Os Irmãos de Jesus (, translit: adelphoi, lit. 'irmãos') são descritos no Novo Testamento, entre eles Tiago, José, Judas e Simão são mencionados.
Católicos, assírios, ortodoxos, alguns luteranos e anglicanos muito conservadores acreditam na virgindade perpétua de Maria, assim como os primeros líderes protestantes Martinho Lutero, Huldrych Zwingli, John Wesley e seus respectivos movimentos; João Calvino acreditava que era possível que Maria continuasse virgem, mas acreditava que a evidência das escrituras era inconclusiva. Aqueles que sustentam essa crença rejeitam a alegação de que Jesus tinha irmãos biológicos e afirmam que esses irmãos de Jesus receberam essa designação por causa de sua associação próxima com a família nuclear de Jesus, como filhos de José de um casamento anterior ou como primos de Jesus..
No século III, os parentes biológicos ligados à família nuclear de Jesus, sem referência explícita a irmãos ou irmãs, eram chamados Desposyni (do , plural de δεσπόσυνος, significando "do ou pertencendo ao mestre ou senhor") O termo foi aplicado pela primeira vez por Sexto Júlio Africano, um escritor do .
Entre os argumentos dos estudiosos está o de que os parentes de Jesus ocupavam posições proeminentes na igreja antiga.
Irmãos e irmãs de Jesus thumb|230px|Tiago, irmão do Senhor (), o mais conhecido dos desposyni, num ícone russoConsidera-se que Jesus tinha irmãos e irmãs, baseado nos Evangelhos de Hebreus, em . e . Eles também aparecem no trecho conhecido como "verdadeiros parentes de Jesus" em Marcos e Mateus.
Os evangelhos canônicos nomeiam quatro irmãos, entre eles Tiago. Após a morte de Jesus, Tiago, o "irmão do Senhor" era o líder da congregação em Jerusalém. e os parentes de Jesus parecem ter tido posições de autoridade nas redondezas da cidade.
Conforme a doutrina da perpétua virgindade de Maria se desenvolveu, principalmente no oriente, os cristãos passaram a considerar os irmãos de Jesus como sendo filhos de José de um outro casamento, e Jerônimo prosseguiu argumentando que os "irmãos" e "irmãs" eram na verdade primos. Os termos "irmão" e "irmã", como utilizados neste contexto, realmente estão abertos a diversas interpretações. As línguas hebraica e aramaica não possuem termo apropriado para indicar os primos, e os designam com a mesma palavra que significa irmãos no verdadeiro sentido.
Não existe uma conclusão definitiva no Novo Testamento se Jesus tinha ou não irmãos de Maria e de José, como aceitavam alguns membros da igreja antiga, posteriormente rotulados como antidicomarianitas. Mas quando Helvídio propôs esta ideia no , Jerônimo, que, ao que parece, já tinha expressado a opinião geral da Igreja na época, defendia que Maria tinha permanecido sempre virgem, argumentando que os que eram chamados de irmãos e irmãs eram na verdade filhos da irmã de Maria, a quem Jerônimo identificou como Maria de Cleofas .
Outra interpretação é que esses irmãos eram filhos de José de um casamento anterior ao de Maria. Embora a aceitação da perpétua virgindade de Maria seja majoritariamente acatada pelos estudiosos, principalmente com base nos testemunhos dos primeiros cristãos (como no primeiro capítulo do Evangelho de Mateus), Maria é apresentada como aquela da qual nasceu Jesus,(Mateus 1,16) omitindo-se que dela teriam nascido também os Seus supostos irmãos e irmãs, pelo fato que se dela tivessem nascido não haveriam motivos para não mencioná-los como nascidos dela também. E mesmo que fossem filhos de José com outra mulher não seriam também irmãos de sangue uma vez que Jesus foi acolhido por José como filho apenas por adoção, como O foi revelado pelo anjo em sonho que Jesus era na verdade Filho de Deus Altíssimo e não de homem, de modo que Maria O concebeu, gestou e O deu a luz de forma imaculada. Portanto mesmo que fossem filhos de José com outra mulher só poderiam ser chamado irmãos propriamente no sentido de parentes próximos como primos. Estudiosos do Jesus Seminar sugerem que a doutrina da perpétua virgindade de Maria impediu o reconhecimento de que os irmãos de Jesus eram filhos biológicos de Maria e José,
Como líderes da Igreja
De acordo com o Evangelho de Marcos, a mãe e os irmãos de Jesus estavam, no começo, céticos sobre o Seu ministério, mas depois se tornaram parte do movimento cristão. Tiago, o "irmão do Senhor", presidiu sobre a igreja de Jerusalém após a dispersão dos apóstolos. Os parentes de Jesus provavelmente exercitaram realmente alguma liderança entre as comunidades até que os judeus foram expulsos da área com a fundação da Élia Capitolina nas ruínas de Jerusalém.
Em um estágio anterior também, Tiago, irmão do Senhor, e a quem Jesus teria dado a graça especial de aparecer após a ressurreição era, juntamente com Pedro e João, considerado um líder da igreja de Jerusalém e, quando eles partiram, Tiago se tornou a principal autoridade de Jerusalém e era tido na mais alta estima pelos judeus-cristãos. Hegésipo relata que ele foi executado pelo Sinédrio em 62 d.C.
A referência de Sexto Júlio Africano aos Desposyni ficou preservada na História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia (I, vii 11, 13–14):
Eusébio também preservou um trecho de uma obra de Hegésipo (ca. 110 – ca. 180), que escreveu cinco livros (todos perdidos, a não ser pelas citações preservadas em Eusébio) de Comentários sobre os atos da Igreja. Ele menciona descendentes de Judas vivendo durante o período do imperador romano Domiciano . Eusébio de Cesareia relata o seguinte em sua História Eclesiástica (III, 19–20):
Seguem as palavras de Hegésipo:
Epifânio de Salamina, em sua obra Panarion, menciona um Judas Ciríaco (Judas de Jerusalém), bisneto de Judas, como tendo sido o último bispo de Jerusalém judeu antes da Revolta de Barcoquebas.
O grau de consanguinidade entre os Adelfos e Jesus
O Novo Testamento (escrito originalmente em grego) nomeia Tiago, o Justo, José, Simão e Judas como os adelfos (adelphoi) de Jesus. Delphys é a palavra grega para "útero" e, por isso, adelphos significaria, literalmente, "(os) do mesmo útero" neste contexto. Porém, há muita controvérsia sobre esta interpretação.
Porém, Eusébio de Cesareia e Epifânio de Salamina, importantes teólogos do Cristianismo primitivo aderiram à doutrina da perpétua virgindade de Maria e, portanto, não aceitavam que Maria pudesse ter tido outros filhos além de Jesus. Eusébio e Epifânio de Salamina defendiam que estes eram filhos de José de um casamento anterior. Orígenes (184–254) também escreveu "de acordo com o Evangelho de Pedro, os irmãos de Jesus eram filhos de José com uma ex-esposa, com quem ele se casou antes de Maria".
A apócrifa "História de José, o Carpinteiro", escrita no século V e emoldurada como uma biografia de José ditada por Jesus, descreve como José teve com sua primeira esposa quatro filhos e duas filhas. Os nomes de seus filhos eram Judas, Justo, Tiago e Simão, e os nomes das duas filhas eram Assia e Lídia. Anos depois da morte de sua primeira esposa, ele levou Maria. Portanto, os irmãos de Jesus seriam os filhos de José com sua primeira esposa.
O Protoevangelho de Tiago afirma explicitamente que José era viúvo e tinha filhos na época em que Maria foi confiada aos seus cuidados.
A Enciclopédia Católica, citando os textos contidos nos escritos apócrifos, escreve que:
Jerônimo, outro importante teólogo da mesma época argumentava que os adelfos eram filhos de uma irmã de Maria, também chamada Maria. Essa outra Maria seria Maria de Cleofas. Portanto, os adelfos de Jesus seriam primos de Jesus. Uma proposta moderna afirma que estes homens eram filhos de Cleofas (irmão de José, de acordo com Hegésipo) e Maria de Cleofas (não necessariamente a irmã de Maria, mãe de Jesus).
A doutrina oficial da Católicos romanos e dos Ortodoxos é de que Maria teria sido uma virgem perpétua,Como por exemplo em assim como muitos dos primeiros Protestantes, incluindo Martinho Lutero,Veja citações das obras de Lutero em CalvinoHarmony of Matthew, Mark & Luke, sec. 39 (Geneva, 1562) em : "Helvídio mostrou grande ignorância ao concluir que Maria deve ter tido muitos filhos, pois os 'irmãos' de Cristo são às vezes mencionados" (vol 2., pág. 215); "[Em Mateus 1:25 :] a inferência que ele Helvídio tirou foi que Maria não seria mais virgem após o nascimento de seu primeiro filho e que ela teve outros filhos com o seu marido.... Nenhuma inferência justa ou bem-fundamentada pode ser tirada destas palavras .... sobre o que aconteceu após o nascimento de Cristo. Ele é chamado "primogênito"; mas é puramente para nos informar que ele nasceu de uma virgem... O que aocnteceu depois, o historiador não nos informa ....Nenhum homem manteria obstinadamente este argumento, exceto por uma extrema vontade de disputar." (vol. I, p. 107) e Zuínglio,"Eu firmemente acredito que [Maria], de acordo com as palavras do evangelho, como uma virgem pura nos trouxe o Filho de Deus e no nascimento e após permaneceu pura, intacta Virgem". ( assim como John Wesley, o líder Metodista do ."Eu acredito que Ele foi feito homem, juntando a natureza humana à divina em uma pessoa; sendo concebido em uma operação singular pelo Espírito Santo, nascido da abençoada Virgem Maria, que, tanto antes quanto depois do nascimento, continuou pura e imaculada virgem" ( De fato, a maioria dos primeiros cristãos parece não ter questionado esta doutrina. A Igreja Católica, seguindo Jerônimo, conclui que os adelfos eram primos de Jesus, enquanto que os Ortodoxos, seguindo Eusébio e Epifânio, argumenta que eles eram filhos de José, mas de um outro casamento.
Estudiosos do Jesus Seminar sugerem que a doutrina da perpétua virgindade de Maria impediu o reconhecimento de que os irmãos de Jesus eram filhos biológicos de Maria e José. Alguns protestantes modernos geralmente consideram os adelfos como sendo os filhos biológicos de Maria, por JoséEm outras palavras, sob este ponto de vista, eles partilhavam um progenitor (Maria) com Jesus. "Então Tiago, de acordo com este ponto vista, seria o meio-irmão caçula de Jesus" Witherington, Ben III, "Jesus' Extended Family," Bible Review, 19:3, pg.30–31. Adicionalmente, a Nelson Study Bible (NKJV - New King James Version) lista os tradicionais autores das Epístolas de Tiago e Judas como sendo "Tiago, o meio irmão de Jesus, tradicionalmente chamado de 'o Justo'" (pág. 2102) e "Judas, o irmão de James e meio-irmão do Senhor Jesus" (pág. 2156). O termo meio-irmão é utilizado para denotar parentesco e não genética. NEste ponto de vista, os outros irmãos e irmãs listados nas passagens do Evangelho teriam tido o mesmo relacionamento com Jesus. Porém, alguns protestantes rejeitam o termo "meio-irmão" por que ele é muito específico. Os relatos do Evangelho se referem a estes parentes como irmãos e irmãs de Jesus, sem especificar seus pais, e se referem à Maria apenas em relação à Jesus. uma vez que estas igrejas entendem geralmente que Jesus é o filho de Deus ao invés de filho de José, os adelfos são vistos portanto como sendo meio-irmãos de Jesus.
Árvores genealógicas
Além das genealogias de Jesus presentes nos evangelhos de Lucas e Mateus, tem havido diversas tentativas de montar um retrato detalhado da família de Jesus:
Versão I (baseada em James Tabor)
Matthat bar Levi
Eleazar | | Heli/Eliaquim
Matã ________|____________
Maria+ Deus = José (1st) = Cleofas (2nd)
| _______________________|___________ Jesus | | | | | | 5 a.C.- 28 | | | | | | Tiago Joses Judas Simão Maria Salomé m.62 d.C. | m. 101 d.C. ____|____
Zacarias Tiago vivos no reinado de Domiciano
Versão II (editada)
__________________________________________
Maria=José Cleofas=Maria
|______________________________________ | | | | | | | | Simeão | | | | | | | d. 106 Jesus Tiago Joses Simão irmã irmã Judas d.62 | | Menahem Judas _|_______
Elzasus Tiago Zoker | ? Nascien | bispo de Judah Kyriakos fl.c.148–149.
Versão III. Epifânio os tornou filhos de José por um casamento anterior.
Maria=José ----------------- esposa anterior