"Telephone" é uma canção da cantora norte-americana Lady Gaga, gravada para o seu terceiro extended play (EP) The Fame Monster. Conta com a participação especial de Beyoncé, e foi composta pelas duas intérpretes em conjunto com LaShawn Daniels, Lazonate Frank e Rodney Jerkins, sendo que este último também esteve a cargo da produção musical. A sua gravação decorreu durante o ano de 2009 nos Darkchild Studios em Los Angeles, na Califórnia. Foi enviada para as rádios dos Estados Unidos a 26 de janeiro de 2010 e lançada digitalmente a 15 de fevereiro na iTunes Store através da Interscope Records, além de terem sido editadas várias remisturas a partir da faixa original, e promovida ainda através de disco de vinil e CD single.

Inspirada pelo seu medo da asfixia, Gaga explicou que a letra retrata-a dando preferência à pista de dança em vez de atender chamada do seu amante, e observou que o telefone abordado na canção é, na realidade, uma pessoa dizendo-lhe para continuar a trabalhar de forma dura. Musicalmente, é constituída por uma ponte alargada, um verso-rap e um epílogo onde a voz de um operador anuncia que a linha telefónica está inacessível. Knowles aparece a meio da música com os versos cantados num modo mais rápido, acompanhados por batidas duplas. Em maio de 2010, foi divulgada para o público na Internet uma versão com os vocais de Britney Spears, sugerindo que inicialmente seria para o seu repertório.

Os membros da crítica afirmaram que "Telephone" era considerada uma faixa de destaque de The Fame Monster, chegando a receber uma nomeação para a cerimônia dos Grammy Awards de 2011 na categoria Best Pop Collaboration with Vocals. A música entrou em várias tabelas musicais devido ao número das descargas digitais posterior ao lançamento do álbum, nomeadamente na Austrália, Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e os Países Baixos. Contudo, foi na Europa que se destacou mais, alcançando a liderança na Bélgica, Dinamarca, Hungria, Irlanda, Noruega e Reino Unido. O single vendeu três milhões de descargas nos Estados Unidos e mais de 7,4 milhões mundialmente estando entre os dez mais vendidos de 2010, de acordo com o relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica.

O vídeo musical é a continuação de "Paparazzi", canção de 2009 que também recebeu um formato de mini-filme. Depois de ser socorrida da prisão por Beyoncé, as duas dirigem-se a um restaurante onde acabam por matar todos os clientes que se encontram no local. Após escaparem do estabelecimento, ambas seguem a alta velocidade para fugir a uma perseguição policial. A produção faz referência aos filmes Pulp Fiction e Kill Bill: Volume 1, ambos dirigidos por Quentin Tarantino. Muitos dos críticos elogiaram o vídeo, contudo outros realçaram a sua violência e os temas expressos. Em memória de Alexander McQueen, Gaga interpretou uma versão acústica de "Telephone" misturada com "Dance in the Dark" na cerimónia Brit Awards de 2010, além de ter apresentado a música nas suas turnês mundiais The Monster Ball Tour (2009-2011) e a The Born This Way Ball (2012-2013).

Antecedentes

"Telephone" foi escrita inicialmente para o álbum Circus, de Britney Spears, cuja versão com os seus vocais foi divulgada na Internet em maio de 2010. Contudo, depois da gravação da faixa, a editora discográfica de Spears rejeitou a canção, e Gaga gravou-a mais tarde em colaboração com Beyoncé para o seu terceiro extended play (EP). A cantora disse o seguinte: "Escrevi a canção para ela [Britney] há muito tempo, mas não quis usar no seu trabalho. Foi bom porque adoro-a e quero interpretá-la agora". Originalmente, a convidada teria sido a própria Britney, mas invés disso, Gaga fez arranjos alternativos e adicionou os vocais de Beyoncé para a parceria. A inspiração para a letra da música aconteceu devido ao medo da artista em relação à asfixia:

Em maio de 2011, a intérprete confidenciou que a sua "conexão emocional" com a melodia foi difícil. Quando questionada sobre o facto de ter escrito inicialmente a obra para Spears, a cantora respondeu o seguinte: "Bem, não foi isso exatamente que aconteceu, mas não quero aprofundar. Poderia fazê-lo se desligasse isso (aponta para o gravador)... Mas ultimamente, a mistura e a finalização do processo de produção foi muito esgotante para mim. Logo, quando digo que é a minha pior música não tem nada a ver com o som em si, apenas com a minha conexão emocional com a mesma.

Lançamento e divulgação thumb|left|Gaga a interpretar a canção ao vivo durante a digressão The Monster Ball Tour em 2010. O tema começou a ser reproduzido nas rádios norte-americanas a 26 de janeiro de 2010, e de seguida foi disponibilizada na iTunes Store a 15 de fevereiro em França. Foi ainda comercializado em CD single, num EP digital e físico com um conjunto de remisturas a partir do original, e finalmente, em vinil de 7 e 12 polegadas. Numa performance em homenagem ao amigo, o falecido estilista Alexander McQueen, Lady Gaga interpretou a faixa ao vivo pela primeira vez durante a edição de 2010 da cerimónia BRIT Awards, a 16 de fevereiro, no Earls Court Exhibition Centre. Primariamente, a cantora planeou um modo diferente de apresentação, mas alterou o conceito no último minuto porque quis prestar um tributo a McQueen. Escolhendo uma versão acústica de "Telephone" e uma remistura de "Dance in the Dark", antes do espetáculo, a artista afirmou o seguinte no Twitter: "O desempenho desta noite é inspirado no nosso amigo. Máscara por Phillip Treacy, Escultura por Nick Knight, Música de Lady Gaga. Nós sentimos a tua falta". Quando foi anunciada, a artista subiu ao palco com uma indumentária ao estilo da arquiduquesa Maria Antonieta, que sugeriu semelhanças com atuações anteriores da própria, e afirmou de seguida que o concerto era dedicado a Alexander McQueen.

Posteriormente, a sua divulgação consistiu em várias atuações ao longo da digressão mundial The Monster Ball Tour, na qual a cantora possuía um vestuário preto enquanto tocava um keytar, instrumento que apresenta características de guitarra, teclado e sintetizador. "Telephone", bem como "Brown Eyes" do álbum The Fame, foram interpretadas ao vivo no programa de comédia Friday Night with Jonathan Ross a 3 de março de 2010, para um episódio transmitido dois dias depois. A promoção do single consistiu em outras aparições televisivas, como em Music Station no Japão a 16 de abril, em que Gaga utilizou um macacão de renda e um par de ombros plásticos, desenhados por Somarta e Nakazato Yuima, respetivamente. Em maio de 2010, a artista interpretou a música durante o festival Radio 1's Big Weekend em Cúmbria, mas foi somente em junho que Knowles também participou numa atuação da colaboração no Festival de Glastonbury, com um público superior a 175 mil pessoas. Durante a turné The Born This Way Ball, a obra também foi interpretada ao vivo em décimo primeiro lugar do alinhamento, sucedendo "LoveGame" e antecedendo "Hair".

Estilo musical e letra

"Telephone" é uma canção de tempo moderado que incorpora elementos de estilo electropop e dance-pop, produzida por Darkchild. A sua gravação foi realizada por Paul Foley e decorreu em 2009 nos Darkchild Studios, em Los Angeles, na Califórnia. Mike "Handz" Donaldson e Hisashi Mizoguchi estiveram a cargo da parte vocal e Gene Grimaldi da masterização. Embora tenha sido construída como um dueto, a primeira aparição de Knowles acontece no verso do meio quando canta a sua parte com breves intervalos musicais e com retorno nos refrões durante o resto da faixa. A canção começa com Lady Gaga com uma voz solene envolta na melodia de uma harpa, alterando posteriormente para ritmo mais acelerado em que essencialmente a intérprete está numa discoteca e o seu namorado continua a telefonar-lhe, mas ela não consegue responder corretamente porque está a dançar e a beber ao som da sua música favorita; "Pára de telefonar, pára de telefonar, não quero falar mais", canta em coro. Musicalmente, é constituída por uma ponte alargada, um verso-rap e um epílogo onde a voz de um operador anuncia que a linha telefónica está inacessível. De acordo com a partitura publicada pela Sony/ATV Music Publishing, a música foi escrita em compasso simples, num andamento moderado com um metrónomo de 120 batidas por minuto. Composta na chave de fá menor com o alcance vocal que vai desde da nota baixa fá, para a nota de alta de dó.

Foi escrita por Stefani Germanotta, Rodney Jerkins, LaShawn Daniels, Lazonate Franklin e Beyoncé Knowles. Liricamente, fala sobre o facto da cantora preferir dançar a responder ao telefonema do seu amante, afirmando que deixou a cabeça e o coração na pista. O verso é cantado num estilo rápido, acompanhado por duplas batidas. De acordo com Lady Gaga, o telefone da canção não é físico mas sim uma pessoa na sua cabeça que a incentiva para continuar a trabalhar mais e mais. Gaga explicou, "É esse o meu medo — que o telefone toque e a minha cabeça também... Quer se trate de um telefone ou apenas pensamentos na sua cabeça, isso é outro medo". Bill Lamb do portal About.com considerou que "Telephone", em relação à sua letra, é um "pouco parva". Lamb afirma que no verso, "Eu deixei a minha cabeça e o meu coração na pista de dança" faz "lembrar que Lady Gaga ajudou a puxar a indústria inteira da música pop para a pista de dança de uma maneira, que possivelmente, não era vista desde do auge do disco".

Recepção pela crítica

As críticas atribuídas foram positivas, com Bill Lamb do portal About.com a afirmar que "é difícil definir se Lady Gaga tem uma incrível capacidade de bater recordes no mainstream pop ou se ela é a definição do mesmo na atualidade". Lamb classificou "Telephone" com quatro de cinco estrelas possíveis e complementou a sua crítica ao dizer que é uma das melhores faixas do álbum e "chama também a atenção os fãs de R&B e hip-hop para a rádio". O editor comparou-a também a "Just Dance" como uma "sucessora lírica", em que Gaga fala sobre "não querer usar o telefone na... discoteca". Bill confidenciou que achava "estranho" que a cantora continua-se a sentir-se da mesma forma que em "Just Dance" que já foi "há muito tempo", e termina dizendo que a melodia é "divertida e descartável, mas em The Fame Monster, existem mais e melhores possibilidades para singles". Nick Levine do sítio Digital Spy atribuiu o número máximo de estrelas (cinco) e comentou que devido ao facto de "transformar-se num chatshow com um telefone na cabeça - e porque faz destas coisas cerca de três vezes por semana -, Lady Gaga ganhou um pouco de reputação". Levine criticou ainda a presença "a meio" de Knowles, mas concluiu que "se tivéssemos uma música tão boa como esta para promover, poderíamos apenas colocar um telefone na nossa cabeça".