alves Branco modificou esse quadro. A tarifa conseguiu aumentar as receitas do Estado e estimular o crescimento da indústria nacional.Szmrecsány, p. 294Sodré, p.198-200 A proliferação repentina de capital foi direcionada para investimentos nas áreas de serviços urbanos, transportes, comércio, bancos, indústrias, etc.Szmrecsány, p. 290 A maior parte do capital investido em indústrias foi direcionada para as têxteis.Vainfas, p. 373 Com o crescimento industrial sem precedentes, vários estabelecimentos manufaturados surgiram, dedicados então a produtos bem diversos: fusão de ferro e metal, maquinários, sabão e velas, vidros, cerveja, vinagre, galões de ouro e prata, sapatos, chapéus, algodão e tecido.Szmrecsány, p. 291

Um dos principais estabelecimentos criados neste período foi a Ponta da Areia, fábrica metalúrgica na cidade de Niterói que também construía barcos a vapor.Vainfas, p. 374 Já a indústria têxtil algodoeira do país surgiu no ano de 1826 em Pernambuco, mas não foi bem sucedida, e só duas décadas mais tarde, com a abertura de outras unidades, o setor foi se consolidando naquela província. Na Bahia, a produção têxtil iniciou-se em 1844. O setor têxtil foi dinâmico durante o período monárquico brasileiro e recebeu relevantes investimentos até 1890, quando entrou em declínio. Algumas modernizações ocorreram, principalmente entre 1840 e 1860, quando foram criadas fábricas de bom nível tecnológico capazes de competir com outros grandes centros internacionais. Em 1853, havia 8 fábricas de tecidos no Brasil. Vieram outras melhorias com a estabilização das fábricas e forjas voltadas para a produção de equipamentos e peças para a manufatura têxtil.Szmrecsány, p. 318-9 thumb|esquerda|Interior de uma fábrica no Brasil, 1880.

De acordo com Ronaldo Vainfas,Vainfas, p. 375 não há qualquer base documental que comprove a crença comum de que a extinção do tráfico de escravos africanos em 1850 "liberou" créditos para o desenvolvimento industrial. Ao contrário, o capital empregado no comércio já havia sido empregado em setores como empresas de serviços urbanos, transportes, bancos e comércio. No entanto, é possível que tenha ocorrido um contributo indireto para o crescimento do setor industrial através de empréstimos bancários.Szmrecsány, p. 300 Em 1850, havia cerca de 50 fábricas no Brasil com um capital de pelo menos R$;7 000 000 000.Vianna, p. 496

O governo imperial criou vários incentivos para a industrialização do país. O mais antigo destes data do reinado de Pedro I do Brasil, através de prêmios de subsídios governamentais. O primeiro estabelecimento a receber tal concessão foi a Fábrica das Chitas, devotada ao papel e à impressão, por um decreto de 26 de junho de 1826.Szmrecsány, p. 298

A prática foi retomada na década de 1840, quando os novos estabelecimentos industriais receberam tais subsídios. Em 1857, sete fábricas foram beneficiadas através da prática de incentivos, entre elas a Ponta da Areia mencionada mais acima, cujo proprietário foi Irineu Evangelista de Sousa (mais tarde conhecido como Visconde de Mauá). Um dos critérios para a concessão desses subsídios era o emprego exclusivo a trabalhadores livres, o que marcava um novo modo de se investir e trabalhar no país.Szmrecsány, p. 298-300 conflitos armados: a Guerra Civil Americana e a Guerra do Paraguai. Por causa da primeira das duas, a produção de algodão dos EUA foi interrompida pelo bloqueio das forças da União contra a Confederação. A segunda, por sua vez, resultou na emissão de moeda e no aumento das tarifas de importação para cobrir os custos da guerra. Isso resultou em um grande estímulo não só para a indústria têxtil, mas também para outros setores, tais como o de produtos químicos, charutos, vidro, papel, couro e instrumentos óticos e náuticos. thumb|esquerda|Usina Beltrão (Fábrica Tacaruna), no Recife. Inaugurada em 1895, foi a primeira refinaria do Brasil e da América do Sul.

Durante a década de 1870, graças ao declínio da região cafeeira do Vale do Paraíba e algumas áreas de produção de açúcar, muitos proprietários de plantações investiram não só na indústria têxtil de algodão, mas também em outros setores industrias. A implantação de uma rede ferroviária em todo o território nacional também estimulou o surgimento de novas atividades industriais, principalmente em São Paulo.Szmrecsány, p. 185 A partir da década de 1870, a expansão da indústria tornou-se uma constante no Brasil.Vainfas, p. 373, 375 Em 1866, por exemplo, havia 9 fábricas têxteis com cerca de 795 trabalhadores.Graça Filho, p. 80 Em 1885, já havia 48 fábricas de tecidos através do país, que operavam 2.111 teares e empregavam 3.172 trabalhadores.Graça Filho, p. 84

A Associação apoiou novos incentivos industriais e propagandeou contra os defensores de um Brasil essencialmente agrícola.Vainfas, p. 376 9,6% do capital da economia do Brasil era direcionada para a indústria em 1884, e em 1885 chegou a 11,2%Silva, p.61. No momento de sua queda, em 1889, o Brasil monárquico tinha 636 fábricas (representando um aumento anual de 6,74% a partir de 1850) com um capital de R$ 401.630.600.000 (taxa de crescimento anual de 10,94% desde 1850). Deste montante, 60% eram empregados no setor têxtil, 15% no de alimentos, 10% de química, 4% em madeira, 3,5% em roupa e 3% em metalurgia.Silva, p. 60

Em conjunto com o alvará de 28 de abril de 1809, a Lei 2.682, de 23 de outubro de 1875, desempenhou um papel fundamental na evolução do sistema de propriedade intelectual no Brasil. Esta legislação complementar consolidou e ampliou as disposições relacionadas à proteção de patentes e marcas.

Primeiro Período Republicano