Chapada Diamantina é uma região de serras, situada no centro do estado brasileiro da Bahia, parte de uma vasta cordilheira conhecida por Cadeia do Espinhaço "é um extenso planalto ( km²), que corresponde a 15% do Estado da Bahia" Nela nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. Ali estão as maiores altitudes da Região Nordeste do Brasil: o Pico do Barbado, com metros, Pico do Itobira e o Pico das Almas. A formação geográfica faz parte do conjunto de serras e planaltos do Leste e do Sudeste do relevo brasileiro e constitui-se como prolongamento da Serra do Espinhaço, portanto, é um escudo cristalino formado no Pré-Cambriano.Letícia Couto Bicalho. Geografia. Juiz de Fora: 2014, UFJF. Disponível em: http://www.ufjf.br/cursinho/files/2014/05/Apostila.Geo_.Fisica.pdf . Acesso em 8 de agosto de 2016. Em suas variadas paisagens, com ecossistemas que incluem a caatinga, cerrado, campos rupestres e até ilhas de mata atlântica, existem diversas áreas de proteção ambiental nas três esferas administrativas - federal, estadual e municipal, tais como o Parque Nacional da Chapada Diamantina, o Parque Estadual do Morro do Chapéu ou a Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara.

A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga semiárida e da flora serrana, com destaque para as bromélias, orquídeas e sempre-vivas. Sua população total estimada em 2014 era de habitantes. Sendo Seabra, Morro do Chapéu e Iraquara as três cidades mais populosas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A Chapada Diamantina é uma vasta extensão de terras com características geográficas, sociais, econômicas, culturais e dialetais diferenciadas do restante do estado da Bahia. Como descreve Seabra (2017, p. 9) “[...] desponta como um conjunto de terras elevadas que parte do coração da Bahia até alcançar o norte de Minas Gerais. Na Bahia, a região montanhosa se estende por 41.994 km² [...]”, o equivalente, por sua extensão territorial, a muitos países da Europa." (citado na obra: "O país do garimpo e sua sócio-história").

A partir de 2015 o governo do estado efetuou a subdivisão administrativa do território baiano em vários "Territórios de Identidade" (TI) dando a um deles o nome de Território de Identidade Chapada Diamantina e integrado por vinte e quatro dos municípios localizados na região central; além dela há o TI do Piemonte da Chapada Diamantina. Paralelamente a esta divisão existe ainda, independente daquela, a divisão do território em treze "zonas turísticas", sendo a Zona Turística da Chapada Diamantina uma delas.

A região apresenta características históricas e culturais peculiares, com repercussão no vocabulário, manifestações religiosas e sociais próprias. Ali nasceram alguns expoentes nacionais como Milton Santos, Abílio César Borges, Afrânio Peixoto, Moraes Moreira, entre outros. Nos últimos anos a Chapada vem produzindo alguns dos melhores cafés brasileiros, e sua economia vem se diversificando além do turismo.

Histórico Período pré-colonial e povos indígenas Durante a última glaciação, há cerca de 24 mil anos, a Chapada tinha maior umidade e clima mais ameno, sendo então habitada por seres da megafauna, cujos restos foram encontrados em alguns trechos de sua área, e que atestam que a configuração do terreno já era similar à que atualmente se vê. A localização de mais de quatro mil ossos, dos quais um exemplar de megatério completo, na gruta do Poço Azul inspirou a realização de um premiado documentário intitulado O Brasil da Pré-História: o mistério do Poço Azul, em 2007, exibido em mais de cinquenta países antes de sua estreia na televisão brasileira.

A presença humana na Chapada Diamantina remonta a 12 mil anos atrás, conforme atestam artefatos como fósseis e pinturas rupestres encontrados em sítios arqueológicos. Quando da chegada dos colonizadores, a Chapada Diamantina era habitada por povos indígenas pertencentes ao tronco macro-jê, genericamente apelidados de tapuias, sobretudo os cariris. Essas populações praticavam o extrativismo dos frutos locais (como o umbu), caça, pesca e cultivos de plantas como o amendoim, macaxeira e batata-doce, num estilo de vida nômade ou seminômade. Com a colonização da Chapada, os indígenas sofreram intenso combate na chamada "guerra de conquista" do território, sendo tratados como bárbaros, e foram perseguidos, catequizados, forçados ao aldeamento e vítimas de outras formas de assimilação ou aniquilação, para darem lugar aos empreendimentos levados a cabo no processo de expansão lusitana do território, como a instalação de fazendas, currais, garimpos, etc. Muitos dos indígenas da Chapada foram aculturados. Dentre os remanescentes dos primeiros habitantes dessa região da Bahia, está uma aldeia dos paiaiás, um ramo dos cariris, localizada entre os municípios de Utinga e Morro do Chapéu.

Sítios arqueológicos miniaturadaimagem|Arte rupestre da Serra das Paridas. O primeiro estudioso que registrou gravuras rupestres na região foi o pesquisador espanhol radicado na Bahia Valentín Calderón, localizando nas décadas de 1960 e 1970 figuras que qualificou como de feição "geométrica ou muito primitiva. Encontramo-la (...) em diversos pontos da Chapada, especialmente nos sopés desta, perto da estrada que vai de Irecê ao Morro do Chapéu".

O sitio da Serra das Paridas (Lençóis) e a Lapa do Sol (Iraquara), são dois dos pontos com inscrições rupestres que podem ser visitados por turistas. Em 2016 a emissora pública alemã Zweites Deutsches Fernsehen, com assessoramento científico da Universidade Federal da Bahia, realizou na Chapada várias filmagens para uma série documental chamada Terra X intitulada “Os primeiros americanos”, com a participação de Carlos Etchevarne, visitando os Complexos Arqueológicos Serra das Paridas, em Lençóis, e Lagoa da Velha, em Morro do Chapéu.

Início da colonização A primeira expedição a alcançar a Chapada Diamantina teria sido a do fidalgo português Vasco Rodrigues Caldas em 1560, que solicitara ao governador-geral Mem de Sá autorização para penetrar nos sertões nos moldes da anteriormente realizada por Francisco Bruza Espinosa e, partindo pelo rio Paraguaçu, foi possivelmente o primeiro colonizador europeu a atingir a Chapada, na região dos atuais municípios de Itaetê, Nova Redenção e Andaraí. Em carta do padre Manuel da Nóbrega, este teria registrado que ele "destruiu aldeias, massacrou e trouxe muitos cativos para Salvador" e, noutra expedição dois anos depois, em informe do padre Leonardo Valle, teria retrocedido ante a resistência dos tupinaés.

A região da Chapada Diamantina começou a ser povoada no século XVII, com a pecuária associada à Casa da Ponte de Antônio Guedes de Brito. Ao longo da segunda metade do século XVII e início do XVIII, bandeirantes paulistas e sertanistas baianos desbravaram a Chapada Diamantina, à procura de pedras preciosas, empreendendo a então chamada “guerra justa” contra indígenas hostis e procura por possíveis quilombos. Nesse contexto, em meados do século XVII, foram descobertas as jazidas de ouro em Jacobina, o que trouxe para essa área um grande número de portugueses e paulistas.

A colonização do sertão não foi pacífica, nem as entradas e bandeiras em busca de ouro e pedras preciosas tiveram facilidades, e Urbino Vianna registrou a seguinte frase do historiador Oliveira Vianna: "cada curral avançado no deserto é uma vendeta contra a selvageria. Cada sesmaria, um futuro campo de luta. Cada engenho uma fortaleza improvisada".

Ciclo do ouro Em 1710, bandeirantes paulistas descobriram jazidas de ouro no atual município de Rio de Contas, o que trouxe para essa área um grande número de portugueses, paulistas, mineiros, baianos e pernambucanos ávidos por riqueza, além de escravizados para trabalhar nas jazidas. Por volta de 1710, surgiu o povoado mais antigo da região, Mato Grosso.

A descoberta de ouro no Rio de Contas Pequeno, quando era vice-rei Miguel Pereira da Costa gerou um extenso relatório por seu "Mestre de Campo do Engenho", em 1721, como registrou Urbino Vianna. Em razão desta descoberta, quando era vice-rei o Conde de Sabugosa, este manda erigir vilas - como Minas do Rio de Contas e Jacobina, e estradas de comunicação entre estas e as zonas mineiras ao sul e ao litoral, ao norte. O autor afirma que, durante o ciclo do ouro, as vilas de Jacobina e Rio de Contas "estabeleceram um dique aos crimes, que se perpetravam em número assustador", tendo ocorrido apenas em Jacobina, entre 1710 e 1721, um total de 532 homicídios por armas de fogo. Na década de 1720, sob ordens da Coroa Portuguesa, o sertanista Pedro Barbosa Leal construiu uma estrada ligando as vilas de Jacobina e Rio de Contas. No meio do caminho, na região do atual município de Piatã, também descobriu-se ouro e formou-se ali seu núcleo de povoamento. 251x251px|miniaturadaimagem|Casa de Câmara e Cadeia, em Rio de Contas: registro da riqueza no "ciclo do ouro" da Chapada.

Num primeiro momento o Conselho Ultramarino decidiu proibir a mineração em Rio de Contas e Jacobina, receando assim esvaziar as jazidas de Minas Gerais mas, ante a continuidade da exploração clandestina, voltou atrás em 1720, liberando a exploração de ouro, mas com o pagamento do quinto do ouro, assim ordenando também a construção de casas de fundição nas duas vilas para cobrar o imposto. Muitos dos que foram atraídos para as minas de Jacobina e Rio de Contas nas primeiras décadas do século XVIII acabaram se desiludindo com as altas taxações sobre a mineração de ouro e acabaram se fixando em outras partes da Chapada Diamantina, se dedicando à agricultura e à pecuária. Registrou o militar Durval Vieira de Aguiar (1979, p. 156) que "Rio de Contas nadou em ouro, de uma maneira tal que pareciam exageradas as arrobas de que falam os arquivos da Câmara e os próprio Compromissos das Irmandades. A moeda corrente era o ouro em pó ou em barra; sendo a oitava quase que a unidade monetária".

Sobre o desenvolvimento da região aurífera da Chapada, Licurgo Santos Filho, no seu livro Uma Comunidade Rural do Brasil Antigo, registra que o povoamento iniciara-se às margens do rio Brumado (na época denominado "rio de Contas Pequeno"), onde hoje se acha a cidade de Livramento de Nossa Senhora, arraial que em 1724 se emancipara e, em razão de epidemias que ali grassavam, tiveram autorização para mudarem a sede, erguida onde hoje está a cidade de Rio de Contas, passando Livramento a ser conhecida como "Vila Velha".

Santos Filho (1956, p. 6) registrou que a nova povoação "prosperou, [...] surgiram e multiplicaram-se as casas de taipa, de porta e janela, moradias dos mineiros e dos novos habitantes, comerciantes e homens de negócio, artífices e homens de ofício, autoridades, gente da Igreja, o cirurgião-barbeiro, o boticário, afinal, toda a população de uma vila florescente, afamada pelo ouro extraído em suas cercanias". O autor fala ainda que para lá acorreram "milhares, talvez, de cristãos-novos", ali refugiados das devassas no Reino, de tal forma integrando-se na vida local que, ao se instalar o Familiar do Santo Ofício Miguel Lourenço de Almeida, não há registro de qualquer perseguição, limitando-se este ao papel de "senhor feudal". Registra, ainda, as estradas da "rota de currais" pelas quais escoavam a produção e comunicava-se a região com a capital, Goiás e Minas Gerais, e também ao Piauí.

Durval Aguiar (1979, p. 155-156) aventa como possibilidades então narradas para o fim desse ciclo as "exigências do opressivo imposto do quinto, feitas pelos agentes do fisco em favor do reino de Portugal; outros dizem que o governo português, no intuito de não provocar a usura dos invasores holandeses, a mandou proibir; outros, mais razoavelmente, asseveram que a mineração do ouro, já um tanto enfraquecida por todos esses e outros embaraços, só veio a cessar em 1844 quando foram descobertas as primeiras lavras de diamantes do Mucugê e Lençóis, que tanto floresceram de 1848 a 1872".